Quando tivemos aquela briga, eu te avisei que você não conhecia a filha que tinha, você concordou, gritou, e eu também perdi a razão, mas me calei, você continuou com a discussão, e eu decidi apenas ouvir tudo o que falava, e cada palavra era como… Bom, não achei nenhuma metáfora que pudesse se encaixar e descrever o quão dolorido estava ouvir tudo aquilo. Não era a primeira vez, e como te conheço sabia também que não seria a última. Mas, foi. Não aguentava mais toda aquela discussão diária, não morri de doença e nem pelo motivo da última briga. Morri por desespero. Por não aguentar mais ouvir mais uma palavra que atacava todos os meus órgãos e remexia tudo aqui dentro. Estou escrevendo isso antes de cometer a maior burrada da minha vida ao som de The Beatles, caso você não saiba, era minha banda favorita, no momento eu tô chorando muito ao imaginar você lendo essa carta. Como dizem, a morte é o fim para os vivos, não para os mortos. Porque quem fica, sofre. E eu quero me desculpar por isso também, me desculpe por ta te causando dor agora. Espero fazer falta. Eu tinha muita coisa a dizer, mas ao escrever estou lembrando o quanto eu te amo, e que tá sendo a coisa mais difícil deixar de viver mais tempo com você. Espero que me perdoa e me entenda por isso. Lembra e leve contigo, que sim, eu tinha apenas 17 anos, mas eu já sabia muita coisa sobre a vida, e a principal delas: ela é cruel. Assim como esta sendo agora pra você. É, você realmente não conheceu a filha que teve. Me desculpa, morri te amando muito.
Carta de uma filha suicida. (via quero-sentir-voce)












