O dia em que escolhi me amar.
Não para procurar defeitos. Nem para lembrar de tudo o que deu errado. Hoje eu quis enxergar a mulher que existe por trás dos sorrisos forçados, das lágrimas escondidas e da força que tantas vezes precisei fingir ter.
A verdade é que eu sobrevivi a dias que pensei que nunca terminariam. Carreguei dores que ninguém percebeu, sorri quando meu coração estava em pedaços e continuei caminhando, mesmo sem saber para onde a vida estava me levando.
Por muito tempo, me cobrei por não ser perfeita. Achei que precisava dar conta de tudo, agradar todo mundo, esconder minhas fraquezas e suportar qualquer dor em silêncio.
Mas hoje eu entendo que ser forte não significa nunca cair. Ser forte é encontrar coragem para levantar todas as vezes que a vida nos derruba.
Eu sei de todas as vezes em que duvidei de mim. Sei das noites em que chorei baixinho, pedindo a Deus que o dia seguinte fosse mais leve. Sei das promessas quebradas, das despedidas que machucaram e das cicatrizes que ninguém consegue enxergar.
Mesmo assim... eu permaneci.
E isso diz muito sobre quem eu sou.
Hoje eu não quero mais viver tentando ser suficiente para quem nunca enxergou o meu valor. Quero ser suficiente para mim.
Quero aprender a me acolher nos dias difíceis, a celebrar minhas pequenas vitórias e a entender que cada passo, por menor que pareça, também é uma conquista.
Não quero mais me diminuir para caber na vida de ninguém. Não quero pedir desculpas por sentir demais, por amar demais ou por sonhar demais. Essas partes de mim não são defeitos. São a prova de que meu coração continua vivo.
Ainda vou enfrentar dias escuros. Ainda vou sentir medo, insegurança e vontade de desistir.
Mas agora eu sei que existe uma força dentro de mim que nunca foi embora. Ela apenas ficou escondida entre as dores, esperando o momento certo para florescer outra vez.
A partir de hoje, escolho falar comigo com mais carinho. Escolho me respeitar, me ouvir e acreditar na pessoa que estou me tornando.
Porque ninguém conhece minhas batalhas melhor do que eu. E ninguém merece mais o meu amor do que eu mesma.
Se um dia eu esquecer quem sou, espero encontrar estas palavras novamente. Espero lembrar que sobrevivi ao que achei impossível, que venci guerras silenciosas e que Deus nunca soltou a minha mão, mesmo quando eu não conseguia sentir Sua presença.
Hoje eu não escrevo para a pessoa que fui.
Escrevo para a mulher que estou me tornando.
Uma mulher que aprendeu que o amor-próprio não nasce de um dia para o outro. Ele é construído toda vez que escolhemos não desistir de nós mesmas.
E, pela primeira vez em muito tempo, faço uma promessa que pretendo cumprir todos os dias:
Nunca mais vou abandonar a pessoa que sempre esteve comigo. Eu.