Voltei a escrever. Eu não me lembro exatamente porque parei, mas cá estou. Lembrei do dia em que parei o carro a seis quadras de casa só pra ajudar alguém que eu não conhecia a ir embora. Lembrei de todas as moedas que eu dei para quem não tinha nada e ainda assim fiquei com a sensação de que deveria ter feito mais. Lembrei também da vez que cruzei a cidade só pra consolar um amigo que não tava muito bem, as três da manhã. É isso, parei de escrever mas não parei de sentir. Sentir que eu sempre deveria fazer mais pelas coisas, e pelas pessoas. Parei de escrever mas não parei de sentir que existe sempre alguém precisando de um ombro amigo, uma piada tosca, ou dois reais só pra comprar o pão. Pronto, entendi! Voltei a escrever, porque nada do que eu diga ou faça, vai diminuir o peso nas minhas costas de ver todas as outras pessoas pesando também. E todo mundo dói, você sabe.
Ciceero M.














