Em todos os locais pertencentes, eu não pertenço. Será as inúmeras expectativas que pus em locais nos quais ao meu ver eram pertencentes? Ou será os próprios lugares que já eram pertencidos o suficiente para me pertencer?
EXPECTATIONS

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@eumesmaalicia
Em todos os locais pertencentes, eu não pertenço. Será as inúmeras expectativas que pus em locais nos quais ao meu ver eram pertencentes? Ou será os próprios lugares que já eram pertencidos o suficiente para me pertencer?
Não vale a pena comparar, uma borboleta não nasce a partir do casulo da outra.
Sinto-me desnorteada pois, de todo o tempo que tenho no mundo, o único que anseio é o teu.
Cometi o erro irreversível de ter nascido sem antes ter vivido.
De: Alicia Salvaterra
O miúdo e o cão - Crítica Social
Havia um miúdo, sem nome nem passado. Andava nu e esquecido, pela rua pelado. Tinha um corpo em trevas feito de cortes e pedras. Quase parecia ter sido mastigado de tanto que foi castigado. Era um pobre coitado. O miúdo, porem mesmo diante a todo o desdém Era seguido sempre por um cão magro, sofrido e largado. O cão não ladrava, muito menos cantava, era inútil. O miúdo, por sua vez, também nada sabia, nada lhe haviam ensinado, nada lhe haviam ensaiado. Num certo dia sentaram-se os dois num pedregulho duro, nenhum deles um futuro via. O miúdo, impaciente para tentar ser eficiente esperou que o cão deitasse no chão para poder então dominá-la a fome. O cão, por sua vez, até aprendera a contar até dez, de tanto esperar que o miúdo, branco de tão imundo, fechasse os olhos e dormisse de vez. Certo momento o miúdo, já derrotado, deitou no chão o seu corpo cansado. O cão, desesperado, já sendo imundo cravou os seus dentes podres no peito nu do miúdo. Porem, pela ordem do destino caiu também no chão porque o miúdo, coitado, não tinha carne sequer para alimentar um cão. De: Alicia Salvaterra
É crer sem ver ou viver sem crer.
Querido pássaro, Voaste sabendo voar, e caíste sem saber cair.
Eu pego a minha espada a caminho da luta mas perco-me na estrada de me tornar adulta.
De: Alicia Salvaterra
Menina Coitadinha - Rimas musicais
*Primeiro rascunho.
Menina coitadinha, tão sofrida a menininha.
Menina ladrazinha tão bandida, vai sofrer.
Menina coitadinha, tão encardida, para não aparecer.
Menina ladrazinha, não querida a bandidinha.
Menina coitadinha nasceu pobre, sem alarde de seus pais.
Menina ladrazinha Roubou cobre Tirou alarme E correu
Menina coitadinha Tao despida Pela vida Que morreu
Menina ladrazinha Que maldita Parasita Mereceu.
Menina coitadinha Sonhou alto. E no asfalto faleceu.
*Primeiro rascunho.
E apercebi-me novamente que nunca me quis ser. Talvez porque nunca me fui. E se nunca me fui, nunca saberei como é me ser.
Citação tirada do livro: Quando a morte me vier buscar. (Gratuito)
Perco-me constantemente na oscilação de respostas e perguntas que nunca me couberam saber.
De: Alicia Salvaterra
As minhas escolhas tornavam-se, a cada dia, mais difíceis de decidir. Pois, por mais que me esforçasse por deixá-las para trás, acabava sempre por voltar a ponderá-las.
Sei que sou alguém pois tenho consciência. Mas sei também, que ao mesmo tempo, não sou um alguém.
Não sei definir-me. Nunca procurei fazê-lo, e por enquanto, prefiro não o fazer. Porque se o fizer, vou estar perante a limitações sobre mim própria.
De: Alicia S.
Cometi o erro irreversível de ter nascido sem antes ter vivido.
De: Alicia Salvaterra
Procurei ser a infinitilidade da minha própria alma, mas quando pude sê-lo, não fui nem uma porção de inutilidade dela.
O indizível é o dizível já dito pela alma.