𓍢 the WHEEL OF FORTUNE broke ( SHIT ! ). it left me swimming in nothing — i'm nothing.
nome: zolani "zola" nkosi / okoye. idade: vinte e cinco anos. sexualidade: bissexual. graduação: artes plásticas como bolsista. skeleton: roda da fortuna. país de origem: luanda, áfrica. altura: 1,55m. extracurriculares: ateliê de pintura e história da arte. esportes: boxe e natação.
bow down bitches.
Zola não é uma pessoa ruim. Ter tudo em mãos, mesmo quando não pedia por, fez com que se transformasse, com que sua realidade girasse em torno do que era fácil. Nunca precisou implorar, nunca soube o que é passar dificuldade e com o tempo, passou a não se importar com o que não fosse seu. É egoísta, sempre se colocou em primeiro lugar; veja, não que não seja empática, apenas se limita a não transparecer demais. Com a mudança de realidade, era de se esperar que mudasse, mas não mudou; odeia sua realidade, e com isso, acaba sendo soberba. Mesmo que sem poder gastar muito, continua se esforçando em mostrar o que não tem, a andar com pessoas que a lembrem de sua realidade outrora. Mas veja, isso não faz dela uma esnobe — tem até amigos que são pobres. Só tem o senso de justiça e de certo ou errado bagunçados; costuma julgar primeiro para que não seja julgada. Costuma ser muito explosiva, sabe que não deveria, que deveria abaixar a cabeça e fingir não ouvir, mas já perdeu a conta de quantas brigas entrou, de quantas já comprou só por um pouco de diversão ou emoção. É terrível dizer isso, mas ela está disposta a tudo pra um pouco de status, de bajulação, mesmo que transpareça falsidade, mesmo que seja supérfluo.
this is my shit.
Estar sobrevoando carcaças poderia ser só um simbolismo, se não estivéssemos falando dos Okoye. Sempre estiveram envolvido com a política, da maneira mais suja e sórdida possível. Nunca aprenderam sobre humildade, dificuldade; a vida era boa demais para isso, quando construíam império sobre rostos com nomes alterados, assinaturas em papeis em branco. Fora assim que Kofi conquistou um mar de fortuna, uma roda que para ele, girava de um único lado; assumiu lugares no senado, logo se tornou ministro e quando presidente, bom, não havia ninguém que pudesse pará-lo. Até que a roda estagnou e passou a girar para o lado oposto, um que começou a feder, conforme seus feitos eram revelados. Suborno, sonegação de impostos, falsificações de obra de arte, tudo o que podia se imaginar corria por entre seus ternos e relógios caros. Até ali, Zola tinha compreensão apenas do lado bom da vida — um que a permitia dormir em travesseiros caros, joias; que a permitia ainda, abrir mão da consciência. Se alguém tivesse que sofrer, que não fosse ela, é claro. Mas quando tudo ruiu, se viu perdida. Sentiu a perda da mãe em anos, Dandara havia morrido quando ela tinha apenas seis anos, mas os presentes, as babás, haviam suprido a necessidade de afeto. Quando o pai fora preso, percebeu que não tinha ninguém que fosse lutar por ela; tentou fugir naquela noite, com uma mochila recheada de dinheiro, tentou escapar pela janela, acredita? Fora pega, óbvio. O desespero fazia isso com as pessoas. Não diga nada, o advogado a dissera, orientou enquanto a casa era revirada, as obras de artes lacradas, seus pertences reduzidos a nada. Não tinha nada, não era nada. A vergonha que recaiu sobre ela, não era sobre o pai ser um ladrão, sobre as pessoas que ele tinha enganado. A vergonha, a verdadeira, falava muito sobre seu status; sobre aquela máscara que tinha sustentado por tantos anos e que agora, precisava ser desfeita. Deixou os amigos para trás, se desfez do que pôde, não tinha mais o que ser ostentado. A mudança, no entanto, e vale se reforçar, é para proteger a si. Com os poucos contatos que tinha, que ainda se mantiveram de pé, Kofi conseguiu uma vaga para ela, em um lugar que poderia ser um recomeço ou uma casa de campo, se pensasse que logo seu pai teria liberdade e poderiam voltar à impunidade. Sim, ela acredita nisso; acredita que o pai fez o que fez, para sobreviver, para seguir sobrevoando carcaças. E ela, bem, vai ter que aprender um pouco com ele, sobre se refazer, moldar-se até que tudo volte ao normal. Se voltar.














