O cigarro e eu: quando o problema é o outro.
Embora haja um forte consenso na América Latina quando ao hábito de fumar e o “ser crente”, este assunto precisa ser tratado com mais cuidado. Gosto de pensar no tabagismo em duas frentes: “O cigarro e eu” e “O cigarro e eu, e os outros”.
A grande maioria dos “críticos bíblicos” ao tabagismo faz uso dos mesmos textos, como segue:
Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.” 1 Coríntios 10.23 (ARC)
Muitas coisas não são lícitas. Como disse em “Tatuagem: tão pecado quanto 1kg de picanha.”, comer demais, não praticar exercícios ou não consultar um médico regularmente também deveriam ser pecados tão abomináveis quanto fumar, usando a lógica nesse texto. Embora seja absolutamente prejudicial à saúde, enquanto a relação é vista sob o prisma individual, não podemos afirmar que há pecado no fumar. É como diz um ditado bastante conhecido no meio evangélico: “fumar não manda ninguém para o inferno, mas deixa o fumante com o cheiro dos que lá estão”. Nada além disso.
O CIGARRO E EU, E OS OUTROS
O ponto central aqui é o amor. É Paulo quem diz, em Romanos 14.13-15:
“Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu.” (ARC)
No Brasil temos por segura aproximação da totalidade nas igrejas evangélicas que fumar “é pecado”. Isso faz parte de uma “classe” de pecados que gosto de chamar de Pecados Culturais (ou Pecados Sociais, nunca me defino quanto a isso): são as ações que em si mesmas não são transgressões mas, se realizadas num contexto que as repudia, pecado tornam-se por causa do amor.
“Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço.” (1 João 2.10 (NVI)
A realidade quanto ao tema é diferente em diversas partes do mundo. Há cristãos notáveis na História que fumavam cachimbo, cigarros e charutos, mas que não perderam seu valor ou foram desconsiderados por tal prática. Alguns exemplos:
Charles Spurgeon (pregador britânico)
J. R. R. Tolkien (escritor sudafricano)
C. S. Lewis (escritor britânico)
Johann Sebastian Bach (compositor alemão)
Billy Graham (evangelista norte-americano)
Este último foi líder em diversas cruzadas evangelísticas ao redor do mundo, sendo a voz usada por Deus para a salvação de muitos! Em todos esses casos, o ambiente onde eles viviam não relacionava fumar com pecado, logo não havia transgressão ou escândalo. Foram homens intensamente usados por Deus.
É fato indiscutível que fumar é prejudicial à saúde e, de umas décadas pra cá, o brasileiro tem visto o tabagismo fortemente como um mau hábito. E é mesmo, perdoem-me meus amigos fumantes (e digo com a autoridade de, como gosto de dizer, um fumante não-praticante). Mas posso afirmar que existem igrejas que recebem você, amam você e querem ter você por perto, mesmo com um maço de Carlton no bolso. Nossa igreja é uma dessas! Você será amado aqui, ouvirá e viverá o amor de Deus aqui e, caso queira um dia, receberá aqui o apoio e incentivo para deixar o cigarro pra trás. Se quiser.
Diego Mota (Líder da Juventude Catarse, da Primeira Igreja Batista em Centenário, Duque de Caxias, RJ.)