Vcs tem prompts? Ou tipo... escreveram os plots pensando em alguma coisa? 💖
MINHA HORA DE BRILHAR!
Um personagem do clique Rich Kids que é podre de rico (como todo mundo nesse grupo), mas todo o dinheiro da família dele é vinda de crimes e coisas ilícitas. E todo mundo sabe! Eles vivem presos em processos e são alvos de diversos super-heróis locais, mas ninguém consegue provar nada (pense em pessoas ricas de Gotham). Está sempre tentando ser o mais forte que seu poder permite e se desassociar do nome da família, porque acha que as pessoas não o levam a sério por causa da fama que os pais tem de “caras maus”.
Alternativo: assume com orgulho toda a besteira que a família faz e é ainda pior que eles no sentido de “apenas meus objetivos importam”.
Um personagem do clique Work It que é literalmente um robô! Pode ser completamente (no caso seria um androide) ou parcialmente (um ciborgue). Ele nasceu como uma pessoa normal, mas depois de um acidente que quase o matou seus pais autorizaram um cientista a tentar salva-lo substituindo algumas partes de seu corpo por máquina (ou todas as partes). E, como eu amo um drama, você ainda ganha os pontos de drama para fazer o personagem não estar acostumado ainda ao novo corpo ou se sentir meio Frankenstein.
Alternativo: nunca teve autorização dos pais. Ele foi literalmente criado para fazer parte desse experimento por esse cientista meio maluco.
Um personagem do clique Work It cuja mente funcione literalmente como um computador. Tem esse poder na superpower wiki (sim, isso existe) que é literalmente alterar a realidade como computador. E eu já imaginei imediatamente um personagem que realmente enxergue o mundo dessa forma. A mente dele funciona como um computador, incluindo a possibilidade de ser hackeado ou pegar um vírus, mas quando está em controle dos poderes, ele consegue deletar, alterar e interferir na realidade através de computadores e tecnologia.
Funciona também se você unir o prompt anterior a esse.
Um personagem que tenha algum poder ligado à atividade vulcânica e, por isso, ele é ultra vigiado pelo Conselho da Staton. Não tem interesse algum de ativar o vulcão da ilha, mas suas emoções estão ligadas à ele então quando o vulcão está com ares de revolta, esse personagem sente o que está acontecendo.
Um personagem bem Batman! Sem a parte trágica do passado, mas pela parte de não ter poderes e ainda assim andar entre os poderosos! Pode ser um inativo do clique Wicked, que está determinado a ser capaz de derrotar todos os super-humanos com os quais convive. Ou um herói do Warrior, que tem algum poder mais discreto (por exemplo destreza avançada ou aprendizado facilitado), mas que é um dos mais poderosos da ilha por conta de suas habilidades de combate, acrobacia e com armas de fogo.
Um personagem do clique Warrior que, na missão que lhe fez famoso por salvar o mundo ou o universo, perdeu um membro da família muito próximo (pensei em um filho ou irmão). Desde então, ele se recusa a ir em missões e mal usa seus poderes além do necessário para os treinamentos na Ilha porque está total desacreditado no mundo.
Um personagem com poder de fazer as coisas que escreve se tornarem realidade (no estilo daquele livro poderosa). Mas só funciona se escrever com uma das mãos em específico ou em uma caligrafia específica. Tudo que ele escreve para estudos ou algo assim precisa ser digitado porque imagina se ele causa um desastre por acidente? (por favor cause um desastre por acidente, ia ser incrível!)
Um personagem do clique Doubles que por algum motivo decidiu que só pode haver um deles nesse mundo e agora está em missão de matar os outros sem que as pessoas saibam que foi ele, incorporando o título do clique Kill your doubles.
Enigma não tinha diversidade alguma e hoje sinto muita vergonha disso. Todo mundo era branco, hétero, magro, alto... Um cast saído diretamente de um desfile de moda. Eu poderia me defender e dizer que em 2010, esse assunto mal era discutido na sociedade, mas estamos em 2019 e qualquer coisa que eu me preste a escrever de agora em diante, algo assim é inaceitável. Então, lá fui eu articular no processo da reescrita como incluir diversidade no meu roteiro, e que não parecesse militância forçada ou simplesmente uma cota.
No final, descobri que meu erro foi justamente esse. Encarar a diversidade como cota ao invés de uma realidade como inserir personagens brancos, héteros e cis no livro. Quantas linhas você perde os descrevendo dessa forma? Acredito que nenhuma, não é mesmo? Os leitores simplesmente sabem que eles são assim e por meio de suas ações, as características se tornam ainda mais claras. Por que com minoria você tem que colocar uma placa neon na cabeça do coitado para dizer que ele está ali?
Não faz sentido algum e no final soa até preconceituoso da sua parte.
Eu penei porque não sabia quem seria preto ou quem seria homossexual. Eu, como branca, posso criar um protagonista negro? Será que estou roubando o lugar de fala de alguém? O melhor amigo negro é ofensivo? Um vilão negro é estereotipado assim como o melhor amigo afeminado...? Eu quase surtei e quis chutar o livro para longe, e não foi rara as vezes. Se você já teve interesse em fazer essa inclusão no seu livro e se prestou ao papel de buscar matérias sobre o assunto, deve saber exatamente o que estou dizendo.
Respirei e decidi: estou criando personagens e vou dar a eles características. Como escritora, meu trabalho é construir personagens densos, interessantes e com propósito. Se meu personagem tiver um bom papel, ele não será uma cota, será um ser humano. Independentemente de ser o protagonista ou o figurante. Não dá para todo mundo brilhar igualmente, mas dá para todos serem úteis de alguma forma (e que isso não gire somente ao redor dos protagonistas).
No primeiro capítulo que reescrevi, me peguei afoita e cometendo o erro da placa de neon. “Eu tenho que dizer que esse personagem é gordo, que aquele é negro e o outro ali é bi... E, ó lá a branquela calada que em nenhum momento senti necessidade em descrevê-la”. Não ache que percebi isso sozinha, não. Precisei que alguém apontasse para mim, uma das minhas betas readers, para me dar conta que mesmo depois de tanto conhecimento, no inconsciente eu reproduzia os mesmos erros.
