Posterior ao momento, o Dashwood lembraria com uma amálgama de algoz e júbilo de toda a interação; e as suas consequências, porque aparentemente nada de forma gratuita. Quando se tratava de Jason Morgernstern, não havia um ponto final; a closure, que simbolizaria o costumeiro final, libertando-os então de um relacionamento permeado com muitas incógnitas; não, assim era demasiado fácil. Pois cada encontro, cada toque, cada troca de olhar entre o moreno e o loiro apenas atiçava ainda mais a flâmula que permeava a relação; por mais que ele ousasse apagar, abafar, dar fim a qualquer comburente que alimentasse aquela reação para não machucar-se ainda mais - não era sempre que Seth admitia que fora machucado pela suposta traição do ex-namorado -, eventualmente eles se atraíam como se nada ocorreu. Dentre todas as oportunidades de abrigo que as leis da probabilidade poderiam prever; era àquela com a presença de Jason que cairia.
Entretanto, enquanto ainda estava imerso naquela situação, em uma clara invasão de propriedade em busca de abrigo, com Jason em sua frente e uma súbita incapacidade de proferir qualquer espécie semântica, era inconcebível não desejar ali permanecer. Por um momento, temeu que ficariam ambos, estáticos e com semblantes gêmeos de entorpecimento; alheios ao exterior. Seria constrangedor caso Abel ou quem quer que Jason trouxe como companhia - ele definitivamente não queria teorizar sobre essa incerta identidade - encontrasse os dois em tal estado, assim como não queria ser o primeiro a quebrá-lo. O relacionamento dos dois possuía em seu cerne a dualidade das ações, o primeiro movimento sempre alternava e fora Seth que, na última vez, agira por o impulso incaracterístico; e como recompensa recebera a viela escura e álgida como companhia quando o loiro o abandonara. A interação era recente demais e Seth misericordioso de menos para ceder a tal ponto.
Foi Jason, então, que tomara a temida iniciativa, movimentando-se primeiro e cortando a tensão palpável que praticamente afetava-o fisicamente. Recostou sua mão contra a de Seth ainda levantada, onde jazia há pouco a lâmina com qual o ameaçara, mas fora desarmada por seu sobressalto. A palma envolveu seu punho, ínfimo, efêmero, mas que de qualquer modo era o suficiente para o Dashwood. Palavras jorraram dos lábios do Morgernstern, com tamanha calidez que, por um imperceptível momento, ele foi transportado para momentos mais serenos um ou dois anos atrás. Para Seth, era incomum que fosse tão completamente dominado por suas emoções, todavia, era incapaz de negar seu estado e tampouco lutar contra. Poderia julgar-se incompetente depois, por ter ceder tão facilmente à influência do outro rapaz. Em seu âmago, quando afastado da presença entorpecente do Morgenstern, era infinitamente mais espontâneo sentir nada mais que rancor por aquela mancha em seu passado. Depois da última desavença que finalizou o relacionamento dos dois - ou assim deveria ter feito - Jason era o gerador dos olhares de fúria, o Dashwood provocava, ele tinha plena consciência disso uma vez que eram atos planejados e que lhe traziam um amargo júbilo ao findar. Porém, em sua visão, ele deveria ser aquele mais colérico; ele, fora o traído. Queimava a vontade de exigir seu direito ao ódio se ao menos o orgulho permitisse.
Ele queria fechar suas pálpebras, sucumbir a incapacidade de aproveitar de Jason com mais de um sentido, apenas o resquício do orgulho forçando-o a permanecer encarando-o, reagindo a cada mínimo movimento do outro, cada vulnerabilidade que ele sabia que estava sendo concedida e não apenas algo natural. O ato apenas foi consumado quando sentiu a mão dele pousar em sua face, sem significante pressão, se seus nervos não estivessem tão sensíveis àquela figura, poderia passar sem qualquer importância. Outra mão seguiu o movimento, porém Seth desviou o rosto ligeiramente na direção contrária, quase como rejeitando o toque alheio. Possuía praticamente uma luta de egos dentro de si, estava ali, com perguntas preocupadas que ele ansiava responder, deteriorado com uma pessoa por quem sempre sentiria algo. Por mais que a memória da traição ardilosamente continuasse a ser evocada, era tão mais desejável ceder. maybe he was doomed anyway.
