🌿 ⸻ 𝐇𝐀𝐋𝐅 𝐂𝐇𝐈𝐋𝐃, 𝐇𝐀𝐋𝐅 𝐀𝐍𝐂𝐈𝐄𝐍𝐓 … uma prole de CHALCHIUHTLICUE sempre indica uma boa história, ouvi dizer que essa aqui tem sentimentos POSITIVOS em relação ao ATZLANTI que lhe nomeou como IZTACOYOTL. Já é um milagre que CAIO FIGUEIREDO tenha chegado aos 38 anos, talvez os monstros de OCEANO PACÍFICO não sejam tão agressivos. Em Nexum, onde vive há 26 ANOS atua como PESCADOR / EXPLORADOR / PRIMEIRO-TENENTE DA MARINHA. Combina com sua reputação de ser OBSERVADOR, CARISMÁTICO e CURIOSO, embora possa ser TRAPACEIRO, EGOÍSTA e NÃO CONFIÁVEL em seus piores dias. Sabe uma coisa interessante? Ouvi dizer que ele tem muito medo de SE APEGAR.
CORPO
Estilo: Cabelo médio, quase sempre bagunçado e mal cuidado, ao contrário da barba num formato de goatee bastante alinhada e aparada. Roupas de tecido leve, frescas, claras. Chinelo nos pés, isso se não estiver descalço (o que é mais frequente do que deveria). Acessórios praianos comuns: colar perolado, pulseira de concha, óculos ray ban. O cheiro de mar e água salgada é tão presente quanto a areia no pé e por onde passa.
Proporção: 1,88m, olhos castanho escuro, pele bronzeada e com marca da sunga e dos acessórios. Algumas cicatrizes pelo corpo dos mais variados formatos e tamanhos.
MENTE
Bissexual
OBSERVADOR, CARISMÁTICO, CURIOSO, TRAPACEIRO, EGOÍSTA, NÃO CONFIÁVEL
Assim como o mar, a personalidade de Caio é volátil, mas sempre intensa. Você pode vê-lo frequentemente tranquilo com seu traje praiano, tomando uma bebida gelada depois de horas debaixo da água. O cabelo molhado, ressecado, duro do sal marinho. Claramente alguém que não tá nem aí pra nada. Ainda alguém egoísta e que sempre, sempre, vai colocar os próprios interesses a frente de qualquer outro. É o que se espera de um pirata. Cresceu no mar, não existem normas humanas ou sociais, apenas as leis da água. Hospitalidade, generosidade... tudo isso foi aprendido conforme ficava na cidade, mas é fácil perceber que nada disso faz sentido. Mesmo após 26 anos, mesmo após a tentativa de criação de laços. Uma coisa que todo mundo sabe: Caio vai embora. Em algum momento ele vai embora. Laços de nó frouxo. Não vale a pena criar vínculo com alguém que não vai valorizá-lo. Você pode até se deixar enganar pelo sorriso bonito, palavras bem encaixadas e toques planejados, mas tenha cuidado. Caio cresceu na mentira, cresceu na manipulação, cresceu na sobrevivência. Abandono é seu melhor amigo, o único amigo que conhece. Chalchiuhtlicue não o nomeou como raposa atoa. Espere apenas isso: troca de interesse.
Quando se trata de suas obrigações legais, aí que a coisa complica. Chegou no cargo que chegou com um pouco de lábia, manipulação e sorte. Só que parece se preocupar mais em manter o cargo do que cumprir o que quer que ele precise fazer lá. A verdade é que só se disponibilizou a virar um oficial porque sabia da liberdade que conseguiria no cargo ocupado, e isso é visível principalmente em eventos que precisa de uma formalidade. Já compareceu em uma reunião importante entre os governantes trajado apenas por uma sunga amarela. Por isso você sabe que a situação é complicada quando o vê com o uniforme completo de oficial da marinha.
HABILIDADES
Hidrobelicismo: é capacidade de transformar em arma bélica qualquer partícula de água próxima. O tamanho e poder da arma varia da quantidade disponível. A duração da arma é de 3 ataques, precisando de um tempo para se recuperar.
