I'll just go at my own pace. Nice and easy. Here we go. There, see? I'm doing it. I'm running! Hey, look at me! I'm running! I'm- Okay, weel, that's enough of that. Whew. I mean, a girl could hyperventilate form doing that. And seriously, it's my first day. Don't want to overdo it.
Preencha o juramento antes de continuar: em nome da Excalibur, RYLINA TULLY em seus VINTE E UM anos, jura seguir o legado de TOOTHIANA durante a sua estadia na Academia dos Legados. Com a sabedoria concedida a ela, deve se manter caminho da luz enquanto conclui o MÓDULO I. Com a bondade tocada em seu coração, recebe PERSEVERANÇA e não se permite ser corrompida por EXIGÊNCIA. Por último, é deixado um corte na mão de BREE KISH como prova de seu comprometimento com a luz.
HABILIDADE MÁGICA: AUDIÇÃO AGUÇADA. Um pingo d’água? O lápis caindo no cômodo ao lado? O coração do coleguinha batendo no peito? Rylina consegue ouvir tudo e um pouco mais, podendo ouvir o reprise do último episódio de Feitiços Secretos enquanto transcreve o que está na louça. O problema? Se não usar abafadores de orelhas, sim, aquelas tiaras com frufrus para aquecer no inverno, tudo fica demais e as enxaquecas a impedem de fazer qualquer coisa. Seu controle sobre o poder é instável e, curiosamente, só consegue segurar as rédeas apropriadamente na hora da fada do dente. A faixa de tempo mágica que as fadinhas trazem as moedas e realizam a troca dos dentes.
OCUPAÇÃO: Guia da Galeria Floating Arts
SOBRE:
Infância sem magia: Rylina carrega no corpo a cicatriz do sacrifício de um progenitor e a tristeza no coração pelo abandono do outro. A história sobre um acidente ou um crime, envolvendo armas ou não, só foi acreditada porque era alguém que a jovem menina tinha confiança. Não entendia muito do mundo, não sabia bem o que fazer com aquelas informações, só apertava o pingente robusto de borboleta pendurado no pescoço. Lembrava das palavras doces, da comparação com o carinhoso inseto. Ele é grande porque tem um coração enorme, Riley. Porque suas roupas eram largas e o rosto, redondo; uma combinação imperfeita para a vida desprotegida que teria dali para frente.
Infância com magia: Na falta de gentileza no mundo, Rylina encontrava dentro de si. Nas fantasias e nos olhares perdidos na janela. Na forma como as estações passavam e como encontrava uma moeda brilhante depois de cada janelinha no sorriso caloroso. Passava horas olhando a borboleta-pingente, um cofre secreto para a primeira moeda da Fada do Tempo e a chave secreta para a localização das outras. E que surpresa foi achar um convite embaixo do travesseiro, sem precisar do pagamento dentário. A menina não tinha muito para levar na bolsa colorida, seus amigos sempre viviam escondendo seus pertences, e apareceu pontualmente no terraço quando a lua estava bem cheia no céu.
Universe’s Next Top Guardian: Rylina sabia o que devia ser feito, sentia no coração as resposta de cada desafio e tarefa. Entregava tudo de si e mais um pouco, quebrando a cabeça para achar a resposta ou se esticando ao máximo para resgatar aquela fadinha do encontro humano. A competição em si passou num borrão, meio parecido com o que tinha ouvido sobre os competidores eliminados, mas foi memorável. A magia e a tecnologia juntas, brincando como peixes dentro do lago, e eles. Os cinco Guardiões brilhando nas telas e respirando o mesmo ar que ela. A menina podia estar passando um perrengue, mas tudo tinha gosto, forma e cheiro de sonho. A realização com gosto doce de bengala de açúcar com menta, porque ela tinha escolhido a si e estava vindo em sua direção.
