i’m tired of this
Já sabia desde pequeno que teria de se esforçar para ser o guarda de Dorian, não que fosse extremamente difícil seguir o amigo pelos corredores do castelo, o protegendo de qualquer coisa que pudesse acontecer, seguir o príncipe era quase um hábito que nunca tinha o deixado. Assim que os afazeres do melhor amigo tinham acabado, Lukas o escoltou até onde ele quisesse ir; pelo que tudo indicava, eram para o quarto dele que estavam indo. Deu uma risada genuína para Dorian quando comentara sobre não aguentar as reuniões que tinha que escutar para ser rei. Ia comentar que não conseguia imaginar o peso horrível que carregava nas costas desde pequeno, se tornar rei, estudar a vida inteira para governar uma população inteira só porque você nasceu filho de alguém influente. Contudo, ficou quieto como de costume, não deveria ficar espalhando seus comentários.
Assentiu ao comando, dando um sorrisinho esperto para o amigo ainda olhando para frente, enquanto o provocava: “Como quiser, Vossa Alteza.” Lukas tinha essa mania insolente de provocar o príncipe, coisa que o rei não gostava muito, principalmente quando menor costumava fazer isso em frente de qualquer pessoa; e com qualquer pessoa quer dizer: pessoas influentes. “E sempre tem algo para fazermos, porém…” Deu de ombros, instigando o amigo a perguntar, mas sem querer parecer tão excitado com o que pudessem fazer; com toda a certeza, não ia ser algo que o príncipe e o seu guarda poderiam fazer, muito menos juntos. Entretanto, Lukas e Dorian, os melhores amigos, talvez pudessem fazer. Walsingham abriu a porta para o príncipe, assim que chegaram aos aposentos do mesmo.
Eram raros os momentos em que poderia se sentir livre de sua função como príncipe. Carregar o fardo desde o berço era problemático demais e com o passar do tempo Dorian notou que gostava das coisas que maneira simplória. Era muito melhor assim, embora parecia que seu pai acreditava piamente que problematizar cada vez mais o que o único herdeiro fazia o tornaria um rei tão bom quanto ele ou até mesmo melhor. E era por conta de pensamentos assim do homem sábio que ele se sentia exausto de tudo e todos. Sendo sua única salvação da vida tão atribulada, o melhor amigo.
O loiro rolou os olhos quando o outro soltara o pronome para si. Não era necessário, não deveria. Não quando estavam a sós. “Às vezes minha vontade é de te socar por isso.” Comentou com uma faceta um tanto quanto emburrada, a qual muito pouco durou, pois as lembranças de sua mãe a dizer que um príncipe sempre deveria manter uma expressão serena, o fizeram tornar a expressão suave de sempre. “Porém?” Questionou com uma sobrancelha arqueada. Parecia que ele necessitava daquele tipo de mistério, parecia que só aquilo poderia ser capaz de mudar a sua vida de algum jeito. Sair da monotonia e dos afazeres. Quando dentro do próprio quarto, virou-se por completo para Lukas. “O que se passa nessa mente arteira, Walsingham?”








