Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ

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@ex-tra-vi-a-da
You smile, but wanna cry.
You talk, but you wanna be quiet.
You pretend like you’re happy, but you aren’t.
You understand me, right?
There comes a point where you no longer care if there’s a light at the end of the tunnel or not. You’re just sick of the tunnel.
Ele faleceu em uma tarde chuvosa, enquanto tirava o seu cochilo da tarde. Iria descansar para mais tarde tomar o seu famoso chá das 17h, sem querer acabou dormindo mais do que devia. Dele quase ninguém irá se lembrar. Não era bonito, nem rico, muito menos famoso. Mas era um idoso bom, de espirito jovem, de coração puro e alma leve, e é disso que as pessoas que o conheciam irão se lembrar. A sua morte não foi capa de revista e nem manchete no jornal, ele não deixou uma fortuna para seus descendentes e nem nada dessas bobagens. A sua morte não foi noticiada no rádio e nem na TV. Contudo, ele deixou histórias, das quais estão escritas em livros, cadernos e gravadas nas mentes das pessoas que tiveram o prazer de conhecê-lo e de ouvi-lo contar cada uma delas. Ele é uma daquelas pessoas que distribuí tanto amor em vida, que quando se vai, faz com que tudo perca a cor e a graça. Bom, não se fazem mais pessoas raras assim como antigamente, não é? Diferente de todas as pessoas do mundo, eu vou sentir a sua falta. Falta das suas brincadeiras, da sua risada e da sua educação. Sentirei falta do seu jeito bobo e do seu chá que sempre ficava pronto às 17h em ponto. E é isso, ele se foi. Deste mundo, nada levou. E para o mundo, tudo deixou.
Menino da Mochila Preta. (via aconchegarei)
Sem a música, a vida seria um erro — disse Nietzsche ao mundo. Eu, em minha simplória sabedoria, digo mais: Sem a arte, a vida seria um erro. Sem a música, a vida perderia seus raros momentos de harmonia. Sem a literatura, a vida seria um mero engano e a realidade não seria tão suportável. Sem a pintura, a vida não seria colorida como é, e possivelmente não perceberíamos que a loucura também é um meio de genialidade. Sem a fotografia, a vida não seria tão memorável e seriam mais raros os momentos onde nos aproximamos da eternidade. Às vezes, me pergunto como algo tão inútil para a lógica social, pode continuar sendo uma atividade cada vez mais viva, mais buscada… Talvez, seja porque a arte é a própria vida, a projeção das angústias humanas, a representação de nossa incompletude insaciável. E se eu estiver certo sobre isso — e acredito que estou, em certa medida —, podemos nos alegrar um pouco mais, despertar em cada um de nós a vocação artística e reavivar a genialidade criadora que os Românticos tanto exaltaram. Pois se a arte é a própria vida, ela existirá enquanto existirmos, cumprindo o seu inefável papel de nos oferecer a beleza, o encanto e a catarse que a crueza da realidade tanto nos nega.
Gabriel Vargas. (via oxigenio-dapalavra)
Encontrei um livro com poemas de amor que folheei revelando algum cuidado. Não era que de entre as páginas pudesse saltar um bicho que me atacasse, mas faziam-me confusão os versos arrumadinhos, todos em filas certinhas, com terminações a combinar, como bordadinhos de ideias sensíveis e esquisitas. Para mim, os poemas eram rendinhas de palavras, umas e outras escolhidas para tudo ficar bonito ou inusitado, como se fossem palavras de sair à rua para uma cerimônia. E as suas metáforas juntavam corpos e davam beijos e falavam em fidelidades eternas ou ansiedades. Falavam de uma vontade quase desnatural de ver alguém. Os poemas eram bordadinhos que se estendiam sobre os corpos de quem amava. Podiam ser uma roupa inteira, a única roupa.
Valter Hugo Mãe. (via oxigenio-dapalavra)