Esperança.
Durante a noite não sentia nada além da raiva, que sentimento idiota, não é? Afinal fui eu que me coloquei nessa posição, eu estava pedindo, não deveria esperar outro resultado...certo? Mas eu esperava sim, ah se esperava... O coração, como eu, é ingênuo e está cheio dela, não hesita em criar fantasias utópicas e até distopias românticas, "vai dar tudo certo", ele diz, "ela nunca vai nos decepcionar".
Aquela madrugada demonstrou o contrário, ela me destruiu. No mundo real meu corpo suava e esfriava, nos meus sonhos as entranhas estavam ao chão enquanto eu revivia cada momento em que ela me rasgava e expunha todos meus medos e incertezas, não foi culpa dela, foi minha.
No dia seguinte acordo mais uma vez, como tantas outras, desejando que os acontecimentos fossem apenas um pesadelo, porém dessa vez não foram... A cabeça acelerou assim que voltei aos sentidos, imaginando mil cenários, mil traições, eu já não conseguiria mais dormir, seria impossível.
Saltei da cama ligando a música no máximo, quem sabe isso não me faria parar de pensar sobre como ela pode me enganar desse jeito, mas não funcionou, então dediquei o restante do meu dia a me esconder em plena vista, correndo de um lado para o outro me ocupando com o que dava, política, família, amigos, tudo.
Mas ainda assim a lembrança da traição dela me alcançou.
"Não foi ela", um grande amigo me disse... e tenho que concordar, somos nós que empoderamos tudo que nos influencia, as pessoas, os sentimentos e até os vícios. Não posso te culpar, fui eu que acreditei em você, fui eu que não desisti e também fui eu que decidi a buscar naquela noite em que me sentia tão vazio.
Não se confunda, caro leitor, eu a amo, essa é a sua natureza, inconsequente e liberta, características que já eram dela quando me aproximei e que ainda serão agora que me afasto. Eu decido hoje que ela é alguém em que devo aprender a não confiar cegamente... pois ela conhece a sua visão do mundo, mas desconhece a dos outros.
Esperança, eu te perdoo.









