VĂ´ deixá esse blogui em homenagi a Baleia. Essa sim era cĂŁo di famĂlia. Nunca vai sĂŞ esquecida. Amamo ocĂŞ, Baleia <3

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VĂ´ deixá esse blogui em homenagi a Baleia. Essa sim era cĂŁo di famĂlia. Nunca vai sĂŞ esquecida. Amamo ocĂŞ, Baleia <3
 Quer saber, Dona Senhora Sinhá Vitória tem rasão. Pô sul da qui a poco, pecisamo vivê bem, numa terra boa, de cabra macho que nem eu!
Tá tudo secano!
 Q diaxo da mulestia, tá morreno tudo, tá tudo seco, tive que matá e salgá um bizerro. NĂŁo queria saĂ de lá, mais a seca tava cada vei piĂł i ela se tornĂ´ definitiva, entam saĂ com minhá famĂlia. Dona Senhora Sinhá VitĂłria Ă© uma muiĂ© muito froxa, xora por tudo, ela tava xorando pq Baleia nĂŁo vai cá gente dessa ves.  Indá bem qui nu caminhu conversamu pq isso dexa a caminhada meno cansativa e os garoto já fica nu pique. Maudita Ă©gua, pq tive que devover ela po patrĂŁo? Ela pudia ajudá com as bagage. Ando, ando, ando e nĂŁo saio do lugá. Minha muiĂ© tá sonhano de mais, onde já si viu, essa rapariga deu de falá que quĂ© morá num lugá fiqso, numá cidadi, coloca os menino na escola, pra eles tĂŞ um futuro meiĂł. Esses menino vĂŁo Ă© cuidá de boi como o pai deles, isso que cabra macho faz.
Pássaro devi sê bichu do diaxo!
 Tava conversano cum minha Dona Senhora Sinhá VitĂłria e ela falĂ´ que os pássaro qui tava perto da árvore perto do bebedoro ia matá o gado pq eles tava bebeno a água. Quando ela falĂ´ isso logo pensei que ela tava fumano craqui, porque onde já se viu passaro matá boi? SĂł memo essa rapariga pá falá isso. Mai depois di me explicá melhĂł, intindi o qui essa muiĂ© tava falanu e, comum pai de famĂlia, fui resolvĂŞ isso.
 Peguei minha espingarda, como um cabra macho faz, e fui pá árvore e no caminho me veio uma tristeza, uma bad, me lembrei de Baleia. Dei vários tiro naqueles filho de uma mulestia, cabei me lembranu de algumas coisa que aconteceu e atirei tudo nas ave, atĂ© purquĂŞ elas que beberaum nossa água toda, elas que saum responsável por essi infernu. Cairam uma a uma, tava parecendu chuva e quem dera fosse chuva mermo. O sĂ©u ta cada vez com menos nuvem e isso significava sĂł uma coisa, the seca is coming. Resumindo: Tenho a sensaçaum di qui estamo andanu, andanu, andanu mai nunca saĂmo do lugá, mai pelo menos hoje vamo dormĂ de buxo xeio de ave.
Parece qui o jogo virô, né mesmo?
Oxi, que Ă©gua mulamba da peste!!! A desgraçada deu nesses dia pá fugĂ e me deixá na mĂŁo! IntĂ© poco eu tava procurano ela nessa seca dos inferno,aqui ta piĂł du que SĂŁo Paulo, Ă´ lugarzinho quente do diaxo! Mais o piĂł nĂŁo foi isso, eu tava procurano ela e tava sentino um negoço atrás di mim, parecia qui eu tava cum o sexto sentido do LampiĂŁo, entĂŁo, comum cabra macho, aprontei o meu facĂŁo logo pá abrĂ o buxo de um. Virei, quando vi era o samango amarelo. ProcĂŞ vĂŞ, um dia Ă© da caça e o otro Ă© do caçadĂ´, esse mulambo otro dia tava me predeno e agora ta aĂ, todo se tremeno de medo e sĂł, tava marelando, literalmenti.
Quano vi o fĂ duma rapariga, logo mi lembrei do qui ele me causĂ´ e veio quela vontadi de cortar o buxo dele e fazer buxada pra cumer com a famĂlia. Mais como a vigança nunca Ă© plena, mata alma i envenena, me senti no devĂŞ di ajuda o moço a seguĂ com sua viagem.
