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Eu voltei, haha
Diz que já não sente nada, que superou, que esqueceu, mas toda santa noite alimenta as lembranças com fotos, relembra as guerras perdidas, as saudades cortantes, as esperas intermináveis. Percebe que tem tudo de alguém que já não tem mais. E se pergunta bem baixinho do que sente falta - mas não responde, congela, se engana.
Sean Wilhelm. (via wardrunks)
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.
Carlos Drummond de Andrade. (via romantizar)
Os rios Também atravessam pessoas.
Geraldo de Barros (via oxigenio-dapalavra)
MULHERES DE TPM.
Ela : traz café amor?
Ele : Na xícara princesa?
Ela : não filho da puta , joga no chão e vem puxando com rodo.
Em meu cabelo há estradas Em minha veia corre petróleo De meus olhos tiram os códigos De minha boca sai poluição Em minha mão carrego ferramentas Em meus pés puxo correntes De minha perna puxam a força De meus pulmões tiram a esperança Em meus braços carrego a alma vendida Em meus sonhos juntam-se todas as engrenagens
Afastou-se do animal e tornou-se triste. (via oxigenio-dapalavra)
O tempo esfria as coisas.
A sombra do vento. (via ciumesss)
Uma pessoa pode sentir-se isolada, mesmo sendo amada por muita gente, só pelo fato de não ser a "única" de ninguém.
O Diário de Anne Frank (via dopar-me)
Sam batucava com as mãos no volante. Patrick colocou o braço para fora do carro e fazia ondas no ar. E eu fiquei sentado entre os dois. Depois que a música terminou, eu disse uma coisa: Eu me sinto infinito.
As Vantagens de Ser Invisível. (via oxigenio-dapalavra)
Que todo amor nos canse… e nos descanse.
Camila Costa (via querido--john)
Sou feita de memórias, Memórias erradas, Memórias choradas, Memórias apagadas, Memórias mudadas, Memórias despedaçadas, Por fim, sou o conjunto de todas essas memórias.
(Malabarista de Sorrisos)
Para mim a poesia é um sentimento. Aperte o olhos, relaxe a miopia da vida e veja. Ela está em todo lugar, no teu colo nas tuas mãos na calma da ilusão na agonia da espera no teu amplo silêncio no teu choro de alegria na agressividade do não na batida forte do coração na aceitação da velha solidão na doçura da flor de chocolate na afetividade do velho escrivão na respiração da frase que te toca no apego aos teus livros e canções no deslumbramento aos pés do Cristo na beleza estonteante do garoto punk no civismo melodramático dos sindicatos na demência do assassino na hora do tiro no abalo sísmico da torcida na hora do gol na fuga desesperada daquilo que te acabou na catalepsia da rotina que esmaga e paralisa no domínio do amante te possuindo feito um cão no dengo do terno e demorado abraço pela manhã na cegueira de nossos governantes pobres de espírito na disputa sã por um amor, uma flor, um amigo, um irmão na consciência que o mundo está ruindo bem a nossa frente no embaraço de uma declaração de amor de olhos brilhantes na fragmentação da vida para no final encontrar o teu começo na discórdia sem nexo do mundo diante da minha sexualidade na dignidade do trabalhador as 4 da manhã na estação central no espanto perante a guerra e a destruição de vidas humanas no horror da miséria exacerbada pela dor e alcoolismo do pai no idealismo estampado na bandeira política do teu partido na histeria completa na chegada dos Beatles ao aeroporto na derrota ao ver uma amigo ir embora pra todo o sempre na espiritualidade de Chico Xavier, Buda e Salvador Dali na descrença de estar vivo depois de se sentir um vazio no dilema entre o desejo e a necessidade do dinheiro na empatia vibrante da resposta que te faz pensar no constrangimento do primeiro olhar apaixonado na genialidade das palavras de Chico Buarque no autismo perante a covardia e inexpressão na carência pelo toque, pelo beijo, pela mão na amargura do abandono e da decepção no brilhantismo de um texto bem escrito na tentação pelo errado e inaceitável nas entrelinhas da prosa detalhada na convicção infame da realidade serial killer de nossos sonhos na lágrima que não escolhe na culpa de não estar lá na tua pele cor de chá na temperatura do ar na saudade d’gente em mim, em você solta e imortal. A poesia vive em cada um de nós.
Elisa Bartlett (via oxigenio-dapalavra)
Não tenho certeza de nada, mas a visão das estrelas me faz sonhar.
Vincent Van Gogh (via oxigenio-dapalavra)
“Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer. A troco? Você passou mais de dez anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não companha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.”
A morte é uma piada, Martha Medeiros. (via flores-e-haicais)