˛ * ⠀🎥 ( 𝐦𝐚𝐫𝐠𝐚𝐫𝐞𝐭 𝐪𝐮𝐚𝐥𝐥𝐞𝐲, 𝟐𝟔 𝐚𝐧𝐨𝐬, 𝐞𝐥𝐚/𝐝𝐞𝐥𝐚 ) era uma vez… uma pessoa comum, de um lugar sem graça nenhuma! HÁ, sim, estou falando de você 𝐑𝐄𝐘𝐍𝐀 𝐀𝐍𝐃𝐄𝐑𝐒𝐄𝐍 𝐃'𝐀𝐍𝐆𝐄𝐋𝐈𝐒. você veio de 𝐋𝐎𝐍𝐃𝐑𝐄𝐒, 𝐈𝐍𝐆𝐋𝐀𝐓𝐄𝐑𝐑𝐀 e costumava ser uma 𝐂𝐈𝐍𝐄𝐀𝐒𝐓𝐀 𝐅𝐑𝐀𝐂𝐀𝐒𝐒𝐀𝐃𝐀 𝐄 𝐃𝐎𝐍𝐀 𝐃𝐄 𝐔𝐌 𝐁𝐀𝐑 por lá antes de ser enviada para o mundo das histórias. se eu fosse você, teria vergonha de contar isso por aí, porque enquanto você estava 𝐄𝐒𝐂𝐑𝐄𝐕𝐄𝐍𝐃𝐎 𝐑𝐄𝐕𝐈𝐄𝐖𝐒 𝐍𝐎 𝐋𝐄𝐓𝐓𝐄𝐑𝐁𝐎𝐗𝐃 𝐄 𝐅𝐀𝐙𝐄𝐍𝐃𝐎 𝐂𝐎𝐌𝐄́𝐃𝐈𝐀 𝐒𝐓𝐀𝐍𝐃 𝐔𝐏, tem gente aqui que estava salvando princesas das garras malignas de uma bruxa má! tem gente aqui que estava montando em dragões. tá vendo só? você pode até ser 𝐂𝐀𝐑𝐈𝐒𝐌𝐀́𝐓𝐈𝐂𝐀, mas você não deixa de ser uma baita de uma 𝐓𝐄𝐈𝐌𝐎𝐒𝐀… se, infelizmente, você tiver que ficar por aqui para estragar tudo, e acabar assumindo mesmo o papel de 𝐀 𝐏𝐑𝐈𝐍𝐂𝐄𝐒𝐀 𝐅𝐄𝐑𝐀 na história 𝐁𝐄𝐋𝐀 𝐄 𝐀 𝐅𝐄𝐑𝐀… bom, eu desejo boa sorte, porque você VAI precisar!
Filha de pais divorciados, Reyna não teve dificuldade em escolher quem seria o seu "favorito". A mãe não poderia se importar menos com os dois filhos que deixou para trás ao decidir fugir com o amante, mas mesmo antes disso, o seu pai, Timoteo, sempre foi a maior inspiração da garota. Ele era dono de uma locadora em um dos bairros baixos de Londres. Era muito frequentada no início dos anos 2000... até que deixou de ser graças aos serviços de streaming.
Ainda assim, o amor de Reyna pelo cinema criou-se a partir daqueles corredores com estantes cheias dos mais variados filmes. O seu pai era um cinéfilo antes desse termo sequer existir e era uma tradição da família Angelis assistir a um filme todas as noites. Reyna adorava! O irmão, Ronan, nem tanto; mas ele era bem mais novo e mais energético. Então as noites de filmes passaram a ser algo de Reyna e Timoteo. E eram as discussões sobre os longas que unia pai e filha.
Como quase toda criança, ela desejava ser atriz um dia. Reyna gostava muito dos filmes de comédia romântica e encenava suas cenas em seu quarto. Escrevia os seus próprios roteiros também com coisas que, na época, ela achava engraçadas, românticas ou assustadoras. Agora nem tanto, é claro, ela nem ousa abrir aqueles cadernos antigos... Essa vontade de atuar em grandes filmes se converteu na vontade de ser roteirista de grandes filmes... E então diretora. Reyna queria ser cineasta. Estava determinada e foi por isso que estudou muito para entrar na melhor faculdade inglesa para tal.
E ela estava prestes a lançar o seu primeiro curta-metragem, um romance, em um festival importante, ainda na faculdade, quando as notícias do acidente a levaram para um rumo completamente diferente. O pai e o irmão perderam a vida em uma viagem para verem a mãe de Ronan e Reyna, uma que ela se recusou a fazer.
Daí em diante, Reyna não conseguiu se manter na faculdade. Ela estava quase se formando, mas estava triste. Deprimida... E suas notas começaram a cair, o que resultou na perda de sua bolsa no último semestre. Teve que trancar e dar um jeito na própria vida, afinal, recusando todas as ligações da mãe, ela agora estava sozinha.
Tendo herdado a locadora do pai após a morte dele, Reyna viu uma funcionalidade diferente para o espaço. Ninguém mais precisava de locadoras com tantos serviços de streaming por aí, mas o local era... único. Vintage. Era o atrativo perfeito para um bar. De repente, a sua vida ganhou um sentido novo. Reyna investiu o seu dinheiro da herança no estabelecimento e, assim, abriu o Blockbuster Pub — um bar temático para os amantes de cinema... e de stand-up e poesia moderna nos Sábados, é claro! Porque apesar de ter desenvolvido maior apreço por dirigir dramas e terror na faculdade, ela ainda se dava muito bem com roteiros de comédias românticas e sempre os esboçava em seus cadernos; especialmente quando tinha alguma musa em mente para as grandes cenas de demonstrações românticas.
