Acho que tenho mentido para mim há muito tempo, sempre odiei casais, praguejei o amor, desconfiei das relações, me fechei para o mundo lá fora, mas tudo isso sempre desejando o oposto. Tenho me perguntado como ficaria em um vestido branco, eu preferiria pedras ou algo mais simples? Quais flores eu escolheria para carregar até o altar? Tenho para mim que preferiria as estrelas no céu ao tapete vermelho entre bancos de uma igreja. Gostaria mais do cheiro do mato ao cheiro de inúmeros perfumes misturados. Será que eu preferiria uma lua de mel na praia ou em um local mais reservado em meio à cachoeiras? Quando penso nisso, contrariando todos os meus desejos dos últimos anos, eu gostaria de sentir na pele o toque do tecido perolado, esses dias mesmo quase provei um vestido exposto em uma dessas lojas de noivas. Será que um penteado mais para um coque ficaria melhor em mim? Tranças talvez?
Será que lá no futuro alguém me espera em um altar? Será que o fotógrafo conseguiria pegar aquele olhar apaixonado de esguelha? Talvez apenas juntar as escovas antes de decidir se vamos para uma cerimônia civil mais reservada? São tantas as perguntas borbulhando com apenas um desejo que sempre ignorei e enterrei sob tijolos de muros altos: o de ser amada por alguém. Aquele amor tranquilo, algo sincero, com conversas profundas e gargalhadas de besteiras. O desejo de filosofar sobre a vida no escuro, tomar banho à luz de velas, sem necessidade de conversas. Um jantar à dois improvisado após um dia cansativo no trabalho..
É estranho admitir, mas cada vez que disse que não gostava de flores na realidade eu pedia por elas e ninguém ouviu. Quando eu dizia que achava brega jantar à luz de velas e pétalas de rosas sobre a mesa, no fundo eu ansiava por isso. Todas as vezes que eu disse para meus ex namorados que não gostaria de me casar, eu na realidade não gostaria de me casar com qualquer deles, mas no fundo, ansiava por alguém que se encaixasse em mim a ponto de me fazer dizer sim. Acho que na verdade eu sempre estive desejando um dia poder dizer sim.
Tenho me olhado no espelho pela manhã e imaginado como seria retirar todo o fixador do cabelo, a maquiagem borrada do pós festa, olho minhas mãos e imagino como seria ter uma aliança bem ali, no anelar da mão esquerda.
São delírios de uma carência acentuada e um olhar voltado para o interior, admitir isso é estranho, mas reconheço. São incertezas de alguém que está sozinha há muito tempo, devaneios de uma criança que no fundo sempre quis aqueles romances da Disney. Amanhã levanto mais alguns tijolos e escondo tudo isso sob a maquiagem do trabalho, vamos deixar para divagar no próximo domingo mais uma vez.
















