[AROUND THE WORLD] - Argentina
Salve, nação CATCHer, e sejam bem-vindos de volta à nossa série Around The World, onde a gente conta pra você o que está acontecendo no mundo da bola oval que não envolva a NFL ou as ligas brasileiras. Hoje falaremos um pouco sobre a prática do esporte em terras portenhas — como estão nossos hermanos argentinos após o fatídico jogo de 2017 contra nossa seleção?
A Argentina foi um dos primeiros países a oficializar a criação de uma liga de Futebol Americano na modalidade tackle na América do Sul. Na capital, Buenos Aires, a Football Americano Argentina organiza desde 2005 o Tazón Austral, disputado atualmente por seis equipes. Mas antes de darmos mais detalhes e colocarmos os carros na frente dos bois, vamos primeiro a uma visão geral da prática no esporte naquele país.
No mapa a seguir, podemos ver as oito cidades onde atualmente há a prática organizada da modalidade de alguma forma; a legenda segue na foto.
Vamos então a um Raio-X destas cidades.
Buenos Aires
A capital do país vizinho é onde naturalmente se espera encontrar o maior número de possibilidades de se praticar o esporte. A FAA (Football Americano Argentina) organiza três das quatro ligas existentes, sendo estas a liga masculina de tackle, a liga masculina juvenil de tackle e a liga feminina de flag. A liga restante, por sua vez, é a de flag masculina, organizada pela AAFA (Asociación Argentina de Football Americano).
Falemos, primeiramente, da FAA; a federação foi criada em 2004, pelos esforços conjuntos das equipes Cruzados, Osos Polares e Tiburones. Em 2005, passou a organizar os torneios de tackle masculino, após a entrada da equipe Jabalíes. A liga ainda contou com mais duas adições: Cruzados (2006) e Legionarios (2007) foram as últimas equipes a entrar e compor a liga, que se mantém a mesma desde aquele ano. Uma curiosidade desta liga é que as equipes jogam a modalidade com apenas 8 jogadores, em vez dos tradicionais 11, uma vez que o esporte não deslanchou tanto por lá quanto por aqui.
Há também uma liga juvenil, fundada em 2006, incialmente composta pelas equipes Aztecas e Coyotes, que em 2012 foi expandida com a adição dos Yacarés. Por fim, há uma liga de flag feminina, a mais recente das três, fundada em 2017; suas equipes são Medusas, Tigresas e Valkirias.
A FAA é a única entidade argentina reconhecida pela IFAF, e a única a representar o país como um todo oficialmente, ainda que seus esforços estejam quase concentrados totalmente em Buenos Aires. Mesmo assim, para a composição da seleção nacional, outras ligas estão sempre em consideração; como exemplo, no amistoso contra a seleção brasileira, foram convocados jogadores das ligas de Rosario, Córdoba, e dois “perdidos”: Matias Peinado, que à época jogava na Portuguesa Lions, e Pablo Mauricio Blanch, OL do Fuengirola Potros (Espanha).
Entretanto, a FAA também organiza uma seleção local, apenas com jogadores da capital, os Patricios — que além da equipe tackle principal, possui um equivalente sub-21 — que representam a capital em amistosos entre cidades do Cone Sul.
Enquanto isso, a AAFA organiza os torneios de flag masculino desde 1997; atualmente conta com as equipes Depredadores, Espartanos, Leones e Piratas. As informações do flag local são bem escassas, e dependemos da cobertura independente de sites como o La Football Sala (http://lafootballsala.com.ar), sem o qual não conseguiríamos fontes importantíssimas para a composição deste texto.
Concepción del Uruguay
Cerca de 300 km ao norte da capital, às margens do rio Uruguai, encontramos a cidade de Concepción del Uruguay, lar da AEFA — Agrupación Entrerriana de Football Americano — que organiza a modalidade localmente desde, pelo menos, 2004; a página da federação no Facebook, no entanto, diz que se pratica a modalidade na cidade desde 1997. Sua maior tradição se encontra no flag football, porém em 2018 a cidade passou a ter representação no tackle com sua equipe, os Teros (“Quero-queros”), que disputaram torneios contra equipes de outras cidades da província de Entre Ríos.
Atualmente, a AEFA possui quatro equipes de flag, sendo estas três sêniores — Cardenales, Yacarés e Yaguaretés — e uma juvenil, os Armadillos.