O pub passou a ser frequentado por londrinos e turistas que ficavam sabendo do lugar temático, decorado com alguns dos maiores sucessos ingleses e hollywoodianos de todos os tempos. Além disso, podiam sair de lá com um DVD ou uma fita cassete — era totalmente vintage.
Alguém esqueceu um livro no balcão do bar na noite em que Reyna fechou o Blockbuster mais cedo apenas para dar uns beijos na garota bonita que tinha dado em cima dela. Estava escorada contra o balcão de olhos fechados. Sons de prazer deixavam os seus lábios quando o maldito livro brilhou e Reyna surgiu no meio de um mundo mágico.
conexões + starter call. caso tenha interesse, comente um dos números abaixo! (é limitado porque foi o que consegui pensar por enquanto)
001: muse encontra reyna mal. na história futura, a princesa fera irá morrer, e reyna já começou a vomitar rosas com espinhos e se sentir adoecida. muse pode ser um perdido amigo/a de reyna que vai saber que há algo errado com ela OU um canon que nos últimos teve o grande prazer de ouvir reyna tagarelar por horas, então igualmente saberia que tem algo errado.
002: é a primeira vez que muse vê reyna em sua forma de fera. a princesa fera não é a pessoa mais animada e simpática do mundo e reyna está sofrendo os efeitos de ter as suas memórias misturadas com as dela, o que significa que muse encontrará uma reyna versão fera mal humorada e rabugenta.
003 (canons): reyna está buscando inspiração para escrever roteiros e histórias para christine na casa da ópera. ela encontra muse na galleria dei cuori spezzati e muse abre o coração para que reyna transforme alguma história sua, não conhecida ainda, em uma peça de teatro.
004: muse é alguém que está tentando mudar o destino de sua futura história, e por isso, reyna se aproxima. ela não tem tanta esperança de que possa mudar o destino da princesa fera, mas se muse tem alguma ideia do que fazer consigo, então talvez possa ajudá-la também.
005 (perdidos): reyna fica presa para fora do seu quarto no ccc e sua colega de quarto não está presente para ajudá-la a entrar. ela decide escalar a janela e acaba no quarto de muse sem querer.
Era inevitável que começasse a se sentir impaciente com aquela discussão. Mais do que isso, sua própria experiência passada reforçava que a única forma de vencer a fera, fosse Adam ou Reyna, em seus hábitos seria sendo tão teimosa quanto — senão mais. A rispidez de sua resposta fez com que Belle estreitasse seus olhos em irritação, cruzando os braços enquanto contornava seu corpo para encará-la de frente novamente. "Eu não me importo." Declarou simplesmente, sentindo o próprio peito dilatar sob o peso de sua preocupação, irritação e carinho. Era um emaranhado de sensações que não conseguia diluir diante da gravidade da situação, então apenas deixar borbulhar até à superfície. "Eu gosto de te admirar." E precisava garantir que não iria se machucar, embora essa parte não pudesse tomar forma concreta em suas ondas sonoras se não quisesse afastar Reyna de si novamente, uma prova sendo sua próxima reclamação que fizera a mulher suspirar exasperada. Preferiu não rebater nesse caso, ciente que ficariam discutindo mais um tópico sem chegar em lugar algum. "Eu obedeceria se fossem ordens que fizessem sentido." Devolveu com um grunhido, ciente que era uma grande mentira que não admitiria em voz alta: era, sim, bastante teimosa e a probabilidade de obedecer qualquer ordem em silêncio era praticamente nula, mesmo que viesse de Reyna. Queria prosseguir com seus carinhos e relembrar a mulher de que nada daquilo importava para si, porém sua prioridade no momento era seu bem estar, motivo pelo qual passou a buscar uma forma de apaziguar a dor presente em seu tom de voz. Suas mãos trêmulas provocaram-lhe uma irritação consigo mesma, afinal, cada segundo a mais contava como um prolongamento da tortura de Reyna e precisava ser melhor do que isso. Felizmente, conseguiu encontrar o que procurava dentro de pouco tempo, buscando-a com a mesma urgência de antes. Sorriu com o carinho em seus cabelos enquanto lutava para abrir o pote, um gesto manchado pela própria tristeza em vê-la sofrendo. "Uma poção para ajudar na dor." Explicou em um tom suave, sendo sua a vez de cariciar os fios da mulher ao ajoelhar-se ao seu lado. Tomou uma de suas mãos — patas— na sua, guiando-a para envolver o próprio corpo em uma abraço que as forçasse a permanecerem mais próximas enquanto respondia sua próxima pergunta com um beijo em sua têmpora, mais demorado do que o anterior. Ao quebrar o contato, fechou os olhos enquanto encostava a própria testa ali, mantendo a proximidade e o carinho em seus cabelos. "Eu jamais sentiria nojo de você, ou medo. Você parece um filhote de cachorro tentando aprender a latir." Brincou, utilizando o tom mais suave e gentil que possuía com a intenção de apaziguar a tensão em seus ombros e o receio em sua voz. Sua próxima fala, entretanto, fez com que o coração de Belle apertasse em seu peito e se afastasse o suficiente para encontrar seu olhar. "Você não vai ser assim para sempre." Garantiu, mesmo que talvez fosse uma promessa muito maior do que poderia cumprir. Não importava, iria encontrar uma forma de tornar realidade as palavras que deixavam sua garganta. "Você vai me proteger, eu vou te beijar e quebrar a maldição… E então você vai passar nosso felizes para sempre testando minha paciência com as mudanças que quiser fazer no castelo e que eu vou detestar." Brincou em um tom leve, ainda que seu coração falhasse algumas batidas. Então, inclinou-se novamente, dessa vez para unir sua testa à dela em um gesto de carinho. "Nós vamos ter um final feliz."
