The Beatles - I Want to Hold Your Hand
LIVE performed on “ The Ed Sullivan Show” 2/9/64
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The Beatles - I Want to Hold Your Hand
LIVE performed on “ The Ed Sullivan Show” 2/9/64
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&&. poe.
&&. laurel.
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Seu coração tinha parado completamente de bater. Ou será que batia rápido demais? Não saberia dizer, pois em um momento um pacote de biscoitos o acertava e uma dor incômoda se espalhava por pontos variados que não saberia dizer onde e no momento seguinte não sentia mais nada com Fox vindo rapidamente em sua direção. Seus braços abriram-se instintivamente, mas ela logo parou e pegou o objeto aos seus pés enquanto Hawk ficava preso em um abraço não dado. Abriu a boca em um bocejo e fingiu se espreguiçar, tentando recuperar-se da vergonha o mais rápido que podia. Esperando um abraço? Não, não. Seria um absurdo dizer isso. – Porque eu sou o mestre da discrição, Laurel my dear. Quer dizer… Tirando todo esse lance da escada, mas é, é sempre bom ser recepcionado com palavras tão gentis e… – encarou Edgar que se matava de rir e ergueu uma das sobrancelhas – isso. – suspirou e fechou os olhos, uma lata de cerveja ainda gelada saindo da palma de suas mãos. Todo objeto começava como uma pequena bolinha e conforme ia o deslizando entre seus dedos sua massa se expandia e sua forma ia se alterando. Sua especialidade com toda certeza eram bebidas e armas, objetos mais complexos ou diferentes requeriam uma alta dose de concentração. Atirou a lata para ele e fez um cumprimento rápido de cabeça. – Cacete, eu devo estar com muita cara de barman de apocalipse mutante. – disse reclamando, mas não achando ruim de verdade fazer os objetos. Fazia tempo que não criava algo pelos outros. Fez surgir uma cidra de maçã em uma pequena garrafa plástica e a estendeu para Fox. Encarou Laurel e mordeu o lábio. – Laurel, o Erik… Você… Viu ele? – seu coração se apertou esperando a resposta. Erik era forte, disso tinha certeza, mas haviam tantas pessoas morrendo lá fora e em nenhum segundo deixou de se preocupar com seus amigos.
A brincadeira de Poe entrou por um ouvido e saiu pelo outro. As coisas definitivamente haviam ficado tensas entre Hawk e Fox e Laurel não precisava saber que não era só pelo pacote de biscoitos. Direcionou seu olhar para Fox, depois para Hawk, depois para Fox de novo e enfim para Hawk. Se a situação não fosse lamentável e ela mesma não tivesse se acertado com seu ex, até riria de Radburn, mas não estava em posição para isso. — Você se fez odiado pela cidade, não é nossa culpa reagir assim — deu de ombros. — Mas se quer saber, é bom ver mais um conhecido respirando e com todos os membros do corpo no meio disso tudo. — Com a menção de Erik, voltou a se encostar no batente, os braços cruzados. — Vi, nós estamos escondidos na sinagoga. Erik levou uma facada e eu o encontrei quase morto, mas ele tá bem agora, não precisa se preocupar — garantiu, no tom de voz mais calmo que conseguia expressar, embora não houvesse tanta tranquilidade em seu timbre assim. Se havia uma coisa que Laurel nunca seria, com certeza era calma. Atenta, observou Hawk criar os objetos que Poe e Fox pediram e algo estalou dentro de sua mente. Aquilo era ótimo para que pudessem sobreviver. Não, não ótimo. Perfeito. A ideia que surgiu em sua mente a agitou e a telepata descruzou os braços. — Radburn, você é mais útil do que eu imaginava — começou, dirigindo-se até o centro do cômodo, com a expressão pensativa. — Vocês sabem que temos mais chances de permanecermos vivos se nos juntarmos, não sabem?