Fada do Dente: O caderno de rabisco de Rylina tinha uma porção de esboços de Toothiana. Asas de todos os tipos, cores mais exuberantes possíveis e, ainda assim, a visão ao vivo era muito melhor. A menina quase desmaiou de emoção, perdeu o ar e teve um ataque de asma, piscou para afastar as lágrimas e chorou copiosamente quando ganhou uma abraço. Imediatamente a energia das duas alinharam e o caos começou. Vozes misturadas e movimentos acelerados, pulinhos de alegria com asas de beija-flor trabalhando dobrado. Rylina e Toothiana eram o belo exemplo de amigas para sempre com menos de uma hora de conversa franca e sincera. E sejamos francos, esse tipo de amizade é a melhor. É pura.
Adolescência: Dizer que caiu de cabeça nos estudos era pouco. Conhecer o mundo de Toothiana e todo seu trabalho, as etapas desde a escolha da fada até a moeda a ser levada. Magia tão pura que ecoava no castelo dos Guardiões, sibilante e zumbida de milhões de asas batendo em velocidade impressionante. Rylina conheceu Storydom, banqueteou-se com as luzes e invenções, deleitou-se no ar açucarado e esticou os braços para abraçar as nuvens. Preconceito e tristeza deixado de lado, esquecido pelo deslumbramento da nova realidade. Toothiana é uma professora sábia e ligeira, divertida para passar os conhecimentos de um modo fácil e estimulante. E Riley não era boba para arriscar uma decepção por parte da mais velha.
Audição Aguçada: Nada mais natural migrar a educação ‘em casa’ para a ‘escola’, e quem chorou com a separação foi a própria Rylina. Em sua cabeça, continuar morando na Torre era o equivalente de atrapalhar os trabalhos dos Guardiões e ela se exigia demais para permitir tal coisa. Bolou a desculpa de que precisava de imersão completa - vou mandar cartas e mensagens sim, Toothie! - da experiência mais crua possível. Sem favoritismos ou protecionismos, sem a rede de proteção. Poder enfrentar o mundo de frente, essas coisas. Rylina ficou cara a cara com Excalibur e quase desmaiou quando ouviu a voz de um dos aprendizes dos Guardiões. Detalhe, ele estava longe e cochichava no ouvido de outro colega. Surtando, ela estava perdendo a linha. Porém, ao olhar para Merlim, a calma logo veio. Se ele entendia, então não era tão absurdo assim. Ergueu-se resoluta para aquele novo desafio e já percebeu que o poder não era de todo bondoso.
A Academia: Não era incomum ver Rylina com um livro diferente nas mãos, grande parte porque não os lia de verdade e nunca se lembrava do título quando visitava a biblioteca. O poder tomava muito da sua atenção, captando cochichos tanto sobre sua forma física como preconceito dos nascidos na cidade de baixo. Ela brigava com o Módulo I e sua excelência, orgulhar Toothiana, e dava nó na cabeça para entender aquelas divisões. Por quê? Rylina tinha vindo de outra realidade, não merecia o mesmo tratamento? Se todos tinha cortado a mão na Excalibur e jurado ao bem, por que continuava daquele jeito? A aprendiz sabia que não tinha como mudar o mundo de um dia para o outro então... Escolheu o pior caminho. Oferecia ajuda e gentileza para os outros, dava um pedaço do coração, mesmo que fosse rejeitado e escorraçado. Taxado como caridade ou pena.
Maturidade: 21 anos recém completados (março) e contando. Rylina almeja a finalização do Módulo I com louros e reconhecimento, só para entrar no II com um pouco mais de segurança. Um pouco menos de palmas suadas e corpo curvado para dentro, querendo sumir ao captar um comentário malvado.
