[POV] How Soon Is Now?
[Português]
- Non, je ne t'aiderai pas. - Sentiu-se oco quando sentiu o olhar dissaboroso da matriarca em sua direção. Poderia, é verdade, ter sido mais cauteloso em suas palavras, lançar mão de eufemismos e até dissimular algum empecilho externo e imutável. Mas tudo isso serviria a que propósito? Não era a primeira, tampouco seria a última, que se tornava a causa da decepção de sua avó. Durante toda a infância se esforçara para atender as expectativas da francesa, mas jamais conseguira encontrar qualquer vestígio de orgulho naqueles olhos azuis. E após tantos anos de frustração, já não criava qualquer expectativa em cima dela, ou de qualquer outra pessoa. - Et franchement je ne comprend pas pourquoi c'est si important pour vous. - massageou a nuca ao passo que enchia seu copo com um pouco mais de firewhisky. Parecia que se esvaziava cada vez mais rápido, ponderou.
- Tu ne comprends pas pourquoi c'est important pour moi? Ne sois pas cynique, Evan. Tu ressembles à ton père. - quando finalmente encarou os olhos azuis, percebeu não apenas o dissabor de sua avó, mas também costumeiro desprezo.
Um sorriso cínico cresceu em seus lábios diante a menção de seu pai. Sabia que o rancor de Manette por Beauregard era, talvez, o mais forte sentimento já vivido por aquela mulher. Sobressaindo até mesmo ao amor da matriarca pela própria filha. A maneira como ela o encarava desde a morte de sua mãe refletia um insistente desprezo que ficava evidente mesmo com as tentativas - talvez não tão empenhadas - de ocultá-lo. - Je ne suis pas cynique, je suis réaliste. - deu ombros ainda sustentando o sorriso cínico no rosto. Sabia o quão importante era para a matriarca que seus netos se mostrassem engajados aos planos da elite, mas sabia também os interesses ocultos naquele pedido. - Hier, j’avais uneréunion avec le conseil d’administration et nous avions décidé de ne pas intervenir dans l'affaire.
- Jusqu’à quand vas-tu continuer à te comporter comme un enfant gâté? - e quantas outras vezes já não ouvira tais palavras sendo proferidas daquela boca? Infantil, mimado, mal-educado e tantos outros adjetivos nada lisonjeiros que lhe foram atribuídos durante toda sua vida e, principalmente, naquelas conversas particulares. - J'espère que tu ne fais pas ça juste pour me contrer. - Ela se dava muito valor, ponderou. Talvez até com certa razão, demorara tempo demais tentando agradá-la, afinal.
Sentou-se na cadeira em frente a Manette, imaginando como seriam as conversas daquela senhora com os outros netos. Será que Christopher era questionado de maneira tão incisiva? Será que ela também o pressionava a acatar suas vontades? Ou será que aquele tipo de comportamento agressivo lhe era exclusivo? Sempre desconfiara que recebia tratamento especialmente hostil de sua avó. - Je ne mettrais jamais en péril l'emploi de mon équipe uniquement pour vous contrer. - respondeu seco, como alguém que não tivesse qualquer intenção de prolongar aquele assunto. Ele jurara que não faria mais nada com objetivo de ter a atenção daquela mulher.
- Alors ne sois pas comme ton lâche de père! - e mais uma vez Beauregard era mencionado naquela conversa. Não que tivesse qualquer preciosismo com relação a imagem de seu falecido pai, mas também não se sentia confortável com a constante comparação. Era uma pessoa totalmente diferente de Beauregard. - Tu dois soutenir l’Alliance, faute de quoi, tu creuseras pas seulement ton tombe mais aussi de toute ton équipe!