Respirei fundo novamente. Apaguei e pensei: nos pequenos gestos, nos pequenos detalhes. Tenha calma. Mostrar é melhor que falar. Para que dizer que tal personagem é gordo se ele pode te mostrar como é, e que talvez não se incomode com isso? Ou que seu personagem gay não vive para correr atrás de machos e, uau, ele também tem sonhos, metas e uma VIDA? São estereótipos que a gente simplesmente reproduz no automático que, para nós que estamos dentro da curva, parece bobo e irrelevante, mas para quem sofre na pele diariamente não o é. E são essas pessoas que você deve buscar quando quiser escrever sobre elas.
Se perguntassem a Annelyne o que a fez deixar Campbell provavelmente teria uma lista de motivos na ponta da língua. Bastava perguntar.
Com uma carreira de sucesso no cinema foi forçada pelo tio e sua empresária a entrar de férias e relaxar, afinal o casamento de sua irmã estava próximo, teria que voltar para casa cedo ou tarde. Então dez anos depois de sua partida para Los Angeles, Anne se vê obrigada a voltar para sua cidade natal, Campbell. Um lugarzinho perdido no meio do Texas.
Rever a família e os amigos. Encarar o lugar onde cresceu e onde sente que se perdeu. Ter que lidar com o passado não era seu ponto forte, principalmente quando sua partida não foi fácil.
Embora Annelyne soubesse todos os motivos que a fez deixar Campbell, o que ela não sabia era que havia uma lista igualmente numerosa de motivos para ficar.
Os dias passaram mais rápido do que imaginávamos, o fim de semana se aproximava e meu humor não poderia estar pior. Eu só acho que se a vida fosse mesmo justa, em vez de menstruar, as mulheres receberiam um simples email da Mãe Natureza todo mês dizendo "Você não está grávida. Tenha um bom dia", mas infelizmente isso nunca vai acontecer. Querer ficar deitada o dia inteiro é pedir demais?
— Bom dia flor do dia – Dan brinca ao ver minha feição irritada quando chego à cantina e jogo minha mochila na mesa.
— Mau dia! – saio para comprar algo para comer.
— Melhor a gente nem conversar hoje com ela, vocês já sabem o motivo – ouço a Mari avisar os outros na mesa e eu agradeço mentalmente por isso. Quando volto, vejo alguém sentado no meu lugar.
— O que você está fazendo no meu lugar, Pedro? – pergunto irritada.
— Ele tem seu nome por acaso? – ele me olha sem ter noção do perigo.
— Minha mochila está aí, é mais que o suficiente para indicar que eu estava aí. – cruzo meus braços e aperto meus punhos.
— Isso não é mais um problema então. – ele sorri ao tirar ela da mesa me fazendo ficar boquiaberta. Ouço as meninas murmurarem algo sobre ele estar morto. Sem pensar duas vezes, o empurro da cadeira com força até ele cair no chão, depois me sento e pego minha mochila.
— Qual é o seu problema? É só um lugar, Melissa! – ele levanta e me olha com o rosto vermelho.
— O problema é que você resolveu me irritar no dia errado.
— Então para você todo dia é um dia errado, porque você aparenta não ter a capacidade de ser educada e gentil. Você me julga tanto, mas fique sabendo que você não fica atrás. Aliás, eu nem sei como alguém consegue ficar com você. – cada palavra me atinge como um soco e mesmo que meus olhos tenham ficado marejados, eu não me permitiria chorar na sua frente.
— Não fale como se não tivesse ficado comigo. – ri sem humor não conseguindo falar mais que isso.
— Por causa de um jogo. Apenas. – ele me olha com um ar de desprezo e sai andando.
— Você tá bem? – as meninas me olham preocupadas e eu aceno com a cabeça. – Amiga, ignora o que ele falou, você sabe que não é verdade. – Mari mexe no meu cabelo tentando me acalmar.
— Eu sei. – fungo e respiro fundo. – Eu só vou dar uma volta antes de entrar. – pego minha mochila e me levanto forçando sorrisos.
— Mas e seu lanche? – a ruiva pergunta confusa porque eu o deixo na mesa.
— Pode ficar, eu não estou mais com fome.
Começo a vagar pelo colégio sem rumo chorando silenciosamente enquanto ouço um cover de Elastic Heart. Como alguém pode ser tão rude? Eu sei que não sou a pessoa mais fácil de lidar, mas ele não precisava ter falado daquela maneira. O sinal soa, indicando o início das aulas e eu corro assustada em direção a sala por ter perdido a noção do tempo e ter me atrasado. Por sorte a professora ainda estava na sala de professores quando eu cheguei.
— Por que seu rosto está vermelho? – Bea pergunta ao me ver.
— Eu estava correndo – o que em parte era verdade, mas não era o real motivo. – Alguém tem água?
— Se você encher, sim. – Mari me joga sua garrafinha amarela.
— Só vou porque estou com sede – pego a garrafinha e vou até os bebedouros cantando baixinho. Quando volto dou de cara com o Pedro, mas finjo que não o vi. Eu não vou deixar ele estragar meu dia. – Aqui está – sorri entregando para a Mari.
— Alguém está de bom humor agora. – ela percebe.
— Eu decidi que não vou deixar nenhuma opinião alheia me afetar hoje – olho de relance para o garoto de cabelos castanhos aparentando estar inabalável.
— Essa é minha garota – Bella sorri orgulhosa.
As horas passam e o intervalo chega. Eu e as meninas saímos comentando sobre a Bea e o Brad que às vezes somem para darem uns amassos.
— Melissa? – ouço meu nome ser pronunciado e ao reconhecer o dono da voz paro de rir.
— O que você quer? – pergunto indiferente.
— Será que podemos conversar às sós? – ele olha para as meninas que estão prestando atenção à conversa atentamente.
— Não tem nada que você não possa me falar na frente delas. – cruzo meus braços e o encaro esperando alguma resposta.
— Okay. – ele suspira passando a mão no cabelo. – Eu acho que peguei pesado com você novamente...
— Você apenas acha? – o interrompo.