"Sai do meu vaso" ou manipulação de espelhos d’água: é a capacidade de usar superfícies d’água como portais de comunicação, visão remota ou até para teletransporte. Limitações: ele precisa saber exatamente pra onde ou quem está ligando (endereço do local ou ter alguém em mente com muita clareza) e o mesmo vale de volta; o teletransporte só funciona se o diâmetro da superfície for pelo menos 50% da largura corporal dele, caso contrário pode usar apenas partes do corpo.
Nado divino: consegue respirar e nadar em qualquer corpo d’água como se fosse um rio calmo.
Centro de Nexum - início do dia e muito antes dos ataques
@shockinglyniamh
Como de praxe, Caio passou a última noite todinha pescando, juntando os mais variados tipos de peixes com os mais variados tipos de sabor e textura. O objetivo era garantir uma boa fonte de alimento pra suprir a cidade no dia que ela estava mais fraca, mantendo-a de pé. Já que ficaria exausto mesmo, que tal chutar o balde de uma vez? Também era o dia que ele mais tinha cheiro de peixe.
Então essa foi a imagem: um homem que mal conseguia manter os olhos abertos puxando atrás de si uma paleteira que carregava um container de 15 mil litros (o tamanho de uma caixa d'água) com muito peixe. Fora a exaustão que o embranhava, parecia bastante satisfeito.
_ Bom dia, bonita! Filezinho de tilápia hoje, hein? Tenho certeza de que ômega 3 não vai faltar. Vem cá e dá um cheiro pra ver se eu to fedendo. - estava. E muito.
_ Sai daqui! Sai daqui! - os olhos de Caio demonstrava dor, arrependimento, raiva. Não era medo. Não dava pra ter medo quando se olhava de cima de um iate com uma lança bem afiada presa entre os dedos. - Você não é quem diz ser. - Já tinha sido consumido pela névoa, era evidente. Não via a realidade ou não confiava mais. Não tinha como suspeitar além do fato de que aquele homem precisava de ajuda. - Sai daqui antes que eu acerte no meio da sua fuça! - Berrou uma última vez.
Depois de todo o caos ter passado e a própria Odessa sofrer com suas próprias visões e fantasmas, alguns pareciam mais afetados que outros. Pra ser sincera, ela estava exausta tanto fisicamente quanto mentalmente, mas diria que o cansaço físico facilmente vencia só pelo fato de que precisou usar seus poderes e demandou uma quantidade razoável de sangue para sobreviver e conjurar bons feitiços. Estava passando pelo local quando ouviu a gritaria de Caio com uma outra pessoa, surpresa com a reação de ambos os lados. ❝ Ei! Sem violência por aqui. ❞ Tentou apaziguar a situação e até erguer os braços em rendição conforme se aproximava. ❝ Talvez não seja mesmo quem diz ser, mas vamos nos acalmar. ❞ Fez a mesma abordagem novamente, olhando ao redor caso precisasse se defender de alguma forma, estudando o local. ❝ Pode me explicar o que está vendo? Ou viu? E quem sabe abaixar a lança... ❞
Caio rosnou. Literalmente. No momento em que viu Odessa, só faltou latir. Agora segurava a lança com ambas as mãos, alternando o alvo entre a loira e a pessoa ao seu lado. - Como eu sei que posso confiar em você também? - A névoa já tinha passado há algum tempo, não tinha como ele estar alucinando. Ainda apontava a arma como se fosse a criatura mais cruel que via. De longe era possível ver o quão machucado Caio estava. Parecia uma múmia de tantas faixas que cobriam o seu corpo. - Como eu sei que você é a verdadeira?