"Você não está me admirando, você está admirando... ela!" A rispidez ainda tingia as suas palavras, e Reyna se encolheu ao perceber que não sabia se falava dela ou da Princesa Fera. Era tão confuso... A cabeça começava a girar se tentasse encontrar uma maneira de desfazer o emaranhado de sentimentos que se alojava dentro dela. Arrependeu-se, porém, quase que instantaneamente ao derramar o veneno de sua fúria sobre Belle. Nem a de agora e nem a do futuro eram culpadas pela sua maldição — e talvez nem mesmo Adam fosse e sim a própria Princesa Fera, cega pela ambição. O borbulho de raiva que subiu em seu peito foi rapidamente alfinetado pela agulhada da vergonha. ”Você não obedece à nenhuma ordem. Nunca.” Resmungou, dessa vez como Reyna, que reconhecia a teimosia característica em sua Belle. ”Se obedecesse, não teríamos que nos preocupar com você arriscando a sua vida no futuro.”
Ela não entendia exatamente de onde vinha a dor. Inicialmente, havia pensado se tratar de um efeito colateral da transformação, mas depois de pesquisar sobre a condição da fera em uma das bibliotecas do Centro de Contenção de Crise, descobriu que não existia nenhuma relação. Ainda assim, doía mais do que qualquer outra dor física que ela já havia sentido enquanto humana, ardendo como febre por todo o corpo. Tomou a poção das mãos de Belle com cuidado, segurando-a entre os dedos — garras — e a levando rapidamente até a boca para evitar derrubar o frasco e espalhar cacos de vidro no chão da livraria. Inspirou profundamente e fechou os olhos, permitindo-se sentir o efeito quase imediato do líquido ao mesmo tempo que relaxava sob o toque da princesa, que se aninhava em seus braços e beijava a sua têmpora com a gentileza de alguém que não fazia qualquer distinção entre a figura monstruosa à sua frente e a própria. Os lábios tremeram quando abriu um pequeno sorriso para ela e os seus dizeres. ”Eu sou bem maior que um filhote de cachorro. E não lato… eu acho.” Não que tivesse tentado; entretanto, talvez devesse experimentar o urro da Fera depois, quando já tivesse se acostumado à condição. Fosse como fosse, o seu coração deu um leve salto com a forma que Belle passou a fitá-la. Segurou o seu olhar por alguns segundos, acabando por desviá-lo quando as promessas começaram, fazendo o seu coração inchar tanto que ela temeu que pudesse esmagar os outros órgãos. Queria se agarrar ao que a mulher dizia, mesmo que fossem apenas desejos àquele ponto; queria poder ter a certeza de um final feliz com Belle porque, céus, realmente gostava dela e pela primeira vez conseguia se enxergar por toda a vida ao lado de alguém… Mas tanto Reyna quanto a Princesa Fera sabiam que não poderia existir outro destino para elas. ”Belle…” Voltou o olhar para a morena, mas antes que a mente pudesse formular as palavras certas para serem ditas, a dor voltou: excruciante, queimando de dentro para fora, e levando Reyna a soltar um rugido de sofrimento. ”O que está acon… Ah!” Afastou a princesa para que pudesse ter mais espaço para vomitar, convulsionando com a ânsia. Em vez de sentir o azedo da bile, sentiu a garganta arranhando e o gosto de sangue sendo expurgado.
Uma única rosa vermelha: grande, murcha, e cheia de espinhos, havia saído de dentro dela e jazia agora no chão da livraria de Belle.
loren estava olhando para a garrafa que segurava na mão e se perguntando como havia chegado àquele ponto . ele ouvia a voz de reyna ressoar ao fundo , com toda sua energia fervorosa , enquanto ele sentia a cabeça girar levemente de tanto pensar em como sair daquele maldito mundo . o plano dela soava ... ridiculamente plausível . na verdade , não . mas ele estava desesperado , então diria que era uma ótima ideia . ‘ vai saber , né ? aqui todo mundo sorri demais . sorrisos grandes demais escondem segredos . ’ era apenas a teoria de uma pessoa amargurada . ela se levantou com tanta energia que ele mal teve tempo de reagir . parte dele sabia que a ideia dela era absurda , mas outra parte , a que estava cansada de se sentir preso , achava que talvez fosse a única opção . ‘ foda-se ... o que pode dar errado ? ’ se arrependeu no segundo em que disse a frase . nos filmes , tudo começava a dar errado a partir daí . mesmo assim , levantou-se também , ajeitando a jaqueta como se estivesse se preparando para a guerra . ‘ vamos descobrir onde esses caras escondem os esqueletos no armário . ’ qualquer coisa que pudesse trazer uma reviravolta em sua vida atual já era uma vitória . antes de sair atrás de reyna , o hawkins pegou sua garrafa vazia e ergueu os ombros quando o olhar alheio se voltou contra ele . ‘ o que foi ? eu preciso de uma arma ! não vou me defender com uma raquete novamente . ’
"Claro que escondem! Esse é o ponto. Essa gente é toda esquisita." Reyna estava convencida de que poderiam encontrar alguma coisa contra a Academia se vasculhassem o local bem o suficiente. Na realidade, não fazia nenhum sentido que a prisão hipotética existisse no Centro de Contenção de Crise, mas eles tinham de começar de algum lugar. "Sinceramente? Tudo." Deu de ombros como se não fosse nada. "Mas se eu cair, você cai. E se você cair, eu caio. É o nosso pacto de irmandade. Nós não nascemos juntos, Loren, mas morreremos unidos." Bateu o punho contra o peito como se fizesse um grande juramento para o amigo. Tinham se tornado partes essenciais da vida um do outro e por mais estúpidas que as suas palavras pudessem soar, ela acreditava no que dizia. Marchou em passos determinados na direção da porta, franzindo o cenho ao perceber que Loren voltava atrás para pegar a sua garrafa vazia. "Merda, você tem razão. Precisamos estar armados..." Torceu os lábios, olhando ao redor e buscando por algo que poderia usar como a sua arma. Ainda havia uma garrafa cheia sobre a mesa... "Ah, que se foda." Anunciou, caminhando até a mesa. Apanhou a bebida, arrancou a tampa e corajosamente virou a cerveja. Quando terminou, tinha uma careta no rosto e respirava com dificuldade. Apoiou as mãos nos joelhos, tossindo ao tentar recuperar o fôlego enquanto o estômago agonizava de dor. "Eu era dona de um bar... Nós fazíamos competições..." Voltou-se para Loren. "Às masmorras... Uhul..." Não conseguia se mexer.
