Antes de sair de casa, Erin mudou de ideia mais vezes do que poderia contar, mas ela e Matt agora ajudavam outras pessoas impactadas pela situação na cidade e tinha que fazer seu máximo para ser útil. Não era muito corajosa - entendia que, no entanto, precisava ser. Caminhava pelas ruas sem arma nenhuma, já que não sabia usá-las: se a abordassem, o máximo que teria seriam seus poderes. No fundo, também não queria machucar ninguém. A rebelião já havia deixado cicatrizes demais naquela cidade de ninguém.
Antes de sair, verificou as próprias roupas: usava um moletom cinza e legging preta, esperando que aquilo ajudasse a se misturar no ambiente sem cor da cidade. Fora obrigada a abandonar seus trajes de antes, o amarelo vibrante que os pintava: tinha se tornado monocromática. Aquele simples pensamento era suficiente para que quisesse chorar de novo, mas tinha prometido que não o faria - lágrimas demais foram derramadas nos últimos dias.
Erin encontrou um mercado próximo com facilidade; a parte mais difícil, no entanto, seria se certificar que estaria sozinha por lá. As luzes do estabelecimento estavam acesas quando chegara, o que a deixou consideravelmente alarmada, mas tentou prosseguir sem chamar muita atenção. Movia-se pelas prateleiras com cautela, colocando numa sacola grande de pano tudo o que achava de útil, principalmente enlatados. Precisava agradecer por ter tanto talento em culinária ou talvez encontraria mais obstáculos no caminho.
Em um determinado momento, quando teve a ilusão de já estar segura o suficiente, ouviu um barulho ao fundo e depois, passos. Tentou recuar o máximo que conseguiu, deixando sem querer uma das latas escorregarem e caírem no chão com a afobação, o eco metálico se espalhando pelo mercado quase totalmente saqueado. — Holy fishsticks — xingou num murmúrio, assustada e amaldiçoando-se ao mesmo tempo. Só tinha uma opção: usar seus poderes. Colocou a sacola com cuidado no chão, imediatamente esforçando-se para deixar que a luz atravessasse sua pele e roupas e assim, a deixasse invisível. A visão desapareceu logo depois e, sem orientação do que estava acontecendo a não ser pelo som, Gallagher esperou que aquilo fosse o suficiente para escondê-la. Não podia nem mesmo tremer de medo: caso se mexesse demais, sua camuflagem poderia ir para os ares.
Ela não poderia dar meia volta e desistir por receio de encontrar alguém perigoso lá dentro; sua vida dependia dos alimentos e outra coisas que encontrasse no estabelecimento. Tentou ser silenciosa ao andar para fora da sala-depósito, a bolsa já nos ombros, mas o silêncio era absoluto e qualquer um poderia identificar o contato do coturno batendo no chão. Sendo assim, Alicia usou a única coisa que tinha certeza da funcionalidade: seu poder. Poderia detectar o medo, caso fosse alguém mais temeroso que os mutantes ditos como perigosos - todos o eram, ela como psicóloga imaginava do que era capazes, mas o pensamento soou com clareza em sua cabeça.
“Quem está aí?” precisou perguntar, em alto e bom som. Sua voz era firme, como se soubesse exatamente o que fazer caso precisasse lutar, mesmo que esse não fosse o caso. Era treinadora de mutantes, e uma mutante em si, mas seu lado humano era falho como qualquer um outro. Poderia fazer besteira se não se policiasse. “Sempre podemos dividir suprimentos” mentiu ela, pela ausência de certeza de sua companhia. Poucos habitantes de Bradcliff estariam dispostos a acordar alimentos em meio àquele caos. Andou mais um pouco, chateada por não ter super audição, seguindo em frente mesmo assim. Alicia não saberia explicar como seu poder funcionava nem se quisesse, apenas o descreveria como ‘vibrações’ no ar. Um calor, mas sem a cor avermelhada com que muitos associam o elemento. Só um calor. Ele chegava ao seu cérebro e era detectado como quando tocava em algo com qualquer parte do pouco: imediatamente, sem erro. Foi exatamente o que sentiu naquele momento.