Enquanto os outros conversavam sobre Erik, o irlandês manteu-se quieto mais uma vez, usando a bancada como impulso para sentar no parapeito da janela. Precisava admitir que o silêncio era bem out of character para Poe, que nunca perdia a oportunidade de irritar Laurel e Hawk com piadinhas, mas com todo o caos que os rodeavam agora, era impossível manter seu humor imaturo; ainda assim, sempre deixava escapar um ou dois comentários carregados de sarcasmo. Dessa vez, apenas olhou para Fox com o sorriso torto e uma sobrancelha arqueada, tentando não rir do abraço que a garota rejeitou. Sustentou o sorriso por alguns segundos e então, novamente com o olhar vazio, voltou a observar enquanto o “amigo” criava uma lata de cerveja com as palmas das mãos, secretamente invejando o controle que ele tinha sobre seu poder. Olhou de relance para Christensen, desconfortável com o fato de que a telepata podia ouvir tais pensamentos, e quase não notou a lata de cerveja voando em sua direção até que esta estivesse a alguns centímetros de distância. Com dificuldade, agarrou a bebida e tomou dela um longo gole. “Laurel está certa, Radburn. Eu achava que você era inútil, mas agora vejo que cervejas de graça contam como uma utilidade.” comentou, ainda com o alumínio tocando os lábios. Não conseguiu evitar fazer uma careta com a continuação da fala da morena. “Sabemos? Porque eu tenho quase certeza que juntos não aguentaríamos dois dias sem estrangular uns aos outros. E quando digo ‘nós’, estou me referindo a você e a Acid Betty aí.”
Fingindo não perceber os braços abertos de Hawk, Fox desviou o olhar e sentiu seu rosto queimar ao perceber que a amiga analisava atentamente a interação entre os dois - com certeza estava tão vermelha quanto seu cabelo. ❝ Hey, Laurel? Você estava certa mais cedo, eu faria a mesma coisa que você. ❞ Pensou, sabendo que a morena a escutaria. Uma lata voando pela sala fez com que a garota voltasse a prestar atenção na conversa entre seus amigos. ❝ C’mon now, Hawk, você sabe que é exatamente essa a sua cara. ❞ Rolou os olhos e, suavemente, pegou a garrafa que ele lhe estendia. ❝ Besides, não sei se você serve pra nada além de servir bebidas. ❞ Comentou, antes de colocar outro pedaço de biscoito em sua boca. Ao escutar o nome de Erik mais uma vez, a garota reprimiu outra revirada de olhos, tornando sua atenção pra garrafa em suas mãos. Fox tomou um gole da bebida, engasgando quando percebeu o que Hawk havia criado - sua bebida preferida. ❝ Uh, eu to bem. ❞ Exclamou, assim que parou de tossir. ❝ E, Bianca, por favor. Sabemos que a única chance que todos nós temos de sobreviver, é se unirmos esforços. Laurel é basicamente uma deusa, quase onipotente, onisciente, whatever. Hawk pode criar comida e bebida, e qualquer objeto que nós podemos precisar. Você pode nos deixar com eletricidade e eu posso, limitadamente, curar machucados. Estaríamos basicamente vivendo como a família real, só que em um mundo pós apocalipse zumbi. ❞ A mutante deu de ombros, antes de tomar mais um gole da cidra de maçã. ❝ A gente ficaria na sinagoga, não? ❞ Perguntou a Laurel.
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&&. poe.
&&. laurel.
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Fuck. Foi o que Hawk pensou ao acordar com vozes vindas do andar de baixo. O estado ainda meio embriagado de sono e Whisky o fizeram tropeçar nos próprios pés e quase cair ao se levantar da cama. O cômodo era apertado e um simples quarto de empregada, que passava imperceptível entre os outros recintos da casa, mas ainda permitia ouvir os barulhos em baixo do assoalho. Tinha parado na casa com o único objetivo de dormir. Nos últimos dias vinha usando muito seus poderes para criar comida, bebidas, ataduras, entre outros suprimentos que tanto precisava e descansar tinha se tornado tão crucial quanto respirar. Havia se perdido de Wolf fazia um certo tempo e tudo que podia torcer era para que ele e sua sobrinha estivessem bem. Pegou o taco de baseball envolto de arame farpado que descansava na parede e na ponta dos pés foi indo em direção da escada, onde o barulho se tornava mais alto. Devia estar maluco mesmo, estava até mesmo ouvindo a voz de Fox. Desde que Poe aparecera para buscá-la não tinha mais os visto. Também torcia para que ambos estivessem bem. Tentou observar do alto do último degrau quem estava lá, mas a visão era delimitada, o que o fez ir um pouco mais para frente e inclinar seu corpo até que… Caiu. Começou a rolar os degraus com a delicadeza (e o som) de um elefante em uma loja de cristais. Cada degrau que descia e atingia uma parte de seu corpo era como um soco, no entanto, assim que chegou ao chão, ergueu-se rapidamente erguendo sua arma com pouca eficácia sobre mutantes – Ai! Ninguém se… Ai. Mexe… Fox? – franziu o cenho abaixando o taco ao ver a garota de cabelos… rosa? E seu amigo Poe com as bochechas infladas como um esquilo e Laurel com a expressão levemente mais animada que de costume. Pigarreou coçando a própria nuca com uma das mãos – A… escada está segura para subirem se quiserem… Ela não vai ceder eu… testei. – exibiu um sorriso amarelo encarando todo o trajeto de onde tinha escorregado e eles em seguida.