Se tivesse que justificar a alguém os métodos de contratação dos Perdidos, Christine provavelmente não saberia responder a pergunta porque a resposta era depende. Alguns eram mais talentososos do que bons profissionais, outros o inverso disso, e alguns se encontravam bem no meio. Já estava acostumada a lidar com artistas de todos os tipos, de pessoas mais hiperativas as mais controladoras, quietas, antipáticas... se fosse contabilizar todas perderia as contas. @feracinefila com certeza se encaixava em algum lugar entre hiperativa e criativa ao ponto de assustá-la algumas vezes. Mas tinha certeza de que ela ajudaria a criar novas apresentações e proporcionar aos perdidos peças com que eles pudessem se identificar, afinal, crescendo como uma menina pobre Christine não tinha se sentido representada em histórias de princesas e meninas ricas. No fim, o objetivo era o mesmo de sempre: queria que a arte fosse para todos, e isso incluía os Perdidos. "Imagino que pelo tempo que passou aqui você tenha alguns rascunhos ou ideias de histórias que poderiam ser criadas. Se quiser me apresentar eu vou adorar ouvi-las, ou lê-las." Estavam em seu escritório naquela tarde, tentando encontrar um meio termo entre as duas para começarem a trabalhar. "Eu crio de muitos jeitos. Escrevendo, principalmente, mas utilizo de outras técnicas. Crio músicas para ajudar a equipe, mas que não são utilizadas nas peças. Desenho as maquiagens e os figurinos, e vou adaptando eles com o tempo. E nesse quadro..." Puxou um grande quadro verde de uma das paredes do escritório. Ele tampava uma das várias estantes cheias de livros e decorações que fechavam duas das quatro paredes daquela sala. De um lado ficava o sofá verde escuro, com uma mesa de centro na frente, e oposto a eles do outro lado da sala sua mesa com dois assentos na frente dela. "Anoto ideias mais gerais. E o que estive pensando nas últimas semanas foi em criar peças misturando as nossas histórias com as histórias de vocês. Talvez não dê vocês em específico, mas sim do seu mundo em geral."
De todos os empregos que havia aplicado — e tinham sido muitos já que Reyna tinha energia demais até para esse tipo de coisa — sem dúvidas o de roteirista fora o que mais torcera para dar certo. Não só era uma das áreas na qual ela tinha experiência depois de anos na faculdade de cinema, como trabalhar para Christine, a protagonista do Fantasma da Ópera, parecia um sonho febril no melhor sentido da expressão. Tinha de morder a língua para não deixar escapar nenhuma frase do musical perto dela, ou acabar chamando-a de anjo da música em um tom teatral sem querer. Ouviu com entusiasmo a explicação sobre o processo criativo da mulher, assentindo fervorosamente sobre a mistura dos dois mundos. Claro que Reyna já tinha histórias! Passara os últimos meses devaneando sobre todos os filmes que poderia fazer inspirados por aquele lugar. "Primeiramente, eu gostaria de dizer que estou muito grata pela oportunidade, Christine. Você é tipo... Uau. Uma idola." Levou a mão até o coração como se prestasse devoção à figura de um santo. "É uma honra estar aqui... Com você... O anjo da música..." E ela deixara escapar. "Tenho muitas ideias, chefinha!" Atirou-se no sofá, de repente abandonando as formalidades. "Queria começar falando que eu e o Taeoh estamos construindo um roteiro juntos. É sobre um príncipe e um fantasma que se apaixona por esse príncipe." Espalmou as mãos no ar como se apresentasse uma ideia magnífica, porém logo se lembrou da conversa sobre gatilhos que tivera com o Lee na outra noite. Reyna se empertigou e limpou a garganta. "O fantasma é de verdade, sabe? Fantasma fantasma..." Sacudiu a cabeça, atropelando as palavras: "Vamos falar de outra ideia! Você já assistiu Questão de Tempo? Ah, claro que não, né..." Coçou a nuca. Céus! Por que ela se atrapalhava tanto? "Bom, Questão de Tempo é um filme sobre um cara que consegue viajar no tempo. É uma herança de família: o pai dele podia viajar no tempo, o avô conseguia, o pai antes dele... Então ele conhece essa mulher e fica super afim dela, mas ele é todo atrapalhado e acaba se confundindo no primeiro encontro, falando umas besteiras... Sabe aquelas conversas que você sente vontade de voltar atrás e recomeçar? Ele consegue. Ele volta no tempo e refaz o primeiro encontro com ela... Dá errado, ele volta de novo... É meio problemático, não vou mentir, mas o filme é fofo. E essa coisa de voltar no tempo para o primeiro encontro... Cinderela." Estalou os dedos. "Imagine uma versão da história em que Kit possui essa herança familiar e volta no tempo para o primeiro encontro dele com Cinderela para não deixar que ela escape. Uma mistura de romance e comédia porque imagino que a Fada Madrinha ficaria puta com o Kit estragando a magia dela." Ergueu as sobrancelhas em expectativa. "Eu também comecei um roteiro sobre a Belle..." Confessou, desviando o olhar agora. "Ela tinha muitos planos de viajar por aí antes de se casar com o Adam. Então eu pensei... Por que não levá-la para viajar no palco?"