O calor não estava tão longe dela, mas estava alí. Assim confirmou que não estava sozinha, só não poderia adivinhar quem estava com ela sem perguntar. Alicia perguntou-se, também, se deveria aumentar o medo do mutante. Essa ideia foi logo descartada. Pessoas com tal sentimento, se elevado demais, poderiam fazer coisas estúpidas, como cometer um assassinato. Isso estava longe de ser um desejo seu, apesar de tudo. “Qual é seu nome?” independente de qualquer discurso pacífico em sua mente, sacou a arma e apontou em direção à sensação de calor. Provável que estivesse tremendo um pouco.
A atmosfera de Bradcliff estava consumindo e ao mesmo tempo não incomodando Alicia. Em parte, pela predominância de sentimentos estar resumida ao medo, coisa que ela, melhor que muitos, sabia lidar, era mais fácil contorná-lo. Era medo pelo limite de suprimentos, por não poderem sair na rua sem correr risco de vida, enfim, por praticamente tudo. Agraciada ela por conseguir manipulá-lo e reunir coragem. “Mas não coragem o suficiente para agir sozinha” murmurou ela, ao amarrar os cadarços do coturno favorito. A indignação passou a acompanhar o medo depois daquele comunicado e tanto, lembrou Alicia. Poucos imaginavam que a cidade não passava de uma experiência, outros sequer haviam considerado isso, tais como os mutantes distantes das informações do Clube. Ela, depois da reunião, confirmou o que estivera pensando: sim, eles estavam sendo observados. Era quase óbvio! Tão óbvio que passou despercebido por tantos anos.
As janelas do apartamento estavam lacradas, e Alicia, de saída. Estava carregada, pois a loira seria boba se não passasse a andar armada. Antes mesmo do caos, já deveria tê-lo feito. Sua escolha fora um revólver de fácil manuseio, na parte de trás do jeans, e canivetes, um guardado também na calça, outro em um dos calçados. Como seu poder não era exatamente físico, e ainda precisava ser mais desenvolvido, sentia-se em desvantagem em relação a mutantes com mimetismo animais ou coisas semelhantes. Ainda assim, não trocaria sua habilidade por nada, pois, até em circunstâncias como aquela, poderia ser extremamente útil. Naquela manhã, havia prometido a si mesma que sairia para procurar comida. Os suprimentos de sua casa já estavam no limite e também precisaria encontrar outro lugar para ficar em breve; ela sempre sentia que alguém poderia invadir o local a qualquer momento, por isso esperou até a última lata de feijão para sair e procurar mais coisas. Colocaria o que conseguisse numa mochila e partiria, então, para um local mais seguro na cidade — se é que isso ainda existia.
As ruas de Bradcliff intimidaram e muito a moça, conforme ela andava na escuridão. A melhor opção, e atual escolha, fora fazer a procura durante tarde da noite, quando poucos estivessem acordados. Sentiu o seu poder se expandir assim que deixou o apartamento, pronto para afastar de si qualquer mutante curioso ou furioso. É claro, ela também expandiu o poder para si mesma, com efeito contrário, afim de controlar seu próprio medo. Não era imune ao sentimento e por vezes poderia sucumbir a ele, caso perdesse o controle. Essa não era mesmo uma opção no momento.
Por sorte, seu apartamento ficava próximo a um mercado, atualmente com portas da frente lacradas definitivamente. Eles não facilitariam para ninguém, uma vez decidido que queriam todos mortos. Na parte de trás, porém, Alicia entrou por uma janela quebrada. Jogou primeiro a bolsa para dentro e tentou não fazer careta ao se apoiar e cortar as palmas das mãos, lembrando-se, subitamente, que alguém mais poderia estar alí. O lugar estava silencioso, mas nada era suficientemente confiável. Nunca seria.
Quando o celular novo de Fox quebrou mais uma vez, ninguém se surpreendeu - o tempo de vida do aparelho, inclusive, foi maior do que muitos que vieram antes dele. O que realmente a deixou sem reação foi o pequeno dispositivo escondido entre as peças que antes compunham seu telefone. Depois de um tempo cogitando todas as possibilidades, a loira teve de aceitar: O governo, ou a entidade responsável pela distribuição dos aparelhos eletrônicos, estava observando a cidade.
