“já memorizei seu corpo todo pro caso da gente não se ver de novo” era o que eu mentalizava enquanto estava no seu carro voltando da praia.
eu sabia. a gente sempre sabe quando no dia seguinte não tem ligação. a gente sempre sabe quando no dia seguinte aquela pessoa não vai retornar nossas expectativas infinitas e nossa vontade de ficar. e eu senti contigo, naquele momento em que você me olhou e o silêncio entre nós foi mais ensurdecedor do que uma multidão gritando. eu fiquei me perguntando se aquele último dia em que estivemos juntos era sobre alguma coisa que eu precisava aprender. talvez diminuir as expectativas. se preparar para fins imaginários. porque eu sempre imagino fins que não existem. são finais de relações que invento na minha mente porque dói menos ter respostas dolorosas do que um grande espaço corroendo você.
e você se pergunta: “o que fiz?” “o que deixei de fazer?”. você se questiona se poderia ter feito diferente. se poderia ter tentado de outra forma. mas no final das contas, a gente nunca prevê como será alguém se desligando do que construímos. ainda que essa construção tenha sido de dias, semanas. a gente nunca tá preparado pro silêncio do dia seguinte. e pros dias que não trazem resposta. a gente sempre fica com aquela frustração na garganta por não termos perguntado: “tá sendo a última vez? a última vez que a gente faz isso?”.
eu fui a última vez que você fez isso. você foi a última vez que eu sinceramente desejei estar com alguém. eu fui a última vez que você fugiu de alguém por medo de intensidade. eu fui com você a última vez que abro o peito e deixo tudo sair voando.
eu deveria ter te olhado nos olhos e perguntado se seria o suficiente pra continuarmos no mesmo caminho.
mas como na música, a única coisa que fiz, naquele dia da praia dentro do seu carro, foi memorizar seu corpo, sua pele, e todo o amor que eu poderia te dar se você não tivesse optado por ir na direção contrária à minha.
TCD




