taeoh concordou, enfiando mais um bombom inteiro na boca. ele estava lotando seu quarto com doces e aquilo não era um bom sinal. stress eating era algo novo. se eu me estressar mais eu acho que me jogo da primeira ponte que aparecer na minha frente. eu não posso me dar esse luxo. ele revirou os olhos oferecendo a caixa para ela. ele agora tinha um emprego. que piada. o ponto não era ele virar um membro de boyband? mas pelo menos enquanto esse momento não chegava, ele poderia seguir cantando ao invés de servir mesas como alguns desafortunados e, melhor ainda, ser modelo. mesmo sendo para quem fosse, ele teria uma experiência prazerosa no meio disso tudo. ficar é uma palavra muito forte... quer dizer, como isso funcionaria? ele começou a imaginar a cena dele tentar beijar aquela fantasma e sua mão simplesmente atravessando o corpo dela. não, isso seria traumatizante. o pobre e o príncipe é um péssimo nome, mas a ideia é boa... mas seria bom se fosse um filme de terror. no final ele quer que eu morra com ele e isso tudo. ele dramatizou a cena final, levando a mão direita com toda sua força ao peito, como se alguém estivesse o esfaqueando, e logo em seguida colocando a língua para fora no canto da boca. não era que taeoh fosse contra romances, ele atuava em romances, mas ele sempre vai preferir o terror. foi assim que eu achei que fosse terminar a noite de hoje quando aquela fantasma virou o rosto e eu vi que tinha algo enfiado no lado do rosto dela.
Reyna fez uma careta ao imaginar o amigo se atirando da ponte — e ao imaginar a si mesma o seguindo — acabando por divagar sem querer. "O que você acha que aconteceria se a gente morresse aqui? Tipo, eu vou morrer de qualquer forma na minha história, mas digo antes disso." Mórbido demais para uma conversa entre eles, mas ela não conseguia parar de pensar nas possibilidades agora. Seu corpo voltaria para o mundo real? Ela seria apagada das memórias de todos aqueles que a conheciam? Em ambos os mundos, ou só aquele? Alguém tomaria o seu lugar como Princesa Fera? Por sorte, conseguiram desviar do assunto e voltar a falar de asneiras como ficar com fantasmas. "Sei lá, eu não faço as regras desse lugar. Mas alguns fantasmas podem ser tocados em filmes e séries e livros lá no nosso mundo. Se eles forem meio demônios, acho... O que seria sexy. Você e um demônio." Se eles conviviam diariamente com a Branca de Neve e a Chapeuzinho Vermelho, por que não poderiam encontrar demônios? Reyna estendeu o braço para alcançar um bloco de papel e uma pena de escrever na mesa de cabeceira de Taeoh, e começou a anotar as ideias sobre o filme para transformá-lo em uma peça para Christine mais tarde. Ambos trabalhavam na Casa da Ópera agora; Taeoh como cantor, e ela como roteirista. "Eu amo a sua mente perturbada. Vamos fazer acontecer! Eu vou escrever o roteiro e você fala com a Christine para fazer a audição para o papel do protagonista. Pensaremos em um nome melhor depois." Riscou "O Pobre e o Príncipe" do papel e encheu de pontos de interrogação. "Mais um roteiro nascendo..." Animou-se, tagarelando com Taeoh enquanto escrevia em tópicos o que eles discutiam. "Ok, então o gênero será terror... A cena 1 será ambientada em... Espera." Parou subitamente, levantando os olhos arregalados para o amigo. "Será que não vai ser meio gatilhante para a Christine se a gente fizer uma história com um fantasma assassino? Tipo, eu não sei como que a história dela realmente aconteceu por aqui já que algumas coisas são bastante diferentes das versões que conhecemos, mas no musical o Fantasma, que não é um fantasma de verdade, é meio... problemático..." Não que ela não gostasse do Fantasma da Ópera, pelo contrário. "Vou colocar aqui um aviso de gatilho: fantasma problemático."
jason may kill people but he's not bad enough to kick a dog. / @hiloren
Durante as horas que o cinema ficava vazio, Reyna e Loren aproveitavam para conversarem sobre as opções em cartaz. Naquela semana, o primeiro filme da franquia de Sexta-Feira 13 era exibido — e eles aproveitavam para discutir sobre. "Eu concordo. Mas sabe quem é monstro o suficiente para chutar um cachorro?" Tirou o pirulito da boca e apontou para o cartaz que fora deixado ali da programação da última semana: Alien. "Ele. Você lembra como ele simplesmente chutou a caixa do gato no primeiro filme? Isso sem falar que a rainha alien é uma debochada, ela chutaria qualquer coisa que se mexe e daria um sorriso!" Fez uma careta.