Resumino: Hoje o dia foi longo e seco.
PĂ´bremas da vida
Naum ter minha própria casinha é muito ruim, tenhu qui pagar meu patraum cum meus bixos. Todos mi robam.U patraum discutia com minha muié puque os valor das conta eram diferente da minha muié, só pudiamus aceita si naum num tinhamos mais casa. Num consegui dormi, num via futuro pa mim. Ia trabaiar sempri, e quandu naum tivessi mais trabaiu voltaria pra caatinga seca e morreria di fomi. As istrelas tavam brilhando mais, sinal da seca cheganu. Lembru de Baleia, mi sinto comu tivessi matadu um parenti...
Descansi im paz, Baleia :'(
Baleia tava morrenu. Pelus tudo caindo, cheiu de firida, coitada. Só pudia acabar com o sofriementu dela se matassi a bixinha. Us mininus ficaram tudo doido, a pobi era parti da famia. Levatei a inspingarda e atirei, pegou na parti de tras da coitada. Ela si arratou a mais naum foi muito longi e partiu embora. Qui Deus ti levi pro séu dos bichu, Baleia.
Prepará pra festejá
Eu e meus fios tava vestidu todo de brancu. Dei uns tecidos pra Sinhá tentá fazer essas ropas mas achu qui ela tava robando retalhus. Minha muié tava toda nu vermelhu, num cunseguia nem anda com aqueles saltus alto. Caminhemus muito, ficamus desarrumados di novu, deixei até baleia chegar perto. Quandu xegamos na cidade fomos direto ao rio limpar a sujera, o sapatu tava machucanu. Tinhamus qui tá arrumadus pra festa da igreja. Us meninus ficaram assustadus com toda aquela genti, era tanta cor, cheiru, nomi, tudo estranhu. Mi senti numa latinha de sardinha, num cunsiguia andar di taum cheio qui tava lá. Du ladu de fora fui apostar e bebi muito, fiquei bebim, deitei até nu chão e dormi.
Tá frio pra cacete.
 Quem diria que nessa quentura disgracenta que mair pareci u inferno (eu discubri o que inferno significa! Fabuloso!) faria um dia frio.  A gente acendeu a larêra e nus reunimu pertu du fogaréu, pur causa dus vento gelado que num  deixava nóis durmi.  Dirrepente, u mar véio levanta y diz qiue vai buscá mar lenha. Achei aqilo um desaforo e fiqei muito invocado. Eu ia deixá elle dy casstigu, mas Dona Senhora Sinhá Vitória não dexô.  Tivemu uma cunversa moito intereçanti, eu vou inscrevê u quie nóis disse -“huh?” -“meh.” -“mi?” -“mi.” -“rargh” -“meh.” -“HUH.” E assim foi..  Canssei mi dessa cunversa complequiça e acomeceime a contá sobri u dia q eu venssi u sordado amarelo: - Daà eu incontrei eli na ixquina da Rua Girimum e dei um soco nu bucho dele. - dissi eu. - Painho, o senhô tida dito qui tinha sido na Rua Canavial... - Ocê tamém diçi que tinha sido um chute...  Us muleque di hoje im dia num presta atenssaum em nada, cacete. Comecei a contá o causo todo di novo tim tim pur tim tim, mas os muleque já num prestava mais atenção. Pensei em contá u causo pra Baleia, mas essa já tava no sétimo sono.  Um dia eu conto a história procês.
Mainha, eu fui preso!
