Wikinomics
Capítulo 1 – A arte e a ciência do peering
“Em 1999, com o futuro ainda incerto, McEwen tirou uma licença para desenvolvimento pessoal. Acabou numa conferência do MIT para jovens presidentes quando, por coincidência, o tema Linux surgiu. Sentado no auditório, McEwen ouviu atentamente a história notável de como Linus Torvalds e uma brigada voluntário de programadores de software haviam montado, através da internet, um sistema operacional de primeira classe. O palestrante explicou como Torvalds revelou seu código ao mundo, permitindo que milhares de programadores anônimos o analisassem e fizessem as suas próprias contribuições.” (pág. 18)
“Talvez o legado mais duradouro do Desafio Goldcorp seja a legitimação de uma abordagem engenhosa em relação à exploração, em uma indústria que continua a ser conservadora e altamente fechada. Rob McEwen se opôs a uma tendência da indústria, compartilhando os dados exclusivos da empresa e, ao mesmo tempo, transformando um processo lento de exploração em um motor fragmentado de descoberta de ouro que utilizou algumas das mentes mais talentosas nesse campo.” (pág. 20)
“Devido as profundas mudanças em tecnologia, demografia, negócios, na economia e no mundo, estamos entrando em uma nova era, na qual as pessoas participam da economia como nunca antes. Essa nova participação atingiu um ápice no qual novas formas de colaboração em massa estão mudando a maneira como bens e serviços são inventados, produzidos, comercializados e distribuídos globalmente.” (pág. 20)
“No passado, a colaboração era, na maioria das vezes, de pequena escala. Era algo que acontecia entre parentes, amigos e sócios em lares, comunidades e locais de trabalho. Em ocasiões relativamente raras, a colaboração se aproximava de uma escala de massa, mas isso acontecia principalmente em episódios rápidos de ação política.” (pág. 20)
“A maioria das pessoas estava confinada a papéis econômicos relativamente limitados, seja como consumidores passivos de produtos produzidos em massa ou como funcionários presos em burocracias organizacionais nas quais o chefe lhes dizia o que fazer.” (pág. 21)
“O acesso crescente à tecnologia da informação coloca nas pontas dos dedos de todos as ferramentas necessárias para colaborar, criar valor e competir. Isso libera as pessoas para participarem da inovação e da criação de riqueza em cada setor da economia.” (pág. 21)
“Chame-as de “armas de colaboração em massa”. Novas infra-estruturas colaborativas de baixo custo — desde a telefonia grátis via internet até softwares de código aberto ou plataformas globais de terceirização — permitem que milhares de indivíduos e pequenos produtores criem conjuntamente produtos, acessem mercados e encantem os clientes de uma maneira que apenas as grandes empresas podiam fazer no passado.” (pág. 21 e 22)
“Os indivíduos agora compartilham conhecimento, capacidade computacional, largura de banda e outros recursos para criar uma vasta gama de bens e serviços gratuitos e de código aberto que qualquer um pode usar ou modificar. E mais, as pessoas podem contribuir com os “espaços digitais públicos” (digital commons) a um custo muito baixo para si próprias, o que torna a ação coletiva bem mais atraente.” (pág. 22)
“Essas mudanças, entre outras, estão abrindo caminho em direção a um mundo no qual conhecimento, poder e capacidade produtiva estarão mais dispersos do que em qualquer outro período da nossa história - um mundo no qual a criação de valor será rápida, fluida e persistentemente perturbadora. Um mundo no qual apenas os conectados sobreviverão. (pág. 23)
“Em vez de simplesmente ler um livro, você pode escrever um. Basta acessar a Wikipédia — uma enciclopédia criada de maneira colaborativa, que não é de propriedade de ninguém e é escrita por dezenas de milhares de entusiastas.” (pág. 23)
“Para as empresas de qualquer ramo já estabelecidas no mercado, essa nova cornucópia de participação e colaboração é ao mesmo tempo estimulante e alarmante.” (pág. 24)
