evannoraniramour:
Gostava de ver o sorriso nos lábios do paladino, não importava se era um sorriso grande ou pequeno, feliz ou sem graça. Era um sorriso e ele ficava ainda mais lindo quando sorria. Sentiu os lábios dele no seu, depositando um beijo ali, o que só fez seu sorriso aumentar e a vontade de beijá-lo aumentar. Deixou um riso escapar por seus lábios antes de voltar a ficar na ponta dos pé e inclinar-se sobre ele, devolvendo o beijo antes de escuta-lo falar sobre os noivos. — Ninguém merece uma situação como essa. Ninguém merecer ter sua vida ditada por outra pessoa. - Ela continuou a acariciar o rosto dele, pensando na pergunta que queria lhe fazer já havia algum tempo. O destino de Arthur havia sido ditado pelo rei desde que ele decidira que o príncipe, como herdeiro, teria que passar pela seleção, e não que ela não fosse grata pela seleção, afinal era aquela a forma que Nora havia conhecido o príncipe. — Se você pudesse escolher… - Sua voz era quase um sussurro, afinal não havia necessidade de falar alto quando ele estava assim tão perto. — Escolheria não ter seleção? - Não havia nenhum julgamento em sua voz, e não haveria após ele lhe responder.
Sorriu imensamente diante do beijo dele em sua palma e do roçar de seus narizes. Inclinou a cabeça na direção dele, lhe roubando um pequeno beijo nos lábios, ela se sentia atraída por ele como um imã atraindo os extremos opostos. A fala dele trouxe de volta a Nora influenciada pela bebida a mais, fazendo-a rir. — Você nunca me irritaria. - Ela assegurou com um sorriso doce. — A menos que você começasse a ameaçar criancinhas inocentes. - Afinal, se havia algo que a morena não suportava eram injustiças, mas ela sabia que Arthur não era injusto, muito pelo contrário. Afastou-se alguns passos observando enquanto ele abria a garrafa, dando pulinhos e gritinhos no lugar enquanto aplaudia, para então depois rir. Pegou a garrafa que ele oferecia, bebendo um gole. Arthur estava certo, era realmente muito bom, o que a levou a beber um segundo gole, mesmo que sua garganta ardesse. — Eu diria que é o melhor que já provei, mas como nunca bebi nada alcoólico além de vinho antes de vir para o palácio, creio que não tenho muito com o que comparar. - Riu a beber seu terceiro gole e se aproximou novamente. Evannora praticamente saltitava, sentindo-se novamente leve, como se pisasse nas nuvens de algodão. Devolveu a garrafa para ele, enquanto seu riso ecoava entre eles.podia ouviu a música ao longe, combinado com os sons da noite e dos jardins ao redor deles. Passou os braços ao redor do pescoço de Arthur, trazendo-o para si e quando ele finalmente havia bebido mais um gole da bebida ela o beijou como ele havia lhe beijado antes no observatório, de forma intensa, como se sua vida dependesse daquilo, e ao mesmo tempo, com uma mistura de divertimento.
[Flashback]
Ele permaneceu um momento pensativo, enquanto acariciava a pequena e doce druida por alguns momentos com as mãos. Era um tanto difícil de se concentrar, fosse a o álcool em seu sistema, fosse o perfume da selecionada, não por ser irritante ou forte, pelo contrário, para Arthur ela tinha um desconcertante aromas de flores, principalmente rosas, era quase impossível não apreciar da distancia que estavam. Ainda assim, com muita força de vontade parecia conseguir reunir alguns pensamentos em sua mente, ela parecia sério enquanto falava, não chateado, mas apenas o que falava realmente parecia lhe importar um bocado – Sabe… Eu… Hm… – fazia uma pausa, pensando novamente – Sei bem o que você perguntou, mas vou responder de duas formas, porque… acho que é preciso – dava de ombros, com um leve divertimento na voz, antes de voltar a ficar mais sério -… Se estamos falando do conceito de Seleção em si… Sim, se eu pudesse, eu não teria feito uma seleção – respondeu direto, porém calmo, antes de continuar - … Uma coisa que sempre presei é o sentido de liberdade, de qualquer pessoa, não vejo porque não poderia ser diferente comigo… Mas entendo que muitas vezes, pela minha posição… Tenho que fazer sacrifícios pelo povo e pelas pessoas – falava com um “quê” de determinação e certeza - …mas… – ele esboçava um sorriso, que não conseguia conter - … Depois de tudo isso, de ter conhecido vocês… antes de mais nada o “sacrifício” – fazia aspas com as mãos – ganhou um belo par de aspas ao seu redor, porque se tem algo que aconteceu foi conhecer inúmeras garotas brilhantes que nunca em meu sonho mais maluco imaginei que iria conhecer, muito menos que se interessariam por mim… como você, Nora – dizia abrindo mais o sorriso – Então… A seleção em si? Sim, abriria a mão fácil… mas dessa? – ele negava com a cabeça, agora sorrindo tanto que quase ria – Nem que eu fosse maluco de pedra!
