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“I know!” O sorriso que o tailandês carregava nos lábios era largo como se tivesse acabado de receber um elogio, e acontece que o príncipe realmente se sentia orgulhoso de ser irritante na maior parte do tempo, então a confirmação de que estava tirando alguém do sério podia mesmo fazê-lo ter reações parecidas com as de quando o elogiavam. Deitou levemente a cabeça para o lado e puxou o canto dos lábios. “E vai acreditar que me conhece por causa de minha reputação?” Estralou a língua em um tsc bem sonoro, desaprovando completamente o que acabou de escutar, deixando ainda mais claro ao torcer o nariz. “Não me conhece mesmo então.” Finalizou, o olhando desafiador. A reputação de Thitipoom não era das melhores, e ele tinha muita consciência disso, inclusive devia admitir que muita daquelas coisas eram verdade, entretanto não ficaria quieto de escutar alguém julgando o conhecer por causa de suas ações mais malucas que vez ou outra caiam na mídia. Visivelmente se divertia com as reações alheias ao que falava, mantendo um sorriso no rosto e chegando até a soprar risadas de vez em quando, sem tirar os olhos do outro rapaz. “Não…? Não vai aceitar? Assim eu fico triste.” Fez um bico que não durou muito porque logo ria novamente, aproximando-se mais ainda de Daniel. “Não era o que queria? Não estou querendo te comprar, só acho que vai ser divertido.” Explicou, querendo deixar bem claro que não necessariamente tinha segundas intenções ao chamá-lo para jantar, mas se ele quisesse… Não ia ser Tee a reclamar. As carícias que fazia no rosto dele surtiram efeito em Doyoung, e normalmente o príncipe ficaria se sentindo todo, todo por derrubar alguém, só que naquela situação em específico, o loiro sentiu um friozinho diferente na boca do estômago, achando o outro completamente adorável e fazendo com que Tee sorrisse bobo sem nem perceber. “You’re so adorable.” Deixou escapar num tom baixo, o suficiente para que apenas Daniel escutasse. Não lutava mais para ficar na pista de dança, os próprios pés ajudando Doyoung a retirá-lo dali, deixando-se se guiar para qualquer lugar que o outro estivesse o empurrando. “Por favor?” Colocou na cara sua melhor expressão de gato de botas, saltitando no lugar quando teve o pedido aceito. “Obrigado!” Tee parecia uma criança no Natal de tão alegre que ficou, aceitando o termo - mesmo que quisesse que ele ficasse até de manhã - de bom grado, imaginando que se insistisse mais, o rapaz iria apenas voltar atrás e nem fazê-lo dormir. A cabecinha de Tee também já planejava se forçar a ficar acordado até o outro cair no sono primeiro, assim talvez o mantendo por perto durante mais tempo. “Tá bom, eu entendo.” Com os dedos entrelaçados, foi a vez de Tee tomar a dianteira e o puxar até seu quarto, impressionando a si mesmo por lembrar o caminho até o cômodo. “Você é muito maior do que eu, Dodo? Eu poderia emprestar alguma roupa para você dormir mais confortável.” Só se soltou do outro no momento em que estavam dentro dos aposentos, com a porta fechada. “Ou só faz igual eu.” Riu, começando a se despir até estar só de boxer, pouco se importando de tirar a roupa na frente de outros, nem com a própria nudez parcial, e muito menos em jogar a roupa que usava em qualquer canto. Imaginando, no entanto, que Doyoung ficaria envergonhado com isso, deu um espaço para ele ao ir ao banheiro para escovar os dentes e tirar qualquer resquício de maquiagem sobrando no rosto. Uma vez de volta ao quarto, jogou o corpo na cama e abriu os braços. “Vem, P’!”