Chegou na cafeteria com uma criança no colo enquanto seu estado parecia muito pior. Seu corpo inteiro estava em um misto de molhado e queimado, roupa rasgada e chamuscada, várias feridas bem visíveis, cortes que ainda sangravam e muito, cabelo pingando água, uma trilha de pegadas de lama, uma única havaiana no pé. Enquanto isso, no máximo, a criança tinha feridas superficiais, poucas evidências de fogo pelas roupas e uma das pernas quebradas. Todo o seu comportamento, gesto, atitude demonstrava que ele tinha ido em busca unicamente de Momoiro, que confiava exclusivamente nela... até encarar os ursinho tomar vida. Foi imediato como os olhos de Caio se arregalaram ao notar que ele seria o próximo a engolir ursos vivos. Virou o corpo imediatamente para fugir do local, mas alguém bem sensato impediu o seu caminho. - Saia da minha frente! Eu não vou lidar com aquilo, eu... saia da minha frente! Isso é uma ordem do seu general! - Ele não era general. Mesmo se fosse, ele não tinha poder nenhum sobre outros civis. Mesmo se tivesse, sua barreira não parecia ter a menor intenção de fazê-lo. Ao notar isso, virou o corpo novamente e encarou a médica. - Tem injeção na testa?
𓂅 ⋯ ⠀› Caio era... Único, para não se dizer outra coisa. Na visão de Momoiro, era como um pequeno animal travesso, que às vezes poderia causar um pouco de caos, mas sempre com bom coração. Quem sabe uma raposa? Não... Um guaxinim. Sim, definitivamente. Se limitou a revirar os olhos de forma terna ao se aproximar do rapaz, estendendo a mão para afagar seu rosto. ❛ Vai ficar tudo bem. Confia em mim, não? E não precisa se preocupar. Os ursinhos não são obrigatórios. ❜ Pontuou, dando um pequeno peteleco na testa dele antes de se afastar. Recolheu um dos ursos sobressalentes e o jogou na própria boca, meneando a cabeça em análise. ❛ Glicose um pouco baixa, mas nada demais. Está tudo certo com nosso amigo aqui, e comigo também. Ele apenas precisa de repouso. Agora, quanto à você... ❜ Dirigiu o olhar para Caio. Era cômico que ele confiasse tanto em Momoiro, pois ela nem médica era. Apenas fazia doces que, quando estava de bom humor, possuíam capacidades restaurativas diversas. No entanto, não iria desperdiçar a confiança de alguém.
Quando se dedicou a examinar mais à fundo o estado de Caio, entendeu que talvez não conseguisse tratá-lo completamente com seus doces. Eles apenas conseguiam reverter uma parte do dano, e não todo. ❛ Está bem machucado, querido. Posso fazer alguns curativos, mas não consigo tratar de danos internos maiores, ou de algum corte perigoso, caso haja. Não está sentindo dor? ❜ Franziu o cenho, preocupada. Pousou uma das mãos na testa dele em busca de sentir sua temperatura corporal, a manga longa do quimono azulado cobrindo o rosto do rapaz em um farfalhar de tecidos. ❛ Kuroi, traga um muffin para a okasan. De mirtilo, isso. Bom garoto, obrigada! ❜ Sorriu, bagunçando os cabelos da criança ao ter o bolinho em mãos. Estendeu-o à Caio. ❛ Esse doce aqui não se mexe, então já é um avanço, certo? Vai te ajudar com a dor, tem efeitos analgésicos, mas sem fazer mal aos rins ou ao fígado. Enquanto isso, vou fazendo os curativos. Algum lugar que doa mais? ❜
A respiração de Caio permanecia acelerada, os olhos bem abertos e atentos. Seu corpo ainda estava rígido, mas apesar disso, não resistiu a uma careta solidária quando a assistiu devorar o ursinho. Era apenas um aglomerado de glicose - Ele tinha esposa e filhos... - Chacoalhou a cabeça para afastar esses pensamentos, voltando a focar unicamente nos movimentos de Momoiro e... rapaz, era até difícil não olhar. Não sabia se estava hipnotizado ou buscando uma âncora para não desabar, mas tudo o que ela fazia prendia a sua atenção.