“A experiência mostra que a primeira onda de mudanças acarretada pela internet foi manchada pela exuberância irracional. Uma análise sóbria das tendências atuais revela que essa nova participação é, ao mesmo tempo, uma bênção e uma maldição. A colaboração em massa pode dar poder a uma tropa de indivíduos e organizações conectados para criar uma riqueza extraordinária e alcançar níveis sem precedentes de aprendizado e descobertas científicas.” (pág. 26)
“Assim como em todas as revoluções econômicas anteriores, as exigências em relação aos indivíduos, organizações e nações serão intensas e, algumas vezes, traumáticas, à medida que antigas indústrias e modos de vida darão lugar a novos processos, tecnologias e modelos de negócios. O campo de operações foi escancarado e a necessidade recorrente de reconfigurar pessoas e competências para servirem a um mercado em constante mutação exigirá que os indivíduos renovem e mudem constantemente suas carreiras.” (pág. 26)
“Sentimentos reacionários não são uma surpresa diante das circunstâncias. A produção de conhecimento, bens e serviços está se tornando uma atividade colaborativa da qual um número cada vez maior de pessoas pode participar. Isso ameaça destituir interesses arraigados que têm prosperado sob a proteção de várias barreiras, dentre as quais o custo para se obter o capital financeiro, físico e humano necessário para competir.” (pág. 27 e 28)
“[…] a revolução da participação que está acontecendo agora abre novas possibilidades para que bilhões de pessoas desempenhem papéis ativos em seus locais de trabalho, comunidades, democracias nacionais e na economia global de forma geral. Os benefícios sociais são profundos e incluem a oportunidade de atribuir maior responsabilidade aos governos e tirar milhões de pessoas da pobreza.” (pág. 28)
“Estamos todos participando do surgimento de uma plataforma global e onipresente para computação e colaboração que está remodelando quase todos os aspectos das relações humanas.” (pág. 30)
“A nova arte e ciência da wikinomics se baseia em quatro novas e poderosas idéias: abertura, peering, compartilhamento e ação global. Esses novos princípios estão substituindo algumas velhas doutrinas dos negócios.” (pág. 32)
“Apesar de ser improvável que as hierarquias desapareçam num futuro próximo, está surgindo uma nova forma de organização horizontal, que rivaliza com a empresa hierárquica no que diz respeito à sua capacidade de criar produtos e serviços baseados em informações e, em alguns casos, bens físicos. Como já foi mencionado, essa nova forma de organização é conhecida como peering.” (pág. 35)
“O exemplo clássico de peering é o Linux […]” (pág. 35)
“Os integrantes de comunidades de peering têm muitas motivações diferentes para participar delas […] Mas as regras básicas de operação são tão diferentes da hierarquia de comando e controle de uma empresa quanto essa mesma empresa era diferente da oficina feudal da economia pré-industrial.” (pág. 37)
“A nova globalização causa, e ao mesmo tempo é causada por, mudanças na colaboração e na maneira como as empresas orquestram a capacidade de inovar e produzir coisas.” (pág. 41)
“Esses quatro princípios — abertura, peering, compartilhamento e ação global — definem como as empresas do século XXI competem. Elas são muito diferentes das multinacionais hierárquicas, fechadas, cheias de segredos e isoladas que dominaram o século anterior.” (pág. 43)
“Para indivíduos e pequenas empresas, esta é uma nova e empolgante era — uma era em que eles podem participar da produção e agregar valor a sistemas econômicos de grande escala através de maneiras antes impossíveis. Para as grandes empresas, os sete modelos de colaboração em massa proporcionam uma miríade de maneiras para explorar o conhecimento, os recursos e o talento externo no intuito de aumentar a competitividade e o crescimento. Para a sociedade como um todo, podemos utilizar a explosão do conhecimento, da colaboração e da inovação empresarial para termos uma vida mais rica e plena e estimular o crescimento econômico para todos.” (pág. 46)
“Sempre que uma mudança dessas ocorre, acontece o realinhamento de vantagens competitivas e de novas medidas de sucesso e valor […]. Temos de colaborar ou sucumbir — através de fronteiras, culturas, disciplinas e empresas, e cada vez mais com grande quantidade de pessoas de uma vez.” (pág. 46)















