It is a matter of fact that there are problems non-binary people face that binary people generally do not. One of these problems is that being non-binary is alienating-- not lonely, alienating-- in a very particular gendered way. If you live in a society where literally fucking everything is gendered male or female, this will include all social relationships. For most people, social relationships pass through the filter of "am I speaking to a man or a woman?" before anything can occur; for many people, it is the first thought they have about a person, so they can determine if someone is an ingroup member or an outgroup member. So if everyone has been trained since birth to classify everyone into the Blue Box or the Pink Box in order to decide what kind of social relationships are permissible with you, then when you reject this classification, you are either forcibly binarised, or if you keep resisting, you become a nobody. You become the outgroup for quite literally 99% of the world population. If you won't be a girl and you won't be a guy, then you can't speak girl and you can't speak guy. You're nobody's sibling at heart, because you're nobody's sister and nobody's brother. You're nobody's lover, because you're nobody's boyfriend and nobody's girlfriend. You're not in the social landscape. Nothing is intended for you; you are hardly real at all. So you're not one of us. You're 'them'. See: Harris is for they/them; Trump is for you.
The only way we will fix this alienation is a) by acknowledging non-binary people exist, that our identities are serious, and that our issues need to be addressed; then b) by consciously devoting effort into making room for non-binary people, allowing us to define what we are the way we want (this means not inventing a third gender role). And this means we have to start degendering the world around us, and, yes, telling binary people that they have to consider we exist. This is too much for some people. Transphobic cis people scream and pitch fits about they/them pronouns and gender-neutral restrooms and X's on driver's licenses and teenagers experimenting with gender presentation and so on. Not even trans people are immune. I've sat through a decade+ of transmeds and their goons whining about trenders and neopronouns and xenogenders and how we soil the trans community by claiming to be part of it, and transradfems and their thinkpieces about how we use our apparently vast wealth of societal privilege to inflict "binary-phobia" on passing binary gender-conforming trans women. No matter who's saying it and how, it's the same: If you're non-binary, you should allow everyone around you to binarise you at will (e.g.: "You can't ask me my pronouns! You should gender people based on looks!"). And if you insist on being viewed as non-binary, then we will not take you seriously. Your problems aren't real problems, and in fact, by asking me to include you, you're actually hurting me, because you're making me uncomfortable. You see, you're not a real person, because our social landscape doesn't include you. How dare you ask me to change my mindset to consider you.
Consider us. You can do it right now. All gendering is social; all gendering can be undone. What would it be like not to impose the gender binary on anything, on anyone? I want that world. Do you?
[tradução / translation]
É um fato a questão de existirem problemas que pessoas não-binárias enfrentam que pessoas binárias não enfrentam em geral. Um estes problemas é que ser não-binárie é alienante -- não solitárie, alienante -- de uma forma generificada (NT: relacionada com gênero) muito particular. Se você mora em uma sociedade onde literalmente qualquer bosta é generificada como homem ou mulher, isto vai incluir todos os relacionamentos sociais. Para a maioria das pessoas, relacionamentos passam por um filtro de "estou falando com um homem ou com uma mulher?" antes de qualquer coisa poder acontecer; para muitas pessoas, este é o primeiro pensamento que possuem sobre uma pessoa, para que possam determinar se alguém está dentro ou fora do seu grupo. Então se todes forem treinades para classificar todes entre a Caixa Azul e a Caixa Rosa para poder decidir com quais formas podem se relacionar com alguém, então quando você rejeita esta classificação, ou você é forçade a ser binarizade, ou, se você continua resistindo, você vira ninguém. Você vira alguém que está fora do grupo para 99% da população. Se você não for uma menina e não for um cara, então você não fala a língua das meninas e nem fala a língua dos caras. Você não é irmane de coração de ninguém, porque você não é a mana de ninguém e nem o mano de ninguém. Você não é o amor de ninguém, porque você não é a namorada mulher de ninguém e nem o namorado homem de ninguém. Você não existe na paisagem social. Nada é pensado para você; você praticamente não é real. Então você não é ume de nós. Você é 'elus'. Veja: Kamala é para es/elus/es; Trump é para você.
A única forma de consertar esta alienação é a) via reconhecer que pessoas não-binárias existem, que nossas identidades são sérias, e que nossas questões precisam ser reconhecidas; então b) via conscientemente direcionar esforços para dar espaços a pessoas não-binárias, nos deixando definir o que somos da maneira que quisermos (isto significa não inventar uma terceira categoria de papéis de gênero). E isto significa desgenerizar o mundo à nossa volta, e, sim, falar para pessoas binárias que elas precisam considerar que nós existimos. Isto é demais para algumas pessoas. Pessoas cis [transmísicas] gritam e fazem birra em relação a "pronome neutro" e banheiros sem gênero e marcação X em documentos e adolescentes experimentando expressões de gênero e assim por diante. Nem pessoas trans são imunes. Presenciei mais de uma década de transmedicalistas e sues puxa-sacos choramingando sobre transmodinhas e xenogêneros e sobre como manchamos a comunidade trans por dizermos que fazemos parte dela e de transradfems e seus artigos de opinião sobre como nós usamos nossa riqueza aparentemente vasta de privilégio social para produzir "binarimisia" sobre mulheres trans binárias conformistas de gênero com passabilidade. Não importa quem está falando e como, é tudo a mesma coisa: Se você é não-binárie, você precisa deixar todes binarizarem você como quiserem (ex.: "você não pode me perguntar pela minha linguagem pessoal! Você deve tratar pessoas com base na aparência!"). E se você insiste em ser viste como não-binárie, não lhe levaremos a sério. Seus problemas não são problemas reais, e, de fato, ao pedir pela sua inclusão, na verdade você está me machucando, porque você está me deixando desconfortável. Entenda, você não é uma pessoa real, porque nossa paisagem social não inclui você. Como você ousa me pedir para mudar meu jeito de pensar para incluir você.
Nos considere. Você pode fazer isto agora mesmo. Toda generificação é social; toda generificação pode ser desfeita. Como seria não impor o binário de gênero sobre tudo, sobre todes? Eu quero este mundo. E você?











