- ̗̀ 𝐨𝐮𝐫 𝐬𝐞𝐜𝐫𝐞𝐭 𝘱𝘭𝘢𝘤𝘦 ❪ ˙˖ 🥀 @du-taejoon @du-changyun ——— Conforme crescia, Inna aprendeu duramente que um lar — nem sempre empregando o verdadeiro sentido da palavra — por vezes não acomodava conforto e confiança. Amigos combinavam constantemente encontros dentro da comodidade de suas casas, e a garota, por puro azar do destino considerando a família onde nascera, acabava preferindo locais públicos, como cafeterias. Porém, tal perspectiva mudara após conhecer Changyun e principalmente com Taejoon fechando tal círculo, os três recebendo olhares que pareciam ter a intenção de deixá-los desconfortáveis por serem os únicos a aparentemente terem a capacidade de entenderem o significado de amizade, a expressando livremente já que tal ligação não era encontrada à cada esquina. Por isso, além da falta de liberdade limitando seu comportamento quando entre as paredes com o peso do legado de um pastor, decidiu que necessitavam de um espaço para os fins de semana e dias onde a universidade também lhes parecia sufocante, decorando o ambiente aos poucos como parecia do gosto de cada um, tornando confortável para as mais diferentes tarefas apesar do habitual ser as intermináveis discussões em relação ao filme do dia. A mensagem de texto enviada pela manhã, marcava o horário em que entraria o levador junto a caixa de donuts esperando que ambos estivessem a sua espera, esbanjando um sorriso iluminado ao ver as duas figuras masculinas entretidos pela possível antecedência. —— Tcharam! —— Exclamou ao abandonar a caixa entre os dois corpos jogados no sofá, se colocando por trás do móvel para inclinar o corpo e assim poder beijar ambas bochechas, uma de cada vez. —— Já pensaram no que vamos fazer hoje? Passei a semana escrevendo um trabalho insuportável, é bom terem ideias. —— A face fingiu um pesar descarado, demonstrando terem sido aqueles os piores dias de sua vida, e para seus dedos também. —— Uh, vindo pra cá eu vi aquela garota que você ficava, e ela estava gritando com a atendente de uma loja. —— Cutucou Changyun, em seguida abraçando o outro rapaz pelo ombros, se escondendo do que verbalizaria em seguida acompanhada da voz infantil. —— Nós avisamos que ela é uma bruxa, não é, Tae? Você deve estar amaldiçoado agora, então não podemos chegar perto ou acabaremos infectados também.
˖ ˙ ⊰ ・‥ ☽ ⊱ ━━ Lutava consigo mesmo para enfim ser capaz de finalizar um texto dissertativo-argumentativo. Estava quase dormindo sobre os livros quando começou a escrever, o que não era diferente agora, uma vez que havia passado da metade do texto e sequer tinha conhecimento sobre o que estava escrevendo. Teria jogado todos os livros para o espaço se não estivesse sendo, indiretamente, pressionado. Seus avós o impuseram boas notas, ou seria o fim da merreca que ganhava como mesada todo o mês. Se não fosse tão apaixonado pelo dinheiro, já teria desistido. Porque Changyun odiava precisar estudar o dobro para conseguir obter resultados sempre razoáveis. Não era um bom aluno, não tinha paciência para isso. Por isso sempre recorria aos seus amigos quando necessário. E embora não fossem do mesmo curso, estes não mediam esforços para fazer o conhecimento entrar em sua cabeça dura. O que muitas vezes o fazia conseguir notas boas o suficiente para não lhe trazer ainda mais dor de cabeça em sua casa. O que, de certo modo, já era o bastante para Song que no fundo não se importava com mais nada. Suspirou, deixando a caneta para trás quando recebeu uma mensagem de Inna. Internamente feliz por ter uma desculpa para abandonar tudo e correr para o mundo lá fora. O que fez em ímpeto, sem ao menos questionar. Adorava a companhia de seus amigos, ambos tinham o podem de melhor seu humor 1000%, além da habilidade de fazê-lo ser uma pessoal totalmente diferente em sua companhia. E embora odiasse ser o cara que demonstrava as suas fraquezas tão abertamente, era acolhedor tê-los ao seu lado para ser o seu refúgio sempre que necessário. ━━ É melhor não pedir a minha opinião hoje. Os poucos neurônios que me restaram foram fritos por aquela droga de texto dissertativo. Eu estou há vários dias tentando mas parece que essa é a única habilidade que eu não domino mesmo. ━ Apoiou os pés na primeira superfície que encontrou, roubando um doce da caixa outrora deixada em seu campo de visão. Arrogante dizer aquilo em voz alta, sabia. Mas em seu ponto de vista, não havia nada que não fizesse com maestria. ━━ Vai começar com isso de novo? Você sabe bem quanta dor de cabeça eu passei com aquela garota. Foram semanas pra fazer ela largar do meu pé. ━ Murmurou com a boca cheia sem preocupação. ━━ Já aprendi a minha lição. Preciso parar de me atrair por gente doida.
Fechou os olhos, exausto, recebendo de boa vontade o beijo da amiga em sua bochecha. Até mesmo permitindo que um sorriso desse forma à sua boca. Parava para pensar de vez em quando em como era bizarra a forma que se permitia ter tanta intimidade com os amigos assim, como nunca era de se incomodar com toda a intimidade que tinham uns com os outros. Afinal, nem fazia a menor questão de disfarçar como estava longe de ser o tipo de pessoa que se abria facilmente com os outros. Nem mesmo gostava dessa ideia. Então era curioso como tudo ocorria de forma tão natural quanto estava na companhia deles; eram parte do pequeno - para não dizer minúsculo - grupo de pessoas a quem Hae permitia que vissem por baixo da armadura que estava tão acostumado a carregar que nem se dava mais conta. Gostava de pensar em como era reconfortante saber que haviam pessoas como eles no mundo, com quem sempre poderia contar e que sempre tornariam qualquer ambiente acolhedor. “Que texto dissertativo é esse daí? Não me lembro de ter ouvido dele.” Murmurou, embora tivesse plena noção da chance de ter ouvido sobre aquilo mais de uma vez e não ter guardado nada em sua memória por estar atrapalhado ou estressado com alguma outra coisa. “Ah não, não acredito que os dois vão se escapar e vai sobrar pra mim. Não é justo, sei muito bem que vou ouvir pelo resto da minha vida se não gostarem das minhas ideias. E eu também estou cansado, um cara da nutrição me largou o computador dele e deve achar que eu tenho cara de mágico pra arrumar em menos de um dia pra dondoca.” Revirou os olhos, não entendendo como as pessoas às vezes pareciam achar que não tinha mais o que fazer. Se esticando para a frente o suficiente para pegar um donut para si, o rapaz acabou rindo só com a menção da garota com quem o amigo andava saindo. “Cara, não dá pra te defender com aquela lá. Também não foi por falta de aviso. Dá até vontade de tomar um banho de sal grosso pra não pegar esse seu azar.” Riu, tocando carinhosamente o braço de Inna que estava em torno de si com a mão livre. “A gente vai ter que se esforçar pra te superar com essa daí. Porque seu dedo podre ‘tava no auge. Vê se agora aprende a ouvir a voz da razão ao invés de ser otário…”