CapĂtulo 3 â âEstamos quites agora?â
Os dias passaram mais rĂĄpido do que imaginĂĄvamos, o fim de semana se aproximava e meu humor nĂŁo poderia estar pior. Eu sĂł acho que se a vida fosse mesmo justa, em vez de menstruar, as mulheres receberiam um simples email da MĂŁe Natureza todo mĂȘs dizendo "VocĂȘ nĂŁo estĂĄ grĂĄvida. Tenha um bom dia", mas infelizmente isso nunca vai acontecer. Querer ficar deitada o dia inteiro Ă© pedir demais?
â Bom dia flor do dia â Dan brinca ao ver minha feição irritada quando chego Ă cantina e jogo minha mochila na mesa.
â Mau dia! â saio para comprar algo para comer.
â Melhor a gente nem conversar hoje com ela, vocĂȘs jĂĄ sabem o motivo â ouço a Mari avisar os outros na mesa e eu agradeço mentalmente por isso. Quando volto, vejo alguĂ©m sentado no meu lugar.
â O que vocĂȘ estĂĄ fazendo no meu lugar, Pedro? â pergunto irritada.
â Ele tem seu nome por acaso? â ele me olha sem ter noção do perigo.
â Minha mochila estĂĄ aĂ, Ă© mais que o suficiente para indicar que eu estava aĂ. â cruzo meus braços e aperto meus punhos.
â Isso nĂŁo Ă© mais um problema entĂŁo. â ele sorri ao tirar ela da mesa me fazendo ficar boquiaberta. Ouço as meninas murmurarem algo sobre ele estar morto. Sem pensar duas vezes, o empurro da cadeira com força atĂ© ele cair no chĂŁo, depois me sento e pego minha mochila.
â Qual Ă© o seu problema? Ă sĂł um lugar, Melissa! â ele levanta e me olha com o rosto vermelho.
â O problema Ă© que vocĂȘ resolveu me irritar no dia errado.
â EntĂŁo para vocĂȘ todo dia Ă© um dia errado, porque vocĂȘ aparenta nĂŁo ter a capacidade de ser educada e gentil. VocĂȘ me julga tanto, mas fique sabendo que vocĂȘ nĂŁo fica atrĂĄs. AliĂĄs, eu nem sei como alguĂ©m consegue ficar com vocĂȘ. â cada palavra me atinge como um soco e mesmo que meus olhos tenham ficado marejados, eu nĂŁo me permitiria chorar na sua frente.
â NĂŁo fale como se nĂŁo tivesse ficado comigo. â ri sem humor nĂŁo conseguindo falar mais que isso.
â Por causa de um jogo. Apenas. â ele me olha com um ar de desprezo e sai andando.
â VocĂȘ tĂĄ bem? â as meninas me olham preocupadas e eu aceno com a cabeça. â Amiga, ignora o que ele falou, vocĂȘ sabe que nĂŁo Ă© verdade. â Mari mexe no meu cabelo tentando me acalmar.
â Eu sei. â fungo e respiro fundo. â Eu sĂł vou dar uma volta antes de entrar. â pego minha mochila e me levanto forçando sorrisos.
â Mas e seu lanche? â a ruiva pergunta confusa porque eu o deixo na mesa.
â Pode ficar, eu nĂŁo estou mais com fome.
Começo a vagar pelo colĂ©gio sem rumo chorando silenciosamente enquanto ouço um cover de Elastic Heart. Como alguĂ©m pode ser tĂŁo rude? Eu sei que nĂŁo sou a pessoa mais fĂĄcil de lidar, mas ele nĂŁo precisava ter falado daquela maneira. O sinal soa, indicando o inĂcio das aulas e eu corro assustada em direção a sala por ter perdido a noção do tempo e ter me atrasado. Por sorte a professora ainda estava na sala de professores quando eu cheguei.
â Por que seu rosto estĂĄ vermelho? â Bea pergunta ao me ver.
â Eu estava correndo â o que em parte era verdade, mas nĂŁo era o real motivo. â AlguĂ©m tem ĂĄgua?
â Se vocĂȘ encher, sim. â Mari me joga sua garrafinha amarela.
â SĂł vou porque estou com sede â pego a garrafinha e vou atĂ© os bebedouros cantando baixinho. Quando volto dou de cara com o Pedro, mas finjo que nĂŁo o vi. Eu nĂŁo vou deixar ele estragar meu dia. â Aqui estĂĄ â sorri entregando para a Mari.
â AlguĂ©m estĂĄ de bom humor agora. â ela percebe.