— Posso continuar? – ele parece estar querendo fazer as pazes.
— Claro. – dou de ombros para continuar indiferente à situação.
— E mesmo que eu adore ficar te provocando, ficar brigado com você é meio chato. Então... – percebo que ele está sendo sincero e me seguro para não sorrir.
— Você quer se desculpar?
— Eu não peço desculpas – ele ri nervoso.
— Então o azar é seu, porque eu não vou voltar a falar com você – passo por ele esbarrando em seu ombro.
— Melissa! – ouço ele resmungar e apenas ignoro.
— Por um segundo pensei que vocês iam fazer as pazes. Fiquei frustrada agora. – ri da Mari reclamando e vou para a fila da cantina com elas.
— Qual o problema em pedir desculpas? Não é como se eu estivesse matando o orgulho dele com isso. – falo despreocupada.
— Talvez a Mari possa descobrir, já que toda hora ela e o loiro de olhos azuis estão conversando – Bella empurra a morena com o ombro e a mesma cora.
— Humm. – eu e a Bea brincamos.
— E eu não sabia disso? – olho para a Mari fingindo estar ofendida.
— Vocês são tão exageradas. – ela revira os olhos. – Ele é legal e a gente só está conversando – ela tenta fingir que não é nada demais.
— Então por que você ainda está vermelha? – a loira provoca.
— Okay, eu acho ele bonito – ela confessa.
— Quem é bonito? – ouvimos uma voz masculina e começamos a rir.
— Fala para ele, Mari – pressiono ainda rindo e olho para o Raff que aparenta estar curioso.
— É... um personagem de uma série que eu gosto – ela gagueja um pouco, mas consegue escapar.
— Qual é o nome dele mesmo, Mari? Raphael? – a ruiva sorri diabolicamente e a morena lança um olhar mortal para ela.
— Qual é essa série? – o loiro pergunta confuso.
— Shadowhunters. – ouço o Daniel responder e a Mari soltar a respiração aliviada.
— Ah, eu não assisto essa, mas eu comecei a assistir aquela que você me indicou – ele começa a falar com a Mari e o Dan com a gente.
— Por que você não deixou ela se enrolar, Dan? – a ruiva resmunga.
— Eu não sou mau igual você, Bella. – ele aperta o queixo dela e ela revira os olhos rindo.
— Eu só estava tentando ajudar – ela dá de ombros e eu paro de prestar atenção quando recebo uma nova mensagem de um número desconhecido.
Se eu te pagar o almoço hoje eu consigo me redimir? – P.
Sorri discretamente e começo a escrever uma resposta.
Me: Está tentando me subornar, Pedro? Que feio, mas eficaz J
Pedro: Estamos quites agora?
Me: Se trazer meu chocolate favorito junto sim
— Com quem tá conversando? – Bea pergunta sussurrando.
— Com um certo idiota que não pede desculpas. – bloqueio meu celular e olho para ela sorrindo.
— Mas vocês não discutiram há uns 5 minutos? – ri da expressão surpresa dela e compro meu lanche.
— Ele me fez mudar de ideia – vou para a mesa com ela, deixando os outros 4 para trás.
— Vocês dois estão ficando? – ela pergunta com um tom mais alto e eu bato no braço dela de leve.
— Ew, não. Ele vai pagar meu almoço – ri e me sento.
— Duvido que você não queira ficar com ele de novo. – reviro os olhos ainda de bom humor.
— Depois de ele ter dito que só ficou comigo por causa do jogo? Não, obrigada. – bebo um pouco do meu suco.
— Advinha que vai dar uma festa sábado? – a ruiva chega pulando.
— Quem? – perguntamos rindo dela enquanto o pessoal se senta.
— Alex – Dan pega um dos meus cookies e eu bato em sua mão.
— Eu te odeio. Sempre estragando meus planos – Bella se vira pra ele com o semblante fechado.
— Vocês duas são egoístas sabiam? Querem exclusividade para tudo, até para contar uma novidade que nem é a maior do ano. – ele continua comendo meu cookie apesar da minha feição emburrada.
— Quem é Alex? – Raff pergunta. Desde a festa de recepção ele não parou de andar junto com a gente.
— Um amigo nosso...
— Ele é mais que seu amigo na verdade, Mel. – a loira acrescenta mexendo em seu cabelo e sorrindo levemente.
— Apenas uma amizade colorida, nunca passou disso, Bea – reviro os olhos rindo, mas logo fico pensativa. – Por que ele não me falou antes da festa? – resmungo.
— Você checou seu celular nos últimos 10 minutos? – minha prima pergunta e eu nego. – Respondido então. Já pedi para ele colocar todos os nossos nomes na lista.
— Colocou o do Pedro, Raphael, Julie e Brad? – ela assente. – Ótimo! – sorri e conversamos sobre outras coisas até o sinal tocar.
(...)
— Você vai mesmo comer isso tudo? – Pedro pergunta surpreso ao ver meu prato cheio. Mas dessa vez ele estava exagerando, não era como se eu tivesse feito uma montanha de comida.
— Sim! – respondo sorrindo. – Acho que você deve ter percebido que eu amo comer, já que é a segunda vez que você se “redime” me comprando comida. – sento na mesa de frente para ele.
— Agradeça ao Daniel. – ele ri fraco. – Mais alguma coisa que eu deva saber? – ele me olha e começa a comer.
— Bom, sua ex está olhando aqui e eu tenho quase certeza que ela está me queimando com os olhos — aceno para provocá-la e ele olha na direção que estou acenando.
— Esquece a Camy. Um dia ela supera. – ele dá de ombros rindo e volta a olhar para frente.
— Okay – começo a comer e ficamos em silêncio por um tempo. Acho que a respiração dele não me irrita mais como antes.
— Melissa? – ele quebra o silêncio quando acaba de comer.
— Pode me chamar de Mel – dou de ombros.
— Mel, eu menti hoje de manhã – assumo uma expressão confusa e ele continua. – Eu não fiquei com você só por causa do jogo, eu só falei aquilo porque fiquei irritado quando você me empurrou. E ficar brigado com você é um saco porque você não sai da minha cabeça desde aquele dia. Deve ser algum tipo de karma, sei lá. – fico um pouco boquiaberta porque definitivamente eu não esperava ouvir aquilo.