Tomou mais um gole de firewhiskey que desceu tão mal quanto digeria aquela conversa. - Je soutiens l’Alliance en ce qui me concerne. Ne vous attendez pas à ce que je soutienne vos intérêt personnel
- La Travers’ Tradings n'est pas mon intérêt personnel, mais c’est ton principal exportateur. - achou graça da maneira como ela fazia questão de colocar a empresa dos Travers em posição superior. Era verdade que a Travers’ Trandings & Co era uma das principais exportadoras da Rosier Holding, não havia como negar tal fato. Mas, as circunstâncias não conferia a subserviência que sua avó fazia questão de atribuir. - Si le Ministère de la Magie ouvre le marché au transport moldu, nous augmentons les prix.
Não se deu ao trabalho de fingir surpresa com a ameça que não tardou a acontecer. Não era incomum que Manette tomasse frente aos negócios da Travers’ Tradings e fosse pessoalmente conversar com Evan. Normalmente resolviam as questões pendentes e faziam parecer para todo o resto do mundo que a conversa fora liderada por Christopher. Nada tinha contra o herdeiro dos Travers, porém, sabia que o primo não tinha a malícia necessária para gerir os negócios da família e por isso, muitas vezes, Manette o fazia. - Je ne vois pas la raison de l'augmentation des prix. Après tout, la concurrence apporte plus de choix et des prix plus bas. - claro que a francesa sabia que seu argumento anterior não fazia o menor sentido. Talvez a idade já estivesse cobrando seu preço e já não conseguisse ser tão assertiva em suas argumentações, pensou.
- Nous avons des réglementations sur les exportations et les importations, et aucun transport moldu n’aurait notre agilité. - era fato que os transportes mágicos eram muito mais ágeis em operações de exportação e importação. Mas, os planos de Evan não era exatamente o que sua avó imaginava.
- Je n'ai pas l'intention d'utiliser les transports moldus. Mais je pense qu'un peu de concurrence pourrait être bon pour Travers’ Tradings.
- Qui es-tu pour parler de concurrence? L’oligopole de ton famille a été construit avec notre soutien! - o apoio dos Travers nas negociações ocultas junto ao Ministério da Magia era, de fato, um dos motivos que facilitaram o crescimento da Rosier Holding e não havia uma única reunião que Manette não fazia questão de lembrá-lo. - Le moins que tu puisse faire est de soutenir l'interdiction du transport moldu! Ne peux-tu pas pour une fois, montrer un peu de gratitude? - por alguns segundos pensou ter sido possível enxergar o desprezo que sua avó cuspia em cada uma de suas palavras, mas logo percebeu que era só sua leitura da conversa.
- Pour quelle raison devrais-je avoir de la gratitude? - perguntou com franqueza. Provavelmente divergiam do conceito de gratidão, porque para ele não fazia o mínimo sentido o que ela dizia. A relação de caridade por parte dos Travers que sua avó criara na cabeça era tão irreal quanto mentirosa, visto que há anos o acordo entre as duas famílias não era mais tão vantajoso aos Rosier. - Nous payâmes très bien pour votre soutien. Au fait, nous payons toujours. Vous savez que l'internalisation des opérations d'exportatios serait beaucoup plus rentable pour Rosier Holding, n'est-ce pas? - obvio que ela sabia. Todos sabiam. Inclusive, não entendia os motivos de Beauregard em ter mantido as relações comerciais com a Travers’ Tradings por tantos anos. - Je ne paierai pas de pots-de-vin pour vous aider. - finalizou objetivamente.
- Chaque jour qui passe, tu ressembles davantage à ton père. As-tu oublié ta mère? Elle était une Travers, c'est le même sang qui coule dans nos veines! Je suis sûr que elle serait déçue de la personne que tu es devenue. - demorou uns segundos para digerir a fala de sua avó. Sentiu fisicamente o sangue subindo até sua cabeça e não pode evitar o desprezo em seus olhos, observando Manette que, por sua fez, simulava uma decepção que não lhe cabia. Ela calculara cada palavra com o único objetivo de atingir seu ponto mais fraco e ele não podia, de maneira alguma, permitir seu sucesso. Esforçou o sorriso mais falso de toda sua vida ao mesmo tempo em que balançava a cabeça negativamente, como alguém que não conseguia acreditar no que acabara de ouvir.