â Eu decidi que nĂŁo vou deixar nenhuma opiniĂŁo alheia me afetar hoje â olho de relance para o garoto de cabelos castanhos aparentando estar inabalĂĄvel.
â Essa Ă© minha garota â Bella sorri orgulhosa.
As horas passam e o intervalo chega. Eu e as meninas saĂmos comentando sobre a Bea e o Brad que Ă s vezes somem para darem uns amassos.
â Melissa? â ouço meu nome ser pronunciado e ao reconhecer o dono da voz paro de rir.
â O que vocĂȘ quer? â pergunto indiferente.
â SerĂĄ que podemos conversar Ă s sĂłs? â ele olha para as meninas que estĂŁo prestando atenção Ă conversa atentamente.
â NĂŁo tem nada que vocĂȘ nĂŁo possa me falar na frente delas. â cruzo meus braços e o encaro esperando alguma resposta.
â Okay. â ele suspira passando a mĂŁo no cabelo. â Eu acho que peguei pesado com vocĂȘ novamente...
â VocĂȘ apenas acha? â o interrompo.
â Posso continuar? â ele parece estar querendo fazer as pazes.
â Claro. â dou de ombros para continuar indiferente Ă situação.
â E mesmo que eu adore ficar te provocando, ficar brigado com vocĂȘ Ă© meio chato. EntĂŁo... â percebo que ele estĂĄ sendo sincero e me seguro para nĂŁo sorrir.
â VocĂȘ quer se desculpar?
â Eu nĂŁo peço desculpas â ele ri nervoso.
â EntĂŁo o azar Ă© seu, porque eu nĂŁo vou voltar a falar com vocĂȘ â passo por ele esbarrando em seu ombro.
â Melissa! â ouço ele resmungar e apenas ignoro.
â Por um segundo pensei que vocĂȘs iam fazer as pazes. Fiquei frustrada agora. â ri da Mari reclamando e vou para a fila da cantina com elas.
â Qual o problema em pedir desculpas? NĂŁo Ă© como se eu estivesse matando o orgulho dele com isso. â falo despreocupada.
â Talvez a Mari possa descobrir, jĂĄ que toda hora ela e o loiro de olhos azuis estĂŁo conversando â Bella empurra a morena com o ombro e a mesma cora.
â Humm. â eu e a Bea brincamos.
â E eu nĂŁo sabia disso? â olho para a Mari fingindo estar ofendida.
â VocĂȘs sĂŁo tĂŁo exageradas. â ela revira os olhos. â Ele Ă© legal e a gente sĂł estĂĄ conversando â ela tenta fingir que nĂŁo Ă© nada demais.
â EntĂŁo por que vocĂȘ ainda estĂĄ vermelha? â a loira provoca.
â Okay, eu acho ele bonito â ela confessa.
â Quem Ă© bonito? â ouvimos uma voz masculina e começamos a rir.
â Fala para ele, Mari â pressiono ainda rindo e olho para o Raff que aparenta estar curioso.
â Ă... um personagem de uma sĂ©rie que eu gosto â ela gagueja um pouco, mas consegue escapar.
â Qual Ă© o nome dele mesmo, Mari? Raphael? â a ruiva sorri diabolicamente e a morena lança um olhar mortal para ela.
â Qual Ă© essa sĂ©rie? â o loiro pergunta confuso.
â Shadowhunters. â ouço o Daniel responder e a Mari soltar a respiração aliviada.
â Ah, eu nĂŁo assisto essa, mas eu comecei a assistir aquela que vocĂȘ me indicou â ele começa a falar com a Mari e o Dan com a gente.
â Por que vocĂȘ nĂŁo deixou ela se enrolar, Dan? â a ruiva resmunga.
â Eu nĂŁo sou mau igual vocĂȘ, Bella. â ele aperta o queixo dela e ela revira os olhos rindo.
â Eu sĂł estava tentando ajudar â ela dĂĄ de ombros e eu paro de prestar atenção quando recebo uma nova mensagem de um nĂșmero desconhecido.
Se eu te pagar o almoço hoje eu consigo me redimir? â P.
Sorri discretamente e começo a escrever uma resposta.
Me: EstĂĄ tentando me subornar, Pedro? Que feio, mas eficaz J
Pedro: Estamos quites agora?
Me: Se trazer meu chocolate favorito junto sim
â Com quem tĂĄ conversando? â Bea pergunta sussurrando.
â Com um certo idiota que nĂŁo pede desculpas. â bloqueio meu celular e olho para ela sorrindo.
â Mas vocĂȘs nĂŁo discutiram hĂĄ uns 5 minutos? â ri da expressĂŁo surpresa dela e compro meu lanche.
