28 Dezembro, 2021
meu querer era um mar furioso em noite de tormenta
chocoalhando ondas pra lá e pra cá,
e tu, um pobre marinheiro confuso
que nunca sequer aprendeu a nadar.
meu querer era larva quente
borbulhando e queimando quem passava.
meu querer era brisa leve
que soprava e soprava.
meu querer jorrava intensidade
como um bravo vendaval
e tu no meu caminho
era um punhado de roupa nova estendida no varal.
meu querer era assim
extrapolado, desengonçado,
sem saber direito onde se encaixar
sem mapa, meio perdido,
seguindo o rastro do teu cheiro para se orientar.

