Spoiled brat. “E você lá tem um coração pra ficar triste?” Arqueou uma das sobrancelhas em tom debochado, soltando uma risada curta ao revirar os olhos. “Não é como se não tivesse uma fila de pessoas dispostas a preencher sua agenda diária, Alteza. Você deve esquecer essa decepção em específico em... Alguns minutos. Horas, se o dia não for cheio.” Concedeu o benefício da dúvida, continuando a caminhar na direção dos aposentos reais. Veja, Danny podia manter uma conversa amigável e aceitar passar tempo com Um e Dois pelo bem deles --- fazia isso o tempo todo com Liev, então estava acostumado ---, mas em momento algum deveria acreditar que seu lugar era algo mais do que temporário. Como o patrão, logo Thitipoom encontraria outro brinquedo mais interessante, e Park poderia retomar suas extensas tarefas, dando a elas a atenção necessária. Precisou de alguns segundos para processar o elogio, mas, quando o fez, virou o rosto para que Phunsawat não tivesse acesso às bochechas: senti-las queimando tanto não podia ser saudável ou normal, podia? Não devia sentir dificuldade em respirar, também, mas engoliu todas as preocupações junto ao pigarro, voltando os olhos para tudo no ambiente, menos Tee. “’mnot!” Foi tudo que conseguiu vomitar em um ensaio de resposta petulante, comprimindo os lábios em uma linha fina antes de liberar a mão do tailandês e desatar o nó da gravata borboleta que há algum tempo já o estava sufocando. Aquilo era uma tortura. Por que diabos tinham desligado o ar condicionado do Salão? Era de se esperar que, em meio à madrugada do Ano Novo, os corredores estivessem congelando e, ali estava Daniel, queimando por baixo das camadas de roupa formal. Demorou tempo demais para perceber do que Tee falava, mas não ofereceu resposta --- estava embasbacado, a bem da verdade: Daniel tinha certeza que não tinha ingerido um pingo de álcool na festa, então por que estava vendo o sorriso de Phunsawat em slow-motion? Ele não estava embriagado, então só podia imaginar que fosse efeito da falta de descanso. Ótimo, agora estava alucinando: mais uma para o bingo dos péssimos coping mechanisms que adquirira ao longo dos anos. “Eu não... Pretendo dormir.” Estreitou os olhos, demorando alguns segundos até compreender a conotação das palavras. “Shit! Nãofoissoqu’eeu quis dizer! Eu quis dizer que não precisa se preocupar com isso! Eu dou meu jeito.” Apressou-se em emendar, arregalando os olhos e praticamente já antevendo a risada tilintada do tailandês; risada essa que com certeza viria acompanhada de mais um motivo para Daniel ter uma bela dor de cabeça no dia seguinte. Devia aprender a ficar com a boca fechada. De toda forma, duvidava que o corpo se acostumasse com seda ou seja lá qual tecido Phunsawat usasse nas roupas. Cerrou os olhos, apertando-os com as pontas do indicador e polegar assim que chegaram no quarto do príncipe. Manteve-se ereto, parado como um dois de paus próximo à porta, as mãos enfiadas nos bolsos da calça de alfaiataria até perceber a movimentação estranha e... “Yer’ve to be kiddin’ me.” (1) Piscou algumas vezes ante a figura de um tailandês seminu à sua frente, tentando ignorar a garganta seca ao virar o rosto para o lado, muito embora a imagem já estivesse gravada na sua cabeça. Não, ele nunca se esqueceria daquilo: “Eu preciso... É---” Gaguejou, gesticulando sem muita eloquência na direção do banheiro de onde o príncipe tinha saído apenas alguns segundos antes. Não esperou resposta positiva, trancando-se no recinto --- três vezes maior do que o cubículo que chamava de quarto, a propósito --- antes de lavar o rosto e ensaiar um grunhido na toalha ao se secar. “Ok. ‘Tá tudo bem. This is completely and totally normal.” A famosa pep talk: vez ou outra ela aparecia, quando Danny estava particularmente estressado ou --- deu uma olhadela rápida para baixo ---... Ansioso. Desatou melhor o nó na gravata borboleta e desabotoou dois dos primeiros botões da camisa social, diminuindo o desconforto antes de respirar fundo e voltar ao quarto, puxando uma das poltronas para perto da cama onde Phunsawat estava deitado. “Eu nunca disse que ia deitar na mesma cama.” Pigarreou antes que Tee pudesse retrucar, ciente de que o efeito da água gelada se esvaía à medida em que continuava a falar, as implicações das palavras assentando todo o nervosismo de Park. “Vamos. Dorme de uma vez.” Mandou, ajeitando-se na poltrona ao cruzar uma das pernas e apoiar o cotovelo em um dos braços do objeto, fingindo um tédio que certamente não estava sentindo. “O combinado foi esse.”