A reação de Fox não era estranha para Laurel. Ela e Erik não tinham mudado antes de toda a confusão dentro de Bradcliff acontecer e nem era necessário unir-se a ele para que sobrevivesse, mas precisava deixar o passado de lado para ajudá-lo. — Ele morreria se eu não fizesse nada. Se fosse o Hawk no lugar dele e você no meu, a situação não seria diferente, então vamos mudar de Shout Out To My Ex para DNA um pouco — por mais que o assunte fosse sério, um dos cantos dos lábios de Laurel ainda estava erguido num sorriso pequeno. — Vocês tiveram sorte, na verdade. Eu geralmente sou atacada quando saio pra procurar comida. É quase como ir pra guerra — dessa vez, ela não estava tão brincalhona assim. Sabia que não era quase: era exatamente como ir para a guerra. Bradcliff tinha se tornado um campo de batalha e por mais que tivesse odiado a cidade desde o começo, as melhores memórias de sua vida tinham se construído lá. Tinha que viver com o fardo de não saber onde seus amigos estavam e de não esperar avistá-los novamente. Contudo, era bom ver que alguns deles dividiam o mesmo cômodo com a telepata, já começando a aproveitar a mochila de comida que havia estendido para os dois. — Amen — Rebatendo a brincadeira de Fox, ergueu um pouco as duas palmas das mãos, num gesto religioso. Quando Poe ofereceu a cerveja, recusou com a cabeça. A tranquilidade de poder ajudá-los e não precisar mais se preocupar fez com que sorrisse discretamente, mesmo que tal sorriso morresse logo em seguida com um barulho estrondoso vindo da escada. Assustada, Laurel automaticamente assumiu uma postura defensiva, até ver que Hawk simplesmente havia rolado escada abaixo. — Speaking of the devil… — murmurou em tom jocoso. — Como eu não senti que esse idiota tava lá em cima o tempo todo? Eu devo estar o próprio pó da rabiola — a morena suspirou frustradamente. — Agora virou festa nessa porra.
Ainda mastigando seus cereais, Poe abriu um sorriso amarelo. “Besides, it is known que Laurel tem uma crush no Erik.” acresentou, com uma piscadela na direção da telepata. Enquanto as duas continuavam sua conversa, o rapaz voltou a vasculhar os suprimentos de Laurel, tirando alguns pacotes de biscoito para si; Jogou um deles para Fox, no sofá, e escondeu o resto nos bolsos do casaco, torcendo para que a dona da mochila não percebesse. “Olha só, não estou gostando do seu tom.” começou, pausando para tomar outro gole da cerveja quente “Eu só quase morri, no máximo, duas vezes. E eu não diria que estamos tendo muita sorte, considerando que não encontramos comida faz uns cin—” sua cabeça virou subitamente em direção à escada, e o rapaz pulou para trás, deixando a cerveja cair na tentativa de eletrizar os punhos erguidos. Demorou alguns instantes para que conseguisse identificar a origem do estrondo como Hawk, o babuíno babaca de plantão da cidade, rolando escada abaixo. Apesar de detestá-lo em respeito à melhor amiga, sentiu um leve alívio ao ver que pelo menos outro conhecido estava vivo. Ainda assim, caiu na gargalhada. “Caralho, essa foi a melhor coisa que vi o ano todo, não acredito que não tinha ninguém pra gravar isso.” exclamou, apoiando-se na parede para recobrar o fôlego, continuando a rir um pouco. “Você me deve uma cerveja, by the way.”
