Já fui a amiga que atravessava madrugadas e avenidas vazias só para segurar uma mão que tremia. Já fui a namorada que se doava até o corpo doer, só para alimentar um amor que nunca me alimentava. Já fui a filha perfeita, que escondia as próprias dores só para não ser mais um problema. Já fui o escudo de quem nem sabia se proteger das injustiças. Já fui coragem, atitude e sentimentos transbordando em palavras e ações.
Mas quando decidi parar, quando escolhi guardar um pouco de mim para mim mesma, virei a egoísta da história. A vilã por querer respirar, por querer se autopreservar.
Talvez seja exatamente isso, quem acostuma o mundo com amor em excesso sempre apanha quando tenta se amar, nem que seja um pouco. Como se generosidade fosse uma dívida eterna. Como se cuidar de si fosse uma traição. Um crime!
Há pessoas que só nos amam enquanto estamos nos anulando por elas. E quando paramos de nos sacrificar, descobrimos quem realmente éramos para elas: apenas uma conveniência disfarçada de afeto.



