Não esperou pela rejeição que viria como consequência do seu ato; não queria lidar com as perguntas visíveis claramente naquelas orbes de caleidoscópio que tanto sentia falta. Sequer poderia respondê-las, porque ao mesmo tempo que rejeitou seu toque, o Dashwood levou as próprias mãos ao rosto do mais baixo, com um rápido movimento trouxe a face ao encontro da sua. Entre lábios e punhos; escolhera lábios sempre que lhe convinha. and he still tasted like a sweeter and warmer past; with a promise of a brighter future together they didn’t deserve. Não foi um beijo delicado trocado com a cumplicidade de apaixonados; continha níveis firmes de desespero por parte do Dashwood, permanecia forçando-se figura do mais baixo, pressionando-se contra Jason mas sem movê-lo, por enquanto. if he pressed him against the wall there would be no return for his sanity.
Esperava lidar com o desprezo do Morgenstern quando se separassem; teorizava que talvez ele o abandonasse novamente embora isso significasse deixar um lugar seguro também. Todavia, sentia-se preparado para enfrentar a metafórica lâmina posteriormente. Quando se tornara tão masoquista, o Dashwood jamais teria certeza. Eventualmente o oxigênio faltou, separou-se, mas ficando apenas alguns centímetros afastado, suas respirações alteradas ainda misturando-se, Seth quase inclinou-se novamente e, por costume, passou a língua uma última vez pelos próprios lábios, um erro porque ainda podia sentir Jason. Ele permaneceu com os olhos ainda destinados ao chão, qualquer simples movimento o faria encará-lo devido a diferença de altura. Ainda recuperava-se da própria ação, tinha momentos atrás jurado que não iniciaria nada, nem um passo.
Decidiu que não aguardaria pela reação de Jason, a não ser que ele o esmurrasse de vez, não se afastaria, não queria, não podia. Tomou o ímpeto de finalmente encará-lo, quase fraquejando com turbilhão de emoções que não conseguia identificar, quase desejava que Jason soltasse um comentário aleatório que aliviasse todas as suas dúvidas. Entreabriu a boca ligeiramente, buscando as palavras adequadas para a situação, tinha certeza que quando começasse o discurso o trairia completamente, expondo-se nu ao julgamento do ex-namorado. ❛ —— I looked for you… I looked for you. —— ❜ Começou, aleatoriamente. A voz abafada pela proximidade dos corpos mas não havia necessidade aumentar sua intensidade, perderia toda a emoção presente em cada fonema. ❛ —— After that whole thing went catastrophicaly down. —— ❜ Esclareceu. Olhos novamente se fechando para afastar as imagens da floresta e focar apenas naquele momento, pois, poderia ser o último. ❛ —— But then I should’ve imagined you’d find your way. —— ❜ your way back to me. A omissão foi intencional. Seth levou um dos dedos suavemente à nuca de Jason, introduzindo os dígitos nos fios alvos, simples carícias enquanto relembrava as perguntas anteriores. ❛ —— And now you care if I’m fine. —— ❜O rebate fora tão impulsivo que um pequeno esticar de lábios escapou.
❛ —— And yes, I’m holding on. See this? Rolled down a small cliff, the only thing that damn forest managed to take from me. The rest, all fine. —— ❜ Finalizou com um leve movimento de ombros, mesmo que a ação fizesse os músculos latejarem ainda mais em alarmante. Estava tão absorto na figura do ex-namorado - que tornava cada vez mais indevido o prefixo ex - que as próprias condições não se tornaram mais prioridade. Estava desgastado fisicamente, muito mais pelo constante estado de alerta que os sentidos foram incumbidos do que propriamente longas caminhadas ou o desbravamento da floresta em si; tal atividade não era estranha para ele ou para qualquer membro da família e jamais seria considerada um lazer se não fosse feita com maestria ou provasse ser um estorvo. De fato era a primeira vez que um risco tão iminente pesava sobre sua pessoa, contudo, era intrínseco a sua personalidade perseverar nas adversidades com o estoicismo e um orgulho nobre natural. A decisão de assegurar Jason de tudo isso fora impulsiva e até de certo modo altruísta de sua parte. Seth era, em sumário, uma contradição em pensamentos e ações em que muitas vezes suas atitudes mais vis que vinham à tona, em contradição a centelhas mais racionais. Eventualmente era a sua cerne soberba que vencia, mas ao menos he owned his shit sem pestanejar. ❛ —— What about you, you’re not hurt, are you? —— ❜

