Apesar de manter um sorriso em seu rosto, o humor de Laurel pareceu mudar rapidamente quando o assunto era Erik - seu tom de voz quase assumindo um ar melancólico. ❝ Hawk? I don’t know him. ❞ Fox forçou um sorriso, mesmo sabendo que a amiga estava correta. Se ela estivesse no papel de Christensen, ela também tomaria conta de seu ex. ❝ Mas você sempre foi uma pessoa melhor que eu, Laurel, fico feliz em saber que o Erik está bem. Acho que eu tenho esperado receber notícias negativas ultimamente. ❞ Fox estava se arrumando melhor no sofá, quando sentiu um objeto bater em seu torso. Soltando um gritinho involuntário, a garota rolou os olhos quando percebeu que era apenas um pacote de biscoito. ❝ God damn, Poe, não se joga as coisas sem avisar antes. ❞ Se estendendo um pouco, Hayward recuperou o pacote de biscoito rapidamente, antes de deitar-se confortavelmente no sofá mais uma vez. ❝ Duas vezes my ass. ❞ Fox murmurou, enquanto abria o pacote e escutava o amigo contando suas fantasias.
O barulho repentino a assustou e, pulando do sofá, a garota jogou a coisa mais próxima em direção do som - o pacote de biscoito. ❝ HOLY- Hawk? ❞ A mutante correu em direção do recém chegado, antes de perceber o que estava fazendo. ❝ Uh.. meus biscoitos. ❞ Explicou, apontando para o pacote caído perto de Radburn antes de se abaixar e pegar sua comida. ❝ Será que você pode arrumar água pra mim, ou algo do tipo? ❞ Perguntou, analisando o garoto de cima a baixo discretamente, voltando para seu lugar no sofá uma vez que estava satisfeita com a aparência de seu ex. Fox negaria até a morte, mas o alívio que sentiu ao perceber que Hawk ainda estava bem era grande.
&&. poe.
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— Eu tentei fugir depois da confusão, mesmo que minha cabeça estivesse tão bagunçada quanto essa cidade. Acabei encontrando um Erik quase morto na sinagoga e resolvi ficar com ele por ali — resumiu a explicação. — E você? Esteve com o Poe esse tempo todo? Porque me admira que os dois não tenham morrido pela burrice dele — soltando outra risada, Laurel ignorou a fala de Poe, ainda com a atenção em Fox. — Yep. Ficou bem indie alternativo, blogueirinha, menina tumblr. Oi, meninas, turubom? — Imitou, numa voz nasalada. Aquela Laurel sorridente e brincalhona não se parecia nada com a Laurel que enfrentara um verdadeiro pesadelo nos últimos dias: sua cabeça não lhe dava descanso, ainda tentava cuidar de Erik e procurar suprimentos para manter os dois, mesmo que na maioria das vezes preferia deixar a maior parte da comida para ele. — Por que eu não te procurei antes, mesmo? — A telepata perguntou, referindo-se ao poder de cura de Fox. — Isso teria me salvado vários minutos fazendo curativos. — Ouvindo o questionamento dos dois, Laurel encostou o ombro no batente de uma das portas e cruzou os braços. — Vim procurar comida, assim como vocês dois, aparentemente. E eu peguei um pouco dos armários, mas ainda tenho um resto lá na sinagoga — com um gesto rápido, Laurel tirou a mochila pendurada nas costas e colocou-a no chão. Tinha uma quantidade considerável de comida. — Façam as honras.
Poe permaneceu em silêncio enquanto as duas conversavam. O rapaz percebeu que Fox se fechava na menção dos pais, então evitava comentar sobre o assunto desde que o caos se estabeleceu na cidade. Por alguns segundos, deixou a mente vagar livre, tentando imaginar onde estaria, de fato, Norma Hayward. Tais pensamentos esvaíram assim que a garota se aproximou, usando as mãos para curar seu nariz. “That was disturbing, por favor nunca use voz de bebê comigo de novo.” levantou uma sobrancelha, virando o rosto para Laurel. “Minha burrice? Eu sou praticamente o MacGyver, Fox nunca sobreviveria sem mim.” Poe respondeu, em tom de brincadeira, enquanto abria os braços com as palmas viradas para cima. Ao pensar em comida, seu estômago roncou. Sem hesitar, aproximou-se da mochila da telepata, pegando para si uma caixa de cereais que aparentavam ser uma versão econômica de Lucky Charms. Imediatamente agarrou um punhado de cereais, estufando o máximo possível na boca. “God, com ceteza extão venfidos, mas ainda é uã delífia.” comentou, a boca ainda cheia, enquanto atravessava a cozinha em busca de água. Na geladeira, encontrou uma lata aberta de cerveja, da qual tomou um longo gole, seguido de um arroto consideravelmente alto. “That’s what I’m talking ‘bout.” riu, estendendo a lata para a morena.
