Joyland
Lahore é repleta de neblina e quando a noite chega as vezes é impossível enxergar o que está a 10m à sua frente. Assim estava naquela noite.
Passamos o dia inteiro com o plano de ir a Joyland durante a noite e nenhuma de nós sabia exatamente o que era aquilo. Elleena estava doente e não poderia nos acompanhar e Miriam não chegava em casa nunca. Eu e Mariana, porém, nos arrumamos e esperamos ansiosamente pelo momento em que Naeem chegaria para nos acompanhar. A noite chegou e com ela uma neblina absurdamente forte, que nos impedia de enxergar qualquer coisa e com isso recebemos uma ligação dizendo que talvez não pudéssemos sair de casa, nós, decididas como nunca, dissemos "não temos medo da neblina, pode vir". Tempo depois eles chegaram.
Pouco depois todos os chineses e Miriam também chegaram, com mais um carro e após muita discussão e argumentos, convencemos todos a ir. Nesta altura eu já sabia que se tratava de um parque de diversões e que provavelmente os brinquedos eram super inseguros. Eu, fã convicta de adrenalina, fiquei chateada ao saber que não haveria uma montanha russa, mas mantive a ansiedade para todas as outras supostas maravilhas que poderia encontrar.
Fomos. O ingresso custou pouco mais que três dólares e nos dava acesso a todos os brinquedos, que com a neblina, a noite e o frio pareciam ainda mais divertidos. Fomos no barco viking e no barco viking invertido, no kamikaze e em um que parecia um parafuso e nos fazia girar em todas as direções. Todos morrendo de medo, vários abortando a ideia de alguns brinquedos e eu passando mal no mais banal de todos, a tal da roda gigante - que nunca entendi a utilidade.
Depois dos momentos mais divertidos e inusitados para uma noite aparentemente comum, veio a hora do chai e em seguida um jantar no mc donalds, porque brincar cansa.
Chegamos em casa depois das duas da manhã, com a sensação terrível de saber que se tinha que acordar cedo no outro dia, com inúmeras dores no corpo e hematomas causados pelos cintos de segurança que nunca eram confortáveis e apertados o suficiente e a cabeça tranquila e cheia de uma sensação incrível, que só os aventureiros entendem.
Outro dia encontrei uma foto de Joyland, felizmente a minha cara narra exatamente o feeling do momento.