— Está falando sério? – olho para ele.
— Queria não estar, você é bem chatinha às vezes sabia? – ele brinca e eu rio.
— Não mais que você – sorri bebendo meu refrigerante.
E por mais incrível que pareça, nós passamos algum tempo juntos sem discutir. Claro que ficamos nos provocando, mas nada demais. Ele já não é mais insuportável para mim.
(...)
Finalmente é sábado! A semana letiva terminou e junto com ela os piores dias do meu mês. O quarto da Bella está virado do avesso de tanta roupa espalhada. Como ela ainda não tem uma colega de quarto, decidimos nos arrumar e encontrar todo mundo aqui já que iríamos juntos para a casa do Alex.
— Estamos em 9, certo? – Raff para na nossa frente contando. – Eu não vou beber hoje, então Pedro, Brad, Bea e Julie vêm comigo?
— Eu levo as outras 3 malucas – Dan destrava seu carro.
— Você me respeita, Parrish! – aponto o dedo, mas acabo rindo.
— Vem logo! – sou puxada pela Mari.
Durante o caminho ligamos o som bem alto e fingimos estar com microfones, no banco de trás estava eu e a Mari abraçadas fingindo sermos uma dupla enquanto os outros dois conversavam e riam.
— Chegamos! – Dan estaciona um pouco longe da casa e nós descemos animadas enquanto entramos na casa que estava cheia. – Quando alguém quiser ir embora me manda mensagem ok? – ele nos olha e nós assentimos. – Ótimo, vejo vocês em algumas horas. – ele pisca e eu faço careta porque entendi o que ele quis dizer.
— Cozinha? – pergunto para as duas assim que ele sai.
— Achei que você nunca ia perguntar. – Bella nos puxa sem se importar em esbarrar nas outras pessoas.
Saímos de lá com seis copos, dois para cada e então começamos a procurar nosso pessoal, o que foi uma missão falha, já que os meninos sumiram. Desistimos e quando chegamos na pista de dança improvisada, encontramos a Bea e a Julie.
— Ainda bem que vocês apareceram. Vocês acreditam que aqueles três idiotas sumiram? – Julie fala indignada e eu rio.
— Não surpresa, no momento que a gente entrou o Daniel fez a mesma coisa.
— Vamos dançaaaar?! Eu adoro essa música! – a loira começa a dançar e fazemos o mesmo.
Uma música se tornou várias e mesmo sem usar saltos, minhas pernas pediam descanso. Eu nem vi o Alex ainda, eu sinto saudades dele. Deixo as meninas lá e começo andar pela casa.
— Oi gata está procurando boa companhia? – um garoto aleatório para na minha frente.
— Estou, mas com você por perto vai ficar muito mais difícil encontrar. – sorri falso e continuo andando, mas ele volta a falar comigo.
— Ei espera gata, vamos conversar. Eu queria te conhecer. – respiro fundo para ter um pouco de paciência.
— Posso te fazer uma pergunta? – pergunto sem nenhuma emoção transparecendo.
— Claro – ele sorri.
— Você sabe qual a diferença entre ir a uma festa e ir a um circo?
— Não sei, qual é? – ele pergunta confuso.
— Quando você vai ao circo os palhaços não falam com você. – sorri ao deixar ele boquiaberto e vou para a cozinha encher meu copo. Fico encostada numa parede e observando as pessoas por alguns minutos até outro garoto vir falar comigo.
— O que essa garota linda está fazendo sozinha? – reviro os olhos com o tom sedutor e não me dou nem o trabalho de olhar.
— Olha, eu não estou com paciência para aguentar mais um idiota mexendo comigo, então antes que eu me irrite, por favor sai daqui. – bebo um gole de vodka e continuo a olhar para frente.
— “Por favor”? Esse colégio está te mudando mesmo, Mel – escuto uma risada conhecida e me viro na hora.
— Alex! – sorri ao vê-lo.
— Em carne e osso, mas um pouco mais gostoso. – ele se exibe e eu nego com a cabeça rindo antes de abraçá-lo.
— Que saudades! Eu estava te procurando, aliás, essa festa tá muito boa e... – começo a falar sem parar.
— Calma aí garota. Isso é vodka com energético? – ele cheira meu copo e eu rio.
— É... Você sabe que isso me deixa agitada.
— Onde estão as meninas? – ele olha ao redor.
— Dançando – dou de ombros. – Sabe de uma coisa? A gente deveria fazer o mesmo. – viro o restante da bebida que contém em meu copo e pego em sua mão indo até o aglomerado de pessoas.
— Pensei que estava com saudades de mim. – ele fala enquanto me segue.
— E eu pensei que gostava quando eu dançava com você – paro e coloco meus braços entorno de sua nuca.
— Nós podemos fazer as duas coisas. – ele beija meu pescoço enquanto fala e embora eu adore quando ele faz isso, prefiro acabar logo com essa distância beijando-o, mas sem parar de dançar.
— Eu não acredito que você vai ficar comigo a festa inteira – ri após ter se passado mais de uma hora e ainda estarmos juntos.
— Por que não? Tá interessada em alguém? – ele morde meu lábio.
— Eu estou ficando com o dono da festa, quem eu iria querer? – falo sorrindo e o beijo.
— O que você acha de irmos para o meu quarto? – ele pergunta entre o beijo.
— Não vai acontecer, vão sentir sua falta – sorri e lhe dou um selinho.
— Deixa eles sentirem. – ele ri e tenta me convencer beijando meu pescoço. Esse babaca sabe meu ponto fraco.
— Tentador, mas não – me afasto um pouco e arrumo meu cabelo.
— Você me deixa louco sabia? – ele passa a mão em seu maxilar enquanto me olha.
— Yeah, desde o dia que te conheci – sorri orgulhosa. – Vou ao banheiro ok? – dou um beijo rápido no Alex e saio.
Meu erro foi ter aberto a porta sem bater: havia um casal praticamente transando na bancada.