Obrigado. - falou quase inaudível, pela primeira vez desviando o olhar da mais nova. A adrenalina toda indo embora no momento em que mordeu o doce. Talvez não devesse tê-lo feito, porque foi aí que seu corpo começou a dar os sinais de que não estava bem (menosprezando completamente todos os outros sinais como a roupa rasgada e os ferimentos bem aparentes). - Aonde dói? - aos poucos sua mente se dava conta de onde estava, mas aparentemente o corpo já tinha relaxado, porque a dor que sentia não era nem um pouco conveniente.
Começou a se despir. Tinha ferimentos de leves à graves por todo o corpo. Doía pra erguer os braços, doía pra se mexer, doía pra ficar em pé. Desequilibrou e apoiou na parede, mas tentou disfarçar. E notando que não conseguiria tirar a camisa da maneira convencional, enfiou os dedos em um dos rasgos e terminou o que já tava ruim mesmo. - Mais fácil eu te dizer onde não dói.
_MENTIRA! VOCÊ NÃO É ELA! - berrou novamente e apontou a lança. Não era a melhor posição pra um arremesso, mas era muito boa pra intimidação. Deu alguns passos pra frente e desceu do telhado do iate, se mantendo no segundo andar. - Você fala como ela, você parece com ela. É, talvez umas porradas seja o que você precisa. - Largou o arpão, correu pro outro lado da embarcação e mergulhou direto na água.
Definitivamente, era como bater palma para maluco. Ela sabia que outrem estava reagindo daquela forma pela névoa, sabia; mas isso não significava que detinha paciência para lidar. Harper respirou fundo e se afastou dois passos, pensando que ele não retrocederia e isso era um perigo para ambos. Na tentativa de acalmá-lo ou trazê-lo para mais perto da razão, o incentivou. ، E é? Questionou rindo. Pensou que poderia usar de seus poderes, talvez o tocar com um pouco de terror ajudaria, mas queria saber até onde ele iria. ، Não foge não! O provocou.
Não podia ser ela ali. A névoa tinha pego o rapaz com tudo. Não sabia mais quantas vezes a tinha enfrentado. A primeira vez foi com Saffron: o rosto de sua mãe já causava pesadelos naturalmente há mais de 20 anos, mas vê-lo acordado era pior ainda. A segunda vez estava na floresta: sozinho, nunca deveria sair de perto da água. Só conseguiu se livrar das ilusões quando uma criança o salvou. O rapaz até poderia ser forte fisicamente, mas sua mente era fraca demais. Depois dos doces de Momoiro, voltar pro barco foi fácil, mas como confiar novamente?
Nadou até uma abertura no casco do iate, de lá pularam duas manetes alavancas. Do telhado do barco surge uma espécie de mangueira enorme que aponta direto pra loira. Ela treme, treme mais um pouco, treme muito até arremessar um enorme jato d'agua atrás de Harper. O líquido sequer tocou a mais nova, mas no local surge uma poça grande de onde Caio surge e dá um chute forte nas costas alheias. - Não dessa vez. - Agora mais perto era possível ver o quão machucado ele estava.
"Sai do meu vaso" ou manipulação de espelhos d’água: é a capacidade de usar superfícies d’água como portais de comunicação, visão remota ou até para teletransporte. Limitações: ele precisa saber exatamente pra onde ou quem está ligando (endereço do local ou ter alguém em mente com muita clareza) e o mesmo vale de volta; o teletransporte só funciona se o diâmetro da superfície for pelo menos 50% da largura corporal dele, caso contrário pode usar apenas partes do corpo.
