METAMORFOSE
Na fase em que fui larva, apresentei ao mundo formas variadas e simples de existir, pois estava tentando me encontrar como ser. Estive diante de tantas situações perigosas, mas consegui seguir me adaptando a cada contexto. Em alguns momentos senti como se a minha cabeça (mente) estivesse separada do corpo, no sentido de estar distante, por me focar em tantas fantasias criadas em pensamento e deixar com que tocassem meu corpo como simples pedaço de algo que não fazia parte do um todo. Tiveram momentos que simplesmente esqueci de mim, me alimentava de ‘’qualquer’’ carinho, acreditando que isso bastaria para minha própria sobrevivência, pois me enganei, isso não era suficiente. Precisava crescer, então deixei de ser ninfa. Ao tomar consciência que eu estava agindo de forma carente, troquei de pele diversas vezes, tentando de alguma forma me mostrar ao mundo, mas ainda completamente perdida em relação ao que eu realmente queria ser, ou para onde ir. Em pouco tempo, comecei a me enxergar como uma grande lagarta, alguns me viam como taturana e isso me deixava angustiada muitas vezes. Penso que o que eu disse anteriormente não tem relação com ser melhor ou pior do que ninguém, é que muitas vezes eu queria ser vista pelos outros da forma que me vejo, além disso, ser respeitada. Eu não entendia que cada pessoa tem uma percepção, mas ao mesmo tempo, junto a algumas percepções vinham uma gama de preconceitos escancarados ou discriminações veladas sobre a minha existência. Diante disso fui criando cascas, proteções, fiquei praticamente encasulada e imóvel. Agradeço ao casulo, foi bom o tempo que estive envolta por ele. Senti-me protegida por um bom tempo, mesmo com as adversidades da vida e todo o ambiente selvagem que me cercava. Consegui entender a importância de cada fase, e os motivos pelos quais pessoas estiveram próximas apenas quando estive larva ou lagarta. Vi-me solitária muitas vezes dentro daquele casulo, mas também estive em momentos de pura solitude. Quando abandonei o vazio e pude sentir paz ao estar comigo mesma, a transformação aconteceu. Seria mentira se eu dissesse que todo esse processo foi tranquilo. Passei por momentos de dor que atravessaram minhas entranhas... Aprendi muito diante de toda complexidade que é existir, sou borboleta. Deixei o casulo e mostrei minhas asas. Senti o meu movimentar e me permiti voar de flor em flor, experimentando e sentindo. Se permitir é pura evolução. Viva!
Por: Mari (Mel)