— Procurem um quarto! – falo assim que me deparo com aquela cena.
Eles se desgrudaram na hora e fizeram cara de assustados. Por dentro eu estava quase morrendo de rir. Era uma cena engraçada até.
— Desculpa moça! – o garoto fecha a calça rapidamente.
— Ai meu deus que vergonha! – a garota desce o vestido e arruma o cabelo.
— Relaxa! Mas usem camisinha! – ri fraco e eles acabam saindo do banheiro. Bom, melhor para mim. Faço o que preciso, me olho no espelho e vou até onde estava com o Alex, mas não o encontro lá.
Eu sabia que ele ia fazer isso, Alex é muito galinha. Não consegue ficar preso por muito tempo. E é por isso que nos damos tão bem.
Me: Vamos embora??
Dan: Me encontra aqui na frente da casa, as meninas estão aqui.
Vou até onde ele diz e encontro todo mundo, incluindo o Alex.
— Eu falei que ia ficar com você a festa inteira. – ele sorri e pega na minha mão.
— Inacreditável. – ri e abraço a cintura dele, depois olho ao redor e só então vejo a Mari e o Raff ficando. – Quando isso aconteceu? – pergunto surpresa e o Brad que está encostado no carro com a Bea na sua frente responde:
— Há uma hora atrás quando você ainda estava sumida.
— É... Depois que eu achei o Brad e a Julie começou a ficar com um menino X, ela cansou de segurar vela e foi te procurar. – a loira completa. – Mas acho que ela achou ele primeiro.
— Eles são fofos. – sorri ao olhar para eles trocando carícias.
— Nós somos fofos. – Alex resmunga e eu rio.
— Não somos não! Ainda mais você.
— Se não fosse por mim você ia passar parte das suas férias chorando vendo comédias românticas e se enchendo de sorvete. – ele finge jogar o cabelo e isso só me faz rir mais.
— Tem razão. – sorri e dou um selinho nele.
— Ai gente, eu amo tanto vocês. Por que a gente não dança? – Bella chega bêbada e nos abraça de maneira desajeitada.
— Eu cuido dela – Dan ri em negação antes de pegá-la pelas coxas e colocá-la em seu ombro indo para o carro.
— Acho que é melhor eu ir. – me viro para o Alex que resmunga.
— Por que não dorme aqui? Eu te levo para o colégio ou para casa amanhã. – ele sorri malicioso e eu reviro os olhos achando graça da sua insistência.
— Desiste Alex – apoio minhas mãos em seu peitoral e o olho.
— Okay, mas eu mereço um beijo pelo menos. – o puxo pela nuca e colo nossos lábios, aprofundando o beijo logo em seguida, que aos poucos se tornou mais intenso. Nós sempre fomos como uma chama. Quando nos afastamos vou até a Mari e o Raff.
— Mari você vem com a gente ou vai com o Raff? – olho para ela que sorri.
— Eu vou com ele, mas ainda temos que esperar o Pedro.
— Julie você vem com a gente então. – puxo ela.
— Vocês iam me deixar aqui? – quando estamos entrando ouço o Pedro chegar.
— Não, você vai com os quatro – aponto para os dois casais e ele nos olha com uma cara engraçada.
— Para eu ficar segurando vela? Ah fala sério! Eu sei que tem mais um lugar aí. – ele vem até nós e eu faço o Dan ligar o carro.
— Até tem, mas você demorou demais, tchau! – mando beijo rindo enquanto saímos de lá.
— Você é má! – Julie comenta rindo.
— Eu sei – rimos mais quando vemos que a Bella está dormindo no banco da frente.
— Quem de vocês vai cuidar dela? – Dan pergunta olhando no retrovisor.
— Eu não! – falamos juntas e fazemos um toque de mão.
— Sério que eu vou ser babá da Bella? – ele resmunga.
— Não vai ser a primeira vez – dou de ombros.
— Sempre sobra pra mim né? – ele acaba rindo.
Chegamos ao colégio antes que os outros, nós três vamos para o corredor feminino, já que o Dan estava carregando a Bella. Me despeço deles e quando chego no quarto apenas me jogo na cama para dormir.
(...)
Acordo e me espreguiço ainda deitada, o que me dá vontade de voltar a dormir.
— Finalmente você acordou – ouço a voz da Mari e então olho para ela.
— Desde quando você está acordada? – pergunto rouca.
— Há umas duas horas. – ela dá de ombros. – Mas eu estou quase saindo já. – ela fala animada.
— Você vai pra casa? – esfrego meus olhos e me sento na cama.
— Não, eu vou ficar aqui esse final de semana, mas eu vou almoçar com o Raff. – ela sorri após falar e eu fico boquiaberta.
— Me leva? – faço uma cara pidona e ela nega.
— Não.
— Por que não? Eu aceito ficar de vela. Por favoor! – me levanto e vou até a cama dela deitando lá de forma espaçosa.
— Okay, mas pelo menos chama o Pedro. – ela dá de ombros.
— Por que ele? – pergunto confusa.
— Por que não? Vocês almoçaram juntos há alguns dias.
— Você tem razão. – dou de ombros. – Vou tomar um banho rápido e vou lá falar com ele. – me levanto e procuro alguma roupa leve já que estava calor.
— Te encontro no refeitório então. – ela acena e sai.
Tomo meu banho e me arrumo como o habitual, porém faço um rabo de cavalo. Pego meu celular e saio do quarto, chego até o quarto dos meninos em poucos minutos. Bato na porta algumas vezes e espero.
— Olha só quem aprendeu a bater na porta. – Pedro aparece sem camisa e se encosta no batente da porta. Acabo encarando seu corpo mais do que deveria e murmuro um “uau”. – Meus olhos ficam aqui sabia? – ele brinca apontando para seus olhos e eu volto à realidade.
— Engraçadinho, mas eu vim aqui para te convocar a almoçar comigo. – sorri de forma meiga.
— E por que eu iria? – ele arqueia as sobrancelhas.
— Porque eu não quero ficar de vela sozinha. – falo o real motivo para eu ter ido lá.