â Ele me fez mudar de ideia â vou para a mesa com ela, deixando os outros 4 para trĂĄs.
â VocĂȘs dois estĂŁo ficando? â ela pergunta com um tom mais alto e eu bato no braço dela de leve.
â Ew, nĂŁo. Ele vai pagar meu almoço â ri e me sento.
â Duvido que vocĂȘ nĂŁo queira ficar com ele de novo. â reviro os olhos ainda de bom humor.
â Depois de ele ter dito que sĂł ficou comigo por causa do jogo? NĂŁo, obrigada. â bebo um pouco do meu suco.
â Advinha que vai dar uma festa sĂĄbado? â a ruiva chega pulando.
â Quem? â perguntamos rindo dela enquanto o pessoal se senta.
â Alex â Dan pega um dos meus cookies e eu bato em sua mĂŁo.
â Eu te odeio. Sempre estragando meus planos â Bella se vira pra ele com o semblante fechado.
â VocĂȘs duas sĂŁo egoĂstas sabiam? Querem exclusividade para tudo, atĂ© para contar uma novidade que nem Ă© a maior do ano. â ele continua comendo meu cookie apesar da minha feição emburrada.
â Quem Ă© Alex? â Raff pergunta. Desde a festa de recepção ele nĂŁo parou de andar junto com a gente.
â Um amigo nosso...
â Ele Ă© mais que seu amigo na verdade, Mel. â a loira acrescenta mexendo em seu cabelo e sorrindo levemente.
â Apenas uma amizade colorida, nunca passou disso, Bea â reviro os olhos rindo, mas logo fico pensativa. â Por que ele nĂŁo me falou antes da festa? â resmungo.
â VocĂȘ checou seu celular nos Ășltimos 10 minutos? â minha prima pergunta e eu nego. â Respondido entĂŁo. JĂĄ pedi para ele colocar todos os nossos nomes na lista.
â Colocou o do Pedro, Raphael, Julie e Brad? â ela assente. â Ătimo! â sorri e conversamos sobre outras coisas atĂ© o sinal tocar.
(...)
â VocĂȘ vai mesmo comer isso tudo? â Pedro pergunta surpreso ao ver meu prato cheio. Mas dessa vez ele estava exagerando, nĂŁo era como se eu tivesse feito uma montanha de comida.
â Sim! â respondo sorrindo. â Acho que vocĂȘ deve ter percebido que eu amo comer, jĂĄ que Ă© a segunda vez que vocĂȘ se âredimeâ me comprando comida. â sento na mesa de frente para ele.
â Agradeça ao Daniel. â ele ri fraco. â Mais alguma coisa que eu deva saber? â ele me olha e começa a comer.
â Bom, sua ex estĂĄ olhando aqui e eu tenho quase certeza que ela estĂĄ me queimando com os olhos â aceno para provocĂĄ-la e ele olha na direção que estou acenando.
â Esquece a Camy. Um dia ela supera. â ele dĂĄ de ombros rindo e volta a olhar para frente.
â Okay â começo a comer e ficamos em silĂȘncio por um tempo. Acho que a respiração dele nĂŁo me irrita mais como antes.
â Melissa? â ele quebra o silĂȘncio quando acaba de comer.
â Pode me chamar de Mel â dou de ombros.
â Mel, eu menti hoje de manhĂŁ â assumo uma expressĂŁo confusa e ele continua. â Eu nĂŁo fiquei com vocĂȘ sĂł por causa do jogo, eu sĂł falei aquilo porque fiquei irritado quando vocĂȘ me empurrou. E ficar brigado com vocĂȘ Ă© um saco porque vocĂȘ nĂŁo sai da minha cabeça desde aquele dia. Deve ser algum tipo de karma, sei lĂĄ. â fico um pouco boquiaberta porque definitivamente eu nĂŁo esperava ouvir aquilo.
â EstĂĄ falando sĂ©rio? â olho para ele.
â Queria nĂŁo estar, vocĂȘ Ă© bem chatinha Ă s vezes sabia? â ele brinca e eu rio.
â NĂŁo mais que vocĂȘ â sorri bebendo meu refrigerante.
E por mais incrĂvel que pareça, nĂłs passamos algum tempo juntos sem discutir. Claro que ficamos nos provocando, mas nada demais. Ele jĂĄ nĂŁo Ă© mais insuportĂĄvel para mim.
(...)
Finalmente Ă© sĂĄbado! A semana letiva terminou e junto com ela os piores dias do meu mĂȘs. O quarto da Bella estĂĄ virado do avesso de tanta roupa espalhada. Como ela ainda nĂŁo tem uma colega de quarto, decidimos nos arrumar e encontrar todo mundo aqui jĂĄ que irĂamos juntos para a casa do Alex.
