—– Eu até acredito quando vem de você. —– Além de acreditar nas palavras do melhor amigo barra namorado, Frank não era o tipo de pessoa que se diminuía para os outros o enaltecerem e paparicarem. Se ele estava assim, era porque realmente se sentia um verdadeiro bosta. Ele tinha medo do que estava acontecendo com seu corpo, principalmente do que poderia fazer caso virasse aquele monstro. Sua vida não seria mais a mesma… Teria que tomar remédios, ficar longe das pessoas que amava durante noites de Lua Cheia, esconder quem era realmente e ainda correr o risco de ferir um inocente. Nunca pensou que pudesse se tornar um monstro daquele… Para falar a verdade, Frank acreditava na existência dos lobisomens, mas aquilo era tão distante da realidade dos bruxos que ele até mesmo duvidava que os “monstros” ainda ousavam caminhar pela floresta. Estava errado e descobriu isso da pior forma. —– Se eu virar um monstro, você diz. —– O tom “bem-humorado” na sua voz trazia um peso imenso de ironia, assim como a risada que escapou de seus lábios. Ele estava com medo e não conseguia ser corajoso de forma alguma. Não tinha o que fazer, pensava.
—– Eu sei que você não ta preso, Jay, mas… —– Respirou fundo, não sabendo exatamente como ter aquela conversa com ele. A verdade era que não queria pisar fora daquele dormitório. Não se sentiria bem encarando as outras pessoas, conversando e sentindo a luz do sol no seu corpo depois de tanto tempo “hibernando”. Externamente e internamente ele estava parecendo um verdadeiro doente; drogado. —– Sua família esta na’Toca se divertindo, passando momentos legais que você considera mais do que qualquer pessoa que eu conheço. Não estou dizendo que sou menos importante do que eles, mas eu vou ficar bem se você quiser ir. Eu juro. —– Não queria que ele fosse, mas estaria sendo injusto se pedisse para ficar. Um sorrisinho fraco apareceu em seus lábios ao ouvir o que ele tinha dito, empurrando vagarosamente o ombro do namorado. —– Mano, você é um idiota inacreditável. Como consegue ser assim? —– Não conseguia lidar com o Potter. Ele era sempre tão atencioso e queria seu bem a qualquer custo. —– I don’t know, Jay… Você sabe o que dizem sobre licantropia… É como o câncer do mundo bruxo. Podemos procurar naqueles livros antigos, talvez tenha alguma coisa.
Seu rosto se contorceu em uma careta amarga ao escutar Frank se intitulando como um monstro. Sabia que a licantropia poderia ser cruel em muitas vezes, mas acreditava que não era esse o motivo que criava a monstruosidade dentro das pessoas. Até porque, como ele sempre acreditava, as pessoas não precisavam ter uma característica diferente - serem bruxos, lobisomens ou qualquer coisa - para serem monstros. Na visão do Potter, ‘monstros’ eram aqueles que matavam sem dó, que destruíam as vidas de outros sem a menor explicação, coisas do tipo. Frank não seria assim, ele tinha certeza. Mesmo que precisasse dar tudo de si para que aquilo desse certo, ele faria. Mostraria ao melhor amigo que mesmo com dificuldades e mesmo em uma realidade completamente diferente da que eles estavam acostumados, tudo ficaria bem. Parecia um pensamento otimista demais, ele tinha consciência, mas também era teimoso o bastante para fazer com que as coisas se encaixassem.
—– Eu não quero. —– ele confirmou, a voz firme porém com um tom suave, quase que doce. Ele estava certo de sua decisão. —– Aposto que eles já estão até cansados de mim. E Rose vai estar lá, e eu não tenho a melhor relação do mundo com ela, então... prefiro evitar todo esse drama e ficar aqui com você. —– James se sentiria péssimo se fosse para a casa dos avós sem Frank, ainda mais sabendo do estado dele naquele momento. Além disso, uma pontada de medo o incomodava quando pensava em deixá-lo sozinho. Sabia que ele não tentaria nada idiota, mas não era algo de que poderia ter certeza absoluta.
Ficou mais feliz ao ver que conseguira, ao menos, arrancar um sorriso do moreno. Ainda sim, eles tinham muito trabalho a fazer, e James sentia que haviam outras possibilidades. Era 2025, a ciência bruxa já estava mais avançada. Por que não procurar, então? —– Ótima ideia —– ele disse, avançando a passos largos até a pequena estante presente no quarto, que estava cheia de porcarias - alguns pedaços de papel de seda, pequenos lixos, balas e, surpreendentemente, livros. Apenas poucas pessoas sabiam que James, na realidade, gostava de ler, e Frank era obviamente uma delas. O Potter pegou o livro ‘Criaturas e Fenômenos do mundo bruxo’ e sentou-se na cama, puxando rapidamente seus óculos de leitura. Chamou o namorado para se juntar à ele e, sem muita paciência, virou as páginas procurando alguma informação. Não achava nada de muito útil, até encontrar uma seção inesperada: Bruxas de Salem. —– Espera, o que é isso? —– o menino questionou, aproximando-se para ler o texto ali presente.