Sentia seu coração disparado errar algumas batidas enquanto observava a figura, o estômago revirando em preocupação. A reação, porém, não estava relacionada à nenhuma espécie de medo ou hesitação. Não era um bom sinal que estivesse se transformando novamente. Quanto mais frequente, mais próximas estariam da nova versão de sua história se concretizar diante de seus olhos, o que significaria que estariam mais perto de Reyna... Interrompeu sua linha de pensamentos abruptamente, mordendo o lábio inferior enquanto auxiliava a entrada na livraria da forma que conseguia. Embora sua explosão tivesse sido recebida por Belle como uma momentânea surpresa, não demorou para que suas feições enrijecessem com uma expressão firme e séria. "Eu nunca vou parar de te olhar, Reyna." Declarou, não em impaciência como era habitual quando discutiam, mas em um tom gentil. Não deixava de ser firme, entretanto, como se anunciasse que não haveria discussão quanto a isso. "Deveria sim. Eu te pedi para que viesse, lembra?" Ergueu-se na ponta dos pés para tocar seu rosto com suavidade, tentando prover algum tipo de conforto para o tormento que sabia acumular no interior da londrina. Esqueceu-se, porém, da dor sob a qual deveria se encontrar, recordando apenas com o rugido que a fez recuar, instintivamente receosa de ter lhe machucado de alguma forma. "Você está me dando muitas ordens hoje." Apesar de sua fala soar desafiadora, Belle estava muito mais preocupada em tentar apoiá-la quando cedeu para o chão do que em discutir. Tocou em seu ombro para ajudar a lhe estabilizar, utilizando a outra mão para acariciar sua bochecha com o dorso enquanto abria um sorriso fraco em sua direção. "Minha vez agora: espere aqui." Pediu, inclinando para beijar sua testa antes de correr para trás do balcão, agachando em busca de seu kit de poções da mesma forma que havia feito algum tempo antes. Suas mãos trêmulas denunciavam o quão nervosa estava sob a aparente calmaria de suas feições, além de dificultar a tarefa de encontrar algum líquido que pudesse ajudar na dor excruciante que Reyna parecia estar sentindo. Respirou fundo para se controlar, focando melhor em sua missão até emergir de sua lugar com um frasco na mão, voltando para onde a havia deixado. "Aqui, isso vai ajudar na dor."
Belle era teimosa — isso era um fato universal: em todas as suas versões, ela ganhava da Fera pelo cansaço. Em seu estado natural, Reyna saberia reagir à teimosia da mulher (mesmo que para isso tivesse de adicionar mais teimosia e algumas provocações). As memórias da Princesa Fera, porém, ainda não haviam avançado o suficiente para que ela tivesse aprendido a lidar com o gênio da outra, e isso fazia com que toda a impaciência que borbulhava dentro de si fosse direcionada à Belle. "Eu não quero que você me olhe." Respondeu, ríspida, virando as costas para a inventora. A humilhação doía tanto quanto a transformação, e era ali onde Reyna e Fera se entrelaçavam, como raízes em solo profundo: ambas sentiam-se envergonhadas por terem ido até Belle; e ambas ressentiam a transformação. "Estou bagunçando a sua livraria." Ela não se lembrava, não agora, mas não respondeu isso. Parte de si reconhecia os esforços de Belle, e parte também sabia que tudo o que estava acontecendo era combustível para a preocupação latejante da princesa. "E você não obedece nenhuma delas!" Exclamou, algo entre um urro e um resmungo.
Ainda que relutasse; que tremesse sob o toque gentil e sentisse todo o seu interior inflamar com a vergonha, ela não queria ir embora. O beijo em sua testa lhe pegou desprevenida, mas foi como acordar de um transe. Reyna se lembrou da maciez dos lábios de Belle, deles contra os seus naquela última noite, e de como eram quentes como o castanho de seus olhos. O corpo todo ainda doía, mas seu coração estava mais calmo. Levantou os olhos para encarar Belle, arriscando levar uma mão hesitante até os cabelos longos e escuros dela. Não os tocou com a mesma firmeza da noite no Salão dos Espelhos. Tocou-os com a leveza de uma pena, o que chegava a ser irônico considerando o seu tamanho agora. "O que é isso?" Seu olhar permanecia sobre a inventora, embora se referisse ao frasco em sua mão. "Você não está com medo? Não sente nojo de mim?" Mais uma vez, a pergunta poderia ser respondida por qualquer pessoa com o mínimo conhecimento da história de Belle, mas não era como Reyna estivesse pensando tão claramente assim. Ademais, agia como um animal selvagem com a pata machucada, cuja confiança para receber cuidados do veterinário era conquistada aos poucos. "Não quero ser assim para sempre." Desviou o olhar, sentindo o peito apertar.
waldron encolheu os ombros, não sabendo bem se ela estava feliz ou não em ser reconhecida. parecia mais a segunda opção, a deixando mais atenta aos próximos movimentos dela. "você já perdeu o controle...?" perguntou lentamente, já pensando em ela própria sair correndo. não, não poderia deixar reyna sozinha. escutou o que ela dizia, se sentindo mal por ela. "acho que um copo de água não seria o suficiente para acabar com sua sede..." falou mais baixo, pensativa em como resolver isso. chloe olhou para os lados, tentando criar alguma ideia diferente da fonte, mas era a única coisa que parecia aceitável no momento. o olhar da nova-fera-ou-seja-lá-seu-nome fez com que precisasse segurar uma careta, desviando o olhar rapidamente. "ok, ok! eu te ajudo, só não sei como... quer que eu te acompanhe na fonte? traga algum balde de água? ok, balde não parece grande o suficiente para você..." passou a mão no queixo, sentindo as engrenagens de sua cabeça funcionando lentamente, desistindo rapidamente e soltando a pergunta à outra. "só me diz o que eu preciso fazer e eu faço!"