Respirando fundo e observando rapidamente a sede do Clube do Livro, a garota começou a chamar atenção de todos os presentes. A cada segundo que se passava, a câmera escondida em seu bolso pesava cada vez mais e ela sabia que tinha começar logo a reunião. “Acho que já está todo mundo aqui, não?” Começou, nervosa. Apesar de ser a conselheira de Erik, ela tentava se falar diretamente com grupo o mínimo possível. “Tenho certeza que todos aqui me conhecem, mas ao lerdo que não sabe quem sou… Prazer, meu nome é Fox e eu sou a conselheira dos Lions.” Brincou, tentando diminuir a tensão que havia se instalado no cômodo.
“Ok, vou direto ao ponto. Quem me conhece sabe que celulares são objetos temporários em minhas mãos e, outro dia, o meu mais novo celular quebrou. Rest in peace, Gilson, you’ll forever be missed. Enfim, não foi por isso que eu pedi para o Erik convocar uma reunião. O real motivo é esse aqui.” Continuou, tirando a câmera de seu bolso. “Vocês devem estar pensando ‘Mas por que uma câmera seria motivo para uma reunião desse clube super exclusivo e ultrassecreto?’ e eu respondo: porque essa câmera estava instalada no meu celular e eu posso garantir a todos vocês que ela não deveria estar lá.” A cada palavra que saia de sua boca, Ivory ficava cada vez mais revoltada com a situação. O que aconteceu com a liberdade deles? “Resumindo, tem alguém nos observando.” Completou, antes de jogar a câmera no público.
Com o clube reunido ele sabia que seria mais fácil chegar em qualquer conclusão sobre aquilo. Ele não conseguia tirar a expressão de grave seriedade da sua face, afinal, aquela era sua expressão sempre que estava no meio de uma reunião, a notícia de Fox só piorava sua irritação. Ele já tivera seu tempo para pensar muito no assunto, então podia pelo menos manter uma postura de calma sendo que já havia deixado o momento de pura raiva para trás enquanto marcava aquela reunião. Havia escutado cada palavra da conselheira, mas a atenção estava completamente voltada nos membros das duas partições do clube, esperando uma reação exaltada de qualquer tipo.
— Se estão nos observando com câmeras pelos celulares ao invés de usar a de fábrica, já é motivo para sabermos que não estão nos grampeando, mas isso não é, em nenhum nível, um alívio, mas sim mais motivo para irmos mais a fundo disso.
É verdade, Laurel havia se esforçado mais do que nunca para ler os pensamentos de Fox e saber do que aquilo tudo se tratava, mas era difícil adivinhar o que a amiga estava pensando quando ela parecia focada em outros assuntos propositalmente. As duas saíram juntas do apartamento de Thrisha, indo até a Holly’s a pé. Laurel tinha pego o taco de baseball como Fox pedira - taco que, agora, encontrava-se encostado num canto do subsolo da cafeteria ao lado do machado de Erik.
Assim que Hayward começou a falar, a telepata suspirou, cruzando os braços para prestar atenção. Estava ansiosa desde o momento em que recebera as mensagens de texto e agora, podia sentir o próprio coração batendo mais forte, fazendo com que começasse a descascar seu esmalte em nervosismo. Já sabia de quase todas as informações presentes na introdução de Fox, mas a menção de uma câmera despertou seu interesse: Laurel se inclinou mais na direção da mesa, com os olhos semicerrados. A conclusão de Fox era, obviamente, racional, o que fez com que a telepata engolisse em seco e se enchesse de ódio. — You gotta be fucking kidding me… — sussurrou, esforçando-se para não perder a calma ali mesmo. Depois que Erik falou, assentiu de leve. — Sim, só significa que eles devem estar em algum lugar assistindo a gente com pipoca como num reality show. — Ela bufou. Aquilo era quase um pesadelo extremamente familiar para ela. Foco, Laurel, foco. — Alguém já viu algo parecido com essa… Coisa antes? Sabe, nos seus próprios celulares ou algo do tipo.
