Há dois anos atrás eu arrancava minha pele toda semana só pra ver o que havia por baixo
e então eu engolia os restos do chão, na esperança de que quando eu os vomitasse, saísse algo bonito e digno de ser lembrado
eventualmente o processo cessava porque eu não conseguia mais juntar o líquido pastoso do chão
então eu só seguia andando e deixava aquela massa secando sob o sol
foram muitas iterações
iterações demais
às vezes acordo com medo de que minhas células percam a capacidade de se regenerar e, agora fluente em me despedaçar, eu acabe para sempre com meus ossos à mostra, sensível a tudo que me toca e incapaz de me defender