-Ok… isso eu nunca faria! – Arthur apontava para ela, balançando a cabeça divertido, sabia o quanto era impossível… Talvez se fossem crianças de Urso-corujas do penhor da sombra, mas ai seria forçar um pouco a barra, então surpreendentemente, mesmo estando ficando cada vez mais bêbado com aquele liquido, manteve as palavras para si, deixando os dois ainda rindo. Ele pegava a garrafa com ela, após ela dar aqueles longos gole que o deixavam surpreso, olhos arregalados e a cabeça num leve acenar de afirmação, completamente admirado. Ele dava um gole longo por si mesmo, antes de falar – Pra ser sincero eu nem faço ideia do que seja isso aqui, você que pegou! – assim como havia bebido tão rápido que nem sentira o sabor, mas sabia… era algo forte. Olhou na garrafa e permanecia sem reação por um momento, quase como se estivesse em choque. Era o mais puro e potente dos whiskies do palácio, não era à toa que se sentia abobado e via que Nora estava quase agindo como uma garotinha. Deu de ombros sem se importar e sentia-se puxado, cedendo ao movimento, indo de encontro com a druida, retribuindo toa vontade e intensidade do beijo. Seus braços abaixavam-se e envolviam-na pela cintura mais uma vez, enquanto seus lábios dançavam, era como encontrar paz dentre uma tempestade.
A resposta dele para sua pergunta era exatamente o que ela já esperava, por isso apenas balançava a cabeça positivamente e lentamente enquanto ele falava. Era exatamente o que ela pensava e sentia. Deixou um sorriso lento e preguiçoso escapar por seus lábios. — Você sabe como eu cheguei até aqui. - Ela começou ponderando. — Não foi uma situação comum, e acho que se eu tivesse crescido ao lado dos meus pais, se minha infância e juventude fosse diferente, talvez eu nunca tivesse me inscrito. - O lento riso escapou por seus lábios enquanto ela inclinava a cabeça na direção da mãos dele. — Eu entendo o que quer dizer, a ideia da seleção em si trás um sentimento e ideia de que está perdendo sua liberdade. - Ela franzio o cenho, ficando séria desta vez, mas no entanto, bastou olhar nos olhos dele para sorrir abertamente. — Mas bastou te conhecer pra eu me sentir tão livre quanto nunca estive. - A druída confessou, rindo de si mesma. — É loucura isso? - Se fosse ela não ligava. Sentia-se feliz e era isso que importava, não? A gargalhada veio em alto e bom tom e fez com que ela levasse ambas as mãos ao rosto dele, uma de cada lado. — Tá vendo só. É o que eu disse. - Interrompeu-se novamente, aproximando os lábios do dele em um pequeno beijo para então sussurrar a próxima frase contra os lábios de Arthur. — Nem que quisesse me irritaria. - Seu tom era doce e carinhoso. Arqueou a sobrancelha ao observá-lo dar um longo gole na bebida, rindo logo em seguida. Sentia-se leve e mal sabia diferenciar se era felicidade ou álcool e no entanto, já não lhe importava. — Eu também não faço a menor ideia. É forte, é a única coisa que posso dizer. - Encolheu os olhos dentro do abraço dele. Balanço de um lado para o outro, ao som da fraca música a distância, misturado aos sons da noite e a respiração dos dois se chocando. Aquela era a melhor música que poderia haver. Foi quando sentiu as primeiras gotinhas em seu rosto, e então na pele desnuda de seus braços e até mesmo em seu decote, o decote do vestido vermelho que tanto lhe incomodara no único por ser mais revelador do que ela gostaria, mas que naquele momento ela já havia se esquecido. Começava a chover e ela não poderia estar mais feliz. Sim, estavam em uma festa e não deveriam se melhor. Mas tomar banhos de chuva eram libertadores e lavavam a alma. A chuva se intensificava, assim como ela grudava seu corpo ainda mais no de Arthur a medida que se beijavam até o ar lhe faltar aos pulmões.


















