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What if you came back injured, or sick. You really think our friend down there won’t know that. Won’t sense it.
I pressed the reset button. Every computer has one and anyone can find it if they happen to be a scary, handsome genius from space.
“The Towers sang, and you cried. You wouldn’t tell me why, but I suppose you knew it was time. My time.“
Molly Weasley and the year her brothers died.
Molly Weasley and the year that Bill left to be a curse breaker in Egypt.
Molly Weasley and the year Charlie went off to Romania to work with dragons.
Molly Weasley and the year Ron sacrificed himself to a giant chess game and tried to fight Voldemort with only his other eleven-year-old friends for help.
Molly Weasley and the year Ginny spent being possessed by Voldemort and almost died.
Molly Weasley and the year that traitor Sirius Black broke out of Azkaban and was standing over Ron’s bed.
Molly Weasley and the year Death Eaters showed themselves at the Quidditch Cup. The year Harry was entered into a dangerous tournament and watch his classmate die. The year they knew he was truly back.
Molly Weasley and the year her husband nearly died. The year that Percy disowned them. The year Fred and George set out on their own. The year that Ron and Ginny set out to fight Death Eaters. The year Harry lost his godfather.
Molly Weasley and the year Ron was poisoned. The year Harry watched Dumbledore died. The year Bill was attacked by Greyback. The year she became proud to welcome Fleur to the family.
Molly Weasley and the year Bill got married. The year her husband, four sons, and her daughter-in-law to be all went on a risky rescue mission. The year Ron left school to hunt Voldemort. The year that Ginny led a resistance at Hogwarts until having to go into hiding. The year Fred and George hosted an underground radio show. The year Percy came back. The year Harry was nearly lost. The year that Fred was gone forever. The year that that bitch tried to hurt her daughter.
Molly Weasley and the year she found herself constantly counting heads, making sure they actually were home and safe.
É como olhar para o reflexo de algo em um lago turvo e tentar reconhecer a si mesmo no reflexo. Ter uma batalha constante na sua mente, estar consciente enquanto sua sanidade se esvai e você se perde em um furacão de paranoias e conspirações.
É estar presenciando um desastre que deu sinais sutis durante um tempo e você ignorou. É assistir, impotente, enquanto tudo o que você conseguiu construir com tanto cuidado é destruído por um lapso de insanidade.
É como estar preso na sua própria mente e não conseguir pedir socorro.
Silêncio.
Esse texto não é ficção.
Esse texto foi elaborado e escrito em mais uma noite de insônia. Depois de um longo dia sem silêncio.
É difícil tentar escrever sobre transtornos mentais de maneira pessoal. Quer dizer, há inúmeras fontes explicando o que é um transtorno mental. Quais são os sintomas. Como agir diante de uma situação de periculosidade causada por tal problema. O que pode acontecer com o paciente. O que pode acontecer com as pessoas que convivem com o paciente.
Mas só quem convive com o problema sabe a real dimensão dele.
Enquanto escrevo esse texto, tento deixar o pensamento fluir. Tentar passar uma imagem realista de como funciona a linha de pensamento (ou a falta dela) de uma pessoa com alguns transtornos mentais.
Reescrevi essa frase cinco vezes.
Fiz quatro trocas de palavras.
Me frustrei por não achar uma expressão sinônima de “pessoa com transtornos mentais” sem ser doente, vítima, paciente, louco, insano e outras de calão mais baixo.
Não vou especificar meus “problemas” nesse texto (mas acabei especificando). Basta dizer que convivo com ele por anos, já passei por alguns tratamentos e diversas fases. Há épocas que estou (relativamente) bem. Outras, nem tanto. Eles atrapalham, sim, a vida. Atrapalham meus relacionamentos, meus estudos, a maneira como me enxergo e a maneira como enxergo o mundo. Modificam a minha maneira de agir perante situações (corriqueiras ou não), dependendo de qual doença está se manifestando mais intensamente.
Imagine um quadro.
Não, não um quadro.
Imagine uma redoma ao seu redor. Uma redoma branca. Ela se estende além do horizonte.
Você existe dentro dela. Projete seus pensamentos nas paredes da redoma. Seus problemas, seus segredos, sua rotina, suas tarefas. Faça painéis e organize sua vida ali dentro. Crie gavetas, fichários, tabelas, pastas, o que quiser. Imagine pilhas e pilhas de objetos coloridos que representam algo importante para você. Projete sua mente para a redoma. Tudo o que você é, o que já foi, o que planeja vir a ser. Coloque suas frustrações, também. Seus erros. As críticas, os xingamentos, as situações traumáticas. Deixe-os livres, para que se percam no meio de tanta coisa.
Agora, encolha a redoma. As coisas que estão ali permanecem do mesmo tamanho. Apenas a redoma encolhe.