Localização: Arredores do Orfanato no Castigo com @latequetopassando
Pra baixo todo santo ajuda. Já diziam as funcionárias do orfanato que Rylina vivera no mundo ‘normal’, o dito entre repreensão das crianças que insistiam em escalar a árvore íngreme demais. A menina ficava da janela, espiando do cantinho, completamente por fora - em exclusão. Agora, com a bolsa abarrotada de desenhos e promessas, a Tully via a facilidade de outra sumir num estalar de dedos. Descer ao Castigo pareceu como respirar, o caminho decorado com Hella ou Rhaegar bem frescos em sua mente. Só que, daquela vez sozinha, não lembrava qual esquina pegar? Qual rua virar? Ela espiava as sombras escuras, franzia o cenho na força daquelas luzes fortes e artificiais demais. Talvez pelo cheiro... Porque a audição estava bloqueada pela ausência de magia e o caminho para cima deveria ser mais cheiroso. Esperava. “Quem mandou você ficar conversando e papeando na volta? Agora não sabe o caminho! Sua distraída!” Repreendia-se numa voz bem baixinha, talvez alta demais para quem tinha a capacidade de ouvir uma agulha caindo do outro lado do mapa. É este! Decidiu e apontou adiante, o corpo tremendo de medo (e ela acreditando ser de animação) ao adentrar na escuridão nauseante. Seu meio sorriso permanecia, talvez como um disfarce?, mas Rylina jurava ter ouvido passos atrás de si. Passos pesados demais para serem- Desde quando tinha cacife pra avaliar uma coisa dessas? Preferiu fingir que amarrava o cabelo, o rosto virando para o lado em que pudesse dar uma espiada para trás.
Uma pena que ela só faltou morrer de susto. A boca abrindo para soltar um pequeno grito (é, esta pobre heroína nunca tinha aprendido a gritar).
« ♕ ☪ ⇀ Só podia esperar que seu tom racional e conciliador fizesse algum bem à ruiva, mas ouvindo a confissão dela, Malika não resistiu a uma risada. Aquilo certamente não parecia em nada com qualquer dos livros que ela lia - e por mais vergonhoso que fosse, ela lia muito sobre vampiros, as autoras non-maj pareciam estar fissuradas por monstros esses tempos. Mas é claro que não precisava se explicar para Rylina, não quando ela era uma das poucas pessoas que sabiam de seu pequeno segredo - e o compartilhava. ❝―――――Com certeza não, mas eu tenho lido tantos livros de monstros que me vi dançando com vários deles hoje sem qualquer estranheza ❞ confessou baixinho, mas não completou que também tinha havido certos flertes - mas o que podia fazer?! Precisava se divertir e distrair da figura de um certo deus egípcio que seus olhos pareciam perseguir. ❝―――――Provavelmente você está certa ❞ concordou, embora não estivesse tão segura sobre a noiva de Drácula, ficando satisfeita que a ruiva tivesse pegado uma faca, só por via das dúvidas. Passando pelo jardim de estátuas, Malika sentiu a estranha necessidade de preencher o silêncio, com medo de acabar ouvindo um grito ou pior: um sussurro vindo de alguma das estátuas, terrivelmente parecidas com humanos. ❝―――――Mas e você, encontrou algum monstro parecido com os nossos personagens principais de livros… peculiares? ❞ perguntou durante a caminhada até um local que parecia reservado e um pouco menos decrépito. Chegando lá, olhou ao redor como se esperasse que algo acontecesse, mas voltou a atenção à Rylina, confiando que ela ouviria qualquer aproximação muito antes dela. ❝―――――Pronta? ❞
FLASHBACK
A preocupação de Rylina dissolveu-se em bolhas de sabão quando Malika deu aquela risada. O poder contaminante tão grande que ela colocava um no próprio rosto, hesitante e feliz, na expectativa de vê-lo desenvolver para algo mais. Sua fascinação pela amiga era tão grande que tinha uma pasta no seu wattpad secreto para capítulos one-shot da vida da Malyeek. Um dia revelaria, um dia bem distante. “Acho que monstros nunca vão ser um problema para nós, Mali. Olha a história da Merida com príncipes e princesas virando ursos! Ou Drácula com lobisomens, Peter Pan com sereias assassinas. Toda história tem seu par de garras e presas.” Nem comentou sobre Úrsula, afinal, tinha usado aquela fantasia no conturbado dia do Salvador. “Nossos monstros... Os monstros mesmo... São os que nem parecem monstros. Dei graças a Deus por Jim ainda ser meu salvador da pátria em todos os meus pesadelos.” Jim já tinha assumido o papel de príncipe em tantas histórias que, se ela não fosse completamente apaixonada pelo homem, já teria esquecido a origem de seu conto. “Mas, contabilizando, vi inúmeros vampiros e lobisomens. Algumas sereias, a família Ness. Acho que vi um gremlin num dos corredores lá de cima e uma roda de bruxas jogando cartas. Tô bem triste por não ter achado uma biblioteca com um fundo escuro para falar com Bryaxis. Era meu sonho.” Com cuidado para não se cortar fora do lugar, Rylina lutou com a luva comprida para expor a palma suadinha. As unhas coçando o lugar que seria cortado. Pressionou a lâmina, mudou de posição, mexeu-se sobre os pés. “Mali... Você consegue fazer por nós duas? Eu não... Eu não vou conseguir.” Seu rosto estava enrugado de preocupação e medo, o lábio inferior num biquinho minúsculo.
