O chão do metrô, na maioria das vezes, parecia cinza demais para Dongjun. Uma cor tão insossa e ao mesmo tempo tão gritante. Era insossa como a melancólica que tomava conta de sua vida cada vez mais, e era gritante porque lhe dizia, nada suavemente, o motivo de tanto cansaço e tristeza: ele não estava feliz com sua vida. E cada dia que pegava a mesma linha do metrô, espremendo-se naqueles vagões abarrotados, andava pelos mesmos caminhos de sempre, entrava pela mesma recepção de todos os dias e se sentava naquela cadeira… Dongjun se sentia mais vazio. A cada passo, ele tinha mais certeza. O que é que estava fazendo ali? Por que é que ainda fazia tudo aquilo se não gostava de estar ali? Era tão claro como o único raio de luz que entra pela fresta de uma janela. Não devia estar fazendo aquilo. Era sua vida, então por que a estava seguindo como ditava seu pai?
O cinza do chão continuava a encará-lo no caminho de volta para casa. Quase podia ver seu pai emergindo, pingando em piso derretido. "Esta empresa será sua, você tem de guiá-la. Não importa que não queira! É a honra da família, não pode abandoná-la". Como faria isso? Trocaria mesmo toda a sua vida por dias fatídicos em um trabalho que não desejava, em uma cadeira de couro que devia ser confortável e não o era? Não era confortável e ele sabia por que não era. Aquele dinheiro todo não faria sua vida ser mais feliz, como seu pai costumava dizer… mas, pela família, havia muito o que se pensar. E suspirar. Sempre suspirar ao final daquele pensamento. Família. Família… Não posso desapontá-la, não posso abandoná-la. Então Dongjun suspirou e se encostou na porta do metrô, fechando os olhos. Como se fechar os olhos fizesse, tal como magia, algo melhorar.
E, no entanto, Dongjun sorriu. Sorriu porque havia, sim, algo como magia que melhorava tudo. E seu nome era Hyungsik. Mais doce que qualquer item no cardápio daquela doceria que não sabia lhe dar valor.
Colocando a mão no bolso, Dongjun procurou pelo celular. Pensou em mandar uma mensagem para Hyungsik e avisá-lo que o buscaria no trabalho, para a noite de amigos do mês, mas desistiu. Ele faria uma surpresa.
Distraidamente, pensando no sorriso de seu amigo, os olhos caíram sobre o céu cinza. As nuvens se amontoavam e Dongjun se lembrou de não ter trazido um guarda-chuva. Tinha certeza de que Hyungsik também não havia levado — conhecia-o por tempo demais para saber disso. E a verdade escondida era que gostava dele por tempo demais para saber todos os detalhes de Hyungsik. Cada um deles. Sua altura, o cheiro de seu cabelo, a carinha que fazia quando costurava, a linha do maxilar, as mãos. Podia passar horas fazendo uma lista de suas coisas preferidas no amigo, porque todas, sem uma única exceção, eram suas preferidas.
Ah! Se um dia tivesse coragem de se declarar…! O que é diria? O que Hyungsik faria? “Funcionamos melhor como amigos, dongsaeng”... e depois tudo ficaria estranho? A amizade se perderia? E se todos aqueles abraços e beijos e atitudes duvidosas não fossem um sinal de sentimentos correspondidos, mas só um… jeito de ser amigo? Amigos. Eles eram mesmo só amigos…?
O metrô parou, as portas se abriram e Dongjun saiu. Parou em uma loja de conveniência. Pegou dois guarda-chuvas, mas acabou comprando apenas um, afinal, desse modo, Hyungsik teria que andar bem ao seu lado sob o único guarda-chuva. Gostando de sua estratégia, Dongjun se dirigiu ao trabalho do amigo a passos rápidos. Não via a hora de encontrá-lo, queria vê-lo sorrir e ouvi-lo chamando-o de dongsaeng, mesmo que o hyung ali fosse Dongjun.












