• How unfair it's just our luck, found something real that's out of touch — Sanya & Rajan
Rajan tivera um dia extremamente ocupado. Primeira mente acordara cedo para comparecer à uma reunião com todos os acionistas de sua empresa, em seguida tivera uma segunda entrevista de marketing com a mídia e em terceiro lugar fizera aquilo em que mais sentia prazer. Fora à uma instituição para crianças desabrigadas em Nova York, doando não apenas dinheiro, mas como passando um tempo com as crianças. Todas elas possuíam um histórico particularmente difícil, e ele sentia compaixão por elas, ajudando-lhes como podia. Finalmente Rajan havia saído da empresa. Seu lado angelical possuía um objetivo específico após toda sua manhã cheia de ocupações. Logo, colocou-se atrás de sua protegida: Sanya. Observava a mulher ao longe, para simplesmente ter certeza se a humana estava bem. Afinal, era seu dever protegê-la.
Ao longe, andava sem pressa observando os altos prédios de Nova York. Apesar de bem desenvolvida, a cidade era tão caótica quanto seu país natal, Índia. No entanto, Raj não podia duvidar do quanto sentia falta de seu país de origem. Muitas vezes perdia-se nas ruas numeradas da cidade. No entanto, não era estúpido e não demorou para aprender os costumes dali. Com um café na mão o empresário olhava para mulher que possuía traços fortes de sua descendência. Mas não era a beleza física que lhe atraía, apesar de esta ser óbvia. A beleza da alma dela era o que o deixava completamente interessado em Sanya. Não conseguia enxergar traço algum de maldade. Apesar de ela ser humana, era de longe a mais pura e de alma limpa naquela cidade onde todos pareciam ter um lado obscuro.
O empresário mantinha seus olhos em Sanya. Lembrava-se de quando criado para ser o protetor dela. Era uma tarefa pequena levando em conta os arcanjos, mas ainda sim importante o anjo sabia. Sentiu-se extremamente honrado ao criador do universo, e dignou-se a cuidar e protegê-la ainda criança ajudando-a ao caminho do criador. A única barreira que não ultrapassara era o fato de que a morena não acreditava no senhor. Havia nascido em um lugar onde acreditavam-se em diversos deuses, mas ele sabia que aquilo não era suficiente para corrompê-la. Agora, em sua forma física poderia mostrar à Sanya a verdade do único senhor supremo, e talvez ela acreditaria nele. No entanto, em seus pensamentos foram interrompidos ao vê-la torcer o pé e seu sapato arrebentar-se na calçada. Instintivamente correu até Sanya. Não estava ainda acostumado à forma física, mas quando deu por si estava ao lado dela segurando a cintura da humana para que ela não caísse e se machucasse. Um vinco de profunda preocupação atravessava a testa do indiano que a olhava. Lembrou-se finalmente, que ela não o conhecia. - Você está bem, senhorita? - Perguntou, com suas mãos ainda ao redor da cintura dela para ter certeza que ela não iria cair.
Em questão se segundos, tudo desmoronou. Seu sapato arrebentou, o pé foi de encontro à pedra, as pastas que continham provas caíram ao chão. O dia havia acabo de ficar pior. E provavelmente Sanya daria de cara no chão se não fosse por um gentil desconhecido, que agarrou sua cintura e a livrou de uma terrível cicatriz no rosto. A professora não fazia ideia de onde ele tinha surgido e como tivera um reflexo tão bom, mas era sentia-se grata a ele. Entretanto, não estava nada feliz com aquela situação. Estava grata, mas não feliz. Desde a morte de seu marido, nenhum homem que não era de sua família a havia tocado daquela maneira. O braço forte ao redor de seu corpo fazia com que ela se sentisse protegida e espalhava uma sensação morna de confiança pelo seu corpo. Mas aquele homem ainda tratava-se de um desconhecido e embora não estivesse mais nas terras conservadoras da Índia, Sanya preocupava-se com sua honra. Era simplesmente um traço da tradição de seu país enraizado nela.
Afastou-se abruptamente do homem, empurrando seu peito para longe. Quando estava a uma distância segura dele, permitiu-se analisá-lo. Algo no semblante daquele estranho era extremamente familiar e confortador para ela. Sanya não sabia dizer o que era, mas julgou ser o fato dele se parecer tanto com seu povo. Pele morena. Cabelos escuros e lisos. Se parecia muito com os homens de sua terra. Porém ainda havia algo mais. Algo nos olhos dele. Depois de vários segundos, a professora notou que estava perdida naquele olhar escuro que parecia conhecê-la bem. Respirou fundo para recuperar seu equilíbrio – tanto mental quanto físico - , mal percebendo a pergunta feita.
— O quê? — indagou imediatamente, uma frase reflexo de quem não entende algo. Então seu cérebro pareceu voltar a funcionar e involuntariamente a indiana sorriu, pois reconhecera o sotaque na voz firme dele. Um sotaque parecido com o que ela possuía. — Eu estou bem. Quase bem. O dia não foi bom, e acabou de ficar pior... Não por sua causa. Aliás, muito obrigada por me ajudar, mas eu... eu... — Não entendia porque estava tão atrapalhada, abaixando-se para pegar as pastas afim de deixar os cabelos escuros tapar o rosto, escondendo o rubor. “De onde vem toda essa idiotice?” perguntava-se. Tirou também os sapatos dos pés, ficando descalço e deixando-os na mão. Se levantou novamente. — Muito obrigada, mas agora eu preciso ir. — disse a ele e logo se pôs a andar, tentando ignorar a presença altiva daquele homem atraente e estranhamente conhecido que ficava para trás.









