firstxdashwood:
Muito provavelmente, com uma marca de total certeza, jamais houve um momento que Seth não agradecesse a presença de Abel em sua vida; talvez apenas quando ainda eram infantes, envoltos em egoísmo natural de crianças que sempre tiveram que dividir tudo que alcançavam com outros dois irmãos da mesma idade. Desde a morte trágica de Caim, a ligação que compartilhavam apenas se fortificou, sendo assim, nada mais claro em seu julgamento que eles partirem em sua própria odisseia, sem conexão com o desastre que o governo havia premeditado, era simplesmente uma fórmula para o fracasso. E a última coisa que vinha em sua mente quando estavam sendo ameaçados por uma criatura que se proliferava como um vírus era juntar-se a eles. Ele e Abel não teriam o mesmo fim que Caim, eles sobreviveriam juntos e sem nada os contendo.
Lembrava-se perfeitamente das lições do progenitor quando ainda eram crianças, aventurando-se nos acampamentos e na educação de sobrevivência que o patriarca Dashwood sempre os ensinara. Era um abrigo, um local seguro para descansar o corpo depois de terem adentrado a floresta, ambos os Dashwood tinham uma estrutura física e resistente comparada a outros da sua idade, classe social, especialmente em uma cidade majoritariamente sedentária como Savannah, mas mesmo assim, estavam longe da fisicalidade ideal para aguentarem dias e dias fora da rotina. Ele convenceu o irmão, então, a invadir uma das casas abandonadas próximas ao fim da floresta. Seu raciocínio, pragmático, as leis mortais estavam praticamente impossíveis uma vez que mortos andavam novamente, quem se importaria com uma pequena invasão de propriedade.
Seth havia, então, depois de uma ronda pela habitação para garantir que nenhuma daquelas criaturas estivesse se esgueirando pelo terreno, se fez confortável na sala, em um dos confortáveis sofás que denunciava que o proprietário era estável financeiramente. Seus músculos latejavam devido ao esforço e seus dedos também estavam doloridos de tanto tensionar a flecha em guarda, não o melhor movimento, claro, Abel diversas vezes o desaconselhara a manter essa posição. Contudo, apesar dos desejos de escutar o gêmeo, na floresta, os arredores suspeitos e estando sempre em alerta, havia algo que lhe entregava a segurança necessária ao segurar firmemente sua flecha ou sua faca; ambos acabariam destruindo seus tendões. Movimentou as mãos, estimulando-as para afastar a dor quando ouviu um som, alguém ou algo estava entrando na sala. Sabendo que não poderia ser Abel, Seth logo colocou-se em posição de alerta, agarrando uma das facas em seu bolso uma vez que o arco seria inútil em um espaço tão fechado; facas podiam tornar o ataque mais asquerosos, porém, mais eficiente.
Foi tomado completamente de surpresa quando a iluminação favoreceu o reconhecimento da figura, que já tinha em sua garganta, a faca apontada pelo Dashwood. Um suspiro que se traduzia em Jason Morgenstern. Ele hesitou por alguns segundos a abaixar a lâmina que permanecia pressionada contra a garganta do outro, tanto pelo estupor de reconhecer aquelas feições, como pelo resquício da fúria ao lembrar da última vez que estiveram tão próximos, em um beco não muito tempo atrás. Eventualmente, ele afrouxou a ameaça, o som cortante da lâmina era a única trilha sonora que adentrava a sua audição, tão significante era o movimento que iniciara. Aproximou-se de Jason, não mais para ameaçar uma figura insignificante, mas para para confrontá-lo, acreditar que era ele mesmo que estava ali, destruído, sangrando, suspeitosamente sem a irmã irritante nos calcanhares, mas ali. Fucking karma.
A interação de um passado recente ainda estava impregnada em seu inconsciente - e muitas vezes, no próprio consciente -. A verdade era que por pouco, Seth havia voltado por Jason, mesmo tendo sido metaforicamente e fisicamente abandonado pelo loiro na sua última interação, seu orgulho e sanidade poderia tomar essa facada certeira. Eventualmente, o momento em que estavam o fez ir na direção contrária, mas ainda permaneceu a centelha da vontade, mesmo que ele ainda estivesse se martirizando por ser abandonado. Vê-lo em seu aparentemente local seguro, era particularmente insultante se houvesse uma força superior ou apenas old fucking lucky. Ele queria mover-se ainda mais, para capturá-lo com seus lábios ou com seus punhos, era incerto. Mas, como talvez na única vez em sua vida quando estava encarando aquelas orbes de caleidoscópio, a racionalidade e o seu corpo entraram em consenso e ele permaneceu estagnado, aturdido e, se secretamente, ansiando por mais, por mais de Jason. Era o ciclo vicioso mais viciante que ele já experimentara e personalidade estoica nenhuma conseguia fazê-lo seguir pela tangente.
