Eu também não, era o que ele pensava e, as vezes, até tinha vontade de admitir em voz alta. Mas sabia que não podia. Não devia, querendo ou não. Ele tinha uma imagem a manter, um status. Sabia que se todos soubessem sua real condição, não olhariam para ele da mesma maneira, não falaria com ele da mesma maneira. Eleanor, por exemplo, não estaria o convidando para ir ali. Não, ela provavelmente ficaria receosa ao ver sua conta negativada. “E o que acha da praia?” ele perguntou com curiosidade “Normalmente não aguento ficar muito tempo, a areia me deixa um tanto quanto incomodado. Mas se quiser me levar um dia desses para dar uma volta” jogou verde. Não era como se estivesse chamando-a para fazer algo exuberante, certo? Mas não podia negar que achava que poderia ser um passeio interessante. Eleanor era diferente. Mais velha, elegante, gentil, sincera. Era dificil para ele conviver com pessoas tão autênticas e brilhantes, era automático se sentir encantado por tal energia. “Poodemos fazer ser mais light. Quer dizer, passear pelos castelos? Tomar um bom vinho francês? Eu acho que poderia ser convidativo. Você não acha?” ele falou, dessa vez olhando em seus olhos com a sobrancelha levemente arqueada. “Depois que eu esquiar com os meninos. É claro.” ele reforçou, mais uma vez, dessa vez comprimindo um pouco mais os lábios. Analisou seu rosto por alguns segundos, como se tentasse memorizar os detalhes de sua pele. Mas foi chamado atenção pela exclamação dela, que fez o mais alto abaixasse o rosto e tirasse aqueles malditos pensamentos de sua cabeça. Ela era casada! Ele era apenas o bom vizinho que ajudava-a as vezes. E era isso que ia fazer agora. Ao ser mostrado ao visgo, Nate foi se aproximando e se viu próximo demais dela quando parou diante da mesma, subindo os olhos para analisar onde deveria colocar. “Não precisa se preocupar, inclusive, tem que se cuidar mesmo” ele disse, tocando seus dedos ao segurar o visgo de plástico em sua mão “Posso fazer quantos favores você quiser. Sabe que eu gosto de ser útil, uh? E um bom vizinho”
Eleanor estava adorando aquela conversa. Não conseguia se lembrar quando fora a última vez que alguém de se importara com suas vontades, que alguém havia perguntado a ela o que gostava, como queria que o dia fosse. Não, não. A últimas “férias” que tirara com a família era sempre para os filhos, pelos filhos, e o marido nunca fazia questão de ter uma noite romântica com ela, jogar futebol com os amigos era mais importante. Eram detalhes como aquele que a faziam olhar para o vizinho sempre tão atencioso e perguntar... e se? E se ela pudesse se aventurar com alguém diferente? Com alguém que talvez a tratasse infinitamente melhor do que era tratada naquele momento? Pelos deuses! Estava prestes a ter um bebê e o marido nem sequer lhe oferecia uma massagem nos pés. “Eu gosto pela paisagem, mas também não costumo ficar muito tempo. Não gosto muito do mar e a areia realmente incomoda.”, deixou que um riso escapasse enquanto respondia a pergunta dele, afastando todos os pensamentos que a deixavam confusa. “Sou mesmo fã das montanhas, e apenas delas.”, deu levemente de ombros. “E eu adoraria, a degustação de vinhos. Dizem que é a bebida mais romântica que existe”, e então pausou a própria fala novamente. “Depois do esqui com os meninos.”, o garantiu, um singelo sorriso nos lábios, mas que não escondia as segundas intenções que momentaneamente se passavam por sua cabeça, e que foram o que a guiaram e a fizeram colocar o visgo propositalmente, precisando da ajuda alheia. Eleanor se perguntava se jogar daquela forma lhe traria muitos problemas, e a verdade é que ela sabia que sim, mas era uma vontade. Era algo que queria. E se Nate quisesse também, bom... os que os olhos não veem, o coração não sente, já dizia o ditado. Por isso, quando ele aproximou-se para ajudá-la, a frase dita pelo mais novo trouxe a ela um momento de fraqueza, mas as frases que saíram de sua boca não foram arrependidas no segundo seguinte. “Leve em consideração que gosto de ser surpreendida com os mínimos favores.”, e novamente aquele sorriso singelo, esperando que ele entedesse o que ela tentava dizer.