— E eu tenho cara de castiçal por acaso? – ele cruza os braços e franze as sobrancelhas.
— Depois de ontem? – faço uma expressão pensativa. – Sim! – ele revira os olhos e suspira.
— O que eu ganho em troca? – agora é minha vez de franzir as sobrancelhas.
— O que te faz pensar que você vai ganhar algo? Eu só estava tentando de te poupar de almoçar sozinho. – dou de ombros.
— Você que não quer almoçar sozinha. – ele arqueia uma sobrancelha me provocando.
— Ok, você venceu! Agora pode colocar uma camiseta e ir comigo? – ele me encara com um sorriso ladino. – Por favor? – praticamente imploro e ele ri saindo da porta.
— Entra aí. – faço o que ele diz e vejo o quarto vazio.
— Dan não está aqui? – me sento na cama arrumada e vazia.
— Não, ou ele saiu bem cedo ou não dormiu aqui. – ele diz enquanto procura algo no guarda roupa;
— Ele deve estar com a Bella. – dou de ombros e o garoto de olhos castanhos me olha confuso.
— Os dois ficam?
— Não! – começo a rir. – Eles são amigos de infância, assim como eu e o Dan. Nós três crescemos juntos. Se fosse para acontecer algo já teria acontecido.
— Se você diz… – ele veste uma camiseta azul marinho e vem na minha direção. – Vamos?
— Claro, eu estava quase dormindo aqui com a sua demora. – brinco e saio com ele.
(...)
— Eu não vou assistir esse. – Pedro faz uma careta e eu reviro os olhos me jogando na cama.
— Você que me chamou para assistir filme com você, então acho justo eu escolher qual a gente vai ver. – cruzo meus braços.
Após ter almoçado com a Mari e o Raff, ele me chamou para assistir filme já que os outros dois resolveram jogar tênis. Agora estamos no meu quarto tentando decidir entre Ted e Uma comédia nada romântica.
— Por que você não concorda com o que eu escolhi? – ele me olha de braços cruzados.
— Por que é ridículo. – me sento – A história de um ursinho de pelúcia que ganha vida e age como um humano? Não obrigada, eu passo.
— Ele é hilário e pelo menos não é um clichê: garota conhece garoto, tem um drama no meio da história que impedem os dois de ficarem juntos, mas eles superam e ficam juntos no final. – ele coloca defeitos na minha escolha.
— Você está sendo ignorante. Mas eu tive uma ideia melhor: Vamos decidir em três rodadas de pedra, papel e tesoura. – sugiro e ele aceita. – Pedra papel tesoura – Pedro ganha e me mostra a língua. – Quantos anos você tem? – questiono sua maturidade.
— Pedra papel tesoura – ele não me responde e jogamos de novo, mas dessa vez eu ganhei.
— Quem ganhar agora vence. Tá com medo? – provoco. – Pedra papel tesoura. – começo a fazer uma dançinha ridícula quando ganho. – Eu ganhei, você perdeu! – fico repetindo isso e ele se joga na cama.
— Okay! Eu entendi. – ele puxa meu braço e me fazendo deitar na cama.
— Quanta delicadeza. – murmuro com ironia e dou play no filme.
— Só assiste. – o garoto de cabelos castanhos resmunga e eu sorri levemente.
(...)
— Admite! – quando o filme acaba ajoelho na cama ficando de frente para o Pedro com um sorriso divertido no rosto.
— Admitir o que? – ele pergunta despreocupado.
— Que você gostou do filme e que não é um clichê comum.
— Eu faria se fosse verdade. – ergo uma sobrancelha e ele suspira. – Ok, até que é legal. Eu não tive vontade de dormir. – ele tenta parecer indiferente.
— Eu sabia! – jogo meu cabelo para trás convencida e me sento na cama.
— No próximo final de semana poderia ter outra festa a de ontem. Foi bem legal, tirando a hora que eu fiquei de vela.
— Verdade, foi bom reencontrar alguns amigos. – sorri pensativa.
— Quem era aquele cara que estava com você? – franzo as sobrancelhas.
— Alex... – antes que pudesse continuar ele me interrompe:
— O dono da festa? – Pedro pergunta surpreso.
— E meu amigo. – acrescento.
— Você beija seus amigos daquele jeito? – ele ri fraco e eu também.
— Alguns sim. – admito me lembrando de quando eu tinha várias amizades coloridas.
— Eu sou seu amigo? – de repente seu semblante fica sério e seu olhar se direciona à minha boca. A mudança de atitude repentina me impressiona e eu olho em seus olhos vendo suas pupilas dilatadas. Eu não queria me afastar e nem faria isso. Parte de mim sempre teve uma queda por ele, mas eu ignorava devido ao seu jeito maçante.
— Você quer ser? – sussurro e ele se aproxima colando nossos lábios. Sem pensar duas vezes aprofundo o beijo segurando em seu rosto. Senti novamente aquela sensação gostosa que senti da primeira vez. Não era como um frio na barriga, mas tinha o efeito de um chocolate em momentos estressantes e eu adoro chocolate. Continuamos assim por vários minutos até decidirmos assistir outro filme, que provavelmente estava na metade quando pegamos no sono.
Mariana narrando...
Após horas volto cansada para o dormitório e quando abro a porta me deparo com uma cena que me surpreendeu um pouco: Melissa e Pedro dormindo abraçados com a televisão ligada. Era algo fofo de se ver, então decidi tirar uma foto para colocar de ícone no grupo que fizemos e troco o nome do grupo para “Se odeiam?”. Eu sabia que uma hora ou outra eles iam acabar se entendendo e deixar as implicâncias de lado. Sorri satisfeita, pego uma troca de roupa e vou ao banheiro tomar um banho para ir ao dormitório do Raff. Melhor deixar os pombinhos a sós.
— Se você não tivesse tirado a foto eu juro que não teria acreditado. – o loiro de olhos azuis fala assim que me encontra no corredor.
— Oi Raff, tudo bem? Comigo também, obrigada por perguntar. – brinco e ele circula minha cintura com seus braços me selando várias vezes.
— Desculpa. – acabo sorrindo com o seu gesto.