â Estamos em 9, certo? â Raff para na nossa frente contando. â Eu nĂŁo vou beber hoje, entĂŁo Pedro, Brad, Bea e Julie vĂȘm comigo?
â Eu levo as outras 3 malucas â Dan destrava seu carro.
â VocĂȘ me respeita, Parrish! â aponto o dedo, mas acabo rindo.
â Vem logo! â sou puxada pela Mari.
Durante o caminho ligamos o som bem alto e fingimos estar com microfones, no banco de trås estava eu e a Mari abraçadas fingindo sermos uma dupla enquanto os outros dois conversavam e riam.
â Chegamos! â Dan estaciona um pouco longe da casa e nĂłs descemos animadas enquanto entramos na casa que estava cheia. â Quando alguĂ©m quiser ir embora me manda mensagem ok? â ele nos olha e nĂłs assentimos. â Ătimo, vejo vocĂȘs em algumas horas. â ele pisca e eu faço careta porque entendi o que ele quis dizer.
â Cozinha? â pergunto para as duas assim que ele sai.
â Achei que vocĂȘ nunca ia perguntar. â Bella nos puxa sem se importar em esbarrar nas outras pessoas.
SaĂmos de lĂĄ com seis copos, dois para cada e entĂŁo começamos a procurar nosso pessoal, o que foi uma missĂŁo falha, jĂĄ que os meninos sumiram. Desistimos e quando chegamos na pista de dança improvisada, encontramos a Bea e a Julie.
â Ainda bem que vocĂȘs apareceram. VocĂȘs acreditam que aqueles trĂȘs idiotas sumiram? â Julie fala indignada e eu rio.
â NĂŁo surpresa, no momento que a gente entrou o Daniel fez a mesma coisa.
â Vamos dançaaaar?! Eu adoro essa mĂșsica! â a loira começa a dançar e fazemos o mesmo.
Uma mĂșsica se tornou vĂĄrias e mesmo sem usar saltos, minhas pernas pediam descanso. Eu nem vi o Alex ainda, eu sinto saudades dele. Deixo as meninas lĂĄ e começo andar pela casa.
â Oi gata estĂĄ procurando boa companhia? â um garoto aleatĂłrio para na minha frente.
â Estou, mas com vocĂȘ por perto vai ficar muito mais difĂcil encontrar. â sorri falso e continuo andando, mas ele volta a falar comigo.
â Ei espera gata, vamos conversar. Eu queria te conhecer. â respiro fundo para ter um pouco de paciĂȘncia.
â Posso te fazer uma pergunta? â pergunto sem nenhuma emoção transparecendo.
â Claro â ele sorri.
â VocĂȘ sabe qual a diferença entre ir a uma festa e ir a um circo?
â NĂŁo sei, qual Ă©? â ele pergunta confuso.
â Quando vocĂȘ vai ao circo os palhaços nĂŁo falam com vocĂȘ.  â sorri ao deixar ele boquiaberto e vou para a cozinha encher meu copo. Fico encostada numa parede e observando as pessoas por alguns minutos atĂ© outro garoto vir falar comigo.
â O que essa garota linda estĂĄ fazendo sozinha? â reviro os olhos com o tom sedutor e nĂŁo me dou nem o trabalho de olhar.
â Olha, eu nĂŁo estou com paciĂȘncia para aguentar mais um idiota mexendo comigo, entĂŁo antes que eu me irrite, por favor sai daqui. â bebo um gole de vodka e continuo a olhar para frente.
â âPor favorâ? Esse colĂ©gio estĂĄ te mudando mesmo, Mel â escuto uma risada conhecida e me viro na hora.
â Alex! â sorri ao vĂȘ-lo.
â Em carne e osso, mas um pouco mais gostoso. â ele se exibe e eu nego com a cabeça rindo antes de abraçå-lo.
â Que saudades! Eu estava te procurando, aliĂĄs, essa festa tĂĄ muito boa e... â começo a falar sem parar.
â Calma aĂ garota. Isso Ă© vodka com energĂ©tico? â ele cheira meu copo e eu rio.
â Ă... VocĂȘ sabe que isso me deixa agitada.
â Onde estĂŁo as meninas? â ele olha ao redor.
â Dançando â dou de ombros. â Sabe de uma coisa? A gente deveria fazer o mesmo. â viro o restante da bebida que contĂ©m em meu copo e pego em sua mĂŁo indo atĂ© o aglomerado de pessoas.
