Com licença, mas eu preciso falar sobre O Dia da Saudade. 30 de Janeiro, não importa de que ano seja, sempre será o dia da saudade. Hoje é o dia e eu resolvi compartilhar as minhas saudades. Acho fácil falar sobre a saudade, o problema em questão é senti-la, pois por melhores que sejam as lembranças, possui uma dose de dor em não poder revivê-las. Eu tenho as minhas saudades assim como todo mundo, mas ainda não sei senti-las com a calma e aceitação que deveria. São recentes. Dores recentes. Perdas... recentes. Eu vou ser breve, mas falarei sobre cada uma delas. A primeira saudade: Meu avô paterno, Vilson, 82 anos. Aparentemente convivi mais com ele quando eu ainda era criança e, convenhamos que, não sinto muito orgulho disso. É o que toda a saudade causa: Poderia ter feito mais, mas não o fiz. O que me conforta (em partes) é que, mesmo eu não sendo a neta mais presente do mundo, eu sentia que ele sabia que eu o amava intensamente quando meu pai voltava pra casa e dizia "Teu avô perguntou por ti", ou quando eu o visitava e, mesmo que muito brevemente, tínhamos aquele momento de cumprimento com um "Oi vô" que era respondido com um "Oi, minha fia" fraco, devido à doença que havia lhe consumido, e olhares que vou guardar pro resto da vida. Até hoje não sei ao certo o que houve, mas odiava vê-lo daquele jeito... Tão frágil, tão dependente e debilitado. Eu mantive (ainda mantenho) em minha mente a imagem do homem forte e trabalhador, de poucas palavras, mas de muita presença. Eu espero que, de alguma maneira, ele ainda sinta meu amor por ele que, por mais ausente que parecesse ser, sempre esteve presente nos pequenos detalhes e está inabalável dentro do meu coração. A segunda saudade: Meu tio, Henrique, 35 anos. Também não éramos muito próximos, mas posso afirmar três coisas sobre esse homem: 1. Era muito engraçado, 2. Foi o homem mais alto que já conheci na vida e 3. Tinha um futuro maravilhoso para usufruir. Infelizmente as coisas nem sempre saem como achamos que deveriam sair. "Ele era muito novo", "Tinha esposa e um filho pequeno", "Tinha muita vida pela frente", entre outros comentários do gênero ecoam pela minha mente desde aquele dia em que o perdemos. Realmente, ele era muito novo e isso me assusta, mas a morte não escolhe por idade, por altura, por cor, por quantidade de atitudes boas ou ruins... Ela não escolhe, ela simplesmente... leva. Ele sempre será lembrado pelo seu carisma e jeito engraçado de ser, e mesmo que não compartilhássemos palavras de afeto, as palhaçadas e provocações eram nossos meios de expressar amor. A terceira saudade: Minha avó materna, Jurema, 79 anos. Essa saudade é a que menos gosto de sentir, é a que mais tenho lembranças boas, logo é a que mais dói. O que dizer quando a gente sente que perdeu um pedaço da alma? Quando alguém souber, me diga, porque eu acho que nunca vou aprender sozinha. Era a mulher mais batalhadora que tenho orgulho de ter conhecido, ter o mesmo sangue, o mesmo gênio forte e ter tido como minha base na vida. Eu a levo no coração como um exemplo. O exemplo. Por mais esquentada que fosse, "boca suja" e cabeça dura às vezes, era A mulher. Sempre foi e sempre vai ser. Relembro constantemente do nosso último dia juntas... A mais alta gargalhada que ouvi naquele dia ecoa na minha mente e faz com que eu ria sozinha, fazendo com que minha dor seja pouco confortada, porque eu tenho a certeza de que aproveitamos até o último momento e, mesmo que eu quisesse mais e mais, valeu muito, mas muito a pena mesmo. Se eu chegar a me tornar metade da pessoa que ela foi, terei a certeza que me tornei uma pessoa incontestavelmente incrível. Eu a amo e sempre vou levá-la no coração, na mente e na essência da minha alma. Essas são as minhas saudades. Há muitas outras, obviamente, mas essas são as principais, as mais recentes, as mais marcantes. Eu só tenho a agradecer pelos momentos que tivemos, independentemente de uns terem sido a mais que outros, mas sou imensamente grata por cada mísero segundo deles. E sou igualmente grata pelos familiares que, assim como eu, sentem falta dessas pessoas, mas não enfraqueceram em momento algum e ajudam uns aos outros a se manterem erguidos. Desejo a quem ler o texto que não somente o dia 30 de janeiro seja o dia da saudade, mas que todos os dias sejam, que todos os dias nós possamos sentir saudade, mas o mais importante de tudo: que todos os dias nós possamos matar essa saudade e mostrar para nossos relativos o quanto os amamos. Obrigada.
30 de Janeiro, Dia da Saudade. (Luciana Menezes)