— Eu também fiquei surpresa. Eles estavam se dando bem hoje, mas não pensava que era tanto. – faço menção em me afastar e ele me puxa de volta. – O que? – ri fraco.
— Não me larga. – o loiro fala manhoso e eu me derreto.
— Desse jeito eu vou me apaixonar. – abraço sua nuca e inclino minha cabeça para olhá-lo.
— Pode se apaixonar, porque eu estou na mesma situação. – escondo meu rosto em seu ombro envergonhada e ele dá uma pequena risada.
— Te deixei constrangida? – olho para o Raff negando e sorrindo. – Tá com fome? – concordo com a cabeça. – Vamos à cantina, então. – ele me solta e segura na minha mão.
Se isso for um sonho, eu não quero acordar.
Melissa narrando...
Seguro uma mecha do meu cabelo e fico passando no rosto do Pedro que ainda estava dormindo. Tento ao máximo não rir dele fazendo biquinho e tentando se afastar, mas falho e solto uma gargalhada que o acorda.
— Olá Belo Adormecido. – encosto na cabeceira ficando sentada.
— Hey? – ele murmura rouco e se ajeita na cama. – Você também dormiu. – Pedro esfrega os olhos e eu fico olhando para ele.
— Mas eu acordei com o meu celular. Aliás, olha isso. – estendo meu celular que está aberto na conversa do grupo.
— Nos flagaram. – ele ri e olha para mim.
— Yeah, vamos mandar uma foto como resposta. Faz uma cara fingindo que me odeia. – abro a câmera.
— Mas eu ainda te odeio. – olho para ele mostrando a língua. – Okay. – fazemos caretas e depois enviamos a foto com a legenda “Sim” em resposta ao título do grupo. – Agora posso fazer uma coisa já que te odeio? – franzo as sobrancelhas confusa.
— Que tipo de coisa?
— Te beijar? – acabo rindo com sua resposta.
— Idiota! – bloqueio meu celular.
— Eu acho que é um sim. – ele me beija o que me faz sorrir.
E nós teríamos ficado mais tempo juntos se não fosse a Mari chegando meia hora depois expulsando o Pedro porque amanhã era segunda-feira e todo mundo teria que acordar cedo. Típico dela fazer isso.
Como prometido, estou soltando a ceninha extra baseada em uma ask que Lipe respondeu há uns tempos, no Tumblr dele, sobre uma suposta briga que ele teve com uma tia no Natal. Espero que gostem da ceninha e que possam matar um pouco a saudade do Lutador com ela! <333 Caso alguém queira ver a pergunta que originou esse post, basta clicar aqui. Enfim, boa leitura, amorinhas! <33
E comentem, fala sério. Tadinha de mim.
(peço desculpas pelos possíveis erros).
Se havia uma coisa que eu detestava eram as reuniões familiares no Natal.
Não que eu odiasse toda a minha família ou fosse algum tipo de antissocial que preferia passar as festividades trancado no quarto, jogando videogame. Não era bem isso. O problema é que eu possuía um número considerável de parentes no lado da minha mãe e, exclusivamente no Natal, todos se reuníam na minha casa para a ceia. E isso incluía aqueles primos chatos que só via uma vez no ano e os tios barrigudos que fazem piadas estúpidas.
E, é claro, também inclua a minha tia-avó Betânia. Ou, O capeta de peruca, como eu e meu irmão Henrique costumávamos chamá-la quando mais novos.
Tia Beth fazia jus a todos os estereótipos de tia velha irritante e incoveniente. Ela se separou do marido ainda nova e, após seu divórcio, nunca mais se relacionou com nenhum outro homem. Desse modo, também nunca teve filhos. Acho que isso explicava o motivo dela se intrometer tanto em nossas vidas. Talvez não ter netos para chamar de seus a frustrasse um pouco.
Ainda assim, bastava a velha abrir a boca para toda a pena que eu sentia de sua condição solitária se dissipar. E isso ocorria em todas as festas que a encontrava, pois, sabe-se Deus porque, ela insistia em grudar em mim. Vai ver meu charme rompia as barreiras da idade.
— Felipe, você está me ouvindo?
Pisquei algumas vezes, despertando de meus pensamentos. Eu estava há uns 20 minutos escondido no corredor, observando os sofás da sala serem completamente ocupados por meus parentes e tentando evitar ao máximo todos, até ser encontrado por minha mãe e tia Beth e ser obrigado a acompanhar a conversa delas sobre o preço de alguma coisa na feira.
— Estou, mãe. O que foi? — Perguntei, encarando a senhorinha de óculos redondos e cabelos tão loiros quanto os meus parada diante de mim.
— Sua tia lhe fez uma pergunta, não seja mal-educado!
Eu desviei o olhar dela para tia Beth, e precisei fazer um certo esforço para disfarçar minha repulsa. Betânia era da mesma estatura de Mamãe — as duas beiravam 1,50m e batiam praticamente em meu ombro —, mas sua coluna era curvada e seus cabelos já estavam grisalhos.
— Sim? — Questionei-a, tentando não soar tão rude quanto gostaria.
— Perguntei como está no colégio — Ela sorriu. Sua dentadura era esquisita. Meu estômago embrulhou. — Está se comportando bem?
— Sim, estou — Assenti, retribuíndo seu sorriso sem muito ânimo. — Está tudo indo super bem.
— Então parou de se envolver em brigas? — Suas sobrancelhas se arquearam. — Eu sempre disse para Lúcia que essa história de boxe iria deixar o filho mais violento, mas ela insistiu em manter...
— Na verdade, Tia Beth, o boxe é justamente o que me deixa menos agressivo — Rebati, impaciente. A velha tinha mania de falar sobre meus problemas de comportamento e temperamento forte em toda reunião familiar. E ela sabia o quanto eu odiava aquele assunto. — Eu soco sacos de areia para não socar o nariz das pessoas. Sem as aulas de luta, eu possivelmente estaria socando alguém agora. Talvez uma velhi...
Antes que pudesse terminar a frase, senti um beliscão forte em meu ombro. Grunhi, surpreso, e notei o olhar de minha mãe pesando sobre mim. Um olhar quase mortal, que dizia claramente ‘mais uma palavra e você está morto’. Calei-me no mesmo instante.