â Pensei que estava com saudades de mim. â ele fala enquanto me segue.
â E eu pensei que gostava quando eu dançava com vocĂȘ â paro e coloco meus braços entorno de sua nuca.
â NĂłs podemos fazer as duas coisas. â ele beija meu pescoço enquanto fala e embora eu adore quando ele faz isso, prefiro acabar logo com essa distĂąncia beijando-o, mas sem parar de dançar.
â Eu nĂŁo acredito que vocĂȘ vai ficar comigo a festa inteira â ri apĂłs ter se passado mais de uma hora e ainda estarmos juntos.
â Por que nĂŁo? TĂĄ interessada em alguĂ©m? â ele morde meu lĂĄbio.
â Eu estou ficando com o dono da festa, quem eu iria querer? â falo sorrindo e o beijo.
â O que vocĂȘ acha de irmos para o meu quarto? â ele pergunta entre o beijo.
â NĂŁo vai acontecer, vĂŁo sentir sua falta â sorri e lhe dou um selinho.
â Deixa eles sentirem. â ele ri e tenta me convencer beijando meu pescoço. Esse babaca sabe meu ponto fraco.
â Tentador, mas nĂŁo â me afasto um pouco e arrumo meu cabelo.
â VocĂȘ me deixa louco sabia? â ele passa a mĂŁo em seu maxilar enquanto me olha.
â Yeah, desde o dia que te conheci â sorri orgulhosa. â Vou ao banheiro ok? â dou um beijo rĂĄpido no Alex e saio.
Meu erro foi ter aberto a porta sem bater: havia um casal praticamente transando na bancada.
â Procurem um quarto! â falo assim que me deparo com aquela cena.
Eles se desgrudaram na hora e fizeram cara de assustados. Por dentro eu estava quase morrendo de rir. Era uma cena engraçada até.
â Desculpa moça! â o garoto fecha a calça rapidamente.
â Ai meu deus que vergonha! â a garota desce o vestido e arruma o cabelo.
â Relaxa! Mas usem camisinha! â ri fraco e eles acabam saindo do banheiro. Bom, melhor para mim. Faço o que preciso, me olho no espelho e vou atĂ© onde estava com o Alex, mas nĂŁo o encontro lĂĄ.
Eu sabia que ele ia fazer isso, Alex Ă© muito galinha. NĂŁo consegue ficar preso por muito tempo. E Ă© por isso que nos damos tĂŁo bem.
Me: Vamos embora??
Dan: Me encontra aqui na frente da casa, as meninas estĂŁo aqui.
Vou até onde ele diz e encontro todo mundo, incluindo o Alex.
â Eu falei que ia ficar com vocĂȘ a festa inteira. â ele sorri e pega na minha mĂŁo.
â InacreditĂĄvel. â ri e abraço a cintura dele, depois olho ao redor e sĂł entĂŁo vejo a Mari e o Raff ficando.  â Quando isso aconteceu? â pergunto surpresa e o Brad que estĂĄ encostado no carro com a Bea na sua frente responde:
â HĂĄ uma hora atrĂĄs quando vocĂȘ ainda estava sumida.
â Ă... Depois que eu achei o Brad e a Julie começou a ficar com um menino X, ela cansou de segurar vela e foi te procurar. â a loira completa. â Mas acho que ela achou ele primeiro.
â Eles sĂŁo fofos. â sorri ao olhar para eles trocando carĂcias.
â NĂłs somos fofos. â Alex resmunga e eu rio.
â NĂŁo somos nĂŁo! Ainda mais vocĂȘ.
â Se nĂŁo fosse por mim vocĂȘ ia passar parte das suas fĂ©rias chorando vendo comĂ©dias romĂąnticas e se enchendo de sorvete. â ele finge jogar o cabelo e isso sĂł me faz rir mais.
â Tem razĂŁo. â sorri e dou um selinho nele.
â Ai gente, eu amo tanto vocĂȘs. Por que a gente nĂŁo dança? â Bella chega bĂȘbada e nos abraça de maneira desajeitada.
â Eu cuido dela â Dan ri em negação antes de pegĂĄ-la pelas coxas e colocĂĄ-la em seu ombro indo para o carro.
â Acho que Ă© melhor eu ir. â me viro para o Alex que resmunga.
â Por que nĂŁo dorme aqui? Eu te levo para o colĂ©gio ou para casa amanhĂŁ. â ele sorri malicioso e eu reviro os olhos achando graça da sua insistĂȘncia.
â Desiste Alex â apoio minhas mĂŁos em seu peitoral e o olho.
