[14] UMA NOITE DE PRIMAVERA, 2019
Ou o “Something in the rain” que deu certo.
Sim, estou com o coração quentinho!
Uma noite de primavera nos conta a história de Lee Jung In, que após um “Sleep over” na casa de sua melhor amiga, acorda no dia seguinte atrasada e de ressaca. É quando no caminho do trabalho ela decide passar em uma farmácia e comprar um remédio pra ajudar a melhorar seu estado.
Assim, ela conhece Yoo Ji-ho, um tímido farmacêutico que ao perceber que ela não estava com sua carteira, decide pagar pelo remédio e esperar que ela o reembolse depois.
Essa situação constrangedora se torna a oportunidade de ver novamente esse homem que não saí da sua cabeça. Mas, ela se preserva ao perceber que o interesse é mútuo, pois está comprometida.
Jung In namora há quatro anos com Kwon Ki-seok, que além de ser um bem sucedido bancário, é filho do chefe do seu pai. Ou seja, o pretendente perfeito para um futuro casamento.
Porém esse encontro casual acaba despertando sentimentos difíceis de reprimir para os dois e eles se aproximam aos poucos, mesmo que não intencionalmente.
Ji-ho é um jovem pai solteiro e por medo de se envolver novamente e acabar saindo machucado de um possível relacionamento, deixa claro a sua situação desde o primeiro momento.
Ambos estão em situação delicada ao se conhecerem e assim, de forma cuidadosa, decidem ser apenas amigos.
Será que eles resistirão a esse sentimento?
Bom, eu venho aqui dizer que traumatizada pelo desenvolvimento de Somenthing in the rain e apaixonada pelo rostinho fofo de Jung Hae In, assisti esse drama extremamente tensa com medo de que a história se repetisse e ansiando por um final feliz, apesar de muito satisfeita em ficar admirando a beleza do meu principezinho coreano.
Antes de mais nada, deixo claro que é quase impossível para quem assistiu aos dois dramas assim como eu, não compará-los!
Além do mesmo protagonista, o drama conta com os mesmos responsáveis tanto pela direção quanto pelo roteiro de Somenthing in the rain. Além de uma OST de estilo bem semelhante!
E pasmem, quem interpreta o papel da mãe de Jung In neste drama é a atriz Hae-yeon Gil, a mesma que interpretou a mãe de Jin-A em Something in the rain. Ou seja, meu coração paralisou por alguns segundos quando seu personagem foi apresentada no drama.
A genial atriz mais uma vez entregou um excelente trabalho, sendo que dessa vez sua personagem fazia a linha boa policial enquanto toda a parte de misoginia e preconceito ficou a cargo dos personagens masculinos, mais especificamente o pai da protagonista.
O peso do drama consiste em dois pontos, sendo um deles moral, onde a protagonista rompe um relacionamento que já não funcionava para ela e onde ela já não depositava nenhuma expectativa, questionando constantemente se deveria ou não permanecer nele, antes mesmo de conhecer Ji-ho, somente após conhecer Ji-ho.
Jung In estava em um longo relacionamento e aos poucos o roteiro vai nos dando indícios de que ela sim, já tinha gostado muito do seu então namorado, mas frustrada com as atitudes dele, esse sentimento foi se dissipando e o relacionamento se tornou um fardo pesado demais para se carregar sozinha.
Pressionada por seu pai a se casar com Ki-seok, ela se desvencilha de forma enfática desse compromisso, mas ao conhecer Ji-ho ele experimenta de um sentimento que a abraça e a faz querer ir além nesse novo relacionamento.
Sabendo que a decisão de terminar o seu relacionamento e iniciar um novo com Ji-ho soará como traição independente de ter sido ou não, ela lida com um dilema que colocará seu caráter em questão.
E aí entra o questionamento, traição é somente um ato físico, ou estar envolvida com alguém, mesmo que não se entregue a esse sentimento de forma completa, também é um ato de infidelidade?
Um ponto importante e que foi abordado de forma coesa, intensa e objetiva nesse drama foi a dificuldade de validar a decisão feminina de terminar um relacionamento.
Vimos isso acontecer com a protagonista e com sua irmã mais velha, Lee Seo-in.
Jung In precisava constantemente afirmar que não estava mais namorando Kwon Ki-seok, mesmo quando já estava em um novo relacionamento.
Ki-seok sem aceitar o fim do relacionamento, agia pelas costas da ex-namorada ao planejar seu casamento junto do ex sogro, que também teve dificuldades de entender que sua filha não cederia às suas vontades e que por fim não se casaria com o homem que foi escolhido por ele para dividir sua vida.
