Don’t fight • Kieran&Elliot
A Winstern nunca foi a favor de nenhuma teoria de guerrilha, muito menos as que envolviam se aproveitar do tamanho e da idade dos outros, quando eram mais novos e, tecnicamente, mais resistentes – ou fracos, como alguns gostavam de usar. Continuava o seu jogo da mesma forma, lutando com aqueles que pareciam distraídos ou com os que a atacavam primeiros, afinal para que forma mais pratica e eficaz? Em meio aos passos silenciosos do campo em que “a guerra” acontecia a bruxa segurava levemente a corrente do amuleto que usava, ainda sentindo o peso do pingente que carregava sua foto e, pelo menos ali, era sua vida. Ainda achava aquela brincadeira um tanto quando infantil demais para o seu gosto, mas sinceramente, o que ela poderia fazer se não estivesse ali? Ir ao bar mais próximo e beber com estranhos até se convencer de que precisava voltar para casa? Isso já estava ficando habitual demais, até mesmo para Kieran.
Um pouco adiante, a morena observou um garoto claramente mais alto do que ela, mas bastante distraído ou receoso com o que acontecia à volta, principalmente com a arma que segurava. Ela realmente não poderia julga-lo um oponente forte, ainda levando em conta o tamanho, mas parecia divertido tentar assustado de qualquer forma, ainda que pudesse colocar seu próprio pingente em risco. Kieran se aproximou sorrateiramente e só se pronunciou quando chegou próximo o bastante para que ele conseguisse vê-la, erguendo um pouco a arma, mas permanecendo com o dedo fora do gatilho. – Você não vai querer lutar comigo.
O rapaz passou a mão pelo cabelo pela milésima vez, tentando arrumar os fios rebeldes que não foram devidamente colocados no lugar pelo gel. Enquanto todos ficavam preocupados ou se divertiam "matando" uns aos outros, Elliot decidiu ficar o mais afastado possível. Na verdade, estava surpreso por não ter sido capturado (ou no caso, assassinado) ainda, visto que ele não dava a mínima para ganhar ou perder nesse jogo. Quando entra em modo atleta, Elliot só se contenta com a vitória nas partidas e nada menos que isso. Mas seu espírito competitivo morre em outras brincadeiras. Ajeitou novamente os fios que teimavam em escorrer por sua testa, até se dar por vencido, e puxa-los para trás. Se não ficariam em pé, que ao menos não atrapalhassem sua visão.
A arma que segurava parecia real, o que fazia a mão de Elliot tremer levemente. O objeto traz lembranças que ele prefere deixar guardadas em seu devido lugar: no fundo da mente, sem ser incomodado por elas. Ouviu passos vindo em sua direção, e girou o corpo de encontro ao inimigo. Uma figura feminina foi tomando forma enquanto se aproximava, até as madeixas negras e o rosto de uma moça aparecerem por completo. Elliot tentaria leva-la para jantar se ela não estivesse com uma arma apontada para si. — Longe de mim. — O rapaz deu de ombros, e meteu as mãos no bolso. — Eu sou só um pobre civil indefeso que segue as ordens da policia de nunca reagir à uma tentativa de homicídio. — Sorriu, um sorriso verdadeiro. Ele estava preparado para levar uma bala no peito.