â Okay, mas eu mereço um beijo pelo menos. â o puxo pela nuca e colo nossos lĂĄbios, aprofundando o beijo logo em seguida, que aos poucos se tornou mais intenso. NĂłs sempre fomos como uma chama. Quando nos afastamos vou atĂ© a Mari e o Raff.
â Mari vocĂȘ vem com a gente ou vai com o Raff? â olho para ela que sorri.
â Eu vou com ele, mas ainda temos que esperar o Pedro.
â Julie vocĂȘ vem com a gente entĂŁo. â puxo ela.
â VocĂȘs iam me deixar aqui? â quando estamos entrando ouço o Pedro chegar.
â NĂŁo, vocĂȘ vai com os quatro â aponto para os dois casais e ele nos olha com uma cara engraçada.
â Para eu ficar segurando vela? Ah fala sĂ©rio! Eu sei que tem mais um lugar aĂ. â ele vem atĂ© nĂłs e eu faço o Dan ligar o carro.
â AtĂ© tem, mas vocĂȘ demorou demais, tchau! â mando beijo rindo enquanto saĂmos de lĂĄ.
â VocĂȘ Ă© mĂĄ! â Julie comenta rindo.
â Eu sei â rimos mais quando vemos que a Bella estĂĄ dormindo no banco da frente.
â Quem de vocĂȘs vai cuidar dela? â Dan pergunta olhando no retrovisor.
â Eu nĂŁo! â falamos juntas e fazemos um toque de mĂŁo.
â SĂ©rio que eu vou ser babĂĄ da Bella? â ele resmunga.
â NĂŁo vai ser a primeira vez â dou de ombros.
â Sempre sobra pra mim nĂ©? â ele acaba rindo.
Chegamos ao colĂ©gio antes que os outros, nĂłs trĂȘs vamos para o corredor feminino, jĂĄ que o Dan estava carregando a Bella. Me despeço deles e quando chego no quarto apenas me jogo na cama para dormir.
(...)
Acordo e me espreguiço ainda deitada, o que me då vontade de voltar a dormir.
â Finalmente vocĂȘ acordou â ouço a voz da Mari e entĂŁo olho para ela.
â Desde quando vocĂȘ estĂĄ acordada? â pergunto rouca.
â HĂĄ umas duas horas. â ela dĂĄ de ombros. â Mas eu estou quase saindo jĂĄ. â ela fala animada.
â VocĂȘ vai pra casa? â esfrego meus olhos e me sento na cama.
â NĂŁo, eu vou ficar aqui esse final de semana, mas eu vou almoçar com o Raff. â ela sorri apĂłs falar e eu fico boquiaberta.
â Me leva? â faço uma cara pidona e ela nega.
â NĂŁo.
â Por que nĂŁo? Eu aceito ficar de vela. Por favoor! â me levanto e vou atĂ© a cama dela deitando lĂĄ de forma espaçosa.
â Okay, mas pelo menos chama o Pedro. â ela dĂĄ de ombros.
â Por que ele? â pergunto confusa.
â Por que nĂŁo? VocĂȘs almoçaram juntos hĂĄ alguns dias.
â VocĂȘ tem razĂŁo. â dou de ombros. â Vou tomar um banho rĂĄpido e vou lĂĄ falar com ele. â me levanto e procuro alguma roupa leve jĂĄ que estava calor.
â Te encontro no refeitĂłrio entĂŁo. â ela acena e sai.
Tomo meu banho e me arrumo como o habitual, porém faço um rabo de cavalo. Pego meu celular e saio do quarto, chego até o quarto dos meninos em poucos minutos. Bato na porta algumas vezes e espero.
â Olha sĂł quem aprendeu a bater na porta. â Pedro aparece sem camisa e se encosta no batente da porta. Acabo encarando seu corpo mais do que deveria e murmuro um âuauâ. â Meus olhos ficam aqui sabia? â ele brinca apontando para seus olhos e eu volto Ă realidade.
â Engraçadinho, mas eu vim aqui para te convocar a almoçar comigo. â sorri de forma meiga.
â E por que eu iria? â ele arqueia as sobrancelhas.
â Porque eu nĂŁo quero ficar de vela sozinha. â falo o real motivo para eu ter ido lĂĄ.
â E eu tenho cara de castiçal por acaso? â ele cruza os braços e franze as sobrancelhas.
â Depois de ontem? â faço uma expressĂŁo pensativa. â Sim! â ele revira os olhos e suspira.
â O que eu ganho em troca? â agora Ă© minha vez de franzir as sobrancelhas.
â O que te faz pensar que vocĂȘ vai ganhar algo? Eu sĂł estava tentando de te poupar de almoçar sozinho. â dou de ombros.
