“Uma das formas de afeto que mais me encantam é perceber que alguém começou a gostar das coisas que eu gosto, só por minha causa, não porque isso me torne extraordinário, mas porque existe algo profundamente humano nesse gesto silencioso de aproximação, como se, sem alarde, alguém decidisse atravessar a ponte que leva ao meu mundo e permanecer ali por vontade própria, há uma delicadeza nisso que me desmonta, quando alguém passa a ouvir a mesma música, a reparar nos mesmos detalhes, a enxergar beleza no que antes lhe era indiferente, sinto como se estivesse sendo lido com atenção, como abrir um livro e perceber que alguém não apenas folheia, mas sublinha, guarda frases, volta às páginas favoritas, e talvez, só talvez, eu me torne o livro preferido de alguém, não o mais perfeito, nem o mais famoso, mas aquele que é escolhido, aquele que mora na cabeceira.”
Nebulento.













