Ele pisou no meu olhar com aquele caminhão de brilho chamado de sorriso. Uma estradinha pra felicidade. A gente sempre soube que tudo conspirava contra nós, mas o mais importante tínhamos. Nós. A gente é inteiramente da gente, e isso ninguém pode explicar. Nem ele, com aquele infinito bonito dentro dos olhos. Ele se acha, e mal sabe que enquanto isso eu me perco. Me perco na sua graça, na sua respiração forte do outro lado da linha, e quando vejo já perdi até a linha também. Eu o amo, e isso a gente sempre soube, eu só não sabia dar nome. Ás vezes eu não sei se choro de uma tristeza profunda ou de uma alegria contagiante, porque tê-lo é a melhor coisa do mundo, mas não tê-lo é a pior de todas. É que com ele eu estraguei todos os meus disfarces, ele me viu pura, limpa, vulnerável. Me viu sem máscara e sem maquiagem. Me viu inteira, doce, amarga, azeda. Me viu rir e me viu chorar o dobro. Ele me protege de todos os meus medos e fantasmas e nem nota o quão a capa protetora que ele chama de amor me livra dessa bomba que tenho dentro do meu peito fraco. De achar que sempre serei imperfeita e de que nunca nada vai dar certo. Ele me viu do avesso, pior, ele me virou do avesso. E acho que esse era mesmo o meu lugar. Eu chorei de medo de não sermos nós até quando sonhamos. Chorei porque é isso que a gente faz quando enche até a borda, transborda. E eu sorri em seguida, porque é isso que ele me faz, ele me derrama pra poder me encher. Ele me ensinou que as coisas podem dar erradas sim, e sempre. Mas que quando a gente almeja o certo, até o errado se redime. E amo o avesso dele.