Ao ouvir o nome do (ex?) líder dos Lions, Fox não pode deixar de erguer sua sobrancelha em surpresa. Estava feliz que o amigo ainda estava vivo, mas não sabia que Laurel e ele haviam voltado a se falar. Em tempos de crise, milagres realmente acontecem. ❝ Erik? O que aconteceu com a nossa sororidade? Com a nossa shout out to my ex? ❞ Perguntou, obviamente tentando fazer com que sua amiga sorrisse de novo. Morte havia se tornado um assunto presente em suas vidas, mas Fox ainda se sentia abalada ao falar sobre. ❝ Ok, ok. Poe, temos que admitir pra Laurel aqui, nem nós dois sabemos porque ainda estamos vivos. Poe é trágico por si só e olha a quantidade de celulares que eu já quebrei durante a minha vida... Acho que se estamos aqui hoje, é porque a maioria de Bradcliff está na defensiva ao invés da ofensiva. ❞ Comentou, ignorando o ar hostil entre seus dois amigos. ❝ E porque eu aprendi a usar meu poder de cura, Poe já quase morreu umas quinhentas vezes. ❞ Complementou, rindo. ❝ Então já sabemos o que vou fazer assim que sair dessa prisão. Estou pronta para os meus mimos. ❞ O tom de brincadeira que havia tomado conta da conversa era estranho para a ex loira, parecia que nunca mais seria a mesma pessoa de antes da revolução, mas a distração era bem vinda. ❝ Você realmente é Cristo, Laurel. ❞ Exclamou, olhando a mochila que a morena havia colocado no chão. ❝ Me joga um dos mimos, por favor, Poe. ❞
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&&. poe.
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No momento em que o estranho recuou, Laurel pôde perceber que não era, na verdade, um estranho. — Ah, então era só você, Everett — comentou, quase decepcionada, ao perceber que era Poe. O puxão em seu braço, no entanto, a deixou alerta: então ele não viera sozinho. Já estava se preparando para tentar se soltar quando ouviu a voz familiar de Fox. Arregalou os olhos, retribuindo o abraço da amiga, genuinamente feliz por vê-la inteira e mais importante, viva. — Graças a Deus, eu estava preocupada. Sabe, depois do que fizeram com seu pai… Pensei que pudessem ir atrás de você e… Que porra você fez no cabelo? — A última parte saiu numa risada. Os últimos tempos não estavam fáceis pra ninguém, mas era bom ter um momento de alívio no meio da confusão toda. — É melhor entrarmos de novo, é fácil de nos encontrarem aqui fora. Aliás, eu pediria desculpas — fez uma pausa e gesticulou para o nariz de Poe. — Mas você sabe que estaria mentindo.
Com as mãos cobrindo o rosto machucado, Poe recuou, lançando um olhar feio na direção da telepata. Felizmente, apesar da força do impacto, seu nariz não havia quebrado. Ainda assim, continuou aplicando pressão enquanto sentia um filete quente de sangue escorrer sobre sua boca, o gosto metálico espalhando-se na língua. “Ah, yes, que bela reunião. Don’t mind me, sangrando pelo nariz depois de ser vítima de um ataque desnecessário. E eu sou um ninja, thank you very much, apenas fui pego de surpresa.” bufou, o rosto voltado para o teto afim de interromper o sangramento. Certamente, ficaria dolorido por dias. Seguindo o conselho de Laurel, adentrou novamente a casa, virando-se em sua direção. “Sure. Aposto que você estava preocupada comigo também, Goldie. Mas o que porra você tá fazendo aqui, after all?”