⎾ ⋅⎈⋅ — Com os sentidos, então, entorpecidos pelo absoluto esgotamento físico e mental, Jason pouco deteve para si as condições de prever o encontro que jazia em seu futuro; A busca pela residência havia tomado todas as forças do loiro, e o certificar de que não existiam ali seres dedicados à sua morte em modos mórbidos se fizera único em sua mente - nada lhe remetendo que poderia, enfim, encontrar sobreviventes que experimentavam a mesma gama de tensão e exaustão pela qual passava. Por tal, a surpresa ao encontrar-se em posto de deter uma lâmina contra a alva derme de seu pescoço foi absoluta e igualmente paralisante, em atos que vinham apenas em prol de preservar a própria integridade fronte aquele que se mostrava em superioridade ao portar a faca. O ceder de sua personalidade irascível se deu como uma defesa lógica, ao raciocínio natural de que nada conseguiria caso viesse a apresentar ameaça à um alguém que havia passado por situações desafiadoras.
Nada, porém, havia-no preparado para o encarar irrestrito daquele que lhe oferecia uma ameaça imediata; Ainda que já houvesse desperdiçado horas a fio no imaginar de qual sina havia se decaído sobre o maior e único detentor de seus sentimentos labirintosos, o Morgenstern pouco havia se preparado para um encontrar de fato, onde os olhos mais uma vez cruzariam com aqueles detentores do tom esverdeado que lhe tingia não só os sonhos, como também os pesadelos. Seth Dashwood há tanto se tornara sua ruína, em um paradoxo onde também era a razão pela qual perseverar se tornava tão importante. As sombras do encontro deturpado que marcara a última interação com o mais alto ainda era notável na psiquê de Jason, mas o alívio de vê-lo ali, aparentemente intacto, era ainda mais fácil de se sentir - ainda que viesse a ser igualmente camuflado por seus agires orgulhosos.
Engolindo em seco, então, o mais baixo se deixou desviar momentaneamente o olhar ao que a lâmina finalmente se afastou de seu pescoço, levando consigo a sensação absoluta de perigo - mas não a tensão que era intensificada com o decorrer de cada segundo. A mão seguiu automaticamente o caminho até o local que outrora se postava sobre o fio da faca, e os dígitos maculados pelo sangue de dias passados massagearam distraidamente o local em um reforçar psicológico de que tudo se encontrava como deveria. ‘ Ahn… This was kinda uncalled for. ’ Arriscou dizeres que pouco continham o seu natural tom em agressividade, apenas para ser interrompido pela aproximação repentina do opositor; Cada ínfimo músculo que jazia em seu corpo se tornou retesado em apreensão por um confronto que poderia vir a se desenrolar de maneiras pouco agradáveis - não seria a primeira e tampouco a última onde a agressividade física tomaria palco no relacionar complicado que nutria com o ex-namorado. O soco esperado por si, conquanto, jamais foi desferido, e os olhos anômalos não vieram a se desviar daqueles que há tanto memorizara.
Podendo esse ser um erro pelo qual se culparia pelo seguir dos demais dias, Jason se deixou baixar a guarda hostil sempre apresentada quando na presença alheia, em um apresentar genuíno de toda a preocupação que sentia para com Seth. Notando a atípica ausência de reações do mais velho, o loiro tomou para si a maior parcela de controle da situação que se desenrolava ainda em maneira incerta; O único passo foi dado em um novo aproximar, que destruía quase que por completo qualquer distância outrora imposta, e apenas alguns segundos foram gastos em um parco examinar de como o Dashwood viria a reagir aos atos que tomavam palco ali. Expondo a hesitação que sentia, o loiro levou a agora trêmula mão até o rosto do mais alto, em um tocar delicado e quase frágil, como se a tez alva sob seus dígitos fosse em demasia vulnerável para aceitar um contato de maior vigorosidade.
‘ Seth, are you okay? ’ O perguntar não se concretizou em nada além de um sussurro, uma vez que o moreno era o único que precisava ouvir a questão erguida em uma preocupação singela. Nos segundos que se passavam, o Morgensterm se via capaz de deixar para trás todas as nuances dolorosas pelas quais Seth o havia empurrado, em um focar único num importar que se sobressaia em qualquer sentimento hostil que pudesse ter. ‘ Please, tell me you are fine… Talk to me. ’ Erguendo então a outra mão, Jason passou a segurar o rosto alheio por entre ambas, em um ato que se caracterizava não só como preocupado, mas também em tudo carinhoso. ⏌