《 🐉 ⥇ Hella não conseguia bem compreender o nível dos atacantes até que eles, bem, atacassem. As pessoas ali pareciam aleatórias em gênero, idade e habilidade, de modo que alguns eram fáceis até demais de combater, enquanto outros lhe davam trabalho. Mas ela tinha confiança de que era a melhor dali, e o que quer que o corredor tivessem colocado para elas, ela conseguia conquistar e levar Rylina à segurança. O problema daquilo é que não podia simplesmente lutar sem pensar e se jogar com tudo, porque Hella precisava olhar a ruiva, ter certeza que a amiga estava bem e acompanha-la onde quer que ela estivesse tão decidida a ir - o que aparentemente estava, vez que já a chamava gritando para saírem de lá. Por sorte, a Hofferson já tinha derrubado os dois oponentes e não tinha ainda se atirado em outro combate - mas ele vinha em sua direção; uma mulher com dentes afiados corria até elas, e Hella chamou sua magia com facilidade, invocando as presas e mostrando o que era, realmente, ser uma besta - a rainha dentre elas. Mas o grito de Rylina chamou sua atenção de volta, e ela era mais importante, de modo que apenas lançou um olhar sanguinário - uma promessa - e saiu correndo atrás da amiga. Vendo o que ela tinha pegado uma mochila, uma espada longa e um conjunto de arco e flechas, aproveitou para pegar dela a espada longa quando a alcançou correndo, visto que era o mais pesado e ela tinha mais prática em correr com peso do que Rylina. Foi o tempo exato de chegarem em outra emboscada perto da floresta. Com outro palavrão bastante criativo e sujo, Hella entrou em outra briga com a espada longa, que embora não fosse sua arma preferida, tampouco lhe era estranha depois de tantos anos treinando. Bloqueios fortes apesar do peso, aproveitando a proteção do tamanho da arma para acabar com a distância e chegar até o oponente com uma cotovelada, soltando a espada no chão e rapidamente nocauteando com socos. Só porque Hella era agressiva e tinha sido treinada como guerreira não queria dizer que ela achava matar algo leviano, e se pudesse incapacitar sem matar, faria isso. Infelizmente para ela, isso lhe tomou tempo e a guarda alta que tinha com a arma, e não viu o outro atacante até ser tarde demais. Felizmente para ela, Rylina tinha o acertado em cheio no ombro, e ele agora gritava no chão com dor, incapacitado pelo momento; foi tudo o que precisou. Pegou a espada longa do chão com a canhota, a mão de Rylina na destra a puxando para longe dele ❝―――――Precisamos sair daqui, é muito aberto, não temos vantagem nenhuma ❞ falou com uma tranquilidade de anos treinada, embora seu coração batesse fora do ritmo depois do susto de quase ser acertada pelo brutamontes que a ruiva derrubara. Começou a puxar a amiga para dentro da floresta, onde pelo menos tinham mais cobertura ❝―――――Você sabe onde a gente ta? Um lugar que dê pra proteger melhor? ❞ perguntou enquanto corria os arredores com os olhos, o passo apertado, mas não correndo - as duas precisavam ter fôlego para qualquer surpresa. A audição de Ry seria uma benção para aviso, mas sabia que ela devia estar não apenas cansada, mas sobrecarregada, então procurou um lugar razoavelmente mais fácil de proteger para que ela pudesse parar e descansar um pouco. ❝―――――Acho que podemos descansar cinco minutos aqui se quiser ❞ falou finalmente avaliando a condição da ruiva ❝―――――Você ta bem, foi atingida em algum lugar? E o que foi aquele disparo? Achei que talvez fosse levar uma pesada finalmente ❞ minimizou sua quase tragédia com um sorriso felino e sarcástico, mas tocou seu ombro com a expressão mais séria ao continuar ❝―――――Obrigada, Ry, você foi incrível ❞