𓂅 ⋯ ⠀› Com seu fiel escudeiro Kuroi atrás de si, carregando uma cesta de doces para que a mãe os enfeitiçasse quando necessário, Momoiro agora auxiliava os feridos que haviam procurado sua cafeteria. Os mais graves eram prontamente enviados para o hospital ou para algum outro local que pudesse melhor tratar de suas mazelas, enquanto outros ela assumia a missão de curar respeitosamente. ❛ Feche os olhos, querido. Não quero que veja o próximo. ❜ Indicou à Kuroi, e o garoto prontamente fechou os olhos com força. Um osso quebrado era informação demais para o pequeno. Momo tratou de corrigir a posição do braço aleatório o mais rápido possível, e em seguida olhou para a companhia ao lado. ❛ Onde que você o encontrou? Parece que uma empilhadeira passou por cima... ❜ Comentou, com as sobrancelhas franzidas em preocupação. Buscou a cestinha de doces que Kuroi segurava, revirando o conteúdo antes de encontrar um potinho com ursinhos de gelatina. Diante do toque da semideusa, eles ganharam vida, e ela indicou que a pessoa machucada abrisse a boca antes de guiar alguns dos ursinhos para sua garganta. ❛ Não olhe assim... Eles estão se sacrificando para descobrir se nossa amizade aqui não tem nenhum dano interno. Isso é perfeitamente normal. ❜ Disse, sem tirar os olhos de seu trabalho.
Kuroi é filho dela, um garoto asiático de cerca de 4 anos. Seu personagem pode ser a pessoa ferida, a pessoa que a levou até ali, ou até mesmo outra pessoa sem nenhuma ligação com essa cena específica.
Chegou na cafeteria com uma criança no colo enquanto seu estado parecia muito pior. Seu corpo inteiro estava em um misto de molhado e queimado, roupa rasgada e chamuscada, várias feridas bem visíveis, cortes que ainda sangravam e muito, cabelo pingando água, uma trilha de pegadas de lama, uma única havaiana no pé. Enquanto isso, no máximo, a criança tinha feridas superficiais, poucas evidências de fogo pelas roupas e uma das pernas quebradas. Todo o seu comportamento, gesto, atitude demonstrava que ele tinha ido em busca unicamente de Momoiro, que confiava exclusivamente nela... até encarar os ursinho tomar vida. Foi imediato como os olhos de Caio se arregalaram ao notar que ele seria o próximo a engolir ursos vivos. Virou o corpo imediatamente para fugir do local, mas alguém bem sensato impediu o seu caminho. - Saia da minha frente! Eu não vou lidar com aquilo, eu... saia da minha frente! Isso é uma ordem do seu general! - Ele não era general. Mesmo se fosse, ele não tinha poder nenhum sobre outros civis. Mesmo se tivesse, sua barreira não parecia ter a menor intenção de fazê-lo. Ao notar isso, virou o corpo novamente e encarou a médica. - Tem injeção na testa?
@moonagekiss - centro da cidade - início dos ataques
Prompt A1+A2
Tentava vender seu peixe quando os ataques começaram. Não, literalmente. Estava no The Huff tentando trocar os peixes que pescara naquela manhã por alguns bons copos de cerveja, mas parece que algumas sardinhas no máximo dariam pra uma água de coco bem gelada. Ainda tentava usar seu charme contra a atendente. Costumava funcionar. Caio sabia que era bonito e às vezes usava isso ao seu favor, mas sua fama de boêmio era grande demais pra maioria dos comerciantes de Nexum.
Estava quase conseguindo quando as sirenes tocaram, os gritos ressoaram e a pose malandra do pirata se tornou carapaça do militar, tão convincente que os trajes praianos não pareciam tão deslocados assim. Correu para a porta do bar e parou ao lado de Saffron com o arpão já em mãos. - Por favor, me diz que isso é só um trote com o novato da fronteira. Ele era sua responsabilidade esse mês. - apesar do sarcasmo (padrão do marinheiro), era evidente que ele não estava ali pra brincar.
Não havia muita disposição em seu cerne, não depois de ter enfrentado demônios, alguns que possuíam rostos conhecidos, outros que aprendeu a reconhecer após o momento. Harper estava cansada, mais do que isso, irritada em como as coisas costumavam acontecer; pensava se aquela, deveria ser uma punição exclusiva a si, como uma resposta de quem estava acima das nuvens diante da sua postura. Contudo, havia ainda um resquício de tentativa quando diante de Caio. ، Qual é, sou eu, Haz. Ela dissera na tentativa de tirá-lo do que parecia ser uma alucinação. ، Não quero atacá-lo, mas se continuar me ameaçando, talvez uma porrada nessa sua cabeça dura, te traga de volta. Todos fomos afetados pela névoa, você precisa resistir a ela.