"Você diz com outras pessoas?” Não podia culpar Chloe por estar preocupada com a própria segurança. Reyna era várias vezes o tamanho dela agora, bem mais forte, peluda… e parecia uma mistura de lobisomem e urso. Coçou os cabelos — ou melhor, pelos da cabeça. “Não que eu saiba…? Quero dizer, nós definitivamente saberíamos de eu tivesse perdido o controle com alguém! Só aconteceu comigo mesma, eu…” Suspirou, lembrando-se da primeira vez que a transformação ocorrera e como havia tentado arrancar aquela pele dela mesma porque doía e ardia. “Eu fiquei com medo.” Resumiu, crispando os lábios e desviando o olhar por alguns segundos. Por sorte, elas mudaram o tópico para a sua sede e Chloe parecia disposta a ajudá-la. Reyna suprimiu o impulso de tentar abraçá-lá, primeiro porque seria a coisa mais assustadora que poderia fazer: simplesmente se atirar para cima da amiga; e segundo porque ela não fazia ideia de como abraçar alguém com aquela forma. “Uma piscina! Eu nunca vi uma por aqui, mas tem que ter, né? Essas salas mágicas… Com certeza uma delas tem uma piscina. Se você conseguir encontrar uma, acho que consigo beber a água.” Sugeriu, animada. “Mas sim, eu quero companhia! Você só tem que prometer não olhar quando eu estiver… lambendo... Por favor.” Choramingou de leve. “Pelo menos vou servir como treinamento para você com o seu futuro dragão.”
"Ninguém." Reyna ergueu uma sobrancelha, agora desconfiada de que Chloe tinha, de fato, crush em alguém. Havia chutado só para provocá-la amigavelmente, mas era como diziam por aí... Bom, ela não se lembrava de nenhum dizer! Mas algo sobre a pessoa ficar nervosa se estiver escondendo algo. "Eu só estava te provocando porque você ficou um pouco vermelha quando mencionaram o nome dela, mas agora você está agindo suspeita!" Espremeu os olhos, inclinando-se para ficar mais perto da amiga. "Qual é, você sabe que pode me falar se tiver afim de alguém, né? Eu também tenho uma crush! Bem, é um pouco mais complicado que isso, mas..." Deu de ombros. "Quando eu cheguei aqui, eu tentei dar em cima de todas as princesas bonitas. Casadas ou não."
Quando leu o conto reescrito, Adam esperava sentir uma certa familiaridade com a pessoa que estava fadado a se tornar. A história meio que se repetia, afinal – um príncipe arrogante, uma feiticeira ofendida, uma maldição. Mas aquela versão de si era muito pior, ou ao menos era isso que pensava. Talvez estivesse acostumado a detestar-se há tanto tempo, que conviver de novo consigo mesmo lhe dava a impressão de que aquela versão era ainda mais autocentrada, ainda mais inconsequente e ainda mais... revoltada. Aquele Adam achava que tinha justificativas para ser como era, vivendo à sombra de uma irmã mais velha que era tão adorada e admirada pelo reino inteiro enquanto ele era apenas ele. O que veio depois, o que não seria nada. E o que ele podia fazer além de aproveitar o berço rico em que havia nascido, o único privilégio do qual a irmã não podia privá-lo apenas por existir?
Também estivera evitando Reyna a todo custo, cada uma de suas versões por motivos diferentes. O Adam de verdade sentia-se amargamente culpado por todo o sofrimento que ela devia estar passando – se ele estava passando pelas transformações em algumas noites, ela certamente estaria, também, e tudo aquilo por causa dele. Não ele, realmente, mas ele de alguma forma. Ela deveria estar ressentida, e ele não poderia culpá-la pelo tal, era totalmente justo. O outro Adam, no entanto, evitava a Princesa Fera porque, em algum lugar da sua mente magoada e distorcida, a culpa pela maldição era dela, que fez com que ele se sentisse daquela forma e se comportasse daquele jeito em primeiro lugar. Independente de qual Adam estivesse lhe motivando naquele momento, o completo desespero ao trocar olhares com ela era unânime. Por sorte, ter acabado de sair de uma sessão de terapia ajudou a manter apenas o Adam mais adequado no controle, ao menos. Franziu o cenho com o comentário, inicialmente achando meio rude – era um lugar adequado mesmo, mas precisava falar daquele jeito? –, mas logo percebeu que ela estava tão nervosa quanto ele com a coisa toda. “É... realmente adequado, confesso” coçou a nuca, olhando para a porta do estabelecimento como se estivesse cogitando voltar para dentro correndo. “Você também veio para uma consulta, ou...?”
