(by ayumi kubo)| Japan
cherry valley forever
No title available
art blog(derogatory)

izzy's playlists!
Lint Roller? I Barely Know Her
I'd rather be in outer space 🛸

PR's Tumblrdome
Monterey Bay Aquarium

❣ Chile in a Photography ❣
No title available
dirt enthusiast
$LAYYYTER

Love Begins

@theartofmadeline
RMH

titsay
taylor price
Keni
Not today Justin
No title available
seen from Malaysia

seen from Türkiye

seen from Malaysia

seen from Germany
seen from Russia

seen from Venezuela
seen from T1

seen from United States
seen from United States

seen from United Kingdom

seen from T1
seen from South Korea
seen from T1
seen from United States

seen from United States

seen from United States

seen from T1
seen from United States

seen from United States

seen from United States
@emendado
(by ayumi kubo)| Japan
acho que você fez dos retornos a cada ano um ritual: isso de alguma forma te trouxe paz? provável que na primeira vez ainda fosse sobre mim ou sobre nós, mas na sexta ou sétima, eu já havia esquecido sobre a história da sua cicatriz horrível no cotovelo. eu parei de imaginar quantas pessoas hoje em dia moram naquele apartamento. se ele ficou bonito e confortável e se continua dando pra ver o sol se pondo no fundo. a verdade é que eu poderia ter amado você pra sempre ou pelo menos o palpite. eu poderia ter escutado todos os seus erros se você me fizesse acreditar na lição de cada um e não em como conseguiu escapar. porque toda a ausência foi fuga e eu nunca vou esquecer as chances, sabe? teria sido mais bonito a renúncia da oportunidade e não o desperdício. eu sentiria orgulho da sua coragem, mas agora é como se eu nunca tivesse você descobrindo meu primeiro gosto. eu sei que alguma hora vai ler isso e eu espero que não me pergunte o que significa porque parar de escrever sobre você ainda foi o melhor presente que eu te dei. a minha palavra é boa, mas o meu silêncio é incrível. a força das nossas pernas unidas e dos nossos corações imersos conseguiria brotar raízes em calçadas. quando foi que acreditou que seria melhor atravessá-las pra longe de mim? você é uma nódoa imensa no meu peito.
era pra ser teu aniversário. queria que lembrar da gente não fosse tão pesado assim porque se alguém no mundo pudesse ter cheiro de nuvem baiana no pico de janeiro seria tu. você sabe do que eu estou falando. às vezes eu fico parada pensando na saudade acumulada como poça no meu peito e sei lá não cessa. sinto que estou sempre atravessando uma represa e nunca chego do outro lado. você não está do outro lado e me pergunto se toda essa minha força pode salvar algo além de mim. deveria bastar, mas hoje não. voltei pra casa por um tempo. aqui eu sempre tenho a impressão que seu nome vai esbarrar alguma hora no meu ouvido e não vai doer. e doi. como se eu tivesse tomado sereno e vento na orelha a noite inteira. o dia amanheceu diferente desde que você se foi. eu sei que pra geraldo da padaria da esquina os pães continuaram assando às quatro da manhã, é que dentro uma chave girou e abriu pra lugar nenhum. a concha do meu coração já não faz aquela onda que um dia você ouviu.
eu queria, de verdade, pensar em você com o carinho de quem lembra de uma viagem inesquecível pro nordeste do país. sabendo que mesmo voltando para lá, nunca vai ser igual. por isso, na maior parte do tempo, eu me asseguro de não voltar para você de nenhuma forma. eu jamais vou conseguir repetir qualquer Estado. eu te coloquei num lugar tão inencontrável a fim de evitar que essa maresia enorme do tempo e da memória afiada consigam acabar com tudo, embora às vezes eu sinta como se já tivesse acontecido. há uns dez anos, eu achava que o amor era uma dessas fontes renováveis e que nenhum erro humano poderia dizimar elos naturais. eu realmente queria que eu não precisasse esquecer o que você fez. você é como encontrar uma chave qualquer enquanto arrumo a casa. a gente nunca sabe que porta ela abre. o que fazer com o que ficou de algum lugar que parecia habitável e conhecido. mas deixa ali. porque vai que.