_MENTIRA! VOCÊ NÃO É ELA! - berrou novamente e apontou a lança. Não era a melhor posição pra um arremesso, mas era muito boa pra intimidação. Deu alguns passos pra frente e desceu do telhado do iate, se mantendo no segundo andar. - Você fala como ela, você parece com ela. É, talvez umas porradas seja o que você precisa. - Largou o arpão, correu pro outro lado da embarcação e mergulhou direto na água.
_ Sai daqui! Sai daqui! - os olhos de Caio demonstrava dor, arrependimento, raiva. Não era medo. Não dava pra ter medo quando se olhava de cima de um iate com uma lança bem afiada presa entre os dedos. - Você não é quem diz ser. - Já tinha sido consumido pela névoa, era evidente. Não via a realidade ou não confiava mais. Não tinha como suspeitar além do fato de que aquele homem precisava de ajuda. - Sai daqui antes que eu acerte no meio da sua fuça! - Berrou uma última vez.
a cidade ainda parecia sustentar o eco dos gritos. por mais que o céu estivesse limpo outra vez, havia algo no ar — uma pausa errada, um silêncio que não pertencia. a criança abençoada caminhava devagar, as mãos escondidas nas mangas longas do moletom, os olhos semicerrados contra o brilho súbito do sol, como se a luz lhe ferisse mais do que a escuridão de minutos atrás. o sangue dos mortos havia sumido, mas não o cheiro. não o peso nos ombros. não o cansaço entranhado nas articulações. ele vira a névoa engolir um novato em frente à fortaleza dos ancestrais. vira um rosto sorridente de criança retorcer em uma boca cheia de dentes. e vira a si mesmo — algo que não queria mais ver.
só por isso, quando avistou a silhueta conhecida, sentada num banco maltratado à beira da praça ainda parcialmente evacuada, ele foi. os passos não foram urgentes, mas foram necessários. alguma parte dele, escondida entre os batimentos e as cicatrizes, sabia que precisava ver alguém real — ei. sua voz veio baixa, quase brisa; mas era ele. inteiro, ou ao menos o suficiente. sentou-se ao lado da figura, sem pedir. os olhos escuros se voltaram para o horizonte, como se as árvores do limiar ainda escondessem alguma resposta que escapara — você também viu coisa errada demais? não era uma pergunta que precisava de sim. era só uma forma de dizer: eu sei e tô aqui. passou a mão pelo próprio rosto, como se ainda tentasse apagar alguma lembrança. não falou mais. às vezes, só o silêncio partilhado já bastava para manter as sombras do lado de fora. e donghae sabia esperar.
O corpo de Caio estava duro. O corpo, pois a alma não parecia presente. Seu peito subia e descia sutilmente, mas com dificuldade. Parecia fazer força pra respirar. A mesma força que seus dedos faziam contra o banco de madeira que se rendia fácil pela podridão assolada. Seus olhos não encaravam nada, mas pareciam ver tudo. Caio foi atingido, brutalmente atingido. - Já acabou? Me diz que já acabou. - suplicou.
Alguns dizem que a pirataria nos cinemas nunca existiu, outros que aquilo é maios romantizado do que parece, mas a maioria concorda que os ladrões dos mares não existem mais. Isso porque é muito difícil acreditar em um mundo que passa dos seus limites confortáveis.
Caio tinha 7 anos quando sua irmã nasceu. Naquela época ele ainda não se reconhecia por esse nome, mas já era uma figura carimbada em cruzeiros. Sua família era um dos grupos de ladrões dos mares entre os 27 mais temidos (não, eles não eram grandes coisas, mas tinham seu histórico). Costumava fazer o papel da criança perdida pra facilitar as emboscadas e na maioria das vezes dava certo.