O estômago de Fox doía, mas a garota não podia deixar de sorrir - com tanta tragédia os rodeando, era bom descobrir que mais uma das pessoas importantes em sua vida ainda não haviam desistido de viver. ❝ Onde você se meteu? Tem sido difícil encontrar almas vivas por aqui. ❞ Comentou em um tom brincalhão, tentando se livrar da tensão que tomou conta da cidade. ❝ Ahn… Se alguém pretendia vir atrás de mim, já desistiu. Provavelmente acha que estou com a minha mãe, onde quer que ela tenha se enfiado. ❞ Deu de ombros, antes de mexer no cabelo. ❝ Você gostou? Achei que estava na hora de mudar um pouco. Eu e Poe encontramos umas tintas de cabelo no mercado - quando ainda tinha coisas lá, i mean - e eu pensei ‘por que não?’. ❞ Continuou, antes de ser rudemente interrompida por Poe. Revirando os olhos de brincadeira, a ex loira virou-se para seu amigo. ❝ Aw, o boo boo do bebê tá doendo? ❞ Zoou, antes de colocar a mão no nariz de Poe. Em questão de segundos, sua mão formigava e o nariz vermelho de Poe voltava ao normal. ❝ Sabe, usar os poderes é um conceito, 10/10 would recommend. ❞ Murmurou, antes de seguir os amigos para dentro da casa. ❝ E me diga que você tem comida por aqui? ❞ Completou o questionamento do amigo, antes de jogar-se no primeiro sofá à vista. Por mais que adorasse usar seus poderes, a garota estava se sentindo ainda mais cansada, se Fox fosse um de seus milhares de telefones, sua bateria estaria quase nos 10%. ❝ Eu não lembro qual foi a última vez que comi. ❞
&&. poe.
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Enquanto Erik não estava 💯% recuperado, Laurel se incumbiu de procurar por alimento sozinha. Não se importava em andar só pelo caos de Bradcliff, embora sabia que seria muito mais eficiente encontrar suprimentos em dois. O mercado era um lugar óbvio que, àquela altura, teria de tudo, menos comida, por isso, contentou-se em procurar numa casa que ficava nas redondezas da sinagoga. Laurel revirava silenciosamente os armários da cozinha, até sentir pela telepatia alguém se aproximando do local. Encostou-se na parede ao lado da porta para se esconder e, assim que o estranho entrou, desferiu um soco em seu rosto, sem ao menos ver de quem se tratava.
Tentando evitar ruas principais, Poe aventurava-se por becos estreitos e escuros com passadas rápidas e silenciosas. Vez ou outra, gritos ecoavam pelas paredes de tijolos dos prédios que o rodeavam, fazendo com imediatamente virasse para certificar-se de que Fox, logo atrás dele, estava segura. Com a escassez de alimento seguindo a revolta dos Hounds, sua última refeição havia sido quase dois dias atrás, quando comeu o último pacote de Oreos sem que a amiga soubesse. Famintos, saqueavam mercearias e casas abandonadas em busca de qualquer suprimento útil, embora estivessem sem sorte. Ao dobrar a esquina, o rapaz se deparou com uma casa aparentemente inabitada, ao julgar pelo exterior levemente decaído. “Ok, here’s the deal. Você e essa sua peruca neon nada discreta vão ficar aqui fora enquanto eu entro de fininho pra ver se não tem ninguém em casa. Sneaky as fuck, então vou entrar e sair igual um ninja.” Com isso, caminhou em direção à porta, girando a maçaneta lentamente. Começou a dar o primeiro passo, mas antes que pudesse atravessar o vão da porta, sentiu a dor de um soco partir do nariz e espalhar-se por todo seu rosto. “FUCKING FUCK WHAT THE—”
Bradcliff já não era mais reconhecido. A cidade, que possuía um ar quase que pitoresco, não podia ser descrita por outras palavras além de decadente. Status, que antes era um dos aspectos mais importantes para os moradores, não fazia mais a diferença - todos os mutantes que ainda estavam restringidos pelo muro encontravam-se famintos, mortos ou quase lá. Fox não conseguia sentir nada, mesmo quando lembrava do corpo de seu pai, caindo sem vida em frente de toda a cidade, ou do desaparecimento de sua mãe. She was truly numb. Seguindo seu melhor amigo, e uma das únicas pessoas que haviam permanecido ao seu lado depois de toda a revolução, a antiga loira quase não sentia mais seu estômago roncar - o conceito de fome era um