não sabia o que fazer, não sabia o que sentir e definitivamente não sabia como agir. ao ver as lágrimas se formando nos olhos que encarava, elizabeth sentia que devia tocá-lo. devia acalmá-lo, abraçá-lo, consolá-lo, mas tudo o que conseguiu foi desviar o olhar e quebrar o contato. a respiração que já estava pesada, agora beirava o incontrolável ao ouvir a voz do homem — já o tinha ouvido, sabia que sim, mas como? quem era aquele que provocava tanto com tão pouco? "não se preocupe, eu— eu estou bem. nenhum cavalo me acertou..." não sabia o motivo do choro, mas se o problema era seu bem estar, afirmaria que não precisava de ajuda, mesmo que tivesse dificuldade em andar devido ao ferimento na coxa. o tentar se mover provocou um grunhido de dor que tentou ser contido, mas sua expressão era óbvia demais, tanto que foi um impulso se apoiar no homem para não acabar caindo. "... apenas... uma espada." complementou, retirando parcialmente a mão do ferimento para que ele o visse. "desculpe." o tom era baixo, quase murmurado. apesar de estar se desculpando pela destra suja de sangue ainda pairar no ombro alheio, elizabeth não estava arrependida. na verdade, por algum motivo, sentia-se segura. confusa na presença do outro, mas segura. era como se ouvisse os próprios batimentos nitidamente, como se o coração fosse sair pela boca a qualquer momento e não mais voltar. não queria soltá-lo, mas tentou fazê-lo ao ouvir a menção de morte. "está machucado?" a preocupação no olhar era automática, procurando por qualquer ferimento no corpo alheio, mas o rosto ardia em rubor ao encarar o semelhante tão de perto. foi a única vez que, em silêncio, a mão livre retirou uma das lágrimas teimosas que corriam por ali. "quem é você?" perguntou novamente, talvez mais para si do que para o outro. precisava daquela resposta, quem sabe assim também saberia o porquê de querer tanto cuidá-lo.