â VocĂȘ que nĂŁo quer almoçar sozinha. â ele arqueia uma sobrancelha me provocando.
â Ok, vocĂȘ venceu! Agora pode colocar uma camiseta e ir comigo? â ele me encara com um sorriso ladino. â Por favor? â praticamente imploro e ele ri saindo da porta.
â Entra aĂ. â faço o que ele diz e vejo o quarto vazio.
â Dan nĂŁo estĂĄ aqui? â me sento na cama arrumada e vazia.
â NĂŁo, ou ele saiu bem cedo ou nĂŁo dormiu aqui. â ele diz enquanto procura algo no guarda roupa;
â Ele deve estar com a Bella. â dou de ombros e o garoto de olhos castanhos me olha confuso.
â Os dois ficam?
â NĂŁo! â começo a rir. â Eles sĂŁo amigos de infĂąncia, assim como eu e o Dan. NĂłs trĂȘs crescemos juntos. Se fosse para acontecer algo jĂĄ teria acontecido.
â Se vocĂȘ diz⊠â ele veste uma camiseta azul marinho e vem na minha direção. â Vamos?
â Claro, eu estava quase dormindo aqui com a sua demora. â brinco e saio com ele.
(...)
â Eu nĂŁo vou assistir esse. â Pedro faz uma careta e eu reviro os olhos me jogando na cama.
â VocĂȘ que me chamou para assistir filme com vocĂȘ, entĂŁo acho justo eu escolher qual a gente vai ver. â cruzo meus braços.
ApĂłs ter almoçado com a Mari e o Raff, ele me chamou para assistir filme jĂĄ que os outros dois resolveram jogar tĂȘnis. Agora estamos no meu quarto tentando decidir entre Ted e Uma comĂ©dia nada romĂąntica.
â Por que vocĂȘ nĂŁo concorda com o que eu escolhi? â ele me olha de braços cruzados.
â Por que Ă© ridĂculo. â me sento â A histĂłria de um ursinho de pelĂșcia que ganha vida e age como um humano? NĂŁo obrigada, eu passo.
â Ele Ă© hilĂĄrio e pelo menos nĂŁo Ă© um clichĂȘ: garota conhece garoto, tem um drama no meio da histĂłria que impedem os dois de ficarem juntos, mas eles superam e ficam juntos no final. Â â ele coloca defeitos na minha escolha.
â VocĂȘ estĂĄ sendo ignorante. Mas eu tive uma ideia melhor: Vamos decidir em trĂȘs rodadas de pedra, papel e tesoura. â sugiro e ele aceita. â Pedra papel tesoura â Pedro ganha e me mostra a lĂngua. â Quantos anos vocĂȘ tem? â questiono sua maturidade.
â Pedra papel tesoura â ele nĂŁo me responde e jogamos de novo, mas dessa vez eu ganhei.
â Quem ganhar agora vence. TĂĄ com medo? â provoco. â Pedra papel tesoura. â começo a fazer uma dançinha ridĂcula quando ganho. â Eu ganhei, vocĂȘ perdeu! â fico repetindo isso e ele se joga na cama.
â Okay! Eu entendi. â ele puxa meu braço e me fazendo deitar na cama.
â Quanta delicadeza. â murmuro com ironia e dou play no filme.
â SĂł assiste. â o garoto de cabelos castanhos resmunga e eu sorri levemente.
(...)
â Admite! â quando o filme acaba ajoelho na cama ficando de frente para o Pedro com um sorriso divertido no rosto.
â Admitir o que? â ele pergunta despreocupado.
â Que vocĂȘ gostou do filme e que nĂŁo Ă© um clichĂȘ comum.
â Eu faria se fosse verdade. â ergo uma sobrancelha e ele suspira. â Ok, atĂ© que Ă© legal. Eu nĂŁo tive vontade de dormir. â ele tenta parecer indiferente.
â Eu sabia! â jogo meu cabelo para trĂĄs convencida e me sento na cama.
â No prĂłximo final de semana poderia ter outra festa a de ontem. Foi bem legal, tirando a hora que eu fiquei de vela.
â Verdade, foi bom reencontrar alguns amigos. â sorri pensativa.
â Quem era aquele cara que estava com vocĂȘ? â franzo as sobrancelhas.
â Alex... â antes que pudesse continuar ele me interrompe:
â O dono da festa? â Pedro pergunta surpreso.
â E meu amigo. â acrescento.
â VocĂȘ beija seus amigos daquele jeito? â ele ri fraco e eu tambĂ©m.