conceito desconhecido até então. Para dizer a verdade, Hayward não saberia nem dizer a última vez que havia comido algo. ❝ C’mon now, Poe, você sabe que não sou de ficar parada. ❞ Comentou, no que esperava ser um tom de brincadeira, forçando um sorriso. Apesar do que disse, permaneceu parada. Há algumas semanas atrás, Fox não recusaria uma aventura, mas a falta de comida a desmotivava a fazer qualquer coisa além do básico. O grito de dor de Everett a fez pular e, ao perceber que seu amigo estava parado segurando seu nariz, partiu pra cima da pessoa que o havia machucado. Reunindo toda a sua força, Fox segurou no braço da agressora, puxando-a para fora da casa. ❝ Oh, Laurel? ❞ Perguntou, surpresa. Um dos únicos sorrisos verdadeiros desde que a confusão começou se abriu no rosto da garota ❝ Ainda bem que você está bem, eu estava preocupada! ❞ Exclamou, antes de puxá-la para um abraço. Quando finalmente soltou a morena, virou-se para Poe, analisando a situação de seu rosto. ❝ Sneaky as fuck, huh? Como um ninja? ❞
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Cada vez que um integrante do grupo resolvia se pronunciar sobre o assunto, Fox sentia o pânico crescendo dentro de si. Ela sabia que iriam ficar revoltados, sabia que a reunião não seria amigável, mas também não esperava que todos perdessem o controle. Batendo na mesa em sua frente com o intuito de fazer com que todos prestassem atenção novamente, a garota começou.
“Não é assim que a gente vai chegar em algum consenso.” Seu tom de voz era firme e ela esperava passar algum tipo de confiança para o resto. “Não acho que seria uma boa atacar pessoas que julgamos culpadas diretamente...” Falou, lembrando-se das sugestões de ataque ao seu pai. “Mas também não acho certo a gente simplesmente fingir que não sabe das câmeras e deixar o resto da cidade ir levando a vida normalmente enquanto a gente tenta decidir o que fazer. A gente pode não ter muita coisa por aqui, mas eu sempre achei que tinha privacidade e descobrir que fui feita de otária, mais uma vez, não cai bem.” Disse, contendo sua careta ao lembrar-se do comentário de Goliath. Quantas vezes as pessoas responsáveis pelo governo não a haviam visto pelada e cantando macarena no banho?
“Em minha opinião, nós temos que nos unir e mostrar que sabemos sobre o que eles estão fazendo; que não vamos mais ficar presos nessa cidade pacificamente. Nós nascemos com algo extraordinário, tá na hora de mostrar que não vamos mais nos restringir à Bradcliff. Nós também merecemos o mundo!” A loira continuou, olhando rapidamente para todos os presentes e tentando avaliar o pensamento deles. “Um pouco de violência infelizmente será necessário, mas não contra outros que nem a gente. Não é culpa de outros mutantes que estamos aqui, o nosso foco não deveria estar nos aliados, aposto que eles também dariam de tudo para escapar dessa cidade, e sim no governo.”
“Enfim, acho que devemos fazer uma votação, quem acha que não devemos fazer nada para alertar sobre o governo que sabemos das câmeras enquanto pensamos em uma maneira de manipulá-los, fiquem em pé no canto esquerdo da sala.” Falou, apontando para o canto que estava falando. “Quem acha que devemos ir atrás de mutantes que sabemos serem aliados do governo, fiquem em pé do lado direito.” Continuou, dessa vez apontando para o canto direito. “E quem acha que devemos nos unir e achar uma maneira de acabar com o poder que o governo com relação a gente, mas não necessariamente atacar outros mutantes, fique no meio da sala.” Suspirando, a loira foi para o seu lugar no meio da sala.
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Quando o celular novo de Fox quebrou mais uma vez, ninguém se surpreendeu - o tempo de vida do aparelho, inclusive, foi maior do que muitos que vieram antes dele. O que realmente a deixou sem reação foi o pequeno dispositivo escondido entre as peças que antes compunham seu telefone. Depois de um tempo cogitando todas as possibilidades, a loira teve de aceitar: O governo, ou a entidade responsável pela distribuição dos aparelhos eletrônicos, estava observando a cidade.
