“Mais ou menos. Eu faço mais em mim, mas na semana passada eu fiz em uma amiga depois que ela torceu o pé por ter escorregado. A dor tinha passado, mas ainda estava meio inchado e eu tenho um óleo de massagem que ajuda bastante nisso.” Ele explicou; a bem da verdade, uma de suas partes favoritas ao final do dia era aplicar aqueles óleos em si próprio, sentindo-se bem mais relaxado com a ajuda deles, dormindo muito mais confortável depois disso. Sobretudo após uma semana estressante de trabalho.
E eram aqueles movimentos que ele aplicava em Maureen, sentindo seu coração vacilar algumas batidas ao constatar as unhas em tom claro pintadas; Wilson definitivamente passava uma essência de alguém que gostaria de cores mais fortes, intensas, então aquela fora uma grata surpresa. “Ano passado uma ex-namorada me ensinou a fazer as unhas dela. O esmalte não fica lá muito uniforme, mas minha cutilagem, posso garantir, é incrível. Por mais que o pessoal daqui não se preocupe muito com isso.” Riu, meio desconcertado ao dizer aquilo. Não por orgulho ou qualquer coisa, longe disso.
Habilidades manuais eram um ponto forte em si devido às runas de sabedoria que facilitavam seu processo de aprendizagem e de meticulosidade na execução de todo aquele aprendizado. A questão das unhas, aprendida com Eva, nunca havia sido muito colocada em prática simplesmente porque não era todo mundo que sabia aquilo sobre Sayid; já que ele não era tão fã assim de falar sobre si próprio. “As suas estão bem bonitas, aliás. É você quem faz?” Perguntou, erguendo um dos pés dela na altura dos olhos só por brincadeira mesmo, como se estivesse examinando um item de extrema curiosidade, antes de voltar a baixá-lo e retornar às carícias, percebendo como o filme, subitamente, tornara-se um pouco bizarro demais. “Gosto da ideia dos filmes de terror, era só aquele detalhe mesmo. Agora parece que as coisas desandaram um pouquinho…” E ele sequer disfarçava a ansiedade com a atmosfera criada pela película. Até que, dados mais alguns segundos, talvez por conta dos ventos absurdos e da neve intensa do lado de fora, a luz oscilou algumas vezes. Não apagou completamente a princípio, mas instantes depois, eles estavam no completo breu. “Certo. Não era a melhor hora pra isso acontecer.”
“você faz massagem em si mesmo?” a pergunta escapou mais rápido do que pôde calcular, um pouco surpresa com a confissão alheia. quanto mais conversava com sayid, mais descobria coisas sobre ele que a surpreendiam. aquela era uma delas, por mais casual e até mesmo boba que aquela declaração fosse. “sabe fazer unha também?” a incredulidade lhe arrancou uma risada divertida, mais abismada do que na primeira frase dita por ele. as pessoas eram mesmo uma caixinha de surpresa, algumas mais que outras. e ela gostava disso. poder conhecer todos os lados de uma pessoa. “isso é interessante. quer dizer, eu acho que nenhum dos meus exes me ensinou algo de bom assim. quer dizer, eles me ensinaram a nunca mais pensar em entrar em uma nova relação outra vez.” brincou, por mais que aquela fosse a brincadeira mais sincera que já havia feito em sua vida. suas experiências não foram muito boas, ainda que estivesse em paz com tudo que viveu. não odiava mais ninguém. “solta o meu pé, sayid.” uma risadinha divertida escapou ao puxar o pé que ele segurava, retraindo-o. não sentia cócegas, mas era estranho deixar que ele a visse daquela forma. “sim, sou eu faço as minhas próprias unhas. gosto de cuticulagem e de esmaltes claro nos pés, são só alguns hábitos.” deu de ombros, preferindo não se aprofundar mais naquele assunto. poderia ser chato e ela não queria se tornar o foco do assunto dos dois. “eu não tenho costume de ver filmes de terror, na real...” se explicou, focando enfim no que passava na tv com um pouco de apreensão. existia um tipo de medo irracional de sua parte. por mais que soubesse que nada daquilo era real, ainda ficava assustada com tudo que assistia. a tensão sendo criada ao ponto de fazê-la querer fechar os olhos por medo de um susto. deixou um gritinho baixo escapar quando a luz tremulou a primeira vez, abraçando os próprios braços quando ela, enfim, desligou completamente. “eu não tô acreditando nisso.”