a sua pele começou a desbotar como um por do sol. eu tentei durante muito tempo achar a força disso bonita demais. não consegui, eu sei. eu desenhei o seu rosto com uma frase do joão cabral de melo neto* e colei na minha parede. era doído perceber que mesmo assim você estava me ajudando a derrubar todos os meus muros. quando você se foi, ainda no início do ano, pensei em como nem todo começo é bom. era difícil imaginar como eu chegaria no final da linha de 2016. durante alguns meses, eu ainda podia ouvir o barulho de você destrinchando cartelas. eu sabia que não estava lá, mas o som das coisas era bem maior do que o gosto delas. isso parou quando saí de casa. agora você não fazia estrondos. continuava faltando paz. lembro dos dedos com nódoa de andu. o céu tão estrelado como se tivesse acabado de nascer. te via de longe na cabeça da ladeira. não era nada grave no começo. mas aí eu precisei conhecer outras cidades com você. grandes. a nossa era pequena demais pra descobrir o que havia de errado contigo. depois até encontramos, só que isso não deixou nada certo. às vezes penso que eu queria te mostrar que moro perto do mar. que meu gato nunca deitaria na rede contigo. que aqui não tem farinha boa e que as pessoas não dão bom dia. queria te perguntar como tira aquela mancha de vinho da manta do sofá. as receitas da internet não me ajudaram. você saberia me dizer. que a minha saudade possa respeitar o seu fim e acima de tudo, celebre-o. você esteve aqui.
p.s.: *“o amor comeu meu medo da morte”.
gfc
querida b.,
desde que você me prometeu na virada de ano novo que nos veríamos pelo menos uma vez ao mês tenho pensado muito na gente
quando nos conhecemos, eu passei um tempo tentando entender que tipo de lugar ocuparia na minha vida
no intervalo da faculdade, sempre que eu sentava propositalmente no meio dos bancos, eu sabia exatamente que ninguém teria coragem de pegar a ponta direita ou esquerda porque é preciso de coragem pra chegar perto do outro
mas você preencheu esses espaços e então,
então eu entendi
nós nunca fomos nada além do que deveríamos ser e por isso nós funcionamos há tantos calendários que eu precisaria de mais de uma parede para pendurá-los
eu guardei dentro da minha cama baú aquelas duas páginas que me escreveu
eu sei que elas podem não fazer sentido nenhum hoje em dia, mas eu gosto de ter a sensação nas minhas mãos de que consigo tocar o tempo em que algumas coisas ainda existiam
você estar aqui me lembra de quando uma parte de mim também existia
(obrigada por isso)
eu sei que tem uma porção de detalhes que se perdem enquanto a gente cresce porque nem sempre tem como acompanhar todos os passos de todos os caminhos, inclusive daqueles que não pegamos
como uma fruta que se desmancha no cesto da cozinha, bem debaixo da nossa guarda: nós tentamos sentir o gosto do que deveria somente amadurecer
em qualquer um desses nossos encontros, eu vou te explicar que eu tive histórias que não viraram grandes amores
e na maioria das vezes foi porque eu achei que não deveria
que eu dou muitas chances, mas que eu não rebobino a fita do fim
que eu tento polinizar todos os lutos que deixaram as minhas emoções praticamente inférteis
que tem dias que é difícil continuar, mas que esses dias quase não amanhecem mais na minha rua
que eu ainda tenho medo e que seria bem mais simples se fosse do escuro
que eu agora conseguirei reconhecer o que é cuidado e que ele, afinal, tem um gosto bom
e que se eu tivesse que estar em um lugar ouvindo uma língua que eu não faço ideia do que signifique, com certeza seria com você
eu quero estar lá quando tu descobrir o que o mundo ainda tem pra nos oferecer além de sangue,
suor
e lágrimas.
e se eu me apaixonar por você? e se eu quiser conhecer seu novo apartamento e se eu quiser assistir o jogo do flamengo e se eu aceitar os presentes que você quer me dar? e se eu gostar de você? se eu chacoalhar meu corpo na cama cada vez que você diz a coisa mais idiota do dia? se eu me apaixonar a ponto de te escrever? de fazer todo mundo que eu conheço saber quem você é?
tu tá pronto?
eu quero mesmo saber. eu quero mesmo que você me diga que suas promessas não são só palavras
mas diga-as agora
o que você vai fazer? se eu me apaixonar por você?
"eu gostaria que essa fosse a última vez"
foi isso que eu disse. não só no texto, mas pra você, antes de ir. e porque o universo é bonzinho e o karma uma boa vadia, pude ter a certeza de que de que aquela foi, de fato, a última, algumas semanas depois.
fizemos escolhas naquela noite. escolhas que pareciam ínfimas, mas que poderiam ter ditado todo o resto das nossas vidas e perceber isso de forma tão violenta, acho, foi o que eu precisava pra entender que eu não podia ignorar a realidade só porque eu não era capaz de ignorar o amor
porque bem, sempre foi isso, certo?
te amava então todo o resto era simplesmente manipulável. se eu tinha o amor, era me permitido ceder
