dongratatouille:
“Por que não?”, Dongjun sorriu ao responder a sugestão de seu melhor amigo para beberem algo diferente. Na verdade, ele não soube bem o que aquilo significava. Hyungsik podia se referir a algo diferente como… suco de tomate ou qualquer coisa verde e estranha… ou bebidas alcoólicas. Eles definitivamente nunca tomavam nenhuma delas.
Era uma constatação estranha: eles não bebiam álcool nem sucos estranhos. Hyungsik gostava de coisas doces e por isso sempre bebiam e comiam coisas cheias de açúcar. Dongjun gostava de bebidas amargas e cheias de álcool, mas preferia sempre satisfazer as vontades de seu melhor amigo.
Eles se dirigiram à loja de conveniência mais próxima. “Vamos comprar… cerveja?” Dongjun perguntou, olhando para o amigo, ainda um pouco confuso com a sugestão para a noite. “E soju? Que tal… Makgeolli também? Ah! Bokbunja, Hyung!”, pegou uma garrafa vermelha, mostrando-a alegremente. “É vinho de framboesa, você já tomou? E o que você acha de eu cozinhar, hoje?! Estou morrendo de fome; vem, vou pagar para irmos logo”.
É claro que eles bancariam a ideia (brilhante por sinal) de gastar dinheiro com bebidas de gosto duvidoso - e com efeitos ainda mais. Obviamente o paladar infantil de Hyungsik aceitaria toda aquela mudança. Todas essas frases, certamente, sem ironia. Por fim, havia sido sua ideia - essa última parte, pelo menos, não era motivo de surpresa: Park sempre tinha propostas mirabolantes. E, Dongjun? Bem, disposição a aceitá-las.
Cerveja. Meu Deus. Aquilo era tão… adulto. Até soava estranho, vindo deles, apreciadores do suco bonbon. Hyung - que de hyung nada tinha - tentou manter a seriedade, mas findou por tossir forçosamente duas vezes, como se quisesse parecer conhecedor do assunto. “Ah, meu amor… Você está falando com a pessoa que conhece todos os tipos de vinhos. E esse aqui é o melhor, com certeza.” Ele não fazia ideia do que estava falando ou que gosto aquela bebida tinha. Só sabia que estava mentalizando um mustache em seu rosto e um sotaque espanhol (?). “Você sempre conquista meu estômago, Dongsaeng. É por isso que te amo. Não tenho nem roupa para esse jantar romântico, mas sei que consigo te seduzir mesmo assim.” E lançou uma piscadela. A expressão “sedutora” (com muitas aspas), no entanto, não durou muito, pois ele logo disparou: “Ok! Eu já volto!” Saindo a correr, então, alucinado.
Dongjun sempre gostava de tomar a iniciativa de pagar - até por sua renda ser bem superior a de Hyungsik. Este já tentou negociar diversas vezes, mas aquele era tão generoso que tal insistência não adiantava de muito. Por isso resolveu fazer diferente: foi até o corredor dos doces e pegou três peperos, de sabores distintos. Blueberry, chocolate e morango. Assim, dirigiu-se ao caixa e antes mesmo que o outro pudesse reagir, pagou-os.
Já presentes do lado de fora da loja, seu braço entrelaçou o do amigo, e com a mão livre lhe mostrou a sacola de compras. “Viu? Eu também posso ser romântico.” Disse, junto a um sorriso ousado. Retornou, enfim, a abrir o guarda-chuva, desdobrar esse que soou alto. “Então… Mi casa ou su casa?” As sobrancelhas arquearam repetidas vezes.
Hyungsik iludia Dongjun de uma forma tão doce e nem mesmo tinha ideia disso. Inocente demais, era como o julgava, porque certamente não fazia por maldade: Hyung era todo bobo e feliz, não era capaz de matar uma única formiga, quem diria brincar conscientemente com os sentimentos de alguém…
O problema é que Dongjun também tinha certeza de que Hyungsik era tão bobo e distraído que nunca percebera a paixão de seu melhor amigo.
E aquilo o machucava, como machucava! Queria ter coragem para se declarar, mas o que faria se Hyungsik lhe dissesse que não devia confundir as coisas, que eram só amigos? Dongjun não podia pensar em perder sua amizade. E quanto mais se esforçava para não pensar naquilo, mais pensava! Todos os dias.
“Minha casa, porque sua avó não vai querer te ver bêbado e não quero incomodá-la. Lembra da última vez que fui lá? Ela quis fazer uma janta enorme, tadinha” Dongjun riu em resposta. Não era completamente mentira: não queria incomodar a avó de Hyungsik, mas a verdade era que… bem, também queria uma noite apenas em sua companhia.
De braços dados ao amigo, resolveu mudar de assunto. “Hyung, meu pai quer me dar um carro”, começou a falar enquanto andavam sob o guarda-chuva. “Quer que eu tenha um carro porque quer que eu tenha mais funções na empresa… e pare de andar de metrô” Suspirou e logo sorriu. “Mas fiquei pensando que podíamos ir à praia quando eu estiver dirigindo, o que você acha? Ei, o que você comprou aí?”, e seguiram caminho falando sobre o assunto que mais adoravam: comida.
Quando enfim chegaram ao enorme e solitário apartamento de Dongjun, ele se apressou em fazer o jantar. “O que você quer que eu cozinhe, Hyung? Vou fazer o que você quiser, então pode escolher”, sorriu. “E abra alguma dessas garrafas para bebermos! Também deixo você escolher a primeira bebida”.