Rylina não tinha em si a força para fazer mais de duas coisas ao mesmo tempo e, naquele exato segundo, era respirar e correr. Seus pulmões parecendo tão pequenininhos quanto os ofegos que soltava de segundo em segundo, conduzindo-as para a entrada entre as árvores. Aquelas, com troncos tortos, o mesmo que Katniss Everdeen pegou para ir o mais longe possível do centro da arena. E ela agradecia mentalmente por não ser o caótico marítimo em forma de relógio, porque... Teria morrido antes mesmo de chegar à margem. Seus dedos apontavam para os ângulos certos, os pés já sabendo onde pisar por conta da câmera e dos bastidores (sim, a Tully foi fã número #1 de Jennifer Lawrence nessa época). “Dentes de leite e fadas duendes, meu Deus.” Se jogou numa árvore, os braços abertos para abraçar o tronco e pressionar o rosto vermelho, a pele sensível já se marcando com os sulcos e vincos da textura característica). “Nada. Bem. Nada.” A garganta só permitia palavras curtas e rápidas, chiadas e histéricas. E se tivesse acertado uma veia importante? E se for alguém como ela que não tinha conhecido pessoalmente na academia? E se ela conhecesse a voz de antes, mas o corredor transformou em algo novo? O nervosismo adicionou piorou o ataque de asma. “Hella. Dentro tem- inalador.” Soltou um braço para bater a palma no peito. Não melhorava em nada, mas parecia que sim. “Ouvi. Água. Aqui. Corrente. Quente. Atrás.” Tocava o tronco e movia os dedos simulando uma corrente, uma cachoeira. “Você. Foi. Mais.” Caiu para trás, estatelando de bunda no chão. A mochila, já tirada das costas, facilitando o apoio dos braços para trás e o jogar da cabeça para o céu. Por que não tinha nenhuma brisa, hein? Qualquer coisa para refrescar.
« ♕ ☪ ⇀ Com o pedido que olhasse, Malika baixou a visão no automático e segurou ambas as mãos da ruiva depois que ela as limpou na encharpe ❝―――――Ry, você tem o poder de escutar tudo o que todos falam, mas não quer dizer que deveria acreditar em tudo o que ouve ❞ começou, apertando as mãos alheias entre as suas para mais foco em suas palavras ❝―――――As pessoas estão assustadas e deixando a imaginação correr solta. Não tem como ter certeza se a maldição é mesmo real ou não. E de toda forma, não vamos precisar nos preocupar com isso porque vamos nos livrar dela agorinha ❞ prosseguiu em um tom firme que com certeza não combinava com o seu nervosismo interior - em um mundo de magia, era imbecilidade não considerar que a maldição pudesse ser real. ❝―――――Derramamos um pouco de sangue, repetimos umas palavras, um beijo e só. Não vamos fazer nada demais, só quebrar qualquer feitiço que ela tenha jogado. Talvez seja tudo um jogo dos monstros, não é? Estamos só nos precavendo ❞ garantiu enquanto a puxava para fora em direção ao jardim, tentando acalmar as duas ao mesmo tempo.
