Decidi que voltaria a escrever, a compartilhar tudo o que está aqui dentro de mim. Eu sempre fui muito boa nisso, então por que não? O eu de agora é, sem dúvida, um eu que não levaria em consideração há três anos. Eu mudei; mudei de dentro para fora, a forma de pensar, agir e, principalmente, de sentir. Hoje, sinto-me bem; finalmente consegui romper as algemas que me prendiam em uma eterna angústia e solidão. A vida parece mais simples, mesmo sendo tão complicada.
Consegui organizar melhor o que estou sentindo, embora às vezes ignore essas emoções. É como se eu estivesse aprendendo, ou apenas aprendendo a lidar com isso. Todo aquele drama já não me envolve mais; não imploro mais por atenção, e não faço questão da presença dos outros. Aprendi a lidar melhor com minha própria companhia, que antes me causava agonia. Vejo as coisas de forma abstrata, mas com um certo apreço, como se todas as peças estivessem em seus devidos lugares.
Tento me culpar menos, embora a culpa ainda seja um dos sentimentos mais difíceis de lidar. Já não me cobro como antes, e quando percebo isso em momentos de reflexão ou ao apreciar o ócio, percebo como tudo mudou e continua mudando. O novo já não me assusta; só não me consigo entregar completamente ainda. Contudo, considerando as experiências que tive, isso é compreensível e requer tempo – não sei quanto, mas sigo assim, olhando a vida com outros olhos. Pode parecer clichê, mas é o meu clichê.
O amor já não me importa tanto, não o amor romântico; não que eu não me importe com ele, mas não quero viver só por isso. O amor que sinto por mim mesmo tem sido maior, pela primeira vez. Amo a ideia de amar, de sentir todas aquelas emoções do começo, aquela sensação de estar conhecendo alguém. Contudo, acho que isso é mais comum do que parece, e não quero me entregar sem pensar.
Tenho uma bela casa e uma mente que não para um segundo, e isso me define—ou talvez não. Nunca mais tive uma crise de ansiedade, o que é uma loucura. Em meus 20 e poucos anos de vida, jamais imaginei que isso seria possível: viver sem aquela angústia e quase tragédia constante. Tem sido prazeroso apreciar a vida por essa nova perspectiva. Sinto-me estranhamente bem, pois, mesmo em momentos de melancolia, é como se eu soubesse que isso é apenas uma passagem, e logo ficarei bem de novo—antes, era o contrário.
Escrever sobre isso me fez perceber que sempre estive aqui; só me mantive distante. Quero me recuperar, me trazer de volta. Então, retorno.