Respirando fundo e observando rapidamente a sede do Clube do Livro, a garota começou a chamar atenção de todos os presentes. A cada segundo que se passava, a câmera escondida em seu bolso pesava cada vez mais e ela sabia que tinha começar logo a reunião. “Acho que já está todo mundo aqui, não?” Começou, nervosa. Apesar de ser a conselheira de Erik, ela tentava se falar diretamente com grupo o mínimo possível. “Tenho certeza que todos aqui me conhecem, mas ao lerdo que não sabe quem sou... Prazer, meu nome é Fox e eu sou a conselheira dos Lions.” Brincou, tentando diminuir a tensão que havia se instalado no cômodo.
“Ok, vou direto ao ponto. Quem me conhece sabe que celulares são objetos temporários em minhas mãos e, outro dia, o meu mais novo celular quebrou. Rest in peace, Gilson, you’ll forever be missed. Enfim, não foi por isso que eu pedi para o Erik convocar uma reunião. O real motivo é esse aqui.” Continuou, tirando a câmera de seu bolso. “Vocês devem estar pensando ‘Mas por que uma câmera seria motivo para uma reunião desse clube super exclusivo e ultrassecreto?’ e eu respondo: porque essa câmera estava instalada no meu celular e eu posso garantir a todos vocês que ela não deveria estar lá.” A cada palavra que saia de sua boca, Ivory ficava cada vez mais revoltada com a situação. O que aconteceu com a liberdade deles? “Resumindo, tem alguém nos observando.” Completou, antes de jogar a câmera no público.
text to klaurel kristensen 📧
Laurel: WOW PARABÉNS AGR VC VAI FICAR COM UM SAMSUNG QUE TRAVA E TEM PÉSSIMA CÂMERA FRONTAL
Laurel: "é de quebrar a cara (e o celular)"
Laurel: *Áudio de uma cabra berrando*
Laurel: é essa a história então? tem a ver com o celular?
Laurel: eu não posso ficar mt ansiosa vc sabe disso
Fox: o celular do poe é mt ruim quando eu tiver dinheiro vou comprar um novo pra ele também
Fox: mt dificil quebrar todos os meus celulares quando o reserva do reserva trava mais do que o hawk na hora do sexo
Fox: vc vai ficar sabendo sexta ;)
Fox: hahahah ainda bem que te mandei mensagem e não liguei né!!! assim vc não pode ler a minha mente e tem que se sentir como nós, meros mortais, uma vez na sua vida
text to klaurel khristensen 📧
Laurel: PRIMEIRO CELULAR QUEBRADO DE 2K17 PARABENS
Laurel: não acredito que aquele encosto ta te incomodando de novo
Laurel: vc podia tacar um tijolo na cara dele
Laurel: entendo, essa coisa toda de sigilo......... erik é nuts sobre isso, aparentemente vc tbm
Laurel: mas ta, eu levo
Laurel: to sentindo a seriedade e vc ta me deixando ansiosa
Fox: ERA UM IPHONE 7 ROSE GOLD, COMECEI O ANO COM ESTILO
Fox: na verdade ele nem sabe que eu quase taquei meu celular na cabeça dele.......... you see, eu tava jogando o joguinho da cobrinha, perdi pela milésima vez e quando vi ele tava passando pela minha frente... joguei o celular mas aparentemente minha mira é péssima
Fox: to muito triste o joguinho era ótimo
Fox: vc vai entender quando a gente contar as novidades........ é de quebrar a cara (e o celular)
text to klaurel khristensen 📧
Laurel: how funny
Laurel: eu realmente deveria merecer um prêmio por essas reuniões relâmpago
Laurel: anyways
Laurel: meu taco pq? tem algo sério rolando????
Laurel: spill the tea
Fox: então
Fox: eu roubei o celular do poe e coloquei meu chip pq guess WHAT o meu quebrou dnv
Fox: i blame horse
Fox: enfim, não posso te dar detalhes agora, a situação é muito !!!! pra você ficar sabendo por mensagem
Fox: Mas sim, leva o taco. É de suma importância.
Fox: ATÉ USEI PONTO E CAPS DIREITO DÁ PRA VER QUE O BAGULHO É SÉRIO
text to klaurel khristensen 📧
Fox: você
Fox: é! VOCÊ que está lendo essa sms agora!!!!
Fox: você é a 100000 visitante do site cdl.nz.org
Fox: venha reivindicar seu prêmio dia 13 de janeiro!
Fox: mas atenção!!!! você só terá acesso ao seu prêmio caso leve seu taco de baseball com você!
Fox: ParAbÉns!!!!