Marlie, sentada no canto da sala, observava todos enquanto eles se pronunciavam. Era notável, tanto por suas expressões quanto pela linguagem corporal, como a maioria dos mutantes, se não todos, estavam terrivelmente preocupados com a situação. E não era pra menos: quem ficaria contente ao saber que estava sendo espionado? O objetivo principal de Bradcliff não seria protegê-los do mundo exterior? Ao menos, era o que pregavam a cada um deles, desde seu primeiro dia na cidade.
Ela cruzou as pernas e passou o cabelo para trás das orelhas logo em seguida, inquieta, diferente de como normalmente se comportaria. Marlie poderia ser bem impassível, mas não naquele tipo de situação. “Acho que não, não vi. Não é como se eu ficasse muito ao lado do meu celular, ou posso ser só muito distraída…” ela pigarreou, cortando a falatória. Não deveria se permitir ser contagiada pelo nervosismo do grupo. “E não querendo ser paranoica, mas essa câmera não está funcionando agora mesmo, está? Ou a câmera de outro celular?” ela tateou seu bolso a procura do próprio aparelho, porém se lembrou de tê-lo deixado em cima da cama, na pressa de chegar ao Clube.
Um nó na garganta se forma toda vez que a resposta para a quanto está na cidade precisa ser dita, pois mais de um ano em Bradcliff não fez Keane se acostumar com o local, apenas lhe cultivou uma raiva por humanos. Tal raiva é o que lhe impulsionou a entrar no Clube do Livro que, mesmo não partilhando a maioria dos ideais dos outros membros, já estava em sua primeira reunião. Não conhecia muitos que estavam ali, mesmo que já pudesse ser considerado um morador participativo, e os que reconhecia só trocou algumas palavras.
“Merda!” Deixou escapar. Após Fox terminar toda sua explicação sobre como o governo esteva os vigiando Keane ficou visivelmente irritado, pois como um ex-famoso, já possuía experiência em ser gravado sem seu consentimento, mas nunca se sentiu confortável com isso, sentimento que só piorou desde que teve toda sua intimidade vazada e viu a vida que levava se esvaindo junto. “Vocês já possuem algum plano sobre o que fazer em respeito a isso?” Questionou. “Iremos incitar toda a cidade contra eles agora ou esperar uma hora mais oportuna para usar essa informação?” A necessidade de reagir começava a brotar dentro dele, trazendo o nervosismo junto que o forçava a bater a mexer a perna descontroladamente repetida vezes, após um suspiro longo, tentando se acalmar, Keane percorreu com seus olhos claros todos que estavam ali presentes. “Eles não são os únicos com habilidades para observar os outros.”
O comunicado inesperado de Erik havia alarmado a líder dos Hounds. Ao mesmo tempo que desejava saber do que se tratava e ficava enfurecida pelo mais novo ter se recusado a contá-la, entendia a importância do sigilo nos assuntos relacionados ao Clube do Livro, então simplesmente comunicou os outros Hounds e se contentou em esperar a hora certa. Era paciente, afinal, e se o motivo de tudo aquilo era tão importante, precisava lidar com calma.
Havia chegado séria como sempre, sentando-se na mesa na extremidade oposta a Erik e sua conselheira, com a mão apoiada na mesa segurando o queixo. Prestava atenção em cada palavra de Fox, mas exasperou-se como todos os outros ao terminar de ouvir a notícia, apenas em escala menor. Suas sobrancelhas marcadas se franziram e Reyna comprimiu os lábios. A escória humana certamente passara dos limites. — Não deve estar funcionando se está fora do aparelho. — Respondeu, sem prestar atenção em de quem todos aqueles questionamentos vinham. — Uma coisa é certa: o resto da cidade precisa saber disso o mais rápido possível, independente se estava só no celular de Fox ou dos outros também.