Malika estava certa, como sempre, colocando um pouco de razão e freio nos pensamentos mais criativos de Rylina. O problema era um só: não estavam em situações normais. Não era o dia a dia que conhecia, com suas magias possíveis e capacidades de discernir o que era verdade. Todos ali estavam visitando aquele lugar pela primeira vez... Não tinham nada para comparar. “E não tem como julgar, não é? Quem ia imaginar que o Drácula não seria uma versão ao vivo e a cores de Brad Pitt ou Tom Cruise? Ou o maravilhoso Gary Oldman, meu eterno Sirius Black. Estamos em uma realidade completamente do- Ai Malika, eu estou acreditando em todo mundo porque eu li muita fanfic de vampiro e nada aqui parece Crepúsculo.” Confessou num fiozinho de voz. De todas as pessoas que conhecia, a primogênita dos Malyeek era a maior confidente e companheira daquela parte ardente da aprendiz de Toothiana. Com ela falava sobre tudo e mais um pouco, de como uma história a fazia sentir e como não tinha nada além de palavras para se basear. “Certo. Um corte, três cânticos e um beijo. Merlim não ia deixar que fizéssemos algo prejudicial para nossas vidas, certo? E aquela taça, do vinho das noivas, é só pela tradição e não que- Nós vamos... Nhac nhac.” Rylina pegou uma faca da mesa mais próxima quando se deixou levar pela amiga, as estátuas ficando mais assustadoras enquanto seguia o caminho sinuoso entre elas.
《 🐉 ⥇ A ideia de entrar em um dos corredores temáticos tinha sido sua, não é? Estava esperando alguma coisa assustadora ou divertida que reconhecesse na hora; talvez o filme non-maj de eu sei o que vocês fizeram no verão passado, quem sabe. Mas à medida em que a luz encontrava seus olhos, uma plataforma a subindo para um cenário totalmente desconhecido, Hella começou a repensar um pouco sobre o quanto conhecia dos filmes non-maj. Sua mente automaticamente avaliou a situação: um local central com um enorme arsenal, comidas e alguns equipamentos de sobrevivência como barracas, pelo o que conseguia ver; vários jovens em raios equidistantes e uma selva atrás. Onde estava Rylina? Seus olhos buscaram rapidamente entre as pessoas, mas foi fácil achar a ruiva, o problema foi enxergar o que ela estava querendo dizer; por sorte, o ‘boom’ foi claro o suficiente para mantê-la parada, e a contagem iniciou - para o quê, exatamente, ela não fazia ideia. Como ainda estava observando Rylina, percebeu que ela abafou os ouvidos antes da sirene, o que significava que ela sabia o que aconteceria. Ou tinha escutado alguém falando, ou estavam em um cenário conhecido por ela - esperava que fosse o último, assim ela saberia se movimentar melhor pela selva e procurar por abrigo. Infelizmente para Hella, Rylina foi em direção ao local central, a fazendo disparar logo atrás dela com um xingamento solto nos lábios enquanto via outros chegarem antes e irem direto nas armas. Devia agradecer a todos os sprints de velocidade que fazia treinando magibol e a toda a agilidade que tinha por causa do muay thai, porque Hella chegou bem a tempo de pegar um machado disposto na parede e bloquear o golpe de espada que ia na direção de Rylina. Com movimentos fuidos e familiares, a Hofferson chutou o joelho do atacante, forçou as armas para o lado e girou com o machado agora livre, fazendo um corte certeiro e profundo na perna alheia. Entrando facilmente em modo de combate, Hella percebeu que tinham mais lutas ao redor, e três pessoas se juntavam a caminho de Rylina. Puta merda, ela tinha pegado o maldito prêmio ou algo assim? ❝―――――Ry, atrás de mim! ❞ exclamou sem precisar gritar, já acostumada em baixar o tom com a ruiva por perto, e apenas confiou que ela faria isso, porque não teve tempo de checá-la quando os três avançaram, Hella buscando a espada caída para a mão livre, usando o giro do corpo para voltar lançando o machado curto em um dos atacantes, acertando bem no peito. Não teve tempo de se preocupar de ter provavelmente matado alguém, porque agora estava com uma espada contra duas pessoas.