só que, baby, a vida real... ela...
nunca cede.
e não é como se eu estivesse numa guerra, acredito que jamais estivemos em uma. a questão é que somos inviáveis, então do que adiantaria
você dizer que me amava enquanto me fodia ou as lágrimas que desciam pelo meu rosto quando eu te respondia "eu também"
do que adianta?
tu escolheu não lidar com os traumas. tu escolheu.
então foda-se o quanto o amor me fez ceder.
nada nunca vai ser maior que todas as concessões que não foram feitas ainda
porque você não as fará, não por mim
e o seu amor, coitado... o seu coração...
oh. deus.
é absurdo o quanto você está mais fodido que eu.
eu gostaria que nunca tivesse me amado. é sério. eu preferiria que nunca tivesse me amado.
porque não importa o quanto me doa toda essa história,
ela sempre será sobre o que você perdeu
bom dia ♡
Que sempre seja bom <3
Talvez eu não deveria ter aberto aquela gaveta
E te entregado tão facilmente todas as folhas velhas com meus pensamentos
Acho que foi a falta de sanidade, da minha parte
Que levou a acreditar que algo tão meu
Poderia ser compreendido pelos seus olhos cinzas de pós crepúsculo
a sua pele começou a desbotar como um por do sol. eu tentei durante muito tempo achar a força disso bonita demais. não consegui, eu sei. eu desenhei o seu rosto com uma frase do joão cabral de melo neto* e colei na minha parede. era doído perceber que mesmo assim você estava me ajudando a derrubar todos os meus muros. quando você se foi, ainda no início do ano, pensei em como nem todo começo é bom. era difícil imaginar como eu chegaria no final da linha de 2016. durante alguns meses, eu ainda podia ouvir o barulho de você destrinchando cartelas. eu sabia que não estava lá, mas o som das coisas era bem maior do que o gosto delas. isso parou quando saí de casa. agora você não fazia estrondos. continuava faltando paz. lembro dos dedos com nódoa de andu. o céu tão estrelado como se tivesse acabado de nascer. te via de longe na cabeça da ladeira. não era nada grave no começo. mas aí eu precisei conhecer outras cidades com você. grandes. a nossa era pequena demais pra descobrir o que havia de errado contigo. depois até encontramos, só que isso não deixou nada certo. às vezes penso que eu queria te mostrar que moro perto do mar. que meu gato nunca deitaria na rede contigo. que aqui não tem farinha boa e que as pessoas não dão bom dia. queria te perguntar como tira aquela mancha de vinho da manta do sofá. as receitas da internet não me ajudaram. você saberia me dizer. que a minha saudade possa respeitar o seu fim e acima de tudo, celebre-o. você esteve aqui.
p.s.: *“o amor comeu meu medo da morte”.
gfc
você disse que tinha uma praça perto dali e eu esperei pra ver até onde poderia chegar
sabendo que não existia nada parecido por aquelas ruas eu não fiz questão de comentar como eu havia decorado todas elas
o final do caminho não era tão importante se na estrada eu estava contigo
eu fiquei com medo da avenida escura e vazia
só eu você
e meu cuidado pousando na sua nuca com a mão ainda gelada do guaraná que bebi
enquanto você chegava cada vez mais perto
encontrei alguém que eu conhecia, antes que eu ficasse contra o muro
é engraçado como os acasos acontecem mesmo que a gente esteja em uma das capitais do país
nós do outro lado da cidade
banhei duas vezes e seu perfume continuou entre os meus dedos
foi muito fácil rir contigo apesar de todos os olhares esperando que déssemos algum passo em falso ou só qualquer um
ainda somos duas garotas
ps: na próxima espero que eu consiga ver a sua tatuagem nas costas
gfc
As vezes eu queria que alguém visse todos os textos que eu escrevi e rasguei a folha depois, as vezes eu queria contar pra alguém tudo aquilo se passa aqui dentro da minha mente perturbada, as vezes eu queria conseguir me abrir pra alguém de verdade e abandonar essa sensação de que não deixo ninguém me conhecer de verdade. As vezes, só as vezes minha vontade é ser mais transparente mas parte de mim lembra que tudo que é de vidro, hora ou outra quebra e eu ja estou em cacos o suficiente pra correr esse risco.
tauc.
É que tu disse que me amava com intensidade, na mesma medida em que distorcia a verdade à meu respeito em seu favor!
Isso é qualquer coisa, é tudo, menos amor!
sinto que a cada dia que passa eu te desconheço um pouco mais, e eu realmente não sei como reagir a isso.
[…]
a toxidade está em todos nós. julgar é, no mínimo, muita hipocrisia.
— substanciado