As coisas começam a ficar apertadas, mas ainda é confortável. Não atrapalha.
É assim que começa.
As paredes continuam encolhendo. Torna-se um pouco desagradável. Os objetos e toda a organização começam a ser destruídos. Parece que há uma tentativa de tudo ocupar o mesmo lugar.
Isso começa a se tornar sufocante. Tudo o que você projetou na redoma está se misturando, te esmagando, te impedindo de falar. Tudo acontecendo ao mesmo tempo, você não consegue tentar encontrar uma posição mais confortável.
Agora, ao invés de ser uma redoma, imagine isso acontecendo na sua mente.
Isso, basicamente, é a ansiedade. Descrita de uma maneira esdrúxula, peço desculpas. Mas é assim que a vejo.
E, como se não bastasse, tem os seus problemas, seus traumas, suas frustrações. Elas estão escondidas no meio de tanta coisa. Mas toda essa falta de espaço incomoda. E elas acabam saindo. Espalham-se como podem entre todos os vãos que encontram. Preenchem cada espaço mínimo que encontrarem. Tomam conta de tudo.
E você se vê preso com tudo isso que você só queria esquecer.
E elas te pressionam. Elas te fazem reviver cheiros, gostos, sensações traumáticas que você só queria esquecer. Algumas são mais traçoeiras – elas criam coisas para te fazer enlouquecer.
Esse é o trabalho conjunto da depressão com a ansiedade.
E tem, ainda, um terceiro fator.
Primeiro chamei-o de “personagem”, antes de lembrar que isso não é uma história. Mas ainda não sei até que ponto esse fator é um fator e em que momento ele se torna um personagem.
E, ainda, quando que ele se tornou tão real.
Esse fator é mais delicado. Ele não está na redoma. Ele não pode ser projetado para longe de você. Ele é algo como aquela voz do fundo da sua mente. Aquela voz que te diz para fazer o que tem vontade. Aquela voz suave que te induz a fazer merda.
Claro, no meu caso, essa voz não é só uma voz inocente que consigo silenciar quando quero.
Ela – vou chamar de... Não sei. Lina? É um nome apropriado –, agora conhecida por Lina (e feita personagem), gosta de criticar.
Lina não gosta da bagunça que a mente está. Ela acha que você (eu) poderia fazer melhor. Poderia agir melhor perante as situações. Poderia ser mais magra, mais arrumada, mais inteligente, mais bonita. Fica comparando você (eu) com outras pessoas. Faz comentários maldosos sobre situações traumáticas que você já enfrentou.
Insinua “soluções” para os problemas. Ri das suas tentativas de se manter inteiro. De tentar ter uma vida apesar da bagunça. De procurar ajuda. Ela gosta de caos.
Ela só tem um desejo: te destruir. E fazer você ver essa destruição.
Algumas vezes, ela leva a melhor. Em momentos de fragilidade, ela consegue tomar conta. Ela controla meus braços, minhas pernas, minha boca, minha mente. Ela me faz ver coisas que não existem. Me faz reagir de maneira exagerada a situações do cotidiano. Ela sabe, exatamente, como fazer a minha sanidade se esvair em um piscar de olhos. E eu fico à mercê de Lina.
Na verdade, nesses momentos, eu sou a Lina.
E essa, meus amigos, é a bipolaridade.
E, junto com esses três, há mais uma variável.
Não, não é um transtorno. É a consequência de um traço de personalidade.
A vergonha.
Vergonha de ser descontrolada, de não saber o limite.
De depender de terceiros como um parâmetro para saber se estou agindo de forma exagerada ou não. De depender de terceiros para conseguir levantar da cama em dias especialmente ruins.
Precisar de alguém que tenha uma paciência quase infinita, já que, amigos, convenhamos: dá para ver que não sou uma pessoa fácil.
A vergonha, que leva ao orgulho, que leva a um tipo de sentimento que me diz que tenho que ser normal. Que não devo incomodar ninguém com isso e que, principalmente, preciso dar um jeito de juntar os meus pedaços e organizar tudo isso sozinha.
Esse texto não tem uma finalidade específica. Não é um pedido de socorro, uma reclamação, um texto pra reflexão. Pode ter tido algum intuito quando começou a se formar, mas, agora, não é nada. Eu não tenho uma penseira, então, faço dos textos uma maneira de me livrar do excesso de pensamentos.
Acho que, no fim, só precisava escrever isso para fazer a Lina se manter em silêncio por meia hora.
(Claro que ela não ficou)
by maya
Don't leave Shut your mind off and let your heart breathe You don't need to be worried I may not ever get my shit together But ain't nobody gonna love you better
MØ
Stop Fucking People Who Don't Care About You in 2017