Não era uma viciada nos filmes dos Jogos Vorazes, mas tinha lido seus livros tantas vezes que até perdia a conta. Principalmente pelo desenvolvimento da história e que, no final, podia alterar detalhes para sair do jeito que queria. Rylina trocava o bombardeio por esquema para mudar a visão do mundo, que Cinna tinha criado um sistema de resgate subterrâneo e era responsável pelo salvamento de Rue, Prim e Finnick. E era com aquela certeza, de que tinha um final feliz naquela loucura de corredor mágico, que a aprendiz de Toothiana pulou com tudo no papel de protagonista. O peito expandido dolorosamente a cada respirada dolorida, as costelas parecendo espinhos que se fechavam para dentro. Para o fundo. Mas precisava pegar aquela abençoada mochila, por tudo o que ela teria de conteúdo para manter duas pessoas naquela floresta úmida. Porque ela sabia que Hella sobreviveria a tudo aquilo e mais um pouco, que seria uma Katniss sem problemas para machucar quando tinha alguém para defender (e porque não tinha como Hagan estar ali, por mais que Cato tivesse o mesmo focinho). Os ouvidos ficaram embotados, barulho demais confundindo-a na proximidade das coisas. Foco. Respiração e proximidade, roçar da roupa e ranger das botas resistentes. Os braços se fecharam ao redor da mochila só para jogá-la para cima e passar um braço pela alça, o outro tratando de se arranjar na arma enorme (uma espada) numa tira de corda na lateral. E tudo isso, esses segundos preciosos parada ali, para pegar algo para si.
Rylina virou em câmera lenta, piscando para entender o que acontecia e logo levantando os braços para proteger o rosto. Sangue. Aço afiado manchado e pegajoso, e Hella emanando aquele som que costumava ouvir quando aproximava do Castigo. De raiva concentrada, zumbido de milhões de feixes de músculos trabalhando. Não perdeu tempo processando a cena, seu cérebro tinha feito uma fotografia bem eterna em sua memória. “Hella! Vamos!” Tinha o poder de escutar, mas os outros não. A Tully gritou assim que se colocou em movimento novamente, o zig zag para fugir dos outros focos de briga nos arredores da cornucópia. E também para pegar com a ponta dos dedos o cilindro recheado de setas, o arco encaixado no ornamento do lado de fora. Seus olhos embaçaram com as lágrimas não derramadas, de estar se esforçando tanto e ser tão lenta. A boca aberta buscava um ar que não entrava, o corpo falhando porque não tinha sido preparado para isso. Era para ter asas! Era para ter se dedicado mais e conseguido seu par, ninguém a atingiria lá em cima e combinaria com a velocidade da amiga. E... Meu deus, me ajude! A bombinha de asma estava dentro, bem protegida numa capa, como o corredor mágico tinha implantado em seu consciente. A primeira fileira de árvores estava logo ali, se perder e fugir daquilo tudo seria tão fácil. Se não fosse... Rylina... A voz macabra não tinha dito seu nome, mas parecia. Fria e distante, carregada da fúria mal contida e rápida pela corrida. Os cabelos ruivos chicotearam no ar quando virou o rosto e identificou o agressor. Grande e veloz, sorrateiro ao matar o oponente que caía para trás morto. O pior? Não mirava nela, mas em Hella, que a acompanhava e estava metida em outras confusões.
“N-não.” A garganta fechava só permitiu um suspiro, um curto soluço partindo o que deveria ter saído num fôlego só. E ela não teve muito o que fazer. Não tinha filme para copiar ou imagem explicativa da sua heroína preferida. Não. Rylina puxou a flecha da aljava e encaixou no arco, o fio transparente retesando ao máximo quando os dedos roçaram o rosto. Um segundo. Um segundo apenas. Mirou e deixou a flecha correr, o rosto virado no momento que confirmou a trajetória perfeita... No ombro. Engatou outra flecha de aviso, as pernas tremendo de medo. “Hella, Hella.” Só precisava dela perto para juntar o resto das suas energias numa última disparada.