Ki-seok não cansava de fazer cena, criar intriga, ofender gratuitamente Ji-ho e cobrar fidelidade de uma pessoa que já não estava mais com ele. Ele simplesmente agia como se ainda estivessem juntos.
Já com Lee Seo-in, a proposta do roteiro trouxe uma realidade mais cruel. Onde Seo-in vivia um relacionamento abusivo onde era agredida fisicamente.
Seu casamento foi um arranjo de seu pai e ela decide por um ponto final após sofrer agressões do marido e o mesmo não aceita a separação, forçando constantemente sua presença em sua casa.
Ela usava de táticas como estar sempre acompanhada na presença dele para evitar novas agressões.
Ela demora a expor a situação verdadeira para a sua família, lidando com todo o processo de forma solitária onde é preciso abrir mão de seu emprego onde é bem sucedida por saber que sua imagem ficará manchada por causa do divórcio.
Seu pai não aceita sua decisão mesmo sabendo o que motivou a separação, ficando ao lado do genro agressor para preservar a imagem de sua família.
A fortaleza que foram essas personagens por não sucumbirem às normas da sociedades e muito menos cederem a opressão dentro de sua própria família, me deixou satisfeita em um nível muito alto de satisfação.
O segundo ponto principal da trama gira em torno de Ji-ho ser pai.
Ser de pai solteiro na Coréia é extremamente mal visto em termos de se relacionar novamente com alguém e Ji-ho tem plena consciência disso. Por isso ele não cria altas expectativas, mesmo que conte com a ajuda de sua chefe e família para compreender que ele ainda tem a chance de ser feliz e conhecer alguém que o ame.
Ji-ho e seu filho, o fofo Yoo Eun-u, foram abandonados pela namorada/mãe e hoje ele vive sozinho em um apartamento próximo ao trabalho, enquanto os pais ficaram responsáveis pela criação do neto.
Mas antes que possa parecer fácil, Ji-ho é um pai presente apesar de pouco experiente e que luta com as suas cicatrizes do passado e com o dilema de estar ou não mais próximo de seu filho diariamente.
Esse acordo foi feito com a intenção de que ele possa viver a vida de forma mais livre e assim consiga se dar mais uma chance no amor.
É quando ele encontra Jung In que sentimentos antes adormecidos, despertam dentro dele lhe dando um fio de esperança.
Aos olhos de seu pseudo rival, ele não seria um adversário a altura, justamente porque nenhuma mulher desejaria estar com alguém que tivesse um filho pequeno para criar.
E assim vemos o que representa aos olhos dos coreanos este relacionamento.
Sua mãe, suas irmãs, seu pai, amigas próximas e até mesmo Jung In se questiona se essa é uma sábia decisão, pois estar em um relacionamento com ele a torna automaticamente responsável também pelo seu filho.
Enquanto ele luta pra não demostrar sua principal fraqueza, o medo de ser abandonado novamente. Não só ele, ele e seu filho.
Algumas cenas tem uma capacidade tão forte de penetrar no emocional de quem assiste de uma forma muito discreta que quando percebemos estamos apenas sentindo o desespero e preocupação dos personagens. A tensão, o medo, a expectativa.
O drama foi muito bem sucedido nesse quesito e eu achei que apesar da lentidão em se concretizar algumas ações, Uma noite de primavera não me deixou entediada.
A proposta dele é muito mais reflexiva do que dinâmica.
Talvez eu tenha gostado bastante por ter me identificado em diversos momentos com quase todos os personagens, mas acredito que o mérito foi a excelência em se contar essa história.
Quando digo que Uma noite de primavera foi o Somenthing in the rain que deu certo, foi porque os personagens apesar de suas inseguranças, se colocaram em primeiro lugar, tanto juntos como individualmente.
E amadureceram juntos.
Eles construíram algo que ninguém poderia destruir, de um forma natural e honesta.
O fato de ter ficado em aberto o consentimento do pai, nesse caso fez sentido, porque a opinião dele nunca foi uma questão.
O seu pensamento machista, conservador e preconceituoso não era levado em consideração, e sua voz perdia força quando enfrentava as suas filhas. O poder dele sobre elas era somente de magoá-las por não respeitá-las como as pessoas que elas queriam ser, talvez por isso intencionalmente, eram três filhas. Cada uma delas com um propósito diferente!
Só senti falta talvez, de um destaque maior para irmã caçula pois parecia ser uma personagem que merecia um espaço maior.
De resto para mim, guardarei esse drama num potinho de amor.
Esse drama está disponível na dona Netflix com 16 episódios.
Então bora maratonar?