Yansan não conseguia acreditar que estava perdendo seu precioso tempo em mais uma das reuniões sem sentido organizada pelos Lions, não quando estava tão perto de descobrir o que havia acontecido com seu irmão.
Quando a loira finalmente parou de desperdiçar seu tempo, Yas, ao contrário de todos os outros presentes, não conseguiu conter sua animação. “Você realmente acha que observar esses humanos é a reação adequada? A gente já deixou eles se livrarem de muita coisa.” Yansan retrucou rapidamente, um plano já estava se formando em sua mente. “Nós temos que deixar claro que não somos animais em um zoológico para eles ficarem nos observando e dar carinho. Temos que deixar claro que não estamos contentes e eu já sei qual será o nosso primeiro passo… O pai da princesa ali tava colaborando com os humanos, não é? Ta na hora de jogar a merda neles.”
Goliath dirigira-se à reunião de maneira calma e dessa maneira permanecera, pelo menos até as notícias, eram muito maiores que poderia sequer ter imaginado. Uma risada fugiu de seus lábios e logo a reprimiu erguendo as mãos levemente num pedido de desculpas silencioso. Ouviu os comentários, as dúvidas, a comoção de maneira muito atenta, analisando cada um. Por fim, ergueu a mão com um enorme e deformado sorriso e fez sua voz projetar-se na sala de maneira alta, limpa e muito calma. — Senhores, queiram me perdoar, mas não consigo deixar de pensar que nos viram tomando banho diversas vezes. E eu achando que nunca me vingaria dos bastardos. — riu audivelmente — Por Deus, eu desejaria uma vingança maior que a minha visão durante o banho? —brincou, utilizando-se de seu humor auto-depreciativo habitual.— Perdoem-me, senhoras, foi apenas uma brincadeira de mau gosto. De qualquer forma, sinceramente… — novamente riu com um meneio de cabeça — Isso é incrível! Uma das melhores coisas que já aconteceram! Seriamente. Seria perigoso continuar com tal fato não descoberto por mais tempo, claro, mas… Olhem, por gentiliza, vejam se concordam comigo. Se há um muro tudo que podemos fazer é jogar pedregulhos em vão. Porém, se mandam um rato para nos espionar, tal rato deixará buracos no concreto. Nosso primeiro rato, peço perdão pelo termo, foi o pai da senhorita Hayward, como senhorita Yansan disse e agora temos isso. Digo que um ataque direto em nada adiantará, mas essa é a maior vantagem que já tivemos em anos e estou a muito tempo aqui. Eles não estão nos controlando, mas nós sim. Controlaremos o que eles pensam de nós. Tudo que falarmos passará a ser verdade. Podemos faze-los pensar o que quisermos. — sorriu encarando cada um — Podemos convence-los de que somos cordeiros e na oportunidade certa o lobo se revelará. Pois dizemos mutant and proud? Eu gostaria de dizer mais: mutant, proud and… free. — deu de ombros — Essa ao menos é minha opinião. — disse por fim antes de ficar completamente calado novamente.
Alicia ficou em silêncio por grande parte da comoção. Era curioso observar a reação de cada mutante, um por um, distraída o suficiente para não saber quando deveria se pronunciar. No momento, ouvia Goliath e pensava o quanto ele parecia um político ao manifestar sua opinião; contudo, não o estava censurando com esse pensamento. Ele deu certa atenção à Reyna, por ser líder de seu grupo, os Hounds, e pegou-se tirando o celular do bolso para examiná-lo. Logo lembrou-se que nem teria entrado para a reunião se estivesse com celular. Ainda assim, a bateria não era removível, então precisava de mais ferramentas para investigar o caso. Sentia-se na obrigação de saber se ele tinha alguma coisa que poderia deixá-la desconfortável.
“Sabe, o muro só foi o começo. Talvez não deveríamos ficar tão surpresos por estarem nos espionando... Estar preso dentro dessa cidade é só um indício de que nunca tivemos qualquer liberdade” argumentou, em menção ao que Fox disse no início. “Acho que seria viável descobrir como controlarmos eles de uma maneira melhor de como eles nos controlam. Se tiver ataque direto, é muito provável que volte para nós.”