â Alguns sim. â admito me lembrando de quando eu tinha vĂĄrias amizades coloridas.
â Eu sou seu amigo? â de repente seu semblante fica sĂ©rio e seu olhar se direciona Ă minha boca. A mudança de atitude repentina me impressiona e eu olho em seus olhos vendo suas pupilas dilatadas. Eu nĂŁo queria me afastar e nem faria isso. Parte de mim sempre teve uma queda por ele, mas eu ignorava devido ao seu jeito maçante.
â VocĂȘ quer ser? â sussurro e ele se aproxima colando nossos lĂĄbios. Sem pensar duas vezes aprofundo o beijo segurando em seu rosto. Senti novamente aquela sensação gostosa que senti da primeira vez. NĂŁo era como um frio na barriga, mas tinha o efeito de um chocolate em momentos estressantes e eu adoro chocolate. Continuamos assim por vĂĄrios minutos atĂ© decidirmos assistir outro filme, que provavelmente estava na metade quando pegamos no sono.
Mariana narrando...
ApĂłs horas volto cansada para o dormitĂłrio e quando abro a porta me deparo com uma cena que me surpreendeu um pouco: Melissa e Pedro dormindo abraçados com a televisĂŁo ligada. Era algo fofo de se ver, entĂŁo decidi tirar uma foto para colocar de Ăcone no grupo que fizemos e troco o nome do grupo para âSe odeiam?â. Eu sabia que uma hora ou outra eles iam acabar se entendendo e deixar as implicĂąncias de lado. Sorri satisfeita, pego uma troca de roupa e vou ao banheiro tomar um banho para ir ao dormitĂłrio do Raff. Melhor deixar os pombinhos a sĂłs.
â Se vocĂȘ nĂŁo tivesse tirado a foto eu juro que nĂŁo teria acreditado. â o loiro de olhos azuis fala assim que me encontra no corredor.
â Oi Raff, tudo bem? Comigo tambĂ©m, obrigada por perguntar. â brinco e ele circula minha cintura com seus braços me selando vĂĄrias vezes.
â Desculpa. â acabo sorrindo com o seu gesto.
â Eu tambĂ©m fiquei surpresa. Eles estavam se dando bem hoje, mas nĂŁo pensava que era tanto. â faço menção em me afastar e ele me puxa de volta. â O que? â ri fraco.
â NĂŁo me larga. â o loiro fala manhoso e eu me derreto.
â Desse jeito eu vou me apaixonar. â abraço sua nuca e inclino minha cabeça para olhĂĄ-lo.
â Pode se apaixonar, porque eu estou na mesma situação. â escondo meu rosto em seu ombro envergonhada e ele dĂĄ uma pequena risada.
â Te deixei constrangida? â olho para o Raff negando e sorrindo. â TĂĄ com fome? â concordo com a cabeça. â Vamos Ă cantina, entĂŁo. â ele me solta e segura na minha mĂŁo.
Se isso for um sonho, eu nĂŁo quero acordar.
Melissa narrando...
Seguro uma mecha do meu cabelo e fico passando no rosto do Pedro que ainda estava dormindo. Tento ao mĂĄximo nĂŁo rir dele fazendo biquinho e tentando se afastar, mas falho e solto uma gargalhada que o acorda.
â OlĂĄ Belo Adormecido. â encosto na cabeceira ficando sentada.
â Hey? â ele murmura rouco e se ajeita na cama. â VocĂȘ tambĂ©m dormiu. â Pedro esfrega os olhos e eu fico olhando para ele.
â Mas eu acordei com o meu celular. AliĂĄs, olha isso. â estendo meu celular que estĂĄ aberto na conversa do grupo.
â Nos flagaram. â ele ri e olha para mim.
â Yeah, vamos mandar uma foto como resposta. Faz uma cara fingindo que me odeia. â abro a cĂąmera.
â Mas eu ainda te odeio. â olho para ele mostrando a lĂngua. â Okay. â fazemos caretas e depois enviamos a foto com a legenda âSimâ em resposta ao tĂtulo do grupo. â Agora posso fazer uma coisa jĂĄ que te odeio? â franzo as sobrancelhas confusa.
â Que tipo de coisa?
â Te beijar? â acabo rindo com sua resposta.
â Idiota! â bloqueio meu celular.
â Eu acho que Ă© um sim. â ele me beija o que me faz sorrir.
E nĂłs terĂamos ficado mais tempo juntos se nĂŁo fosse a Mari chegando meia hora depois expulsando o Pedro porque amanhĂŁ era segunda-feira e todo mundo teria que acordar cedo. TĂpico dela fazer isso.Â