Hoji eu fui Ă feira comprá coisas. Parei prá tomá umas pinga, i um soldado ixtranhu mi xamĂ´. Ele era amarelo. Essi samango amarelo mi xamĂ´ prá jogá carta. Eu ssabia qui colocá u dinhĂŞru dar compra  ia dexá a Dona Senhora Sinhá VitĂłria qui nem u cramunhaum . Pençei em cantar aquela mĂşsica “vĂ´ naum, queru naum, poçu naum, minha muiĂ© num dĂŞxa naum”, maisi eu num conçegiui negá. Perdi TUTO. SaĂ muto apurrinhado do bar, pensanu nu qui eu ia dizĂŞ pra minha muiĂŞ, e num conçiguia pensá im niniuma mintira. AĂ eu mi apercebo qi u sordado amarelo veio atrás di eu, mi perguntanu puquĂŞ  eu tinia ido imbora daquele geitu sem mi dispidĂ. Pensei im falá  “Diacho mulambo da peste, tu me tirĂ´ tuto i ainda quiria qi eu foçe simpático cum ocĂŞ?”, mas mi çigurei y apena dissi pa ele mi deixá na paiz de padim çiço. SĂł qe o fio da Ă©gua continuĂ´ mi provocanu i teve uma Ăłra qui eu num guentei. xinguiei ele tamĂ©m. SĂł que eu tava meio nevoso y acabĂŞ trocanu toda ar palavra. “Seu vagavara, fio de uma capivunda!” Eu sei, sou mui disgracero cum palavra. Sei nem comu eu ixcrevo nessça joççça. Enfim, voltanu ao causo, depor qe eu disçse aqiuilu, u soldado chamou os cumparsa dele i eliss mi prenderum. Disgracera! No xilindrĂł, ficava tentanu matutar na minha cabessa o qui acunteceu i comu eu tinha ido pará ali. Se eu num tivessi xingado o sordado, eu num estaria aqui agora. Se eu subesse falá, eu explicaria tudo i taria livri. Fiquei imaginando os meus fio, um dia, recebenu os mesmo maus tratu. Era tanto pençamentu na minha cachola qui eu tava perdido. No fim do dia u delegado arresolveu mi liberá.
Genti eu axei uma foto du infernu. Qi horrô! Si ta calô aqui, magina lá! Pela mô di Deus! Puque meu fio qué sabê o qué isso, gezuis?
I num Ă© qui eu acertĂŞi? Xuveu um pĂ´co. Ueba \o/
Um fazendêru das redondeza tentô nus ispulçar do nosso novo abrigu,mais eu oferessi meus serviçus pra a ele. Ele dexô ficar em troca di eu trabaiá pra ele comu vaqero. Tava procuranu uma novilha perdida quandu u minino mair véio veio mi preguntá u qui era u inferno. Sei lá o qui é issu, só sei qué ruim. Odeo preguntas, num tenhu ssaco de arrespondê i nem sô obrigadu. U devê di educá us fios é da Dona Senhora Sinhá Vitória. Tinha um cabra chamadu Seu Tomás. O homi era inteliguente pra burro, e lia pra caramba. Num guentou a seca i moreu. Viu, du qui adiantava conhecimentu? A seca num perdoa ningém. Nela só os fortes sobrevivi. I eu preciso resistir, sê duro. E quando eu morrê, meus fios devim sê duros comu eu. Minha muié sempri diz que gostaria di tê uma cama igual a do Seu Tomás. Que asnêra. I comu ela xegô a cunhecer a cama dele? Só diachu sabi...
Bô, hoji eu vô cumessar a contá mais sobri minha vida.
Eu tenhu dor fios, o mar novo e o mar véio. Tamém tenhu uma muié, Dona Senhora Sinhá Vitória. Pra completá, agente tamém tem uma cadela, Baleia. Apesar di ela si xamá assssim ela é bem magricela. Antis a genty tinha um papagaio, o Mr. Dawg G. Maisi nóis tava sem cumida e isfomiado, entaum tivemu que dá um fim no pobri Dawg G. Só restou nóis sincu. Agenti passô o dia andanu, tentando achá um lugá pra ficá. Depor de mó tempaum andanu, a genti incontrô uma caza. Fui conferà e vi qe nu tinha niguém, podi sê qui o pessoar qui morava aquy saiu tentanu fugà da çeca. Inquantu arrente botava as bagagi dentro da caza nova, a cadela saiu pra buscá cumida. Depor di um tempu ela voltô com um preá morto na boca qui ella pegô. I essa foi a noça janta. Tinha umas nuvenzinha muto loca hoge no sséu de noiti. Tomará qi xova.
O que içu faiz?
E ae cambada! Eu sou Fabianin Fogaça, e vou contá minha vida nessa joça. Eu num sei como funciona essa bagaça, mas mi mandarum criar um brógui para ficá “ligadão” nas novidadi dus mundo cibernéticus (falei bunito,nu é?)
Tá, agora vou me ir trabaiá na fazenda, meu patrĂŁo tá me gritando. Ele Ă© um infeliz da costela oca, qui num me deixa sussegado. Mas vamo lá, tenho que botar a macaxera na mesada minha famĂlia, se num eles passa fomi.
tiau