— Se você diz... — Tia Betânia respondeu com indiferença, parecendo não notar que há segundos eu quase ameaçara atacá-la. — E como vai a sua namorada, aquela pequenininha? Laura, não é?
— Lara — A corrigi, cruzando os braços. — E ela vai bem, mas não somos mais namorados.
— Como assim? — Seus olhos azuis arregalaram-se.
— Nós terminamos — Dei de ombros.
— Mas vocês homens são todos iguais mesmo! — Ela bradou, elevando sua voz de forma repentina. Franzi o cenho, confuso. — Você não tem vergonha não?
— Desculpe, não estou entendendo... Vergonha de quê?
— De deixar um chifre na cabeça da garota, ora! — O julgamento e ira em sua voz era quase palpável.
— Você está insinuando que eu traí ela? — Arqueei as sobrancelhas, incrédulo, e não consegui controlar o riso. — Só pode ser brincadeira. Não houve traição alguma!
— Ah, me poupe, garoto. Por que outro motivo você terminaria o namoro, se não por outro rabo de saia?
— Existem muitos outros motivos para terminar um relacionamento — Afirmei, soltando um longo suspiro. Controle-se, Felipe. Controle-se. Ela é apenas uma senhora. — E a razão pela qual o meu terminou só diz respeito a mim e a Lara. Mas não houve traição, está bem?
— Você acha que eu nasci ontem, Felipe? — Seu tom permanecera estupidamente alto. — Vocês são assim. Ficam com uma mulher, usam ela, e depois quando enjoam, a jogam fora e arrumam outra. Não sabem valorizar o que tem em casa.
— Tia Beth, eu posso assegurar que meu filho não faria algo assim... — Minha mãe afirmou de forma doce, tentando tomar partido, mas a senhora irritante colocou a mão em sua face e não a deixou prosseguir.
— Nem adianta Lúcia, é seu filho. Óbvio que você vai o defender.
— Sinceramente, eu não vou perder meu tempo aqui ouvindo isso — Rolei os olhos, impaciente. — Tenho mais o que fazer.
Sem olhar para qualquer uma das duas, eu me encaminhei em direção a sala. Não iria ficar ali servindo de saco de pancada para uma velha mal amada e frustrada sexualmente. Tia Beth parecia sentir prazer em me irritar.
Será que ela tinha uma paixão secreta e doentia por mim? Sempre achei que ela demorava demais tocando em meus braços quando ia me cumprimentar. Só porque era idosa, não significava que não pudesse sentir essas coisas. Ela não era cega, afinal.
Qualquer que fosse o motivo, eu estava pouco me fodendo. Aquela mulher era doida.
— Vai atrás do rabo de saia que destruíu o seu namoro? Eu bem que avisei a Lara para manter distância de você. Sabia que não prestava — Tia Beth gritou, e sua fala final me fez interromper o percurso e virar-me novamente em sua direção.
Ela fez o quê?
— Você fez o quê, sua velha maluca?
— Felipe... — Minha mãe se adiantou, esticando a mão até meu ombro. Empurrei-a antes que me tocasse.
— Não mãe, chega! — Bradei, levando a mão ao cabelo e puxando-o de forma irritada. — Eu estou cansado de ouvir merdas e ficar calado. Você... — Apontei para a senhora de cabelos grisalhos a minha frente, que encarava-me com uma expressão assustada. — Só porque você foi chifrada por mais de dez anos pelo seu marido e não conseguiu arranjar nenhum homem depois disso, não significa que todas as mulheres passem pelo mesmo. Talvez não tenha encontrado ninguém porque é insuportável de conviver. Já parou pra pensar nisso?
— Felipe!
— Eu não tenho culpa se essa velha claramente sofre por falta de sexo, está bem? Alguém por favor compra um vibrador pra ela. Já deviam ter feito isso há uns 20 anos!
— Felipe Vieira, calado agora! — Mamãe gritou novamente meu nome, dessa vez num tom muito mais agressivo. Eu me calei no mesmo instante, chocado, e só então notei que toda a família assistia nosso pequeno show da sala. E todos os olhos estavam especificamente focados em mim.
Engoli em seco, desviando o olhar das duas e sendo dominado por aquele silêncio constragedor que se seguira após a discussão. E então, poucos segundos depois, o barulho alto de alguém tossindo dominou o ambiente e acabou com a falsa paz implantada.
— A Tia Beth está passando mal! — Meu tio Carlinhos fora o primeiro a gritar, fazendo-me voltar a encarar a velha com quem acabara de brigar.
Ela estava roxa. Quase da cor de uma uva. Suas mãos pressionavam seu peito e minha mãe a acudia enquanto ela tossia sem parar. Eu me adiantei em sua direção, tentando socorrê-la, mas dois tios entraram em minha frente e a carregaram as pressas para fora do corredor.
— Alguém chama uma ambulância! — Gritou uma de minhas tias.
— É melhor levar ela pro hospital no carro mesmo — Outra rebateu.
— Peguem um copo de água! — Berrou um primo.
E enquanto isso, eu assistia aquela cena petrificado, pensando em como aquele seria o último natal que passaria com aquela família. Eu seria deserdado por matar minha tia-avó.
— Cara, você está muito fodido — Uma mão apertou forte meu ombro e, ao me virar, deparei-me com Henrique ao meu lado. Ele sorria, parecendo se divertir com a situação, enquanto remexia em seus cabelos loiros.
— Você acha que eu matei ela?
— Acho que não — Ele franziu o cenho, negando. — Vaso ruim não quebra, irmãozinho. Você é a prova disso.
Eu ri, tentando acreditar em suas palavras. Eu não gostava de Tia Beth, mas não queria ser o responsável por mandá-la ao caixão. Pelo menos, não queria que todos soubessem que fora eu. De qualquer forma, com ela viva ou morta, assim que as coisas se acalmassem, eu iria ter que lidar com a ira de meus pais. E a encarada quase assassina que minha mãe me dera naquele instante era a maior prova disso. Eu estava realmente muito fodido.