Passaram 2 anos e Caio descobriu que ele não se reconhecia tanto assim como uma menina, expôs isso para os pais e... Bem, você deve esperar que um grupo de piratas seria a coisa mais receptiva do mundo. Negativo. Caio parou de ser convidado pras emboscadas, seu papel foi substituído pela irmã e ele ficava sozinho no barco apenas servindo de cobertura.
Um dia os tripulantes decidiram atracar e deixaram o rapaz no barco sozinho com a mais nova. O barco foi atacado por outro grupo de piratas que sequestraram a criança, destruíram o que deu da embarcação e largaram o menino amarrado a proa. Ele lutou, fez o que pôde e o que sabia. Conseguiu até mesmo atirar em dois os três bandidos, mas nada além pra uma criança de 9 anos. Caio foi integralmente culpabilizado por tudo e abandonado (literalmente arremessado) no cais a própria mercê.
Ainda conseguiu se virar pela cidade por uns poucos meses, mas no momento em que viu uma lancha dando sopa, não hesitou nem um pouco em meter o pé dali. Seu único objetivo era encontrar a sua irmã e provar a inocência. Caio lutou bravamente por anos, navegou por mares hostis até finalmente atravessar a membrana e descobrir o que de fato aquela hostilidade significava.
Amedrontado, apavorado e quase devorado por uma sirena muito da bonita, se escondeu dentro da lancha e rezou. Nunca tinha rezado antes, nunca tinha realmente acreditado na existência daqueles seres que seus pais pareciam vangloriar. Mas naquela manhã era tudo o que ele conseguia fazer.
A deusa surgiu quase imediatamente. Uma linda mulher de pele dourada, linhas no rosto, uma coroa alta e uma longa saia verde-jade - a personificação do maximalismo. O adotou como seu filho e acompanhou até que se acostumasse com seus poderes, mas assim como seus pais biológicos, o deixou sem qualquer cerimônia.
Caio continuou a navegar por aí. Aprendeu na marra a usar suas habilidades. Mas ele ainda tinha 10 anos, ainda precisava de algo mais do que um instinto de sobrevivência, precisava mais do que a força de vontade pra encontrar a irmã. Foi assim que chegou em Nexum. Atracou na praia como se fosse uma qualquer até descobrir que o lugar era mais do que qualquer porto pronto pra ele surrupiar.
Sua relação com Nexum foi conturbada nos primeiros 2 anos. Seu senso de pertencimento, principalmente em terra firma, era mínimo. Mesmo que tentasse, não parecia que foi feito pra estar ali, não parecia que o lugar o queria. Fugiu diversas vezes, mas de uma forma ou de outra Nexum dava um jeito de trazê-lo de volta. Ou ele mesmo dava um jeito de retornar, não tem como saber.
Virou figura conhecida no cais, eventualmente ajudando a cidade com um ou outro problema de invasão ou até mesmo comércio, por que não? Aos poucos foi ficando, e aos 12 retornou de vez. Se enturmou, criou alianças, descobriu segredos, ficou tão envolvido com a cidade que conseguiu destaque entre os marinheiros. Era audacioso o suficiente pra dizer a verdade, dizer o que queria, fazer o que bem entendia. Subiu de patente pouco a pouco e, por mérito (e muita cara de pau), conseguiu o posto de Primeiro-Tenente da marinha de Nexum.
. Seu iate é também o seu item "mágico". Não é exatamente mágico, mas definitivamente é seu item mais importante. Contém uma série de modificações balísticas feitas durante os anos como arpões, balistas, canhões e jatos d'água. Também guarda uma pequena figueira que foi sua fonte de alimento por algum tempo após a chegada Chalchiuhtlicue.
. Além de moradia, também é seu mirante particular. Sempre atento ao surgimento de novas ameaças, movimentações suspeitas pelo mar.
. Natasha é repleta de bacias e potes de água. A decoração interna é simples com cores básicas, alguns livros espalhados, frutas das mais diversas e um grande quadro com suas medalhas recebidas em sua trajetória pela marinha.
. Caio está frequentemente fazendo reformas no iate. Então se você não for capaz de vê-lo sobre a embarcação, pode ter certeza de que ele estará lá em baixo.