"Porque você me disse que vem aqui algumas vezes." Reforçou, arrependida do que parecera ter insinuado ao dizer que o consultório do Coelho era um lugar propício para encontrá-lo. "Não, eu estava indo até a loja da Cruella, na verdade." Apontou para o outro lado da rua, onde a House of DeVil se destacava pela vitrine luxuosa. "Queria comprar uma jaqueta nova." Afundou as mãos na que vestia, mostrando que havia furado um dos bolsos de tanto usá-la por aí — e se envolver em algumas enrascadas com ela. Era a sua favorita, tinha de admitir, e sabia que se Cruella estivesse presente fisicamente na loja, ela tentaria matar Reyna pelo estrago em uma de suas peças, então torcia para não dar de cara com a vilã naquela tarde. Já era ruim o suficiente que tivesse encontrado Adam quando vinha tentando evitá-lo como se fosse o diabo e ele a cruz — novamente, não porque não queria ver Adam, o seu amigo; mas porque tinha medo da Princesa Fera se manifestar ao encontrar com Adam, seu irmão. Isso e a culpa de estar ficando com Belle. "Então! Você está bem? Tem sido atormentado por visões bizarras também ou isso é uma coisa exclusiva da galera fodida— digo, perdida?" Buscou manter a habitual compostura descontraída e desastrada, abrindo um sorriso. Sabia a resposta daquilo, era só um meio de puxar assunto e quebrar o gelo. "Você quer ir comigo até a loja? Quem sabe a gente não arranja uma jaqueta nova para você também? Não que a sua esteja ruim." Ressaltou, inclinando-se para arrumar a gola do casaco dele. "É só que é bom ter roupas novas às vezes, e acho que a Belle gosta bastante das jaquetas da Cruella que eu us—ãã..." Ela queria cavar um buraco na terra, entrar nele, e não sair por algumas boas semanas. "Nós falamos bastante de roupas quando nos encontramos por aí. Coisa de mulher, sabe? Falar de roupa. Não que homens não possam falar de roupa também. Homens, gays... Não que gays não sejam homens! Deus." Inspirou todo o ar que seus pulmões podiam aguentar e expirou em uma exclamação: "Vamos logo!"
"Aham, claro que você é." Arqueou uma sobrancelha, jogando uma almofada na direção da amiga. "Agora me diz, que motivos pessoais são esses? Qual vilão você tá querendo pegar?" Deitou-se de barriga no sofá, subitamente interessada no tom da conversa. "Deixa eu adivinhar... É o Gancho? A Lady Tremaine? Não, já sei! É o Lobo Mau! Ou... a Rainha Má? A Rainha Vermelha? O Hans?! São muitas opções boas e eu consigo te imaginar querendo pegar todos eles... Separadamente e ao mesmo tempo."
“You know, if you are going to let every little thing bother you, it is going to be a very long night!”
EXPLORANDO O FUTURO — a princesa fera.
Aquela era a primeira noite que jantavam juntas. Desde a chegada de Belle, estava acostumada a fazer as refeições em seu quarto ou no escritório para deixar o salão e a biblioteca para Adam e a prisioneira — realmente não poderia dizer que ela era uma convidada. A relação dos irmãos permanecia fria, principalmente por parte da Princesa, cujo rancor borbulhava sob a pele. E todas as noites, quando se olhava no espelho do quarto, o mesmo que ficava logo ao lado do seu retrato humano, ela alimentava aquela amargura. Por outro lado, Belle era o sol que se diluía sobre os cômodos escuros e frios do castelo, fazendo os móveis parecerem mais bonitos, as cortinas menos sujas e tudo menos insuportável. Queria impressioná-la com o jantar e isso já era óbvio para os criados que vinham acompanhando a sua maldição desde o início (porque também tiveram o mesmo destino amaldiçoado); ela havia ouvido os burburinhos sobre "ter achado a certa". A Princesa não admitiria em voz alta, não quando sequer conseguia admitir para si mesma, mas se pegava desejando que aquilo fosse verdade. Que Belle fosse a certa. Passar tempo com ela era... bom. Fazia o seu estômago coçar como se borboletas agitadas habitassem dentro dele, e lembrava ao seu coração que ele poderia inflar por coisas boas também. Mas quem Reyna queria enganar? Belle, delicada e ensolarada, encontraria algo muito melhor do que o monstro que sequer conseguia segurar um garfo com as garras agora. "Esses garfos são pequenos demais! Quem foi o responsável por isso? Apresente-se imediatamente!" Gritou, batendo na mesa com o punho fechado. As porcelanas tilintaram, e Reyna arriscou olhar na direção de Belle esperando encontrar uma fagulha de nojo ou horror em seus olhos. Em vez disso, vislumbrou apenas a desaprovação: aquela sobrancelha arqueada e a expressão de quem queria dizer 'eu te avisei'... O que conseguia ser ainda pior. "Tente comer com essas mãos então!" Defendeu-se, soando quase ofendida. Cruzou os braços e virou a cara. Tinha um bico em seus lábios, embora não fosse tão perceptível quanto teria sido se estivesse na forma humana.
"Cara, por que eu faria isso?" Não deveria estar desafiando as ordens de um vilão como Capitão Gancho, mas se fosse honesta, Reyna nem achava o cara tão vilão assim. Ele só odiava crianças — e nem eram todas as crianças do mundo, só as associadas a Peter Pan. E ela tinha de concordar com ele, afinal, do seu ponto de vista, Peter Pan era um demônio vestindo uma pele humana. "Só vim tomar uma cerveja, não estou tentando me juntar à sua tripulação! Eu nem sabia que isso era possível, quero dizer... Eu fico bastante honrada... E com certeza adoraria ser uma pirata, acho que combino muito com a aesthetic, mas realmente não vai dar porque agora tenho dois empregos! E também, eu meio que viro fera do nada, o que seria meio perigoso de acontecer no meio do oceano..."
@toothfada você é organizada e tem capacidade de organizar vários acontecimentos ao mesmo tempo? teria capacidade de receber informação financeira?
"Eu sou organizada, e daria o meu melhor para organizar vários acontecimentos ao mesmo tempo, mas não vou mentir: eu surtaria! Todo mundo surtaria! Mas o que é um ambiente de trabalho sem surto, não é?"