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first step to forever — bruce x clark
Clark não iria mentir, caso sua mãe perguntasse, ele queria (e muito) ter ajudado mais com o jantar de noivado, ele queria ter sentado com Bruce – por todas as noites antes do jantar realmente acontecer – e ter horas e mais horas de conversa sobre o que exatamente queriam, mas Clark nunca conseguia dormir tarde, ele sempre acabava se entregando ao sono e dormindo ao lado do namorado no sofá quando passava das onze da noite. Ele saía cedo no dia seguinte, tudo porque ele estava investindo em terrenos em outros países, porque, vez ou outra, seus gados adoeciam e ele precisava correr atrás de especialistas que não deixassem sua renda de investimento morrer antes dele terminar de negociar toda a sua vida com Bruce nos papéis, no caso, a casa que havia comprado e a nova fazenda que estava recriando para os dois. Clark andava ocupado com coisas que não eram o seu jantar de noivado e aquilo o deixava surtado. Sua mãe ligava todos os dias para confirmar convidados e desmarcar quem não poderia ir, ela ligava toda hora, no almoço, para falar sobre a lista de presentes – que ele sequer havia conversado com Bruce ainda -, ela ligava no café da manhã para perguntar se estava tudo bem anunciar seu casamento no jornal local da cidadezinha em que morava: “claro, mãe, como você desejar”, Clark já estava dando respostas automáticas quando tudo o que ele realmente queria era só estar nos braços do mais velho para que eles pudessem resolver aquilo sozinhos.
Ele sabia que Martha (sua mãe) estava vindo, mas no meio da semana havia esquecido de contar ao mais velho, assim como tinha esquecido que ele precisava confirmar as reservas de alguns quartos no hotel mais próximo para os convidados mais íntimos daquela noite. Clark não havia chamado tanta gente, na verdade, se ele chegou a chamar mais de seis era muito. Sua mãe era a convidada especial, claro, depois tinha o seu padrinho – irmão de seu pai e também seu tutor durante toda a sua carreira de negócios que só havia decolado desde que o outro fazendeiro lhe ensinara praticamente tudo. Ele chamou o caseiro que cuidava da fazenda, com sua mãe, tudo porque o homem era como outro pai, sempre estava presente; claro, sua secretária também iria, ele a tinha como braço direito porque sem ela todo mundo estaria dormindo no Central Park. Se fosse por Clark o jantar teria só ele e Bruce, mas isso ele poderia fazer dentro de casa com uma comida caseira.
Naquela manhã, depois de buscar sua mãe, deixar ela em casa com Bruce, e terminar tudo o que precisava no escritório antes de correr para o jantar, Clark sentia o corpo inteiro estremecer com a notícia de que ele realmente estava noivando com o homem que havia conquistado seu coração dois anos atrás. Não havia explicação para o quanto o fazendeiro ainda era apaixonado pelo o outro, assim como ele não podia descrever o quanto aquela felicidade parecia coisa de outro mundo e que toda aquela correria valia a pena unicamente porque a sua vida com Bruce finalmente parecia ganhar o rumo que ele tanto desejava: ter o jornalista por perto, o tempo inteiro, era exatamente o que o fazendeiro mais almejava.
Depois de ter se arrumado, e ter esperado sua mãe e Bruce fazerem exatamente o mesmo, ele fez questão de conseguir um motorista para aquela noite – já que o trânsito (ou tudo) estava o enlouquecendo nos últimos dias – só para que o caminho até o local – decidido por Bruce – fosse mais tranquilo.
E de fato havia sido.
Clark não poderia colocar em palavras o quanto Bruce estava maravilhoso aquela noite, no quanto o sorriso de orgulho de sua mãe parecia iluminar a cidade inteira e no quanto ele jurava que podia ouvir o próprio coração palpitar tão descontrolado pelo nervosismo que parecia crescer em si mesmo aos poucos; não que Clark nunca havia imaginado que um dia se casaria, ele só não esperava que fosse com alguém que o amasse tanto. Os dedos estavam entrelaçados aos do mais velho e os olhos mais claros sempre pousavam onde a aliança estava ao redor do anelar do jornalista; Clark ainda não acreditava que realmente estava acontecendo.
“And said drink from me, drink from me When I was so thirsty Pour on a symphony”
Sometimes I get up early and even my soul is wet. Far away the sea sounds and resounds. This is a port. Here I love you. Here I love you and the horizon hides you in vain.
Pablo Neruda, from “Here I Love You” (via fraggybird)
Superman/Batman #46
written by Michael Green & Mike Johnson
art by Shane Davis & Matt Banning
“And said drink from me, drink from me When I was so thirsty Pour on a symphony”