- Je me souviens de ma mère chaque jour, j’ai beaucoup de respect pour elle. - sabia que sua avó era capaz de qualquer coisa para conseguir o que queria e, se não fosse tão desprezível, até seria cômico o desespero da matriarca em lançar mão de chantagens emocionais para convencê-lo a apoiar sua causa. - Vous devriez aussi respecter mon mére, plutôt que d’utiliser votre fille décédée comme chantage émotionnel juste pour me manipuler.
- Ne me donne pas l’air égoïste, Evan! Je ne fais pas ça pour moi, mais pour toute ma famille! - minha família. Era interessante o ufanismo com que se referia aos Travers e como o excluía de seu discurso de maneira automática, mesmo naquele momento em que buscava conquistar sua empatia. - Penses-tu qu'il est juste que Christopher hérite la Travers ‘Tradings dévaluée?
Evan jamais tivera um relacionamento próximo com Christopher, Manette sempre blindara o neto mais velho, o herdeiro dos Travers. Colocando-o em uma posição especial que nem Archibald, muito menos, Evan alcançariam. No mais, não havia rancores ou competições entre os dois. Tampouco, porém, havia alguma proximidade que o faria se condoer pela situação de Christopher. - Et pensez-vous qu'il est juste que je finance l’héritage de Christopher? - não conseguiu segurar o riso abafado diante a situação tão delusional criada pela francesa. - Le Rosier Holding ne va pas bien après le scandale de l'assassinat de mon père. Et, pas du tout, j’ai demandé à Christopher de m'aider ou j’ai envoyé un représentant.
- Christopher ne m'a pas demandé de venir, je suis venu de mon plein gré. Parce que je me soucie de ma famille et j’espérais que tu te soucierais aussi. - minha família. Respirou fundo, ainda sustentando um sorriso debochado no rosto. Aquela conversa estava cada vez mais atípica. Nunca vira sua avó apelar tanto para questões emocionais e sentimentais. Provavelmente os negócios estavam muito ruins na Travers’ Trading para tamanho desespero, ponderou enquanto novamente enchia o copo já vazio.
- Je n'ai plus de famille, si vous n'avez pas remarqué, mes parents sont morts. - lembrou despreocupado.
- Tes cousins et moi ne sommes pas ta famille, Evan? Si tu penses de cette façon, je commence à comprendre la raison de ton comportement égoïste.
- De toute évidence, je viens de votre famille. Mais seulement quand cela vous convient, sinon je suis juste un Rosier. N'est-ce pas? - questionou sem emoções, dando mais atenção ao líquido âmbar em seu copo do que a cena falsamente passional de sua avó. - À propos, voulez-vous un verre? C'est le même firewhisky que vous avez donné à mon père. - abriu um sorriso maldoso que se alargou ainda mais diante a expressão de surpresa de Manette que durou pouco milésimos.
- S'il te plaît, Evan, je n'ai pas le temps pour tes besoins émotionnels! Et je ne suis pas venu pour résoudre tes traumatismes d’enfance. - achou graça de como o apelo emocional se esvaiu tão bruscamente diante da menção de um simples firewiskhy e observou sua avó se levantando em direção a porta como se, repentinamente, aquela conversa já não fizesse o menor sentido.
- Bon sang! Je pensais qu'après cette réunion, je pourrais renvoyer mon psychologue… - desdenhou um pouco mais, ainda observando a retirada de Manette que sequer tinha a intenção de se despedir. - Je vous suggère de parler à Christopher, peut-être qu’il pourrait collecter des fonds pour vous aider. - eles sabiam que Christopher não conseguiria o dinheiro necessário, caso contrário, ela não o procuraria. No mais, ela já nem parecia preocupada com aquele assunto. Como tivessem surgido assuntos mais importantes a serem resolvidos. - Au revoir, grand-mére! - acenou cínico. Ao menos descobrira uma maneira de se livrar as visitas de sua avó.