Córdoba
A 700 km a noroeste de Buenos Aires se localiza a cidade de Córdoba, a segunda maior cidade do país em termos de população. Córdoba possui uma liga própria desde 2008 organizada pela CFA (Córdoba Football Americano), e seu jogo final é o Tazón de la Docta (“Bowl da Sábia”). Uma das ligas a fornecer jogadores para o amistoso Brasil x Argentina de 2017, a CFA conta atualmente com quatro equipes: Centauros, Cóndores, Coyotes e Dragones.
Córdoba teve seu primeiro time de flag estreando em Rosário em 2006, com o nome Águilas, porém aparentemente não investe na modalidade desde a formação das equipes de tackle. Águilas também é o nome do selecionado de Córdoba, que disputa jogos contra os Patricios da FAA.
Mar del Plata
A cidade mais ao sul do país onde se pratica o esporte, Mar del Plata fica no litoral argentino, a cerca de 420 km da capital. Sua federação é a FAMDQ — Football Americano Mar Del Plata (MDQ sendo o código IATA do aeroporto internacional da cidade, e um dos apelidos desta) — que conta com três equipes masculinas de flag: Piratas, Sea Lions e Sharks. Fundada em 2016, a liga local já teve três torneios realizados, todos vencidos pela equipe Sea Lions.
Mendoza
Aos pés dos Andes, distante 1100 km da capital, encontramos Mendoza, cidade central da quarta maior região metropolitana da Argentina, e lar da LFAM — Liga de Football Americano Mendoza. Muito embora se pratique o esporte desde a década de 90 — com a equipe Cóndores (não confundir com os Cóndores de Córdoba) tendo sido fundados em 1994 — a cidade só passou a ter representantes de tackle no ano retrasado. Além dos Cóndores, Libertadores (2012) e Red Lions (2014) compunham a liga até ano passado; no entanto, em 2019, duas novas equipes se juntarão à liga mendocina: Pampas e Dogos, tornando esta a segunda liga com mais times em disputa, perdendo apenas para a da capital.
Paraná e Santa Fé
Impossível falar da história de uma cidade sem falar da outra. Localizadas em margens opostas do Rio Paraná, 450 km ao norte de Buenos Aires, o crescimento do futebol americano por ali se deve ao surgimento de equipes e ligas nas duas cidades. Do lado oriental, na cidade de Paraná, temos a PFL (Paraná Football League) e a PFF (Paraná Flag Football), responsáveis por gerenciar os jogos de flag e full-pad da equipe da cidade. Criada em 2017, tem como representantes os Rebels (full-pad), Gárgolas e Goblins (flag), além de equipes de treino Linces e Fénix. Os treinos de flag organizados pela PFL têm a curiosidade de serem mistos, permitindo a inclusão de mulheres interessadas na prática do esporte.
Do outro lado do rio, os Caburés (“Caburé”, uma espécie de coruja) de Santa Fe representam as equipes da cidade no flag. Localmente, temos as equipes Football Kraken e Minotauros FA, ambas fundadas em 2018, que junto às equipes do outro lado do rio passaram a disputar um torneio de flag organizado pelo lado santafesino.
Rosario
Para finalizar, temos a cidade de Rosario, 300 km a noroeste de Buenos Aires e no meio do caminho até Córdoba. Sede da Rosario Football League, desde 1996 possui atividades do esporte na cidade; porém apenas em 2004, com apoio da FAA, que a liga ganhou forças para crescer e em 2013 tomou o formato atual na modalidade tackle. Disputando o Tazón de la Bandera, temos as equipes Celtas, Espartanos, Hienas e Orcos. Além das equipes principais, duas equipes juvenis completam a lista: Apaches e Persas. Assim como a FAA e a CFA, a RFL também possui um selecionado próprio, os Samurais; e o jogo anual do selecionado contra os Patricios da FAA é o Tazón del Paraná.
O mercado argentino para futebol americano ainda é pequeno, mas vêm crescendo bastante em anos recentes e é promissor. Fazendo um pequeno #10YearsChallenge, o número de cidades onde se pratica o esporte dobrou desde 2009, e mais ligas estão disponíveis para o público em geral. O problema é competir com esportes bem mais populares, como o futebol tradicional e o rugby, que está num nicho similar ao futebol americano, mas é bem mais tradicional a nível nacional. Fica a torcida para que os hermanos tenham condições de evoluir nas suas ligas e fazer crescer o amor pelo FA no continente.















